Aplicações de derivadas
Nada acontece no universo em que não apareça alguma regra de máximo ou de mínimo.
11.1 Valores extremos
Dada uma função em um conjunto de valores admissíveis, queremos saber se ela atinge um maior ou um menor valor e em quais pontos isso ocorre. Para usar as derivadas nessa busca, distinguiremos primeiro a comparação com todos os valores do domínio da comparação apenas com valores próximos.
11.1.1 Extremos absolutos
Máximos e mínimos dependem do conjunto em que a função é considerada. Um extremo absoluto compara um valor da função com todos os demais valores assumidos no intervalo.
Recordemos a Definição 7.6. Se \(f:I\to \mathbb {R}\) e \(x_0\in I\), dizemos que \(x_0\) é um ponto de máximo global (ou absoluto) quando \(f(x)\leq f(x_0)\) para todo \(x\in I\), e um ponto de mínimo global (ou absoluto) quando \(f(x)\geq f(x_0)\) para todo \(x\in I\). Os valores correspondentes são o máximo e o mínimo globais de \(f\) nesse intervalo.



Intervalo fechado \([-1,2]\) \(f(2)=4\): máximo atingido. ![Intervalo fechado [-1,2] f(2)=4: máximo atingido. Intervalo aberto (-1,2) sup f=4, mas não há máximo. Figura 11.3 Em [-1,2], x^2 atinge mínimo e máximo; em (-1,2), atinge o mínimo, mas não o supremo 4.](figures/lka1-549aa9c7.png)
Intervalo aberto \((-1,2)\) \(\sup f=4\), mas não há máximo. ![Intervalo fechado [-1,2] f(2)=4: máximo atingido. Intervalo aberto (-1,2) sup f=4, mas não há máximo. Figura 11.3 Em [-1,2], x^2 atinge mínimo e máximo; em (-1,2), atinge o mínimo, mas não o supremo 4.](figures/lka2-0117f69a.png)
11.1.2 Extremos relativos
Um valor pode ser maior que os valores vizinhos sem ser o maior de todo o intervalo. Ao restringir a comparação a uma vizinhança do ponto, obtemos a noção de extremo relativo ou local, mais diretamente ligada ao comportamento descrito pela derivada.
Diremos que \(x_0\in I\) é um ponto de máximo local de \(f\), se existir \(\delta \gt 0\) tal que \(f(x)\leq f(x_0)\), para todo \(x\in (x_0-\delta , x_0+ \delta )\cap I\). Neste caso, diremos que \(f(x_0)\) é um máximo local.
Diremos que \(x_0\in I\) é um ponto de mínimo local de \(f\), se existir \(\delta \gt 0\) tal que \(f(x)\geq f(x_0)\), para todo \(x\in (x_0-\delta , x_0+ \delta ) \cap I\). Neste caso, diremos que \(f(x_0)\) é mínimo local.
Um ponto \(x_0\in I\) será dito um ponto extremo local, se \(x_0\) for um ponto de máximo local ou um ponto de mínimo local.
Suponha que \(f\) seja derivável em \(x_0\) e que \(x_0\) seja um ponto de máximo local; o caso de mínimo local é análogo. Então existe \(\delta \gt 0\) tal que \((x_0-\delta ,x_0+\delta )\subset (a,b)\) e \(f(x_0)\geq f(x)\) sempre que \(|x-x_0|\lt \delta \). Logo, para qualquer \(h\in (0,\delta )\), temos:
Tomando o limite quando \(h\to 0^+\) e usando a existência de \(f'(x_0)\), obtemos \(f'(x_0)\leq 0\). Por outro lado, para \(h \in (-\delta ,0)\), temos
Tomando agora o limite quando \(h\to 0^-\), obtemos \(f'(x_0)\geq 0\). Logo, \(f'(x_0)=0\).
11.1.3 Extremos em intervalos fechados
O Teorema de Weierstrass 7.46 garante que uma função contínua em um intervalo fechado e limitado atinge máximo e mínimo globais. O Teorema de Fermat localiza os extremos interiores entre os pontos críticos. Restam as extremidades do intervalo. Reunindo essas duas observações, obtemos o critério seguinte.
os pontos críticos de \(f\);
as extremidades \(a\) e \(b\) do intervalo.
Pelo Teorema de Weierstrass, \(f\) atinge máximo e mínimo em \([a,b]\). Se um desses extremos ocorre em um ponto \(x_0\in (a,b)\), então ele é também um extremo local. Pelo Teorema de Fermat, ou \(f'(x_0)=0\) ou a derivada não existe em \(x_0\); em ambos os casos, \(x_0\) é um ponto crítico. Portanto, fora dos pontos críticos, os únicos candidatos restantes são as extremidades \(a\) e \(b\).
O método dos candidatos permite localizar extremos em intervalos fechados: identificamos os pontos críticos interiores e comparamos os valores da função nesses pontos e nas extremidades. Nos dois exemplos seguintes, uma restrição geométrica determina a função a ser estudada.
Considere O círculo vazio indica o ponto retirado do gráfico. Determine o mínimo global e suas abscissas. Existe máximo global? Explique a diferença entre um valor ser o menor limitante superior da imagem e ser efetivamente atingido. Defina agora \(g\) em todo \([0,4]\), mantendo \(g(x)=f(x)\) para \(x\neq 2\) e colocando \(g(2)=3\). Essa inclusão cria um máximo global? Qual hipótese impede aplicar o teorema de existência de extremos a \(g\)? O mínimo é \(0\), atingido em \(x=0\) e \(x=4\). Não há máximo: todos os valores são menores que \(4\), mas valores arbitrariamente próximos de \(4\) são obtidos quando \(x\to 2\), \(x\neq 2\). Assim, \(4\) é o supremo da imagem e não é um valor da função. Não. A imagem de \(g\) continua sendo \([0,4)\), pois o valor \(3\) já era assumido em \(x=1\) e \(x=3\). Embora o domínio seja fechado e limitado, \(g\) não é contínua em \(2\): seu limite ali é \(4\), enquanto \(g(2)=3\).
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Determine os pontos de máximo global de \(f\), de \(-f\) e de \(f^2\), e os respectivos valores máximos.
Se o objetivo é aproximar o indicador de zero, quais escolhas minimizam \(f^2\)? Explique por que maximizar \(f\) e maximizar \(f^2\) representam critérios diferentes neste caso.
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Para \(f\), o máximo é \(2\) em \(x=3\). Para \(-f\), é \(3\) em \(x=1\). Como \(-3\leq f\leq 2\), o máximo de \(f^2\) é \(9\), também apenas em \(x=1\).
O mínimo de \(f^2\) é \(0\), atingido em \(x=0,2,4\). O quadrado mede o tamanho do desvio e elimina seu sinal. A transformação \(u\mapsto u^2\) não preserva a ordem em um intervalo que contém valores negativos e positivos.
\(f\) possui máximos e mínimos globais nesse intervalo? Justifique.
Como localizar os pontos em que \(f\) atinge seus extremos absolutos em \([a,b]\)? Que candidatos devem ser examinados?
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Sim. Pelo Teorema de Weierstrass, a continuidade no intervalo fechado e limitado garante que a função atinja seus valores máximo e mínimo.
Compare \(f(a)\), \(f(b)\) e os valores de \(f\) em todos os pontos críticos interiores. Pelo Teorema de Fermat, nenhum extremo interior pode ficar fora desse conjunto. Se houver infinitos pontos críticos, a comparação deve abranger esse conjunto inteiro; o teorema não garante uma lista finita de candidatos.
\(f(x)=\frac{x^4-4}{x^2+1}\) no intervalo \(\left[-4,4\right]\)
\(f(x)=x\sqrt{4-x^2}\) no intervalo \(\left[-1, 2\right]\)
\(x e^{-x}\) no intervalo \(\left[0,2\right]\)
\( \frac{\ln (x)}{x}\) no intervalo \(\left[1,3\right]\)
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\(f'(x)=2x(x^4+2x^2+4)/(x^2+1)^2\). Máximo \(252/17\) em \(x=-4\) e \(x=4\); mínimo \(-4\) em \(x=0\).
\(f'(x)=(4-2x^2)/\sqrt{4-x^2}\) no interior do domínio. Compare \(f(-1)=-\sqrt3\), \(f(\sqrt2)=2\) e \(f(2)=0\): o máximo é \(2\) em \(x=\sqrt2\), e o mínimo é \(-\sqrt3\) em \(x=-1\).
\(f'(x)=e^{-x}(1-x)\). Máximo \(1/e\) em \(x=1\); mínimo \(0\) em \(x=0\).
\(f'(x)=(1-\ln x)/x^2\). Máximo \(1/e\) em \(x=e\); mínimo \(0\) em \(x=1\).
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\(f(x)=x^4-4x^2+2\) no intervalo \([-3,2]\)
\(g(x)=\frac{x}{x+1}\) no intervalo \([1,2]\)
\(h(x)=\sqrt{9-x^2}\) no intervalo \([-1,2]\)
\(f(t)=\operatorname {sen}(t)+\cos (t)\) no intervalo \([0,\pi /3]\)
\(f(x)=x-3\ln (x)\) no intervalo \([1,4]\)
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\(f'(x)=4x(x^2-2)\). Máximo \(47\) em \(x=-3\); mínimo \(-2\) em \(x=\pm \sqrt2\).
\(g'(x)=1/(x+1)^2\gt 0\). Máximo \(2/3\) em \(x=2\); mínimo \(1/2\) em \(x=1\).
\(h'(x)=-x/\sqrt{9-x^2}\). Máximo \(3\) em \(x=0\); mínimo \(\sqrt5\) em \(x=2\).
\(f'(t)=\cos t-\operatorname {sen}t\). Máximo \(\sqrt2\) em \(t=\pi /4\); mínimo \(1\) em \(t=0\).
\(f'(x)=1-3/x\). Mínimo \(3-3\ln 3\) em \(x=3\). O máximo é \(1\) em \(x=1\), pois \(f(4)=4-3\ln 4\lt 1\).
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Pelo Teorema de Weierstrass, \(f\) atinge um mínimo \(m\) e um máximo \(M\) em \([c,d]\). Pela hipótese, temos \(m\leq f(x)\leq M\) também para \(x\in (a,b)\setminus [c,d]\). Portanto, os mesmos valores são o mínimo e o máximo globais em \((a,b)\).
A continuidade, por si só, não garante isso: \(f(x)=x\) é contínua em \((a,b)\), mas não atinge máximo nem mínimo nesse intervalo.
\(f(x)=1+\frac{1}{x}\) no intervalo \((0,\infty )\)
\(g(x)=\sqrt{9+x^2}\) no intervalo \((-\infty , \infty )\)
\(h(x)=x^5-7x^2+2\) no intervalo \((-\infty ,\infty )\)
\(k(x)= \ln (x)-x\) no intervalo \((0,\infty )\)
\(m(x)= 1/(x-x^2)\) no intervalo \((0,1)\)
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A imagem é \((1,\infty )\); não há máximo nem mínimo.
Mínimo \(3\) em \(x=0\), pois \(9+x^2\geq 9\). Não há máximo.
Não há extremos globais: \(h(x)\to +\infty \) quando \(x\to +\infty \) e \(h(x)\to -\infty \) quando \(x\to -\infty \).
\(k'(x)=1/x-1\). Máximo \(-1\) em \(x=1\). Não há mínimo, pois \(k(x)\to -\infty \) quando \(x\to 0^+\) ou \(x\to \infty \).
Como \(x-x^2=1/4-(x-1/2)^2\), o mínimo é \(4\) em \(x=1/2\). Não há máximo, pois a função tende a \(+\infty \) nas duas extremidades.
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11.2 Teorema do valor médio
Os pontos críticos fornecem informações locais. Para compreender a variação de uma função em todo um intervalo, precisamos relacionar a taxa instantânea à variação média entre dois pontos. O teorema a seguir mostrará que a taxa média entre as extremidades coincide com alguma derivada no interior.
A derivada de uma função constante é zero. A recíproca, em um intervalo, também é verdadeira e é consequência de um resultado mais forte. Sob hipóteses adequadas, existe \(c\in (a,b)\) tal que
O coeficiente angular da tangente em algum ponto interior coincide, portanto, com o coeficiente angular da secante que une as extremidades do gráfico. Em linguagem de movimento, alguma velocidade instantânea coincide com a velocidade média no intervalo. O caso em que \(f(a)=f(b)\) é o Teorema de Rolle.
Como \(f\) é contínua em \([a,b]\), ela atinge um máximo \(M\) em algum \(x_1\in [a,b]\) e um mínimo \(m\) em algum \(x_2\in [a,b]\). Se \(m=M\), então \(f\) é constante em \([a,b]\) e qualquer \(c\in (a,b)\) satisfaz \(f'(c)=0\). Se \(m\lt M\), pelo menos um dos valores extremos é atingido em um ponto interior: de fato, como \(f(a)=f(b)\), os dois extremos não podem ocorrer apenas em \(a\) e \(b\). Nesse ponto interior, \(f\) possui um extremo local e o Teorema de Fermat fornece \(f'(c)=0\).
Sejam \(a\lt b\) e \(f\) uma função contínua no intervalo fechado \([a,b]\) e derivável no intervalo aberto \((a,b)\). Então, existe \(c \in (a,b)\) tal que
A equação da reta que passa pelos pontos \((a,f(a)) \) e \( (b,f(b)) \) é dada por
Para aplicar o Teorema de Rolle, consideramos a diferença entre \(f(x)\) e a ordenada da reta secante que passa por \((a,f(a))\) e \((b,f(b))\):
Como \(h\) é a diferença entre \(f\) e uma função afim, é contínua em \([a,b]\) e derivável em \((a,b)\). Além disso, \(h(a)=h(b)=0\). Logo, pelo Teorema de Rolle, existe \( c \in (a,b)\) tal que \( h'(c) = 0. \) Portanto,
Escolhendo a origem no primeiro posto, temos \(s(0)=0\) e \(s(1)=150\). Pelo Teorema do Valor Médio, existe \(c\in (0,1)\) tal que
O teorema não informa quando isso ocorreu nem afirma que a velocidade foi constante. Ele garante, porém, que em algum instante a velocidade foi exatamente \(150\, \mathrm{km/h}\); em uma via limitada a \(120\, \mathrm{km/h}\), o limite foi ultrapassado.
O resultado pode ser demonstrado aplicando o Teorema de Rolle à função
e observando que
e, assim, \(h'(c)=0\) para algum ponto \(c\in (a,b)\). Diferenciando \(h\), o resultado segue.
11.2.1 Consequências do Teorema do Valor Médio
Se conhecemos a derivada de uma função em todo um intervalo, o que isso determina sobre a própria função? Em particular, queremos saber se uma derivada identicamente nula obriga a função a ser constante e se derivadas iguais obrigam duas funções a diferir apenas por uma constante.
Sejam \(x_1,x_2\in (a,b)\), com \(x_1\lt x_2\). Como \(f\) é derivável em \((a,b)\), ela é contínua nesse intervalo; em particular, é contínua em \([x_1,x_2]\) e derivável em \((x_1,x_2)\). Pelo Teorema do Valor Médio, existe \(c\in (x_1,x_2)\) tal que
Como \(f'(x)=0\) para todo \(x\in (a,b)\), temos \(f'(c)=0\); logo \(f(x_2)=f(x_1)\). Como os pontos são arbitrários, \(f\) é constante em \((a,b)\).
A hipótese de que trabalhamos em um intervalo é essencial. Por exemplo, \(f(x)=x/|x|\), definida em \(\mathbb {R}\setminus \{ 0\} \), satisfaz \(f'(x)=0\) em todo ponto do domínio, mas não é constante: o domínio tem duas componentes. Em particular, se a posição de um corpo tem derivada nula em todo um intervalo de tempo, sua posição é constante nesse intervalo.
Considere a função \(F(x)=f(x)-g(x)\). Então \(F'(x)=f'(x)-g'(x)=0\) para todo \(x\) em \((a,b)\). Logo, \(f-g\) é constante em \((a,b)\); pela continuidade, essa mesma constante é o valor de \(f-g\) também em \(a\) e em \(b\).
Prove que existe um mesmo instante \(c\in (0,6)\) em que as velocidades são iguais. Por que aplicar o Teorema do Valor Médio separadamente às duas posições não identifica, por si só, esse instante comum? A igualdade de velocidades em algum instante obriga as partículas a se encontrarem? Verifique a resposta com \(s_B(t)=4t\) e \(s_A(t)=4t+10+\operatorname {sen}(\pi t/3)\). A diferença \(d=s_A-s_B\) é contínua em \([0,6]\), derivável em \((0,6)\) e satisfaz \(d(0)=d(6)=10\). Por Rolle, \(d'(c)=0\) para algum \(c\), ou seja, \(s_A'(c)=s_B'(c)\). Aplicações separadas do valor médio dão velocidade \(4\, \mathrm{m/s}\) em instantes possivelmente distintos. Não. No exemplo, \(s_A-s_B=10+\operatorname {sen}(\pi t/3)\geq 9\gt 0\), de modo que não há encontro. As velocidades se igualam em \(t=3/2\) e \(t=9/2\), quando o cosseno se anula.
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Qual é o número mínimo de zeros distintos de \(f'\) garantido pelo Teorema de Rolle? Indique intervalos que contenham esses zeros.
Qual é o número mínimo de zeros distintos de \(f''\) que se pode garantir? Em que intervalo eles se encontram?
E se, além disso, \(f(7)=0\)?
Pode \(f'\) ter mais zeros do que os garantidos? Dê um exemplo.
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Dois: um em \((0,2)\) e outro em \((2,5)\).
Um, em \((0,5)\): aplicando Rolle a \(f'\) entre os dois zeros obtidos.
Três zeros de \(f'\) e dois de \(f''\).
Sim: os teoremas dão apenas uma quantidade mínima. Por exemplo, \(f(x)=x(x-2)(x-5)\bigl(2+\operatorname {sen}(10x)\bigr)\) tem esses zeros e \(f'\) oscila muitas vezes.
\(\operatorname {arcsen}(-x)=-\operatorname {arcsen}x\), para \(x\in [-1,1]\).
\(\operatorname {arctg}(-x)=-\operatorname {arctg}x\), para \(x\in \mathbb {R}\).
\(\arccos (-x)=\pi -\arccos x\), para \(x\in [-1,1]\).
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Em \((-1,1)\), a derivada de \(h(x)=\operatorname {arcsen}(-x)+\operatorname {arcsen}x\) é zero. Como \(h(0)=0\), temos \(h(x)=0\). A continuidade estende a identidade a \(x=\pm 1\).
Para \(h(x)=\operatorname {arctg}(-x)+\operatorname {arctg}x\), vale \(h'(x)=-1/(1+x^2)+1/(1+x^2)=0\) em \(\mathbb {R}\). Como \(h(0)=0\), segue a identidade.
Em \((-1,1)\), a função \(h(x)=\arccos (-x)+\arccos x\) satisfaz \(h'(x)=0\). Como \(h(0)=\pi \), segue \(h(x)=\pi \), também nos extremos pela continuidade.
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Demonstração do teorema da função implícita
Esta demonstração é um aprofundamento e pode ser omitida em uma primeira leitura.
Retomemos o Teorema 10.3, enunciado no capítulo anterior. Queremos mostrar que, se \(F(a,b)=0\) e \(F_y(a,b)\ne 0\), a equação \(F(x,y)=0\) determina, perto de \((a,b)\), uma única função derivável \(y=f(x)\). Para isso, examinaremos \(F(x,y)\) como função de \(y\), mantendo \(x\) fixo.
Podemos supor \(F_y(a,b)\gt 0\); se necessário, substituímos \(F\) por \(-F\). Pela continuidade de \(F_y\), existe um retângulo em torno de \((a,b)\) no qual \(F_y\gt 0\). Pelo Teorema do Valor Médio, para cada \(x\) fixado, a função \(y\mapsto F(x,y)\) é estritamente crescente nesse retângulo.
Escolhemos \(b_-\lt b\lt b_+\) nesse intervalo vertical. Como \(F(a,b)=0\),
Como as funções \(x\mapsto F(x,b_-)\) e \(x\mapsto F(x,b_+)\) são contínuas, essas desigualdades permanecem válidas para \(x\) suficientemente próximo de \(a\). O Teorema do Valor Intermediário fornece, então, um único \(f(x)\in (b_-,b_+)\) tal que \(F(x,f(x))=0\).
Mostremos que \(f\) é contínua. Fixado \(x_0\), escrevemos \(y_0=f(x_0)\). Para \(\varepsilon \gt 0\) suficientemente pequeno, o crescimento estrito implica
Essas desigualdades continuam válidas quando \(x\) está próximo de \(x_0\). Pela unicidade da raiz, \(y_0-\varepsilon \lt f(x)\lt y_0+\varepsilon \). Logo, \(f\) é contínua.
Por fim, de \(F(x+h,f(x+h))=F(x,f(x))=0\), obtemos
Aplicando o Teorema do Valor Médio a cada diferença, com uma variável fixa de cada vez, encontramos \(\eta _h\) entre \(f(x)\) e \(f(x+h)\) e \(\xi _h\) entre \(x\) e \(x+h\) tais que
Portanto,
Como \(f\) é contínua, \(\eta _h\to f(x)\) e \(\xi _h\to x\). Passando ao limite, obtemos
como queríamos demonstrar.\(\square \)
Para outras demonstrações elementares, consulte de Oliveira 2013.
11.3 Funções crescentes e decrescentes
Como localizar os intervalos em que os valores de uma função aumentam ou diminuem sem comparar cada par de pontos? O Teorema do Valor Médio permite decidir essa questão a partir do sinal da derivada.
Se \(a\lt b\), o Teorema do Valor Médio escreve a diferença \(f(b)-f(a)\) como \(f'(c)(b-a)\) para algum ponto intermediário \(c\). Como \(b-a\gt 0\), o sinal de \(f'\) determina o sinal da variação de \(f\).
Recordemos as definições do estudo de funções: \(f\) é crescente em um intervalo \(I\) se, para \(a,b\in I\) com \(a\lt b\), temos \(f(a)\lt f(b)\). Analogamente, é decrescente se \(f(a)\gt f(b)\) sempre que \(a\lt b\).
Se \(f'(x)\gt 0\) em todos os pontos do interior em que a derivada existe, então \(f\) é crescente em \(I\).
Se \(f'(x)\lt 0\) em todos os pontos do interior em que a derivada existe, então \(f\) é decrescente em \(I\).
Fixe \(x_1\lt x_2\) em \(I\). Se \(f\) for derivável em todo o intervalo \((x_1,x_2)\), o Teorema do Valor Médio garante a existência de \(c\in (x_1,x_2)\) tal que
Como \(x_2-x_1\gt 0\), o sinal de \(f(x_2)-f(x_1)\) é o mesmo de \(f'(c)\).
Se houver pontos de \((x_1,x_2)\) nos quais \(f'\) não existe, ordene-os e use-os para dividir \([x_1,x_2]\) em subintervalos. Em cada um deles, o argumento anterior se aplica. A continuidade permite usar esses pontos como extremidades dos subintervalos; somando as variações de \(f\), concluímos que \(f(x_2)\gt f(x_1)\) no primeiro caso e \(f(x_2)\lt f(x_1)\) no segundo.
Sob as mesmas hipóteses, se \(f'(x)\geq 0\) em todos os pontos do interior em que a derivada existe, então \(f\) é não decrescente. Analogamente, se \(f'(x)\leq 0\), então \(f\) é não crescente. A demonstração é a mesma, com desigualdades não estritas.
crescente em cada um dos intervalos \((-\infty ,1]\) e \([2,\infty )\);
decrescente em \([1,2]\).
crescente em cada um dos intervalos \((-\infty ,-1)\) e \((-1,0]\);
decrescente em cada um dos intervalos \([0,1)\) e \((1,\infty )\).
11.3.1 Teste da primeira derivada para máximos e mínimos
O sinal de \(f'\) nos dois lados de um ponto crítico permite distinguir máximos, mínimos e pontos críticos sem extremo.
Se \(f^{\prime } \gt 0\) no intervalo \((x-\varepsilon ,x)\) à esquerda de \(x\) e se \(f^{\prime } \lt 0\) no intervalo \((x,x+\varepsilon )\) à direita de \(x\), então \(x\) é um ponto de máximo local.
Se \(f^{\prime } \lt 0\) no intervalo \((x-\varepsilon ,x)\) à esquerda de \(x\) e se \(f^{\prime } \gt 0\) no intervalo \((x,x+\varepsilon )\) à direita de \(x\), então \(x\) é um ponto de mínimo local.
Se \(f'\) é positiva em ambos os intervalos \((x-\varepsilon ,x)\) e \((x,x+\varepsilon )\), ou negativa em ambos, então \(x\) não é ponto de máximo nem de mínimo local.
Para \(t\lt x\) próximo de \(x\), o Teorema do Valor Médio em \([t,x]\) fornece
para algum \(u\in (t,x)\). Como \(x-t\gt 0\), se \(f'\gt 0\) à esquerda de \(x\), então \(f(t)\lt f(x)\); se \(f'\lt 0\), então \(f(t)\gt f(x)\).
Para \(t\gt x\) próximo de \(x\), aplicando o teorema em \([x,t]\), obtemos
para algum \(v\in (x,t)\). Como \(t-x\gt 0\), se \(f'\gt 0\) à direita de \(x\), então \(f(t)\gt f(x)\); se \(f'\lt 0\), então \(f(t)\lt f(x)\).
Combinando as comparações dos dois lados, obtemos, respectivamente, máximo local, mínimo local ou ausência de extremo, conforme os três casos do enunciado. A continuidade em \(x\) é o que permite aplicar o Teorema do Valor Médio nos intervalos que têm \(x\) como extremidade, mesmo quando \(f'(x)\) não existe.
Dois móveis percorrem a mesma reta, com posições em metros, com \(t\) em segundos. O gráfico mostra a distância orientada \(d(t)=s_A(t)-s_B(t)\). Compare as velocidades e as posições para todo \(t\geq 0\). O móvel que está atrás é sempre mais rápido? Chega a alcançar o outro? Explique por que \(d'(t)\lt 0\) não implica que \(d(t)\) atinja zero. Qual é a distância limite entre os móveis? \(s_A'=1\) e \(s_B'=1+2e^{-t}\gt 1\): \(B\) é sempre mais rápido. Entretanto, \(d(t)=1+2e^{-t}\gt 1\), logo \(B\) permanece atrás e nunca alcança \(A\). A derivada negativa garante diminuição da distância, não que ela percorra todos os valores menores que o inicial. Temos \(d(t)\to 1\, \mathrm m\) quando \(t\to \infty \); a vantagem diminui de \(3\) metros para uma distância limite positiva.
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Determine se \(A\), \(B\), \(A+B\) e \(p\) são crescentes ou decrescentes. Como a participação pode diminuir enquanto o grupo aumenta?
Compare \(p(0)\) com \(\lim _{t\to \infty }p(t)\). A diminuição da participação significa que o tamanho absoluto do primeiro grupo se aproxima de zero?
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\(A\), \(B\) e \(A+B\) são estritamente crescentes. Já
\[ \begin{gathered} p'(t)=\frac{10(200+40t)-40(100+10t)}{(200+40t)^2}\\ =\frac{-2000}{(200+40t)^2}\lt 0. \end{gathered} \]A participação compara a quantidade com um total que cresce em outra proporção.
\(p(0)=1/2\) e \(p(t)\to 1/4\). Apesar disso, \(A(t)\to +\infty \): perder participação relativa não significa diminuir em tamanho absoluto.
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Determine o domínio de \(f\).
Encontre os pontos e valores críticos.
Encontre os intervalos de crescimento e decrescimento.
Use o teste da primeira derivada para dizer se os pontos críticos são de máximo ou mínimo local ou nenhuma dessas opções.
\(f(x) = x^2-3x+5\)
\(f(x) = \cos x\)
\(f(x) = \operatorname {tg}x\)
\(f(x) = x^3-5x^2+7x-1\)
\(f(x) = 2x^3-x^2+x-1\)
\(f(x) =x^4-5x^2+4\)
\(\displaystyle f(x) =\frac{1}{x^2+1}\)
\(\displaystyle f(x) =x^2+2x-3\)
\(\displaystyle f(x) =x^3+3x^2+3\)
\(\displaystyle f(x) =\frac{1}{x^2-2x+2}\)
\(\displaystyle f(x) =\frac{x^2-4}{x^2-1}\)
\(\displaystyle f(x) =\frac{x}{x^2-2x-8}\)
\(\displaystyle f(x) =\frac{(x-2)^{2/3}}{x}\)
\(\displaystyle f(x) =\operatorname {sen}x\cos x\) em \((-\pi ,\pi )\).
Ver solução
\(f'=2x-3\). Crítico \(3/2\), mínimo de valor \(11/4\); \(\downarrow \) em \((-\infty ,3/2)\) e \(\uparrow \) em \((3/2,\infty )\).
\(f'=-\operatorname {sen}x\). Para \(k\in \mathbb Z\), \(2k\pi \) é máximo de valor \(1\), e \((2k+1)\pi \) é mínimo de valor \(-1\). Há crescimento em \(((2k-1)\pi ,2k\pi )\) e decrescimento em \((2k\pi ,(2k+1)\pi )\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ \pi /2+k\pi :k\in \mathbb Z\} \). Como \(f'=\sec ^2x\gt 0\), a função cresce em cada intervalo \((-\pi /2+k\pi ,\pi /2+k\pi )\) e não tem pontos críticos.
\(f'=(x-1)(3x-7)\). Máximo local em \(1\), de valor \(2\), e mínimo local em \(7/3\), de valor \(22/27\). Há crescimento em \((-\infty ,1)\) e \((7/3,\infty )\) e decrescimento em \((1,7/3)\).
\(f'=6x^2-2x+1=6(x-1/6)^2+5/6\gt 0\). Crescente em toda a reta, sem pontos críticos.
Escreva \(r=\sqrt{5/2}\). Como \(f'=2x(2x^2-5)\), há mínimos em \(\pm r\), de valor \(-9/4\), e máximo local em \(0\), de valor \(4\). A função decresce em \((-\infty ,-r)\) e \((0,r)\) e cresce em \((-r,0)\) e \((r,\infty )\).
\(f'=-2x/(x^2+1)^2\). Máximo em \(0\), de valor \(1\); crescente em \((-\infty ,0)\) e decrescente em \((0,\infty )\).
\(f'=2x+2\). Mínimo em \(-1\), de valor \(-4\); decrescente em \((-\infty ,-1)\) e crescente em \((-1,\infty )\).
\(f'=3x(x+2)\). Máximo local em \(-2\), de valor \(7\), e mínimo local em \(0\), de valor \(3\). Crescente em \((-\infty ,-2)\) e \((0,\infty )\); decrescente em \((-2,0)\).
\(f'=-2(x-1)/((x-1)^2+1)^2\). Máximo em \(1\), de valor \(1\); crescente em \((-\infty ,1)\) e decrescente em \((1,\infty )\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ -1,1\} \). Como \(f'=6x/(x^2-1)^2\), há mínimo local em \(0\), de valor \(4\). Decrescente em \((-\infty ,-1)\) e \((-1,0)\); crescente em \((0,1)\) e \((1,\infty )\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ -2,4\} \). Como \(f'=-(x^2+8)/(x^2-2x-8)^2\lt 0\), decresce em cada um dos três componentes do domínio, sem pontos críticos.
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ 0\} \). Para \(x\neq 0,2\), \(f'=(6-x)/(3x^2\sqrt[3]{x-2})\). O ponto \(2\) é crítico por não diferenciabilidade e é mínimo local de valor \(0\); \(6\) é máximo local de valor \(\sqrt[3]2/3\). Decresce em \((-\infty ,0)\), \((0,2)\) e \((6,\infty )\); cresce em \((2,6)\).
Domínio \((-\pi ,\pi )\) e \(f'=\cos (2x)\). Máximos em \(-3\pi /4\) e \(\pi /4\), de valor \(1/2\); mínimos em \(-\pi /4\) e \(3\pi /4\), de valor \(-1/2\). Cresce em \((-\pi ,-3\pi /4)\), \((-\pi /4,\pi /4)\) e \((3\pi /4,\pi )\); decresce em \((-3\pi /4,-\pi /4)\) e \((\pi /4,3\pi /4)\).
\(f(x)=x^3-3x^2+1\)
\(f(x)=x^3+2x^2+x+1\)
\(f(x)=x+\dfrac 1x\)
\(y=x^2+\dfrac 1x\)
\(y=x+\dfrac 1{x^2}\)
\(f(x)=3x^5-5x^3\)
\(x(t)=\dfrac t{1+t^2}\)
\(x(t)=\dfrac {t^2}{1+t^2}\)
\(x(t)=2-e^{-t}\)
\(f(x)=e^{2x}-e^x\)
\(f(x)=\dfrac {x^3-x^2+1}x\)
\(f(x)=\dfrac {3x^2+4x}{1+x^2}\)
\(g(x)=xe^x\)
\(f(x)=-x^4+4x^3-4x^2+2\)
\(f(x)=\dfrac {e^x}x\)
\(g(x)=\dfrac {x^2-x+1}{2(x-1)}\)
\(g(x)=x-e^x\)
Ver solução
\(f'=3x(x-2)\): cresce em \((-\infty ,0]\) e \([2,\infty )\), decresce em \([0,2]\); máx. local \(f(0)=1\), mín. local \(f(2)=-3\); \(f\to \pm \infty \) quando \(x\to \pm \infty \).
\(f'=(x+1)(3x+1)\): cresce em \((-\infty ,-1]\) e \([-\tfrac 13,\infty )\), decresce em \([-1,-\tfrac 13]\); máx. local \(1\), mín. local \(\tfrac {23}{27}\).
\(f'=(x^2-1)/x^2\): cresce em \((-\infty ,-1]\) e \([1,\infty )\), decresce em \([-1,0)\) e \((0,1]\); \(f(\pm 1)=\pm 2\); \(f\to \pm \infty \) quando \(x\to 0^\pm \); assíntota \(y=x\).
\(y'=(2x^3-1)/x^2\): decresce em \((-\infty ,0)\) e em \((0,2^{-1/3}]\), cresce em \([2^{-1/3},\infty )\); mín. local \(\tfrac 32\sqrt[3]2\) em \(x=2^{-1/3}\); \(y\to \pm \infty \) quando \(x\to 0^\pm \); \(y\to +\infty \) quando \(x\to \pm \infty \).
\(y'=(x^3-2)/x^3\): cresce em \((-\infty ,0)\) e \([\sqrt[3]2,\infty )\), decresce em \((0,\sqrt[3]2]\); mín. local \(\tfrac 32\sqrt[3]2\); \(y\to +\infty \) quando \(x\to 0\); assíntota \(y=x\).
\(f'=15x^2(x^2-1)\): cresce em \((-\infty ,-1]\) e \([1,\infty )\), decresce em \([-1,1]\); máx. local \(f(-1)=2\), mín. local \(f(1)=-2\); em \(0\) não há extremo.
\(x'=(1-t^2)/(1+t^2)^2\): decresce em \((-\infty ,-1]\) e \([1,\infty )\), cresce em \([-1,1]\); extremos \(\mp \tfrac 12\) em \(t=\mp 1\); \(x\to 0\) quando \(t\to \pm \infty \).
\(x'=2t/(1+t^2)^2\): decresce em \((-\infty ,0]\), cresce em \([0,\infty )\); mín. \(0\); assíntota horizontal \(x=1\) (no plano \(tx\)) nos dois sentidos.
\(x'=e^{-t}\gt 0\): crescente em \(\mathbb {R}\); \(x\to 2\) quando \(t\to +\infty \) e \(x\to -\infty \) quando \(t\to -\infty \).
\(f'=e^x(2e^x-1)\): decresce em \((-\infty ,-\ln 2]\), cresce em \([-\ln 2,\infty )\); mín. \(-\tfrac 14\); \(f\to 0\) quando \(x\to -\infty \).
\(f'=(x-1)(2x^2+x+1)/x^2\): decresce em \((-\infty ,0)\) e \((0,1]\), cresce em \([1,\infty )\); mín. local \(f(1)=1\); \(f\to \pm \infty \) quando \(x\to 0^\pm \).
\(f'=-2(x-2)(2x+1)/(1+x^2)^2\): decresce em \((-\infty ,-\tfrac 12]\) e \([2,\infty )\), cresce em \([-\tfrac 12,2]\); mín. \(-1\), máx. \(4\); assíntota \(y=3\).
\(g'=(x+1)e^x\): decresce em \((-\infty ,-1]\), cresce em \([-1,\infty )\); mín. \(-1/e\); \(g\to 0\) quando \(x\to -\infty \).
\(f'=-4x(x-1)(x-2)\): cresce em \((-\infty ,0]\) e \([1,2]\), decresce em \([0,1]\) e \([2,\infty )\); máx. locais \(f(0)=f(2)=2\), mín. local \(f(1)=1\).
\(f'=(x-1)e^x/x^2\): decresce em \((-\infty ,0)\) e \((0,1]\), cresce em \([1,\infty )\); mín. local \(e\); \(f\to \pm \infty \) quando \(x\to 0^\pm \); \(f\to 0\) quando \(x\to -\infty \).
\(g'=x(x-2)/[2(x-1)^2]\): cresce em \((-\infty ,0]\) e \([2,\infty )\), decresce em \([0,1)\) e \((1,2]\); máx. local \(-\tfrac 12\), mín. local \(\tfrac 32\); \(g\to \pm \infty \) quando \(x\to 1^\pm \); assíntota \(y=\tfrac x2\).
\(g'=1-e^x\): cresce em \((-\infty ,0]\), decresce em \([0,\infty )\); máx. \(-1\); \(g\to -\infty \) nos dois sentidos.
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Calcule \(f(-1)\) e \(f(1)\). A conclusão está correta?
Determine os intervalos em que \(f\) é crescente.
Que hipótese do teste de monotonicidade por meio do Teorema do Valor Médio deixa de valer quando se considera todo o domínio?
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Temos \(-1\lt 1\), mas \(f(-1)=1\gt -1=f(1)\): a função não é crescente no domínio inteiro.
A derivada é positiva em cada um dos intervalos \((-\infty ,0)\) e \((0,\infty )\), onde a função é estritamente crescente.
Para aplicar o Teorema do Valor Médio entre dois pontos, todo o intervalo entre eles deve pertencer ao domínio. O conjunto \(\mathbb {R}\setminus \{ 0\} \) não é um intervalo: entre \(-1\) e \(1\) há um ponto em que \(f\) não está definida.
11.4 Concavidade
O sinal de \(f'\) descreve a variação dos valores da função. Para estudar como a inclinação das tangentes varia, examinaremos \(f''\). Essa informação permite distinguir as duas formas de concavidade.
Geometricamente, uma função é côncava para cima quando o segmento que une dois pontos de seu gráfico fica acima do gráfico ou coincide com ele; para a concavidade para baixo, ocorre o contrário. Essa descrição pode ser escrita diretamente em termos da altura da corda.
e as desigualdades se invertem para a concavidade para baixo. Para cálculos, o critério por meio de \(f''\) será normalmente mais prático.
Uma função côncava para cima também é chamada convexa; uma função côncava para baixo, simplesmente côncava. Se a desigualdade correspondente for estrita para toda terna \(a\lt x\lt b\), usamos os termos estritamente convexa ou estritamente côncava. Com a convenção não estrita, toda função afim pertence às duas classes. Geometricamente, os segmentos podem coincidir com o gráfico. Equivalentemente, dados \(x,y\in I\) e \(0\leq t\leq 1\), a convexidade se escreve como
e a concavidade corresponde à desigualdade inversa. Nas figuras seguintes, \(tx+(1-t)y\) é a abscissa do ponto intermediário, enquanto \(t f(x)+(1-t)f(y)\) é a ordenada do ponto correspondente na corda.
Se \(f''\geq 0\) em \(I\), então \(f\) é côncava para cima em \(I\). Se \(f''\gt 0\) em \(I\), a concavidade é estrita.
Se \(f''\leq 0\) em \(I\), então \(f\) é côncava para baixo em \(I\). Se \(f''\lt 0\) em \(I\), a concavidade é estrita.
Suponha \(f''\geq 0\). Pelo Teorema do Valor Médio aplicado a \(f'\), a derivada \(f'\) é não decrescente. Para \(a\lt x\lt b\) em \(I\), aplique o mesmo teorema a \(f\) nos intervalos \([a,x]\) e \([x,b]\). Existem \(u\in (a,x)\) e \(v\in (x,b)\) tais que
Multiplicando pelos denominadores positivos e reorganizando, obtemos a desigualdade da definição de convexidade. Se \(f''\gt 0\), \(f'\) é estritamente crescente e a desigualdade é estrita. Os casos \(f''\leq 0\) e \(f''\lt 0\) seguem aplicando o resultado a \(-f\).
\( f''(x) \gt 0\) em \( (-\infty , -1) \) e \( (1, + \infty ) \Rightarrow f \) é côncava para cima em \( (-\infty , -1) \) e \( (1, + \infty ) ,\)
\( f''(x) \lt 0 \) em \( (-1,1) \Rightarrow f \) é côncava para baixo em \( (-1,1).\)
11.4.1 Pontos de inflexão
Intuitivamente, um ponto de inflexão é um ponto do gráfico em que a concavidade muda. A definição seguinte torna essa condição precisa.
Pelo Teste da Concavidade, no intervalo em que \(f''\gt 0\) a função é estritamente côncava para cima, enquanto no intervalo em que \(f''\lt 0\) ela é estritamente côncava para baixo. Assim, a concavidade muda ao atravessarmos \(a\). Como \(f\) é contínua em \(a\), as condições da definição de ponto de inflexão estão satisfeitas. Portanto, \(a\) é um ponto de inflexão de \(f\).
Como \(m_\infty (V_{1/2})=1/2\), a primeira observação fornece \(V_{1/2}=-40\, \mathrm{mV}\). Usando a segunda,
de modo que
Os limites
descrevem a passagem entre uma população quase inteiramente fechada e uma quase inteiramente aberta. Escrevendo \(m=m_\infty (V)\), as derivadas assumem a forma
Como \(0\lt m\lt 1\), a derivada segunda muda de sinal quando \(m=1/2\), isto é, em \(V=V_{1/2}=-40\, \mathrm{mV}\). Esse é o ponto de inflexão e também o potencial de meia-ativação. Nele, a inclinação vale
11.4.2 Teste da segunda derivada para máximos e mínimos
A concavidade permite retomar a classificação dos pontos críticos: perto de uma tangente horizontal, a forma como o gráfico se encurva pode distinguir um máximo de um mínimo. Para uma função \(f:I\rightarrow \mathbb {R}\) duas vezes derivável, o sinal da derivada segunda fornece o critério seguinte.
Como \(f'(a)=0\),
Se esse limite é positivo, o quociente também é positivo suficientemente perto de \(a\). Logo, \(f'(x)\lt 0\) à esquerda e \(f'(x)\gt 0\) à direita, o que dá um mínimo pelo teste da primeira derivada. Se o limite é negativo, os sinais se invertem e obtemos um máximo.
\(f(x)=\dfrac {x^4}{4}-x^3-2x^2+3\);
\(f(x)=x^2e^{-5x}\).
Duas unidades idênticas recebem um recurso. Quando uma unidade recebe \(x\in [0,8]\), sua produção é modelada por Há \(8\) unidades do recurso para distribuir. No gráfico, \(A\) e \(B\) têm abscissas \(1\) e \(7\); \(M\) é o ponto médio da corda \(AB\), e \(P\) está no gráfico acima de \(x=4\). Sem derivar a produção total, compare as distribuições \((1,7)\) e \((4,4)\). Traduza a comparação entre as alturas de \(M\) e \(P\) em uma desigualdade entre as produções totais. Se a função de produção fosse estritamente côncava para cima em \([0,8]\), a mesma comparação entre a distribuição desigual \((1,7)\) e a equilibrada \((4,4)\) teria o mesmo sentido? Justifique pela posição da corda. Como \(R\) é estritamente côncava para baixo, \(R(4)\gt [R(1)+R(7)]/2\). Logo, \(2R(4)\gt R(1)+R(7)\): a distribuição \((4,4)\) produz mais. Aqui, os totais são \(6\) e \(39/8=4{,}875\), respectivamente. O sentido se inverte: a corda fica estritamente acima do gráfico no ponto médio, e \(R(1)+R(7)\gt 2R(4)\). Nessa comparação, a vantagem da distribuição equilibrada decorre da concavidade para baixo.
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Determine \(r(t)\) e verifique se essa taxa aumenta ou diminui.
A taxa absoluta \(P'(t)\) varia no mesmo sentido? Compare a concavidade do gráfico de \(P\) com a do gráfico de \(\ln P\), para \(t\gt 0\), e explique por que a frase “o crescimento está desacelerando” é ambígua sem especificar a taxa.
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\(r(t)=1/(2\sqrt{1+t})\) e \(r'(t)=-1/[4(1+t)^{3/2}]\lt 0\). A taxa relativa diminui.
Para \(t\gt 0\), \(P''(t)\gt 0\), portanto a taxa absoluta \(P'\) aumenta e o gráfico de \(P\) é estritamente côncavo para cima. Contudo, \((\ln P)''=r'\lt 0\), e o gráfico logarítmico é estritamente côncavo para baixo. A diminuição do percentual instantâneo é compatível com acréscimos absolutos cada vez maiores.
Complete uma tabela com o sinal (\(+\), \(-\) ou \(0\)) de \(f'\) e de \(f''\) nas abscissas de \(A\), \(B\), \(C\), \(D\) e \(E\).
Em qual dos pontos indicados a inclinação da tangente é menor? Relacione a resposta com o ponto de inflexão.
Sabendo que \(f(x)=x+2\operatorname {sen}x\), confirme as respostas.
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\(A\): \(f'\gt 0\), \(f''\lt 0\). \(B\): \(f'=0\), \(f''\lt 0\). \(C\): \(f'\lt 0\), \(f''=0\). \(D\): \(f'=0\), \(f''\gt 0\). \(E\): \(f'\gt 0\), \(f''\gt 0\).
Em \(C\): a concavidade passa de para baixo a para cima, isto é, \(f'\) deixa de decrescer e passa a crescer. Neste ponto de inflexão, a derivada tem um mínimo local.
\(f'(x)=1+2\cos x\) e \(f''(x)=-2\operatorname {sen}x\): \(B=(2\pi /3,\ldots )\) e \(D=(4\pi /3,\ldots )\) são os zeros de \(f'\), e \(C=(\pi ,\pi )\) é o zero de \(f''\), onde \(f'(\pi )=-1\) é o menor valor de \(f'\).
Determine os intervalos de crescimento e decrescimento de \(f\). Classifique os pontos críticos \(x=-2\) e \(x=1\).
Em quais intervalos o gráfico de \(f\) é côncavo para cima ou para baixo? Determine as abscissas dos pontos de inflexão.
Avalie a afirmação de que, como \(f'\) tem um máximo local em \(x=-1\), a função \(f\) também teria um máximo local nesse ponto. Explique a relação correta entre o extremo de \(f'\) e o comportamento de \(f\).
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A derivada é negativa em \((-\infty ,-2)\), positiva em \((-2,\infty )\), exceto em \(x=1\), onde se anula sem trocar de sinal. Portanto, \(f\) decresce em \((-\infty ,-2]\) e cresce em \([-2,\infty )\). Tem mínimo global em \(x=-2\); em \(x=1\), tem derivada zero, mas não um extremo local.
A função \(f'\) cresce em \((-\infty ,-1)\), decresce em \((-1,1)\) e volta a crescer em \((1,\infty )\). Assim, \(f\) é côncava para cima em \((-\infty ,-1)\) e \((1,\infty )\), e côncava para baixo em \((-1,1)\). As inflexões têm abscissas \(-1\) e \(1\).
A afirmação é falsa: \(f'(-1)=4\gt 0\), logo \(f\) está crescendo nesse ponto. O máximo local de \(f'\) corresponde à passagem de concavidade para cima a concavidade para baixo no gráfico de \(f\). Para conferir os cálculos, uma expressão compatível com o gráfico é
\[ f'(x)=(x+2)(x-1)^2,\qquad f''(x)=3(x+1)(x-1). \]
Crescente, côncava para cima em \((0,1)\),
crescente, côncava para baixo em \((1,2)\),
decrescente, côncava para baixo em \((2,3)\) e
crescente, côncava para baixo em \((3,4)\).
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É possível que \(F''(x)\ge 0\) para todo \(x\)? E que \(F''(x)\le 0\) para todo \(x\)? Justifique sem escolher uma fórmula para \(F\).
Mostre que, em todo intervalo fechado de comprimento \(T\), a segunda derivada assume pelo menos um valor positivo e pelo menos um valor negativo.
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A periodicidade dá, por derivação, \(F'(x+T)=F'(x)\). Se \(F''\ge 0\) em toda a reta, \(F'\) é não decrescente. Para \(x\le y\le x+T\),
\[ F'(x)\le F'(y)\le F'(x+T)=F'(x). \]Assim, \(F'\) seria constante em cada intervalo de comprimento \(T\), logo em toda a reta. Pelo Teorema do Valor Médio, \(F(x)=mx+b\); a periodicidade implica \(mT=0\), isto é, \(m=0\), contra a hipótese de que \(F\) não é constante. O caso \(F''\le 0\) é análogo.
Derivando duas vezes a identidade, obtemos \(F''(x+T)=F''(x)\). Se em algum intervalo \([a,a+T]\) não houvesse valores negativos, a periodicidade implicaria \(F''\ge 0\) em toda a reta, contradizendo a). O mesmo raciocínio mostra que devem existir valores positivos.
\(\displaystyle f(x) = x^2-2x+1\)
\(\displaystyle f(x) = -x^2-5x+7\)
\(\displaystyle f(x) = x^3-x+1\)
\(\displaystyle f(x) = 2x^3-3x^2+9x+5\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{x^4}{4}+\frac{x^3}{3}-2 x+3\)
\(\displaystyle f(x) = -3 x^4+8 x^3+6 x^2-24 x+2\)
\(\displaystyle f(x) = x^4-4x^3+6x^2-4x+1\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{1}{x^2+1}\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{x}{x^2-1}\)
\(\displaystyle f(x) = \operatorname {sen}x + \cos x\) em \((-\pi ,\pi )\)
\(\displaystyle f(x) = x^2e^x\)
\(\displaystyle f(x) = x^2\ln x\)
\(\displaystyle f(x) = e^{-x^2}\)
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\(f''=2\). \(C_\uparrow :\mathbb R\); sem inflexões.
\(f''=-2\). \(C_\downarrow :\mathbb R\); sem inflexões.
\(f''=6x\). \(C_\downarrow :(-\infty ,0)\); \(C_\uparrow :(0,\infty )\); inflexão \((0,1)\).
\(f''=12x-6\). \(C_\downarrow :(-\infty ,1/2)\); \(C_\uparrow :(1/2,\infty )\); inflexão \((1/2,9)\).
\(f''=x(3x+2)\). \(C_\uparrow :(-\infty ,-2/3)\) e \((0,\infty )\); \(C_\downarrow :(-2/3,0)\). Inflexões \((-2/3,347/81)\) e \((0,3)\).
Ponha \(r_\pm =(2\pm \sqrt7)/3\). Como \(f''=-12(3x^2-4x-1)\), \(C_\uparrow :(r_-,r_+)\) e \(C_\downarrow :(-\infty ,r_-)\) e \((r_+,\infty )\). Inflexões \((r_-,(-13+80\sqrt7)/27)\) e \((r_+,(-13-80\sqrt7)/27)\).
\(f''=12(x-1)^2\geq 0\). \(C_\uparrow :\mathbb R\); não há inflexão em \(1\), pois a concavidade não muda.
\(f''=2(3x^2-1)/(x^2+1)^3\). Com \(r=1/\sqrt3\), \(C_\uparrow :(-\infty ,-r)\) e \((r,\infty )\); \(C_\downarrow :(-r,r)\). Inflexões \((\pm r,3/4)\).
\(f''=2x(x^2+3)/(x^2-1)^3\). \(C_\uparrow :(-1,0)\) e \((1,\infty )\); \(C_\downarrow :(-\infty ,-1)\) e \((0,1)\). A única inflexão é \((0,0)\); \(\pm 1\) não pertencem ao domínio.
\(f''=-\operatorname {sen}x-\cos x\). \(C_\uparrow :(-\pi ,-\pi /4)\) e \((3\pi /4,\pi )\); \(C_\downarrow :(-\pi /4,3\pi /4)\). Inflexões \((-\pi /4,0)\) e \((3\pi /4,0)\).
\(f''=e^x(x^2+4x+2)\). Com \(r_\pm =-2\pm \sqrt2\), \(C_\uparrow :(-\infty ,r_-)\) e \((r_+,\infty )\); \(C_\downarrow :(r_-,r_+)\). Inflexões \((r_\pm ,r_\pm ^2e^{r_\pm })\).
Domínio \((0,\infty )\) e \(f''=2\ln x+3\). \(C_\downarrow :(0,e^{-3/2})\); \(C_\uparrow :(e^{-3/2},\infty )\). Inflexão \((e^{-3/2},-3/(2e^3))\).
\(f''=(4x^2-2)e^{-x^2}\). Com \(r=1/\sqrt2\), \(C_\uparrow :(-\infty ,-r)\) e \((r,\infty )\); \(C_\downarrow :(-r,r)\). Inflexões \((\pm r,e^{-1/2})\).
Ver solução
\(f'=2(x-1)\). Mínimo em \(1\), de valor \(0\), pois \(f''(1)=2\).
\(f'=-2x-5\). Máximo em \(-5/2\), de valor \(53/4\), pois \(f''=-2\).
\(f'=3x^2-1\). Máximo local em \(-1/\sqrt3\), de valor \(1+2/(3\sqrt3)\); mínimo local em \(1/\sqrt3\), de valor \(1-2/(3\sqrt3)\).
\(f'=6x^2-6x+9=6(x-1/2)^2+15/2\gt 0\). Não há pontos críticos nem extremos relativos.
\(f'=(x-1)(x^2+2x+2)\). Único crítico \(1\), mínimo de valor \(19/12\), pois \(f''(1)=5\).
\(f'=-12(x+1)(x-1)(x-2)\). Máximos locais em \(-1\) e \(2\), de valores \(21\) e \(-6\), pois \(f''(-1)=-72\) e \(f''(2)=-36\). Mínimo local em \(1\), de valor \(-11\), pois \(f''(1)=24\).
\(f'=4(x-1)^3\). O teste da segunda derivada é inconclusivo em \(1\), mas \(f=(x-1)^4\geq 0\) mostra que esse ponto é mínimo, de valor \(0\).
\(f'=-2x/(x^2+1)^2\). Máximo em \(0\), de valor \(1\), pois \(f''(0)=-2\).
\(f'=-(x^2+1)/(x^2-1)^2\lt 0\) em seu domínio. Não há pontos críticos.
\(f'=\cos x-\operatorname {sen}x\). Máximo em \(\pi /4\), de valor \(\sqrt2\), e mínimo em \(-3\pi /4\), de valor \(-\sqrt2\).
\(f'=e^xx(x+2)\). Máximo local em \(-2\), de valor \(4/e^2\), pois \(f''(-2)=-2/e^2\); mínimo em \(0\), de valor \(0\), pois \(f''(0)=2\).
\(f'=x(2\ln x+1)\). Único crítico \(e^{-1/2}\), mínimo de valor \(-1/(2e)\), pois a derivada segunda vale \(2\) nesse ponto.
\(f'=-2xe^{-x^2}\). Máximo em \(0\), de valor \(1\), pois \(f''(0)=-2\).
Verifique que \(H(K)=1/2\).
Mostre que
\[ H''(x)=\frac{2K^2(K^2-3x^2)}{(K^2+x^2)^3} \]e determine o ponto de inflexão.
Compare esse resultado com a curva de Boltzmann do exemplo anterior: em qual dos dois modelos a meia-resposta coincide com a inflexão?
Ver solução
A substituição direta fornece \(H(K)=K^2/(2K^2)=1/2\).
Como o denominador é positivo, \(H''\) muda de sinal em \(x=K/\sqrt3\). O ponto de inflexão é
\[ \left(\frac{K}{\sqrt3},\frac14\right). \]Na curva de Boltzmann, meia-ativação e inflexão coincidem. Para esta equação de Hill, a meia-resposta ocorre em \(x=K\), depois do ponto de inflexão.
11.5 Regra de L’Hôpital
Até aqui, usamos derivadas para estudar extremos, monotonicidade e concavidade. Elas também permitem calcular certos limites indeterminados. Por exemplo, como calcular o limite de um quociente quando numerador e denominador tendem ambos a zero? A regra de L’Hôpital relaciona esse limite ao limite do quociente das derivadas, sob hipóteses adequadas. Sua forma básica trata limites do tipo
quando \(\displaystyle \lim \limits _{x\to a} f(x) = \displaystyle \lim \limits _{x\to a} g(x) = 0\).
As funções não precisam estar definidas em \(a\). Como seus limites pela direita são zero, podemos estendê-las continuamente a esse ponto, definindo \(\widetilde f(a)=\widetilde g(a)=0\) e mantendo seus valores em \((a,b)\). As extensões são contínuas em \([a,x]\) e deriváveis em \((a,x)\) para cada \(x\in (a,b)\).
Se \(g(x)=0\), o Teorema de Rolle aplicado a \(\widetilde g\) em \([a,x]\) produziria um ponto onde \(g'=0\), contrariando a hipótese. Logo, \(g(x)\neq 0\). O Teorema do Valor Médio de Cauchy, aplicado às duas extensões em \([a,x]\), fornece \(\xi _x\in (a,x)\) tal que
Como \(a\lt \xi _x\lt x\), temos \(\xi _x\to a^+\) quando \(x\to a^+\). A hipótese sobre o limite do quociente das derivadas dá a conclusão, tanto para \(L\) finito quanto para \(L=\pm \infty \).
Fixe um ponto \(c_0\) suficientemente próximo do extremo considerado. Para \(x\) ainda mais próximo desse extremo, o Teorema do Valor Médio de Cauchy fornece um ponto \(\xi \) entre \(c_0\) e \(x\) tal que
O denominador à esquerda não é zero: caso contrário, o Teorema de Rolle aplicado a \(g\) produziria um ponto onde \(g'=0\). Usaremos a identidade
Mantendo \(c_0\) fixo, a hipótese \(|g(x)|\to \infty \) dá \(g(c_0)/g(x)\to 0\) e \(f(c_0)/g(x)\to 0\).
Se \(L\) é finito, dado \(\varepsilon \gt 0\), escolhemos primeiro \(c_0\) de modo que \(|f'/g'-L|\lt \varepsilon /4\) em todo o intervalo restante. Depois tomamos \(x\) suficientemente próximo do extremo para que
Subtraindo \(L\) na identidade anterior e usando a igualdade obtida pelo Teorema do Valor Médio de Cauchy, concluímos que \(|f(x)/g(x)-L|\lt \varepsilon \).
Se \(L=+\infty \), dado \(M\gt 0\), escolhemos \(c_0\) de modo que \(f'/g'\gt 2(M+1)\) em todo o intervalo restante. Tomando \(x\) suficientemente próximo do extremo, temos \(1-g(c_0)/g(x)\gt 1/2\) e \(|f(c_0)/g(x)|\lt 1\). A mesma identidade fornece \(f(x)/g(x)\gt M\). O caso \(L=-\infty \) segue aplicando esse argumento a \(-f\).
Identifique uma forma \(0/0\) ou um denominador cujo módulo tende a infinito; verifique a diferenciabilidade e a condição \(g'\neq 0\) no intervalo relevante.
Derive separadamente o numerador \(f\) e o denominador \(g\).
Calcule o limite de \(f'/g'\). Se ele existir, finito ou infinito, a regra garante o mesmo limite para \(f/g\). Se ele não existir, a regra não decide o limite original.
Quando \(x\to 0\), tanto o numerador quanto o denominador tendem a zero. Temos, portanto, uma indeterminação do tipo \(0/0\).
As funções envolvidas são deriváveis e a derivada do denominador, \(2x\), não se anula para \(x\neq 0\). Podemos, assim, aplicar a regra de L’Hôpital:
O novo quociente ainda apresenta uma indeterminação do tipo \(0/0\). Como as funções continuam deriváveis e a derivada do novo denominador é \(2\neq 0\), podemos aplicar novamente a regra:
Concluímos que
A primeira aplicação não eliminou a indeterminação, mas produziu um novo quociente ao qual a regra também se aplica. Esse procedimento pode ser repetido, desde que suas hipóteses sejam verificadas a cada passo.
Como o numerador e o denominador tendem a \(+\infty \), temos uma indeterminação do tipo \(\infty /\infty \). A regra de L’Hôpital parece uma possibilidade, mas o quociente das derivadas é
que não possui limite quando \(x\to +\infty \). Assim, essa aplicação da regra não fornece uma conclusão.
A expressão original, porém, pode ser reescrita como
Para \(x\gt 0\),
Pelo Teorema do Confronto,
A regra de L’Hôpital fornece uma condição suficiente para a existência do limite, não uma condição necessária. A mesma distinção será explorada no exercício conceitual que segue.
11.5.1 Diferenças e produtos indeterminados
Como calcular limites em que aparece um produto do tipo \(0\cdot \infty \) ou uma diferença do tipo \(\infty -\infty \)? Precisamos reescrever a expressão de modo que a indeterminação possa ser analisada, em particular por um quociente ao qual a regra de L’Hôpital se aplique.
No caso de produtos indeterminados utilizamos que \(fg=f/(1/g)\), quando \(g\neq 0\), para transformar o produto em quociente. Essa estratégia é ilustrada nos exemplos a seguir.
11.5.2 Potências indeterminadas
Para estudar as formas indeterminadas \(0^0\), \(1^\infty \) e \(\infty ^0\), costuma ser útil aplicar o logaritmo natural: se \(f(x)\gt 0\) nas proximidades consideradas e \(\displaystyle \lim _{x\to c}\ln \big(f(x)\big)=L\), então \(\displaystyle \lim _{x\to c} f(x) = \lim _{x\to c} e^{\ln (f(x))} = e^L.\)
Para \(x\geq 1\), considere
Os painéis mostram o quociente original e o quociente das derivadas.
Determine \(\lim _{x\to \infty }F(x)\) sem usar L’Hôpital. Uma estimativa para \(|F(x)-1|\) é suficiente.
O quociente \(D(x)\) tem limite? Explique por que a resposta não contradiz o item anterior e identifique o que uma aplicação direta da regra de L’Hôpital deixa de fornecer aqui.
Ver solução
Como \(|F(x)-1|=|\operatorname {sen}x|/x\leq 1/x\to 0\), o limite é \(1\).
Não: \(D(2\pi n)=2\) e \(D((2n+1)\pi )=0\). A existência de um limite para o quociente das derivadas é uma hipótese suficiente para concluir pela regra, não uma condição necessária para a existência do limite original. Aqui, numerador e denominador tendem a \(+\infty \) e o denominador tem derivada não nula; é o limite de \(D\) que não existe, tornando essa aplicação inconclusiva.
Ver solução
\(\lim \limits _{x\to -1}\dfrac {4x^3+x^2+3}{x^5+1}\)
\(\lim \limits _{x\to 1}\dfrac {x^{100}-x^2+x-1}{x^{12}-3}\)
\(\lim \limits _{x\to 0^+}xe^{\frac{1}{x}}\)
\(\lim \limits _{x\to \infty } \dfrac {e^x}{x^5}\)
\(\lim \limits _{x\to \infty }\dfrac {e^x}{x^n}\), com \(n\geq 1\) inteiro.
\(\lim \limits _{x\to \pi /2}\dfrac {\operatorname {tg}{x}}{\operatorname {tg}{5x}}\)
\(\lim \limits _{x\to \infty } x\operatorname {sen}{\dfrac {a}{x}}\)
\(\lim \limits _{x\to 1^+}\ln (x)\ln (x-1)\)
\(\lim \limits _{x\to \infty } x^{1/x}\)
\(\lim \limits _{x\to 0^+} x^{\operatorname {sen}(x)}\)
\(\lim \limits _{x\to 0} \dfrac {\sec ^3(x)}{1-\cos (x)}\)
\(\lim \limits _{x\to \infty } \left(\dfrac {x}{x^2+1}\right)^x\)
\(\lim \limits _{x\to \infty } x^3e^{-4x}\)
\( \lim \limits _{x\to 0^+}x^2\ln x\)
\(\lim \limits _{x\to 0^+} \left(\dfrac 1x-\dfrac 1{\operatorname {tg}x}\right)\)
Ver solução
\(2\).
\(0\).
\(\infty \).
\(\infty \).
\(\infty \).
\(5\).
\(a\).
\(0\).
\(1\).
\(1\).
\(\infty \).
\(0\).
\(0\).
\(0\).
\(0\).
\(\displaystyle \lim _{x\to 1} \frac{x^2+x-2}{x-1}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 2} \frac{x^2+x-6}{x^2-7x+10}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \pi } \frac{\operatorname {sen}x}{x-\pi }\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \pi /4} \frac{\operatorname {sen}x-\cos x}{\cos (2x)}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0} \frac{\operatorname {sen}(5x)}{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0} \frac{\operatorname {sen}(2x)}{x+2}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0} \frac{\operatorname {sen}(2x)}{\operatorname {sen}(3x)}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0} \frac{\operatorname {sen}(ax)}{\operatorname {sen}(bx)}\), com \(b\neq 0\).
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} \frac{e^x-1}{x^2}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} \frac{e^{3x}-1-3x}{x^2}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} \frac{x-\operatorname {sen}x}{x^3-x^2}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{x^4}{e^x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{\sqrt{x}}{e^x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{e^x}{\sqrt{x}}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{e^x}{2^x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{e^x}{3^x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 3} \frac{x^3-5x^2+3x+9}{x^3-7x^2+15x-9}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to -2} \frac{x^3+4x^2+4x}{x^3+7x^2+16x+12}\)
Um algoritmo exige aproximadamente \(n\ln n\) operações, enquanto outro exige \(n^2\). Para comparar suas ordens de crescimento, estenda a razão a uma variável real \(x\) e calcule \(\displaystyle \lim _{x\to \infty }(x\ln x)/x^2=\lim _{x\to \infty }(\ln x)/x\). Interprete o resultado.
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{\ln (x^2)}{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{\Big(\ln x\Big)^2}{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} x^3\ln x\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} \sqrt{x}\cdot \ln x\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } x^3-x^2\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \sqrt{x}-\ln x\)
\(\displaystyle \lim _{x\to -\infty } x^2e^x\)
Ver solução
\(3\).
\(- \frac{5}{3}\).
\(-1\).
\(- \frac{\sqrt{2}}{2}\).
\(5\).
\(0\).
\(\frac{2}{3}\).
\(\frac{a}{b}\).
\(\infty \).
\(\dfrac 92\).
\(0\).
\(0\).
\(0\).
\(\infty \).
\(\infty \).
\(0\).
\(2\).
\(-2\).
\(0\). Assim, \((n\ln n)/n^2\to 0\): assintoticamente, o crescimento \(n\ln n\) é desprezível em comparação com \(n^2\).
\(0\).
\(0\).
\(0\).
\(0\).
\(\infty \).
\(\infty \).
\(0\).
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} \frac{1}{x^2}e^{-1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} (1+x)^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} (2x)^{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} (2/x)^{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} (\operatorname {sen}x)^{x}\) Dica Teorema do Confronto.
\(\displaystyle \lim _{x\to 1^-}(1-x)^{1-x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } (x)^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } (1/x)^{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 1^+} (\ln x)^{1-x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } (1+x)^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } (1+x^2)^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \pi /2} \operatorname {tg}x\cos x\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \pi /2} \operatorname {tg}x\operatorname {sen}(2x)\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 1^+} \frac{1}{\ln x} - \frac{1}{x-1}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 3^+} \frac{5}{x^2-9} - \frac{x}{x-3}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } x\operatorname {tg}(1/x)\)
\(\displaystyle \lim _{x\to \infty } \frac{(\ln x)^3}{x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 1} \frac{x^2+x-2}{\ln x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+} xe^{1/x}\)
Ver solução
\(0\).
\(e\).
\(1\).
\(1\).
\(1\).
\(1\).
\(1\).
\(0\).
\(1\).
\(1\).
\(1\).
\(1\).
\(2\).
\(\frac{1}{2}\).
\(-\infty \).
\(1\).
\(0\).
\(3\).
\(\infty \).
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+}x^2e^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0}\left(\frac1x-\frac1{\operatorname {sen}x}\right)\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+}\operatorname {sen}x\ln x\)
\(\displaystyle \lim _{x\to +\infty }(x^2+1)^{1/\ln x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^-}(1-\cos x)^{1/x}\)
\(\displaystyle \lim _{x\to +\infty }\bigl(x-\sqrt[3]{x^3-x}\bigr)\)
\(\displaystyle \lim _{x\to 0^+}x^{\operatorname {tg}(x^2)}\)
Ver solução
\(+\infty \): com \(u=1/x\), \(x^2e^{1/x}=e^u/u^2\to +\infty \).
\(\dfrac {\operatorname {sen}x-x}{x\operatorname {sen}x}\) é do tipo \(0/0\); aplicando L’Hôpital duas vezes, o limite é \(0\).
\(0\): \(\operatorname {sen}x\ln x=\dfrac {\operatorname {sen}x}x\cdot x\ln x\to 1\cdot 0\).
\(e^2\): o logaritmo da expressão é \(\dfrac {\ln (x^2+1)}{\ln x}\to 2\).
\(+\infty \): a base tende a \(0^+\) e o expoente a \(-\infty \); não há indeterminação.
\(0\): ponha \(u=x^{-2}\), de modo que \(u\to 0^+\). Pela regra de L’Hôpital,
\[ \lim _{u\to 0^+}\frac{1-(1-u)^{1/3}}u=\frac13. \]Portanto,
\[ x-\sqrt[3]{x^3-x} =\frac1x\, \frac{1-(1-u)^{1/3}}u\longrightarrow 0. \]\(1\): tomando o logaritmo da potência, obtemos
\[ \operatorname {tg}(x^2)\ln x=\frac{\operatorname {tg}(x^2)}{x^2}\, x^2\ln x \longrightarrow 1\cdot 0=0. \]Pela continuidade da exponencial, a potência tende a \(e^0=1\).
Ver solução
11.6 Assíntotas
As assíntotas verticais, horizontais e oblíquas já foram estudadas no capítulo de limites no infinito. Vamos retomar suas características para esboçar gráficos e determinar as retas que descrevem seu comportamento perto de pontos finitos ou quando \(x\) cresce em módulo.
Na figura abaixo, a curva de \(f(x)=1+1/(x-1)\) aproxima-se da reta vertical \(x=1\) quando \(x\) tende a \(1\); quando \(x\) se afasta indefinidamente para a direita ou para a esquerda, aproxima-se da reta horizontal \(y=1\). São duas maneiras diferentes de o gráfico se aproximar de uma reta.
.90
Recordemos que uma assíntota vertical \(x=a\) aparece quando \(f(x)\) tende a \(+\infty \) ou a \(-\infty \) ao nos aproximarmos de \(a\) por pelo menos um dos lados.
Como encontrar \(a\) e \(b\)?
Se \(y=ax+b\) é uma assíntota do gráfico quando \(x\to +\infty \), então \(f(x)-(ax+b)\to 0\). Escrevendo
vemos que os dois termos à direita tendem a zero. A relação inicial também fornece o limite de \(f(x)-ax\). Portanto,
De fato, da relação \(f(x)-ax-b\to 0\) segue que
e então \(f(x)-ax\to b\). Reciprocamente, se esses dois limites existem, temos diretamente \(f(x)-(ax+b)\to 0\), de modo que a reta é uma assíntota. O mesmo argumento vale em \(-\infty \).
Antes de calcular os limites, faremos algumas simplificações
Tomando os limites em cada ramo, encontramos
Esses são os coeficientes angulares das assíntotas nas duas extremidades.
Resta determinar \(b\) em cada caso. Comecemos por \(x\to +\infty \). Pela fórmula obtida anteriormente, devemos calcular
Para simplificar essa diferença, multiplicamos pelo conjugado:
Como \(x\gt 0\), podemos dividir o numerador e o denominador por \(x\). Assim,
Portanto, a assíntota quando \(x\to +\infty \) é
Para \(x\to -\infty \), a inclinação é \(a=-3\). Nesse caso, devemos calcular
Racionalizando novamente,
Agora, como \(x\lt 0\), temos \(|x|=-x\). Dividindo o numerador e o denominador por \(-x\), obtemos
Logo, a assíntota quando \(x\to -\infty \) é
O denominador se anula em \(-2,-1,1,2\), portanto
Para todo \(x\) desse domínio, podemos cancelar \(x^2-4\) e escrever
A simplificação não altera o domínio: \(x=-2\) e \(x=2\) continuam excluídos. Entretanto,
Esses são os dois buracos do gráfico, nos pontos \((-2,5/3)\) e \((2,5/3)\), e não assíntotas verticais.
Em \(x=-1\) e \(x=1\), o denominador simplificado tende a zero enquanto o numerador permanece positivo. Examinando os sinais,
Logo, \(x=-1\) e \(x=1\) são as duas assíntotas verticais. Por fim,
A terceira assíntota é a horizontal \(y=1\).
Para \(x\geq 1\), sejam O gráfico mostra as diferenças de ordenadas entre essas funções e a reta \(y=x\). A reta \(y=x\) é assíntota de qual função quando \(x\to +\infty \)? A outra função pode ter uma assíntota da forma \(y=x+b\), com \(b\) constante? Verifique que \(f'(x)\to 1\) e \(g'(x)\to 1\). A inclinação limite determina, sozinha, a existência de uma assíntota oblíqua? Justifique pela distância de ordenadas. Para \(g\), \(g(x)-x=1/\sqrt x\to 0\), logo \(y=x\) é assíntota. Para \(f\), a diferença até \(y=x+b\) é \(\sqrt x-b\to +\infty \), qualquer que seja \(b\); não há assíntota dessa forma. \(f'=1+1/(2\sqrt x)\to 1\) e \(g'=1-1/(2x^{3/2})\to 1\). As inclinações se aproximam da mesma direção, mas a existência da assíntota exige que a diferença de ordenadas até uma reta fixa tenda a zero. Para \(f\), a diferença \(\sqrt x\) cresce sem limite, embora a derivada dessa diferença, \(1/(2\sqrt x)\), tenda a zero.
Ver solução
O gráfico de uma função pode cruzar sua assíntota oblíqua infinitas vezes.
Uma função pode ter três assíntotas horizontais distintas.
Uma função pode ter infinitas assíntotas verticais.
Se \(\lim _{x\to +\infty }\dfrac {f(x)}x=1\), então \(y=x\) é assíntota do gráfico de \(f\).
Ver solução
Verdadeira: \(f(x)=x+\dfrac {\operatorname {sen}x}x\) tem assíntota \(y=x\) e vale \(x\) em cada \(k\pi \), com \(k\in \mathbb {Z}\setminus \{ 0\} \).
Falsa: há no máximo uma em \(+\infty \) e uma em \(-\infty \).
Verdadeira: \(\operatorname {tg}x\) tem as assíntotas \(x=\pi /2+k\pi \).
Falsa: \(f(x)=x+\sqrt x\) satisfaz \(f(x)/x\to 1\), mas \(f(x)-x=\sqrt x\to +\infty \). Para a assíntota \(y=mx+b\) é preciso que \(m=\lim f(x)/x\) e que \(b=\lim (f(x)-mx)\) exista e seja finito.
Ver solução
Ver solução
11.7 Esboço de curvas
Domínio, simetrias, monotonicidade, extremos, concavidade e assíntotas descrevem aspectos complementares de uma função. Reunidos, esses dados determinam a estrutura qualitativa do gráfico. O roteiro a seguir organiza a análise sem substituir o exame das particularidades de cada função. soleira base/.append style=breakable=false
| 1 | Encontrar o domínio $\Dom f$. |
| 2 | Calcular os pontos de intersecção com os eixos. |
| 3 | Encontrar os pontos críticos e os valores críticos. |
| 4 | Verificar, quando possível, se $f$ é par ou ímpar. |
| 5 | Determinar os intervalos de crescimento e decrescimento. |
| 6 | Identificar os máximos e mínimos de $f$. |
| 7 | Determinar os intervalos de concavidade. |
| 8 | Identificar os pontos de inflexão. |
| 9 | Encontrar as assíntotas. |
| 10 | Reunir as informações e esboçar o gráfico. |
Simetrias e periodicidade podem reduzir o trabalho: depois de estudar uma parte do domínio, a informação pode ser transportada para as demais.
Um ponto crítico é apenas um candidato a extremo. O sinal de \(f'\) e a comparação de valores decidem se há máximo ou mínimo, local ou global.
Pontos onde a função não está definida são candidatos a assíntotas verticais, não assíntotas automáticas; os limites laterais devem ser examinados.
Como \(f\) é polinomial, seu domínio é \(\mathbb {R}\) e não há assíntotas verticais. As interseções com os eixos são \((0,4)\) e, numericamente, \((-0{,}355,0)\). Essa é a única raiz real.
A derivada
\[ f'(x)=3x^2-12x+9=3(x-1)(x-3) \]se anula em \(x=1\) e \(x=3\). Como o coeficiente de \(x^2\) em \(f'\) é positivo, \(f\) cresce em \((-\infty ,1)\) e \((3,\infty )\) e decresce em \((1,3)\). Portanto, \(f\) tem máximo local de valor \(8\) em \(x=1\) e mínimo local de valor \(4\) em \(x=3\).
Como \(f''(x)=6x-12=6(x-2)\), a função é côncava para baixo em \((-\infty ,2)\) e para cima em \((2,\infty )\). O ponto \((2,6)\) é um ponto de inflexão.
Por fim,
\[ \lim _{x\to -\infty }f(x)=-\infty , \qquad \lim _{x\to \infty }f(x)=\infty . \]Os limites excluem assíntotas horizontais. Além disso,
\[ \frac{f(x)}x=x^2-6x+9+\frac4x\longrightarrow +\infty \]quando \(x\to \pm \infty \); portanto, não existe coeficiente angular finito para uma assíntota oblíqua.
Reunimos os pontos críticos e o ponto de inflexão na reta real da Figura 11.36; os sinais de \(f'\) e \(f''\) determinam, respectivamente, a monotonicidade e a concavidade em cada intervalo.
Figura 11.36 Reta real para a função \(f\) do Exemplo 11.57. A Figura 11.37 mostra como essas informações conduzem do esquema inicial ao esboço final do gráfico.

Para uma parcela da forma \(e^{-kt}\), o tempo \(T\) de redução à metade satisfaz \(e^{-kT}=1/2\); logo, \(k=\ln 2/T\). Portanto,
Em particular, \(k_a\gt k_e\). Temos \(C(0)=0\), \(C(t)\gt 0\) para \(t\gt 0\) e \(\lim _{t\to \infty }C(t)=0\). Além disso,
A equação \(C'(t)=0\) tem uma única solução:
Substituindo os parâmetros calibrados,
Como \(C'(0)=A(k_a-k_e)\gt 0\) e, depois desse ponto, a parcela de eliminação predomina, a concentração cresce até \(t_{\max }\) e decresce em seguida. O gráfico parte de zero, possui um único pico e retorna assintoticamente a zero.
Como \(x^2-x-6=(x-3)(x+2)\), o domínio é \(\mathbb {R}\setminus \{ -2,3\} \). As interseções são \((-1,0)\), \((2,0)\) e \((0,1/3)\).
Temos
\[ f'(x)=\frac{4(1-2x)}{(x-3)^2(x+2)^2}. \]O denominador é positivo no domínio; portanto, o sinal de \(f'\) é o mesmo de \(1-2x\). Dividimos a análise em \(x=1/2\), onde a derivada se anula, e nos pontos \(-2\) e \(3\), que não pertencem ao domínio.
Intervalo
\(1-2x\)
\(f'(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,-2)\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
\((-2,1/2)\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
\((1/2,3)\)
\(-\)
\(-\)
Decrescente
\((3,\infty )\)
\(-\)
\(-\)
Decrescente
Em \(x=1/2\), a derivada passa de positiva para negativa. Assim, \((1/2,9/25)\) é um ponto de máximo local.
A derivada segunda é
\[ f''(x)=\frac{24x^2-24x+56}{(x-3)^3(x+2)^3}. \]O numerador é sempre positivo, pois \(24x^2-24x+56=24(x-1/2)^2+50\). Basta, então, examinar os dois fatores do denominador.
Intervalo
\((x-3)^3\)
\((x+2)^3\)
\(f''(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,-2)\)
\(-\)
\(-\)
\(+\)
Côncava para cima
\((-2,3)\)
\(-\)
\(+\)
\(-\)
Côncava para baixo
\((3,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Côncava para cima
Não há pontos de inflexão: a concavidade muda ao passar de um ramo a outro, mas \(-2\) e \(3\) não pertencem ao domínio.
Os limites laterais confirmam as assíntotas verticais \(x=-2\) e \(x=3\). Como
\[ \lim _{x\to \pm \infty }f(x)=1, \]a reta \(y=1\) é assíntota horizontal.
A Figura 11.38 resume os sinais de \(f'\) e \(f''\) nos intervalos determinados por \(-2\), \(1/2\) e \(3\).
Figura 11.38 Reta real para \(f\) do Exemplo 11.59. A Figura 11.39 reúne as interseções, a monotonicidade, a concavidade e as três assíntotas no esboço final.

A raiz cúbica está definida para todo número real; portanto, \(\operatorname {Dom}f=\mathbb {R}\). A função é contínua em toda a reta, mas não é par nem ímpar. Suas raízes são \(x=-8\) e \(x=0\).
Para \(x\neq 0\),
\[ f'(x)=1+\frac{4}{3\sqrt[3]{x}} =\frac{3\sqrt[3]{x}+4}{3\sqrt[3]{x}}. \]A derivada se anula em \(x=-64/27\) e não existe em \(x=0\), embora \(f\) esteja definida nesse ponto. Esses dois pontos dividem a análise dos sinais do numerador e do denominador.
Intervalo
\(3\sqrt[3]{x}+4\)
\(3\sqrt[3]{x}\)
\(f'(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,-64/27)\)
\(-\)
\(-\)
\(+\)
Crescente
\((-64/27,0)\)
\(+\)
\(-\)
\(-\)
Decrescente
\((0,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
Logo,
\[ \left(-\frac{64}{27},\frac{32}{27}\right) \quad \text{é um máximo local, e}\quad (0,0)\quad \text{é um mínimo local.} \]Para \(x\neq 0\),
\[ f''(x)=-\frac{4}{9x^{4/3}}\lt 0. \]Assim, o gráfico é côncavo para baixo em \((-\infty ,0)\) e \((0,\infty )\). Como a concavidade não muda ao atravessar \(0\), esse ponto não é um ponto de inflexão.
Temos
\[ \lim _{x\to -\infty }f(x)=-\infty , \qquad \lim _{x\to \infty }f(x)=\infty . \]Não há assíntotas verticais ou horizontais. Tampouco há assíntota oblíqua: embora \(f(x)/x\to 1\), a diferença \(f(x)-x=2x^{2/3}\) não tende a um número real.
A Figura 11.40 reúne essas informações. A janela inclui a raiz \(-8\) e destaca, em \(x=0\), a cúspide onde \(f'\) não existe.
![Figura 11.40 Construção do esboço de f(x)=x+2√[3]x^2.](figures/inl-c11-fuvpanel-003-v5-png.png)
Como \(x^2+2x+3=(x+1)^2+2\gt 0\), o domínio é \(\mathbb {R}\). As interseções são \((-1,0)\), \((3,0)\) e \((0,-4)\).
A derivada
\[ f'(x)=\frac{16x(x+3)}{(x^2+2x+3)^2} \]se anula em \(-3\) e \(0\). Como o denominador é positivo, o sinal de \(f'\) depende dos fatores \(x\) e \(x+3\).
Intervalo
\(x\)
\(x+3\)
\(f'(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,-3)\)
\(-\)
\(-\)
\(+\)
Crescente
\((-3,0)\)
\(-\)
\(+\)
\(-\)
Decrescente
\((0,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
As mudanças de sinal mostram que há um máximo local em \((-3,8)\) e um mínimo local em \((0,-4)\).
Para a concavidade,
\[ f''(x)=-\frac{16(2x^3+9x^2-9)}{(x^2+2x+3)^3}. \]Sejam \(r_1\lt r_2\lt r_3\) as três raízes de \(2x^3+9x^2-9\). Numericamente,
\[ r_1\approx -4{,}251,\qquad r_2\approx -1{,}161,\qquad r_3\approx 0{,}912. \]A fatoração
\[ 2x^3+9x^2-9=2(x-r_1)(x-r_2)(x-r_3) \]permite estudar o sinal de cada fator. O denominador é positivo, mas o fator \(-16\) inverte o sinal do produto.
Intervalo
\(x-r_1\)
\(x-r_2\)
\(x-r_3\)
\(f''(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,r_1)\)
\(-\)
\(-\)
\(-\)
\(+\)
Côncava para cima
\((r_1,r_2)\)
\(+\)
\(-\)
\(-\)
\(-\)
Côncava para baixo
\((r_2,r_3)\)
\(+\)
\(+\)
\(-\)
\(+\)
Côncava para cima
\((r_3,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
\(-\)
Côncava para baixo
A função é contínua e a concavidade muda em cada \(r_i\); portanto, \((r_1,f(r_1))\), \((r_2,f(r_2))\) e \((r_3,f(r_3))\) são pontos de inflexão.
Não há assíntotas verticais. Como
\[ \lim _{x\to \pm \infty }f(x)=4, \]a reta \(y=4\) é assíntota horizontal.
A Figura 11.41 organiza os pontos críticos e os pontos de inflexão e registra os sinais de \(f'\) e \(f''\).
Figura não resolvida: figuras/figsketchline3.texFigura 11.41 Reta real para \(f\) do Exemplo 11.61. A Figura 11.42 mostra a passagem dessas informações ao esboço, incluindo as raízes \(-1\) e \(3\).

Podemos escrever \(f(x)=\sqrt[3]{x}(x+8)\). Assim, seu domínio é \(\mathbb {R}\), a função é contínua em toda a reta e as interseções com os eixos são \((-8,0)\) e \((0,0)\). A função não é par nem ímpar.
Para \(x\neq 0\),
\[ f'(x)=\frac{8}{3x^{2/3}}+\frac43x^{1/3} =\frac{4(x+2)}{3x^{2/3}}. \]O denominador é positivo, e a derivada se anula em \(x=-2\). Separamos os intervalos nesse ponto e em \(0\), onde a expressão acima não está definida.
Intervalo
\(x+2\)
\(x^{2/3}\)
\(f'(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,-2)\)
\(-\)
\(+\)
\(-\)
Decrescente
\((-2,0)\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
\((0,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Crescente
Pela continuidade em \(0\), os dois últimos intervalos formam um único trecho crescente: \((-2,\infty )\). Portanto, a função decresce até \(-2\) e cresce depois, atingindo seu mínimo absoluto em
\[ M=\left(-2,-6\sqrt[3]{2}\right). \]Para compreender a passagem pela origem, examinamos a inclinação das secantes que passam por ela:
\[ \frac{f(h)-f(0)}h =\frac8{h^{2/3}}+h^{1/3} \longrightarrow +\infty \qquad (h\to 0). \]Assim, \(f\) não é derivável em \(0\), e o gráfico tem tangente vertical \(x=0\) na origem. Esse ponto é crítico, mas não é um extremo: o gráfico o atravessa continuando a subir.
Para \(x\neq 0\), a segunda derivada é
\[ f''(x)=\frac{4(x-4)}{9x^{5/3}}. \]O fator \(x^{5/3}\) tem o mesmo sinal de \(x\), enquanto \(x-4\) muda de sinal em \(4\).
Intervalo
\(x^{5/3}\)
\(x-4\)
\(f''(x)\)
\(f\)
\((-\infty ,0)\)
\(-\)
\(-\)
\(+\)
Côncava para cima
\((0,4)\)
\(+\)
\(-\)
\(-\)
Côncava para baixo
\((4,\infty )\)
\(+\)
\(+\)
\(+\)
Côncava para cima
A concavidade muda em \(0\) e em \(4\). Como a função é contínua nesses pontos, temos duas inflexões:
\[ I_1=(0,0),\qquad I_2=\left(4,12\sqrt[3]{4}\right). \]Em \(4\), a segunda derivada se anula; em \(0\), a mudança de concavidade ocorre mesmo sem existir a primeira derivada.
O termo \(x^{4/3}\) domina \(8x^{1/3}\) quando \(|x|\) cresce. Logo,
\[ \lim _{x\to -\infty }f(x)=+\infty , \qquad \lim _{x\to +\infty }f(x)=+\infty . \]Não há assíntotas verticais, pois \(f\) é contínua em toda a reta, nem horizontais. Além disso,
\[ \frac{f(x)}x=x^{1/3}+\frac8{x^{2/3}} \]tende a \(-\infty \) quando \(x\to -\infty \) e a \(+\infty \) quando \(x\to +\infty \). Portanto, também não há assíntotas oblíquas.
A Figura 11.43 reúne essas informações. No último painel, acentuamos ligeiramente as concavidades para tornar visíveis as duas inflexões.
Considere \(f(x)=x^3-0{,}03x\). Na janela \([-10,10]\times [-1000,1000]\), o gráfico parece sempre subir. Estude o sinal de \(f'\) e encontre as coordenadas de todos os extremos locais de \(f\). Compare a diferença entre as alturas dos extremos com a altura total da janela. Por que o desenho amplo esconde a mudança? Proponha uma janela que mostre os dois extremos e confira se ela contém suas coordenadas. O gráfico de \(g(x)=x^3\) parece horizontal na janela \([-0{,}1,0{,}1]\times [-1,1]\). A função é constante nesse intervalo? Justifique pela expressão de \(g\) e descreva sua monotonia. Temos A derivada muda de positiva para negativa em \(-0{,}1\) e de negativa para positiva em \(0{,}1\). Logo, A diferença entre essas alturas é apenas \(0{,}004\), invisível numa janela com altura total de \(2000\) unidades. Uma janela como \([-0{,}2,0{,}2]\times [-0{,}005,0{,}005]\) revela os extremos. Já \(g(x)=x^3\) é estritamente crescente, embora pareça plana numa janela vertical muito grande para os valores exibidos. De fato, se \(u\lt v\), então \(v^3-u^3=(v-u)(v^2+uv+u^2)\gt 0\); portanto, \(g\) não é constante nesse intervalo. Um gráfico em computador é evidência visual, não uma prova de monotonicidade. A escala precisa ser escolhida em função do fenômeno que queremos observar.
Ver solução
Procura-se uma função ímpar, duas vezes derivável em \(\mathbb R\), estritamente crescente, côncava para cima em \((-\infty ,0)\) e para baixo em \((0,\infty )\), com assíntotas horizontais \(y=-1\) à esquerda e \(y=1\) à direita. São propostos os gráficos
Um, ambos ou nenhum dos gráficos atende a todos os dados? Justifique: as informações qualitativas fornecidas determinam uma única função?
Acrescente o dado \(f'(0)=1\). Entre essas duas propostas, qual permanece admissível? Explique que informação geométrica esse dado acrescenta.
Ver solução
Ambos. Para \(F_c(x)=x/\sqrt{c+x^2}\), \(c\gt 0\),
\[ F_c'(x)=\frac{c}{(c+x^2)^{3/2}}\gt 0,\qquad F_c''(x)=\frac{-3cx}{(c+x^2)^{5/2}}. \]A função é ímpar, tem as concavidades pedidas e limites \(-1\) e \(1\). Os valores \(c=1\) e \(c=4\) já dão duas funções distintas com todos esses traços.
\(F_c'(0)=1/\sqrt c\). Entre as duas propostas, apenas \(A\) tem inclinação \(1\) na origem; \(B\) tem inclinação \(1/2\). O dado especifica a inclinação da tangente, além do sentido do crescimento e da concavidade. A escolha é feita entre as duas propostas; não se afirma unicidade entre todas as funções possíveis.
Encontre os intervalos para os quais a função é crescente ou decrescente;
Encontre os valores de máximo e mínimo locais;
Encontre os intervalos de concavidade e os pontos de inflexão;
Encontre as assíntotas horizontais, verticais e oblíquas;
Esboce o gráfico utilizando as informações dos itens anteriores.
\(\displaystyle f(x) = x^3-2x^2+4x+1\)
\(\displaystyle f(x) = -x^3+5x^2-3x+2\)
\(\displaystyle f(x) = x^3+3x^2+3x+1\)
\(\displaystyle f(x) = x^3-x^2-x+1\)
\(\displaystyle f(x) = (x-2)\ln (x-2)\)
\(\displaystyle f(x) = (x-2)^2\ln (x-2)\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{x^2-4}{x^2}\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{x^2-4x+3}{x^2-6x+8}\)
\(\displaystyle f(x) = \frac{x^2-2x+1}{x^2-6x+8}\)
\(\displaystyle f(x) = x\sqrt{x+1}\)
\(\displaystyle f(x) = x^2e^x\)
\(\displaystyle f(x) = \operatorname {sen}x \cos x\) em \([-\pi ,\pi ]\)
\(\displaystyle f(x) = (x-3)^{2/3} + 2\)
\(f(x)=(x^2-1)^3\)
\(f(x)=3x^{2/3}-x\)
\(f(x)=(x+2)^{3/2}+1\)
\(f(x)=\sqrt[3]{x^3-x}\)
\(f(x)=\dfrac {x^3}{x^2-1}\)
\(f(x)=e^x-e^{3x}\)
\(f(x)=\sqrt{x^2+2x+5}\)
\(f(x)=\dfrac {x^2}{x^2-x-2}\)
Ver solução
\(f'=3x^2-4x+4\gt 0\): crescente em toda a reta, sem extremos. Como \(f''=6x-4\), \(C_\downarrow :(-\infty ,2/3)\) e \(C_\uparrow :(2/3,\infty )\); inflexão \((2/3,83/27)\).
\(f'=-(x-3)(3x-1)\): decresce em \((-\infty ,1/3)\) e \((3,\infty )\), cresce em \((1/3,3)\). Mínimo local em \(1/3\), de valor \(41/27\); máximo local em \(3\), de valor \(11\). Como \(f''=10-6x\), \(C_\uparrow :(-\infty ,5/3)\) e \(C_\downarrow :(5/3,\infty )\); inflexão \((5/3,169/27)\).
\(f=(x+1)^3\) cresce em toda a reta. O crítico \(-1\) é inflexão estacionária, com valor \(0\), e não é extremo. \(C_\downarrow :(-\infty ,-1)\); \(C_\uparrow :(-1,\infty )\).
\(f'=(x-1)(3x+1)\). Cresce em \((-\infty ,-1/3)\) e \((1,\infty )\) e decresce em \((-1/3,1)\). Máximo local \(32/27\) em \(-1/3\) e mínimo local \(0\) em \(1\). Como \(f''=6x-2\), \(C_\downarrow :(-\infty ,1/3)\) e \(C_\uparrow :(1/3,\infty )\); inflexão \((1/3,16/27)\).
Domínio \((2,\infty )\). \(f'=\ln (x-2)+1\): decresce até \(2+e^{-1}\) e cresce depois, com mínimo \(-e^{-1}\). Como \(f''=1/(x-2)\gt 0\), é convexa em todo o domínio e não tem inflexões. O limite em \(2^+\) é \(0\), sem assíntota vertical; o ponto \((2,0)\) é aberto.
Domínio \((2,\infty )\). \(f'=(x-2)(2\ln (x-2)+1)\): decresce até \(2+e^{-1/2}\) e cresce depois, com mínimo \(-1/(2e)\). \(f''=2\ln (x-2)+3\): \(C_\downarrow :(2,2+e^{-3/2})\) e \(C_\uparrow :(2+e^{-3/2},\infty )\). Inflexão \((2+e^{-3/2},-3/(2e^3))\); limite \(0\) em \(2^+\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ 0\} \). \(f'=8/x^3\): decresce em \((-\infty ,0)\) e cresce em \((0,\infty )\), sem extremos. Como \(f''=-24/x^4\lt 0\), é côncava para baixo em cada ramo, sem inflexões. Assíntotas \(x=0\) e \(y=1\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ 2,4\} \). Como
\[ f'=-\frac{2(x^2-5x+7)}{(x-2)^2(x-4)^2}\lt 0, \]decresce em cada componente e não tem extremos. Seja \(r=(5+\sqrt[3]9-\sqrt[3]3)/2\), a única raiz de \(2x^3-15x^2+42x-44\), situada em \((2,4)\). A derivada segunda é duas vezes esse polinômio dividida por \((x-2)^3(x-4)^3\). Logo, \(C_\uparrow :(2,r)\) e \((4,\infty )\); \(C_\downarrow :(-\infty ,2)\) e \((r,4)\). A única inflexão é \((r,f(r))\). Assíntotas \(x=2\), \(x=4\) e \(y=1\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ 2,4\} \). Como \(f'=-2(x-1)(2x-5)/((x-2)^2(x-4)^2)\), decresce em \((-\infty ,1)\), \((5/2,4)\) e \((4,\infty )\), e cresce em \((1,2)\) e \((2,5/2)\). Mínimo local \(0\) em \(1\) e máximo local \(-3\) em \(5/2\). Seja \(r=(7-3\sqrt[3]3-\sqrt[3]9)/4\), a única raiz real de \(4x^3-21x^2+30x-4\). Temos \(r\lt 1\) e
\[ f''=\frac{2(4x^3-21x^2+30x-4)}{(x-2)^3(x-4)^3}. \]Portanto, \(C_\uparrow :(r,2)\) e \((4,\infty )\); \(C_\downarrow :(-\infty ,r)\) e \((2,4)\). A única inflexão é \((r,f(r))\). Assíntotas \(x=2\), \(x=4\) e \(y=1\).
Domínio \([-1,\infty )\). \(f'=(3x+2)/(2\sqrt{x+1})\): decresce em \((-1,-2/3)\) e cresce em \((-2/3,\infty )\), com mínimo \(-2/(3\sqrt3)\) em \(-2/3\). O extremo do domínio \(-1\) é máximo local relativo ao domínio, de valor \(0\). Como \(f''=(3x+4)/(4(x+1)^{3/2})\gt 0\) para \(x\gt -1\), a função é convexa, sem inflexões.
\(f'=e^xx(x+2)\): cresce em \((-\infty ,-2)\) e \((0,\infty )\) e decresce em \((-2,0)\). Máximo local \(4/e^2\) em \(-2\) e mínimo global \(0\) em \(0\). Com \(r_\pm =-2\pm \sqrt2\), temos \(C_\uparrow :(-\infty ,r_-)\) e \((r_+,\infty )\) e \(C_\downarrow :(r_-,r_+)\). Inflexões \((r_\pm ,r_\pm ^2e^{r_\pm })\). Assíntota \(y=0\) apenas quando \(x\to -\infty \).
Domínio \([-\pi ,\pi ]\). Cresce em \((-\pi ,-3\pi /4)\), \((-\pi /4,\pi /4)\) e \((3\pi /4,\pi )\); decresce nos dois intervalos restantes. Máximos \(1/2\) em \(-3\pi /4,\pi /4\) e mínimos \(-1/2\) em \(-\pi /4,3\pi /4\). Relativamente ao domínio fechado, \(-\pi \) também é mínimo local e \(\pi \) é máximo local, ambos de valor \(0\). Como \(f''=-2\operatorname {sen}(2x)\), \(C_\uparrow :(-\pi /2,0)\) e \((\pi /2,\pi )\) e \(C_\downarrow :(-\pi ,-\pi /2)\) e \((0,\pi /2)\). Inflexões em \(-\pi /2,0,\pi /2\), de ordenada \(0\).
\(f'=2/(3\sqrt[3]{x-3})\) para \(x\neq 3\). Decresce até \(3\) e cresce depois; mínimo global \(2\) no ponto não derivável \(3\). A derivada segunda é negativa nos dois lados: côncava para baixo em \((-\infty ,3)\) e \((3,\infty )\), sem inflexão.
\(f'=6x(x^2-1)^2\): decresce em \((-\infty ,0)\) e cresce em \((0,\infty )\). Mínimo global \(-1\) em \(0\); os críticos \(\pm 1\) não são extremos. Como \(f''=6(x^2-1)(5x^2-1)\), \(C_\uparrow :(-\infty ,-1)\), \((-1/\sqrt5,1/\sqrt5)\) e \((1,\infty )\); \(C_\downarrow :(-1,-1/\sqrt5)\) e \((1/\sqrt5,1)\). Inflexões \((\pm 1,0)\) e \((\pm 1/\sqrt5,-64/125)\).
\(f'=2/\sqrt[3]x-1\) para \(x\neq 0\). Decresce em \((-\infty ,0)\) e \((8,\infty )\), e cresce em \((0,8)\). Mínimo local \(0\) em \(0\) e máximo local \(4\) em \(8\). Como \(f''=-2/(3x^{4/3})\lt 0\), é côncava para baixo em cada lado de \(0\), sem inflexões.
Domínio \([-2,\infty )\). \(f'=3\sqrt{x+2}/2\gt 0\) para \(x\gt -2\): crescente, com mínimo global \(1\) no extremo \(-2\). Como \(f''=3/(4\sqrt{x+2})\gt 0\), é convexa, sem inflexões.
Ímpar; zeros \(-1\), \(0\), \(1\), com tangentes verticais; \(f'=\dfrac {3x^2-1}{3\sqrt[3]{(x^3-x)^2}}\): máx. local em \(x=-1/\sqrt3\) e mín. local em \(x=1/\sqrt3\), valores \(\pm \sqrt[3]{2\sqrt3/9}\approx \pm 0{,}73\); côncava para cima em \((-\infty ,-1)\) e \((0,1)\), para baixo em \((-1,0)\) e \((1,\infty )\). A função cresce em \((-\infty ,-1/\sqrt3)\) e \((1/\sqrt3,\infty )\) e decresce em \((-1/\sqrt3,1/\sqrt3)\), respeitando os pontos de derivada inexistente. A concavidade muda nos três zeros \(x=-1,0,1\), que são pontos de inflexão com tangentes verticais. A assíntota é \(y=x\) nos dois sentidos.
Ímpar; assíntotas \(x=\pm 1\) e \(y=x\); \(y'=\dfrac {x^2(x^2-3)}{(x^2-1)^2}\): máx. local \(-\tfrac {3\sqrt3}2\) em \(-\sqrt3\), mín. local \(\tfrac {3\sqrt3}2\) em \(\sqrt3\); inflexão em \(0\) (tangente horizontal, sem extremo). A função cresce em \((-\infty ,-\sqrt3)\) e \((\sqrt3,\infty )\), e decresce em \((-\sqrt3,-1)\), \((-1,1)\) e \((1,\sqrt3)\). É côncava para cima em \((-1,0)\) e \((1,\infty )\), e para baixo em \((-\infty ,-1)\) e \((0,1)\).
Zero em \(0\); \(y\to 0\) quando \(x\to -\infty \) e \(y\to -\infty \) quando \(x\to +\infty \); máximo em \(x=-\tfrac 12\ln 3\), valor \(\tfrac 2{3\sqrt3}\); inflexão em \(x=-\ln 3\), valor \(\tfrac 8{27}\). Cresce em \((-\infty ,-\tfrac 12\ln 3)\) e decresce em \((-\tfrac 12\ln 3,\infty )\). Como \(y''=e^x-9e^{3x}\), é côncava para cima em \((-\infty ,-\ln 3)\) e para baixo em \((-\ln 3,\infty )\).
\(y=\sqrt{(x+1)^2+4}\): mínimo \(2\) em \(x=-1\); sempre côncava para cima; assíntotas \(y=x+1\) em \(+\infty \) e \(y=-x-1\) em \(-\infty \) (ramo de hipérbole). A função decresce em \((-\infty ,-1)\) e cresce em \((-1,\infty )\). Como
\[ y''=\frac4{((x+1)^2+4)^{3/2}}\gt 0, \]é côncava para cima em toda a reta e não tem pontos de inflexão.
Assíntotas \(x=-1\), \(x=2\) e \(y=1\); \(f'=\dfrac {-x(x+4)}{(x-2)^2(x+1)^2}\): mín. local \(\tfrac 89\) em \(x=-4\), máx. local \(0\) em \(x=0\); cruza \(y=1\) em \(x=-2\); inflexão em \(x\approx -6{,}11\). A função cresce em \((-4,-1)\) e \((-1,0)\), e decresce em \((-\infty ,-4)\), \((0,2)\) e \((2,\infty )\). Seja \(r\approx -6{,}107\) a única raiz real de \(x^3+6x^2+4=0\). Como
\[ f''=\frac{2(x^3+6x^2+4)}{(x-2)^3(x+1)^3}, \]ela é côncava para baixo em \((-\infty ,r)\) e \((-1,2)\), e para cima em \((r,-1)\) e \((2,\infty )\). O ponto de inflexão é \((r,f(r))\).
\(x+\cos (x)\)
\(x^{1/3}(x+4)\)
\(\ln (x^4+27)\)
\(\ln (1-\ln (x))\)
\(e^{\frac{-1}{x+1}}\)
\(\ln (\operatorname {tg}^2 x)\)
\(\dfrac {e^x}{x^2-9}\)
\(x\operatorname {tg}{x}\) \(\qquad -\pi /2 \lt x\lt \pi /2\)
\(e^{\cos (x)}\)
\(\dfrac {1}{1-\cos (x)}\) \(-2\pi \lt x\lt 2\pi \)
\(t \sqrt[3]{t^2-4}\)
Ver solução
\(f'=1-\operatorname {sen}x\geq 0\) e só se anula em pontos isolados, portanto \(f\) cresce em toda a reta, sem extremos. \(f''=-\cos x\): \(C_\uparrow :(\pi /2+2k\pi ,3\pi /2+2k\pi )\) e \(C_\downarrow :(-\pi /2+2k\pi ,\pi /2+2k\pi )\). Inflexões \((\pi /2+k\pi ,\pi /2+k\pi )\). Não há assíntota oblíqua: \(f(x)-x=\cos x\) não possui limite no infinito.
Domínio \(\mathbb R\). Para \(x\neq 0\), \(f'=4(x+1)/(3x^{2/3})\). Decresce até \(-1\) e cresce depois, com mínimo global \(-3\). O crítico \(0\) não é extremo. Como \(f''=4(x-2)/(9x^{5/3})\), \(C_\uparrow :(-\infty ,0)\) e \((2,\infty )\); \(C_\downarrow :(0,2)\). Inflexões \((0,0)\) e \((2,6\sqrt[3]2)\). Zeros \(-4\) e \(0\); sem assíntotas.
Domínio \(\mathbb R\), função par. \(f'=4x^3/(x^4+27)\): decresce até \(0\) e cresce depois; mínimo \(\ln 27\). Como
\[ f''=\frac{4x^2(81-x^4)}{(x^4+27)^2}, \]temos \(C_\uparrow :(-3,3)\) e \(C_\downarrow :(-\infty ,-3)\) e \((3,\infty )\). Inflexões \((\pm 3,\ln 108)\); \(0\) não é inflexão. Sem assíntotas.
Domínio \((0,e)\). \(f'=-1/[x(1-\ln x)]\lt 0\): decrescente, sem extremos. Como \(f''=-\ln x/[x^2(1-\ln x)^2]\), \(C_\uparrow :(0,1)\) e \(C_\downarrow :(1,e)\); inflexão \((1,0)\). Assíntotas \(x=0\) e \(x=e\), com limites \(+\infty \) e \(-\infty \), respectivamente.
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ -1\} \). A função cresce em cada ramo, pois \(f'=e^{-1/(x+1)}/(x+1)^2\gt 0\). Como \(f''=-(2x+1)e^{-1/(x+1)}/(x+1)^4\), \(C_\uparrow :(-\infty ,-1)\) e \((-1,-1/2)\); \(C_\downarrow :(-1/2,\infty )\). Inflexão \((-1/2,e^{-2})\). Assíntotas \(y=1\) nas duas extremidades e \(x=-1\) pelo lado esquerdo; pelo lado direito, o limite em \(-1\) é \(0\).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ k\pi /2:k\in \mathbb Z\} \); período \(\pi \). Temos \(f'=4/\operatorname {sen}(2x)\): cresce em \((k\pi ,k\pi +\pi /2)\) e decresce em \((k\pi -\pi /2,k\pi )\), sem extremos. Como \(f''=-8\cos (2x)/\operatorname {sen}^2(2x)\), em cada período \(C_\downarrow :(k\pi ,k\pi +\pi /4)\) e \((k\pi +3\pi /4,k\pi +\pi )\); \(C_\uparrow :(k\pi +\pi /4,k\pi +\pi /2)\) e \((k\pi +\pi /2,k\pi +3\pi /4)\). Inflexões \((\pi /4+k\pi /2,0)\). Assíntotas verticais em todos os pontos excluídos; limite \(-\infty \) em \(k\pi \) e \(+\infty \) em \(\pi /2+k\pi \).
Domínio \(\mathbb R\setminus \{ -3,3\} \). Ponha \(r_\pm =1\pm \sqrt{10}\). Como \(f'=e^x(x^2-2x-9)/(x^2-9)^2\), cresce em \((-\infty ,-3)\), \((-3,r_-)\) e \((r_+,\infty )\), e decresce em \((r_-,3)\) e \((3,r_+)\). Máximo local em \(r_-\) e mínimo local em \(r_+\), com valores \(e^{r_\pm }/(2r_\pm )\). Além disso,
\[ f''=\frac{e^x\bigl((x^2-2x-9)^2+2x^2+18\bigr)}{(x^2-9)^3}. \]Portanto, \(C_\uparrow :(-\infty ,-3)\) e \((3,\infty )\); \(C_\downarrow :(-3,3)\); sem inflexões. Assíntotas \(x=\pm 3\) e \(y=0\) apenas em \(-\infty \).
Domínio \((-\pi /2,\pi /2)\), função par. \(f'=\operatorname {tg}x+x\sec ^2x\) tem o sinal de \(x\), logo há mínimo global \(0\) em \(0\). Como \(f''=2\sec ^2x(1+x\operatorname {tg}x)\gt 0\), é convexa, sem inflexões. Assíntotas \(x=\pm \pi /2\), com limites \(+\infty \).
Domínio \(\mathbb R\), função par de período \(2\pi \). \(f'=-e^{\cos x}\operatorname {sen}x\): decresce em \((2k\pi ,(2k+1)\pi )\) e cresce em \(((2k-1)\pi ,2k\pi )\). Máximos \(e\) em \(2k\pi \) e mínimos \(e^{-1}\) em \((2k+1)\pi \). Escreva \(\alpha =\arccos ((\sqrt5-1)/2)\). Como \(f''=e^{\cos x}(\operatorname {sen}^2x-\cos x)\), \(C_\downarrow :(2k\pi -\alpha ,2k\pi +\alpha )\) e \(C_\uparrow :(2k\pi +\alpha ,2(k+1)\pi -\alpha )\). Inflexões em \(2k\pi \pm \alpha \), de valor \(e^{(\sqrt5-1)/2}\). Sem assíntotas.
Domínio \((-2\pi ,0)\cup (0,2\pi )\), função par. \(f'=-\operatorname {sen}x/(1-\cos x)^2\): cresce em \((-\pi ,0)\) e \((\pi ,2\pi )\) e decresce em \((-2\pi ,-\pi )\) e \((0,\pi )\). Mínimos \(1/2\) em \(\pm \pi \). Como \(f''=(2+\cos x)/(1-\cos x)^2\gt 0\), é convexa em cada componente, sem inflexões. Assíntotas \(x=-2\pi ,0,2\pi \), com limites \(+\infty \) pelos lados do domínio.
Domínio \(\mathbb R\), função ímpar. Para \(t\neq \pm 2\),
\[ f'(t)=\frac{5t^2-12}{3\sqrt[3]{(t^2-4)^2}},\qquad f''(t)=\frac{2t(5t^2-36)}{9\sqrt[3]{(t^2-4)^5}}. \]Ponha \(r=\sqrt{12/5}\) e \(s=6/\sqrt5\). Cresce em \((-\infty ,-r)\) e \((r,\infty )\), inclusive através das tangentes verticais em \(\pm 2\), e decresce em \((-r,r)\). Máximo local \(r\sqrt[3]{8/5}\) em \(-r\) e mínimo local \(-r\sqrt[3]{8/5}\) em \(r\). Temos \(C_\uparrow :(-s,-2)\), \((0,2)\) e \((s,\infty )\); \(C_\downarrow :(-\infty ,-s)\), \((-2,0)\) e \((2,s)\). Inflexões em \(-s,-2,0,2,s\), com ordenadas dadas por \(f\); nos pontos \(\pm 2\) a continuidade e a mudança de concavidade bastam, embora a derivada não exista. Zeros \(-2,0,2\); sem assíntotas.
\(\displaystyle f(x) = \frac{a}{x^2+b^2}\)
\(\displaystyle f(x) = \operatorname {sen}(ax+b)\)
\(\displaystyle f(x) = (x-a)(x-b)\)
Ver solução
Se \(b\neq 0\) e \(a\neq 0\), o único ponto crítico é \(0\), com valor \(a/b^2\), e as inflexões são \((\pm |b|/\sqrt3,3a/(4b^2))\). Isso segue de \(f'=-2ax/(x^2+b^2)^2\) e \(f''=2a(3x^2-b^2)/(x^2+b^2)^3\). Se \(b=0\) e \(a\neq 0\), o domínio exclui \(0\), e não há pontos críticos nem inflexões. Se \(a=0\), a função é constante em seu domínio: todo ponto do domínio é crítico e não há inflexões; quando também \(b=0\), o ponto \(0\) continua excluído.
Se \(a\neq 0\), os críticos são \(x=(\pi /2+k\pi -b)/a\), com valores \((-1)^k\), e as inflexões são \(((k\pi -b)/a,0)\), \(k\in \mathbb Z\). Se \(a=0\), a função é constante: todos os pontos são críticos e não há inflexões.
\(f'=2x-a-b\) e \(f''=2\). O único crítico é \((a+b)/2\), mínimo de valor \(-(a-b)^2/4\); não há inflexões.
\(f(0)=2\) e \(f(-1)=f(1)=-3\);
\(f'(-1)=f'(1)=0\) e \(f'(0)\) não existe;
\(f'(x)\gt 0\) para \(-1\lt x\lt 0\) e para \(x\gt 1\);
\(f'(x)\lt 0\) para \(x\lt -1\) e para \(0\lt x\lt 1\).
Ver solução
\(f(0)=2\), \(f(2)=4\) e \(f'(0)=f'(2)=0\);
\(f'(x)\lt 0\) se \(|x-1|\gt 1\) e \(f'(x)\gt 0\) se \(|x-1|\lt 1\);
\(f''(x)\gt 0\) se \(x\lt 1\) e \(f''(x)\lt 0\) se \(x\gt 1\).
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11.8 Problemas de otimização
Até aqui, partíamos de uma função para estudar seu comportamento. Nos problemas de otimização, a situação concreta vem primeiro: é preciso construir uma função que represente a grandeza a ser maximizada ou minimizada. Buscamos, então, seus extremos entre os valores admissíveis da variável, levando em conta as restrições do problema.
A dificuldade principal nem sempre está em derivar. Muitas vezes, está em escolher a grandeza que pode variar e perceber quais relações a restringem. Uma vez escrita a função, devemos ainda verificar seu domínio: um ponto crítico matematicamente correto pode descrever uma configuração impossível. Os exemplos seguintes mostram como essa passagem da situação para a expressão algébrica se faz em contextos bastante diversos.
Chamemos de \(x\) o lado dos quadrados retirados. Ao dobrar as abas, cada corte fornece a altura da caixa, enquanto a base fica com lado \(60-2x\). O volume é, portanto,
Nos dois extremos a caixa fica degenerada, com volume nulo. No interior do intervalo, a derivada é
O fator \(60-2x\) só se anula na extremidade \(x=30\); assim, o único ponto crítico interior é \(x=10\). Para decidir o máximo absoluto, comparamos
O maior volume possível é, portanto,
obtido quando recortamos quadrados de lado \(10\, \mathrm{cm}\). A caixa ótima tem, portanto, base \(40\, \mathrm{cm}\times 40\, \mathrm{cm}\) e altura \(10\, \mathrm{cm}\).
O método de comparação de candidatos em um intervalo fechado não se aplica diretamente a todos os problemas. No exemplo seguinte, o raio pode assumir qualquer valor positivo; usaremos o sinal da derivada para localizar o mínimo global.
A proporção ótima \(h=2r\) é consequência do volume fixo e do custo uniforme de material. Diferentemente da caixa anterior, o domínio admissível aqui é aberto e ilimitado; por isso, não basta comparar valores em extremidades.
Se \(a\) é o lado do quadrado e \(b\), o lado do triângulo, a restrição é \(4a+3b=L\). A soma das áreas é
Substituindo \(a=(L-3b)/4\), obtemos
Quando se admite uma parte nula, \(0\leq b\leq L/3\). Se ambas devem ter comprimento positivo, o domínio é \(0\lt b\lt L/3\). Essa distinção aparentemente pequena mudará a resposta: uma coisa é o maior valor possível, outra é um valor do qual podemos nos aproximar sem jamais atingi-lo.
Temos
A segunda derivada é positiva: o gráfico é estritamente convexo. Por isso, seu único ponto crítico, \(b=3L/(9+4\sqrt3)\), fornece o mínimo global. No intervalo fechado, o máximo deve ocorrer em uma extremidade. Os valores são
Como \(\sqrt3/36\lt 1/16\), o máximo ocorre em \(b=0\): todo o arame é usado no quadrado, de lado \(L/4\).
Se exigimos que as duas partes tenham comprimento positivo, porém, \(b=0\) deixa de ser permitido. Podemos tornar \(b\) tão pequeno quanto quisermos e fazer a soma das áreas aproximar-se de \(L^2/16\), mas nunca alcançar esse valor. Nesse domínio aberto não existe máximo: \(L^2/16\) é apenas o supremo. O cálculo não mudou; mudou o conjunto de configurações admissíveis.
O fato de o domínio ser um intervalo aberto não impede que uma função atinja um máximo ou um mínimo absoluto. Nesses casos, o estudo do sinal da derivada, como no esboço de gráficos, pode permitir identificar o extremo.
Duas cargas pontuais positivas \(q_1\) e \(q_2\) estão fixas nos pontos \(0\) e \(L\) de um eixo, com \(L\gt 0\). Em que posição entre elas devemos colocar uma terceira carga positiva para que sua energia potencial seja mínima?
A energia potencial de duas cargas pontuais positivas \(Q\) e \(q\), separadas por uma distância \(r\), é dada por
em que \(k\gt 0\) é uma constante. Como as contribuições das duas cargas fixas se somam, a energia potencial da terceira carga, de valor \(q\gt 0\), colocada na posição \(x\) entre elas, é
Derivando, obtemos
Como \(q_1,q_2\gt 0\) e \(0\lt x\lt L\), a condição \(U'(x)=0\) equivale a
Logo, o único ponto crítico é
O termo \(q_1/x^2\) decresce e o termo \(q_2/(L-x)^2\) cresce quando \(x\) aumenta. Assim, \(U'(x)\lt 0\) para \(x\lt x_*\) e \(U'(x)\gt 0\) para \(x\gt x_*\). Portanto, a energia potencial atinge seu mínimo absoluto em \(x_*\), apesar de o domínio ser um intervalo aberto.
Além disso, \(U(x)\to +\infty \) quando \(x\to 0^+\) ou \(x\to L^-\); logo, a função não possui máximo absoluto.
Para um ângulo \(\theta \in (0,\pi /2)\), a quina interna divide a escada em dois segmentos. Pela trigonometria da figura, seus comprimentos são
Assim,
Aqui aparece uma inversão interessante. Para cada inclinação, \(L(\theta )\) mede o comprimento disponível na posição em que a escada passa pela quina e toca as paredes externas. Durante a manobra, a escada precisa atravessar todas essas posições. Seu comprimento não pode exceder, portanto, a menor das aberturas disponíveis. É por isso que encontrar a maior escada exige minimizar \(L(\theta )\).
Derivando,
A condição \(L'(\theta )=0\) equivale a
ou seja,
Como \(\operatorname {tg}\theta \) é estritamente crescente em \((0,\pi /2)\), esse é o único ponto crítico. Além disso,
Portanto, \(L\) atinge seu mínimo global nesse ponto.
Para calcular esse mínimo, escrevemos \(u=a^{1/3}\) e \(v=b^{1/3}\). No ponto crítico, \(\operatorname {tg}\theta =u/v\); portanto,
Substituindo em \(L\),
Portanto,
Se o raio cruza a interface em \(P=(x,0)\), com \(0\leq x\leq L\), as distâncias percorridas nos dois meios são
O tempo gasto em cada trecho é a distância percorrida dividida pela velocidade naquele meio. Assim, o tempo total é
O objetivo é minimizar o tempo, não a distância. Quando as velocidades são diferentes, o trajeto mais rápido pode ser geometricamente mais longo: vale a pena percorrer um trecho maior no meio em que a luz se propaga mais depressa.
Derivando,
Além disso,
de modo que existe um ponto crítico no interior. Mais ainda,
Assim, o tempo é estritamente convexo. Há exatamente um ponto crítico, e ele fornece o menor tempo de percurso.
No ponto de mínimo, \(T'(x)=0\), isto é,
Se \(\theta _1\) e \(\theta _2\) são os ângulos que os dois trechos do raio formam com a normal à interface, a Figura 11.49 mostra que
Assim, a condição de mínimo se transforma em
Se \(c\) é a velocidade da luz no vácuo e \(n_i=c/v_i\) é o índice de refração do meio \(i\), obtemos a forma usual da lei de Snell:
Neste modelo de dois meios homogêneos, a lei de Snell resulta da minimização do tempo de percurso.
A geometria da gota permite escrever o desvio sofrido pelo raio. Na entrada e na saída, a direção muda em \(i-r\); na reflexão interna, em \(\pi -2r\). Somando essas contribuições, obtemos
A relação entre \(i\) e \(r\) é dada pela lei de Snell,
Diferenciando em relação a \(i\),
e, assim,
Como \(n\cos r=\sqrt{n^2-\operatorname {sen}^2i}\), podemos escrever
para \(0\lt i\lt \pi /2\). Portanto, \(D'\) é estritamente crescente nesse intervalo. Além disso,
Há, assim, um único ponto crítico interior: nele, \(D'\) passa de negativa a positiva, e o desvio atinge seu mínimo global. No ponto crítico,
Combinando essa relação com \(\operatorname {sen}i=n\operatorname {sen}r\) e usando \(\operatorname {sen}^2i+\cos ^2i=1\), obtemos
Para \(n=4/3\),
de modo que
Logo,
O observador mede o raio emergente em relação à direção oposta à luz solar, isto é, em relação ao ponto antissolar. O ângulo correspondente é
O cálculo foi feito para um único índice de refração. Na água, esse índice varia ligeiramente com o comprimento de onda da luz. Cada cor tem, portanto, seu próprio ângulo de desvio mínimo, o que ajuda a explicar a separação das cores no arco-íris.
O custo de uma escolha real \(x\geq 0\) é modelado por Uma exigência impõe \(x\geq m\), com \(m\geq 0\). Nos painéis, o trecho admissível está destacado. Determine a escolha de menor custo para \(m=2\) e para \(m=6\). No segundo caso, a derivada precisa ser zero na escolha ótima? Descreva a escolha ótima \(x_*(m)\) para todo \(m\geq 0\). Em que faixa o aumento da exigência ainda não altera a escolha, e a partir de quando passa a alterá-la? Para \(m=2\), o mínimo ocorre em \(x=4\), com custo \(4\). Para \(m=6\), \(C\) é crescente em todo o conjunto admissível, e o mínimo ocorre na extremidade \(x=6\), com custo \(8\). Ali, \(C'(6)=4\neq 0\); a condição de Fermat se refere a extremos interiores, não a uma extremidade imposta pela restrição. \(x_*(m)=4\) para \(0\leq m\leq 4\) e \(x_*(m)=m\) para \(m\gt 4\). Até \(m=4\), a escolha sem restrição continua disponível; acima disso, a melhor escolha acompanha o menor valor permitido.
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Encontre o mínimo do modelo contínuo e verifique que sua abscissa fica entre \(2\) e \(2{,}5\). Qual seria a escolha obtida por arredondamento para o inteiro mais próximo?
Determine o melhor inteiro. Use a monotonicidade do modelo contínuo para explicar por que basta comparar \(2\) e \(3\), e decida se o arredondamento do item anterior era válido.
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\(C'(x)=10-61/x^2\) muda de negativo para positivo em \(x_* =\sqrt{61/10}\). O valor mínimo é \(C(x_*)=2\sqrt{610}\). Como \(4\lt 61/10\lt 25/4\), temos \(2\lt x_*\lt 2{,}5\); o arredondamento escolheria \(2\).
\(C\) decresce antes de \(x_*\) e cresce depois. Entre os inteiros à esquerda, \(2\) é o melhor; entre os à direita, \(3\) é o melhor. Contudo,
\[ C(2)=\frac{101}{2}=50{,}5,\qquad C(3)=\frac{151}{3}\approx 50{,}333, \]e \(C(3)\lt C(2)\). O ótimo inteiro é \(3\), embora \(2\) esteja mais perto do ótimo contínuo. Proximidade na variável não é o mesmo que proximidade no custo.
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Encontre as dimensões do triângulo isósceles de maior área que esteja inscrito na circunferência de raio \(R\).
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O raio da circunferência impõe uma relação entre a altura e a base do triângulo. Se \(x\) é a altura, \(y\) a base e \(z\) um dos lados congruentes, então \(0\lt x\lt 2R\) e a área vale \(A=xy/2\). Pelo triângulo retângulo auxiliar da figura,
Portanto, devemos maximizar
Sua derivada é
Nesse intervalo, \(x\) e o denominador são positivos. O sinal de \(A'\) é, portanto, o de \(3R-2x\): a área cresce em \((0,3R/2)\) e decresce em \((3R/2,2R)\). Além disso, tende a zero nas duas extremidades. Concluímos que \(x=3R/2\) fornece efetivamente a maior área.
Substituindo na expressão da base, obtemos \(y=\sqrt3R\). Pelo Teorema de Pitágoras,
Logo, \(z=y=\sqrt3R\): o triângulo ótimo é equilátero. Sua área máxima é
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Usando todas as medidas em metros, expresse \(H\), \(r\), \(h\) e a capacidade do recipiente em função de \(R\). Determine o domínio físico que garante raio e altura internos positivos.
Determine as dimensões externas e internas que maximizam a capacidade. Justifique que o máximo é global e calcule seu valor.
Considere uma espessura uniforme \(\delta \gt 0\), mantendo o volume externo. Para quais \(\delta \) há espaço interno? As dimensões externas ótimas e a capacidade máxima dependem de \(\delta \)?
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Escrevendo \(\delta =0{,}06\), em metros, temos
\[ H=\frac{16}{R^2},\qquad r=R-\delta ,\qquad h=\frac{16}{R^2}-2\delta . \]Logo, a capacidade é
\[ V_{\mathrm{int}}(R)=\pi (R-\delta )^2 \left(\frac{16}{R^2}-2\delta \right), \]com domínio \(\delta \lt R\lt \sqrt{8/\delta }\), pois precisamos de \(r\gt 0\) e \(h\gt 0\).
A derivada é
\[ V_{\mathrm{int}}'(R)=4\pi \delta (R-\delta ) \left(\frac8{R^3}-1\right). \]No domínio físico, ela é positiva para \(R\lt 2\) e negativa para \(R\gt 2\). Além disso, a capacidade tende a zero nas duas extremidades do domínio. O máximo global ocorre, portanto, em \(R=2\, \mathrm m\) e \(H=4\, \mathrm m\). As dimensões internas são \(r=1{,}94\, \mathrm m\) e \(h=3{,}88\, \mathrm m\), e a capacidade máxima é \(\pi (1{,}94)^2(3{,}88)\, \mathrm{m^3}\).
O domínio é não vazio se e somente se \(\delta \lt \sqrt{8/\delta }\), isto é, \(0\lt \delta \lt 2\), com \(\delta \) em metros. Nesse caso, \(R=2\) pertence ao domínio e a mesma análise da derivada fornece as dimensões externas ótimas \(R=2\, \mathrm m\) e \(H=4\, \mathrm m\), independentes de \(\delta \). A capacidade máxima, porém, diminui com a espessura:
\[ V_{\max }=\pi (2-\delta )^2(4-2\delta ) =2\pi (2-\delta )^3, \]em metros cúbicos.
Uma caixa com tampa é feita a partir de uma folha quadrada de papel de \(12\, \mathrm{cm}\) de lado. A figura mostra a planificação da folha e a perspectiva da caixa montada. Na planificação, os retângulos identificados como base e tampa têm as mesmas dimensões, as abas laterais têm largura \(x\) e a altura da caixa montada é \(x\). Justifique, usando a planificação, as dimensões da base indicadas na perspectiva. Depois, determine as dimensões que maximizam o volume.
Planificação esquemática.
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Uma fileira de soldados marcha perpendicularmente à própria frente e atravessa obliquamente uma fronteira reta entre dois terrenos. No primeiro terreno, cada soldado marcha com velocidade \(v_1\); no segundo, com velocidade \(v_2\). Quando o primeiro soldado da fileira atinge a fronteira no ponto \(A\), o último ainda está no primeiro terreno, no ponto \(B\). Após um intervalo \(\Delta t\), esse último soldado chega à fronteira no ponto \(C\), enquanto o primeiro chega ao ponto \(D\) no segundo terreno. As fileiras \(AB\) e \(CD\) são, respectivamente, as frentes antes e depois da mudança de direção.
Mostre, usando os dois triângulos retângulos formados e denotando por \(\theta _1\) e \(\theta _2\) os ângulos da direção de marcha com a normal à fronteira, que
Explique também para que lado a fileira gira quando \(v_2\lt v_1\).
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Considere duas reações consecutivas de primeira ordem,
em que \(B\) é o produto desejado e \(k_1,k_2\gt 0\), com \(k_1\neq k_2\). Partindo apenas de \(A\), com concentração inicial \([A]_0\), um modelo cinético fornece
Em que instante a concentração do intermediário \(B\) é máxima?
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Derivando,
O ponto crítico satisfaz
ou, equivalentemente,
Logo,
O instante encontrado é positivo, pois o numerador e o denominador têm o mesmo sinal. Além disso, a concentração de \(B\) começa em zero, é positiva para \(t\gt 0\) e volta a tender a zero quando \(t\to \infty \). Como esse é o único ponto crítico positivo, ele corresponde à concentração máxima do produto intermediário. Interromper a reação antes ou depois desse instante significa obter menos \(B\).
Se \(k_1=k_2=k\), o modelo limite é \([B](t)=[A]_0kt\, e^{-kt}\), cujo máximo ocorre em \(t=1/k\).
Escreva \(F\) e \(P\) como funções de \(v\) e determine o intervalo fisicamente relevante em que \(F\geq 0\).
Encontre a velocidade e a força que maximizam a potência.
Determine a potência máxima.
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Escreva \(P\) como função de \(R\).
Mostre que \(P\) é máxima quando \(R=r\) e calcule a potência máxima.
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\(P(R)=\dfrac {V^2R}{(R+r)^2}\), para \(R\gt 0\).
\(P'(R)=V^2\, \dfrac {(R+r)^2-2R(R+r)}{(R+r)^4}=\dfrac {V^2(r-R)}{(R+r)^3}\). Assim, \(P\) cresce para \(R\lt r\) e decresce para \(R\gt r\); o máximo global ocorre em \(R=r\) e vale \(P(r)=\dfrac {V^2}{4r}\).
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Use o corte axial para relacionar \(R\), \(h\) e \(r\). Expresse o volume do cone como função de \(h\) e determine o domínio admissível.
Determine as dimensões do cone de menor volume e calcule esse volume. Justifique que o mínimo encontrado é global.
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No corte axial, a esfera determina a circunferência inscrita em um triângulo isósceles de base \(2R\), altura \(h\) e lados \(\ell =\sqrt{R^2+h^2}\). Decompondo o triângulo em três triângulos de altura \(r\), obtemos a relação entre sua área e seu semiperímetro:
\[ Rh=r(R+\ell ). \]Como \(\ell \gt R\), segue que \(h\gt 2r\). Isolando a raiz e elevando ao quadrado, encontramos
\[ R^2=\frac{r^2h}{h-2r},\qquad h\gt 2r. \]Portanto,
\[ V(h)=\frac{\pi r^2h^2}{3(h-2r)}. \]Reciprocamente, cada \(h\gt 2r\) fornece um raio \(R\gt 0\) que satisfaz a relação geométrica.
Temos
\[ V'(h)=\frac{\pi r^2h(h-4r)}{3(h-2r)^2}. \]Assim, \(V\) decresce em \((2r,4r)\) e cresce em \((4r,\infty )\). Além disso, \(V(h)\to \infty \) tanto quando \(h\to 2r^+\) quanto quando \(h\to \infty \). O mínimo é global e ocorre em
\[ \begin{gathered} h=4r,\qquad R=\sqrt2\, r,\\ V_{\min }=\frac{8\pi r^3}{3}. \end{gathered} \]
11.9 Polinômios de Taylor
Na aproximação linear, substituímos uma função por sua reta tangente perto de um ponto. A reta reproduz o valor da função e a inclinação de seu gráfico nesse ponto. As derivadas de ordens superiores fornecem mais informações sobre o comportamento local da função. Como incorporá-las numa aproximação polinomial mais precisa?
A ideia é substituir a reta por um polinômio que tenha, no ponto escolhido, o mesmo valor e as mesmas primeiras derivadas da função. Veremos como essas condições determinam o polinômio e, depois, como estimar o erro cometido ao usá-lo numa aproximação.
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Escrevamos um polinômio de grau no máximo \(n\) na forma
Ao derivar \(k\) vezes e calcular o resultado em \(a\), todos os termos se anulam, exceto aquele que contém \((x-a)^k\). Assim,
Para obter \(P^{(k)}(a)=f^{(k)}(a)\), devemos, portanto, escolher \(c_k=f^{(k)}(a)/k!\). Essas escolhas fornecem a fórmula anunciada e mostram que nenhum outro polinômio pode satisfazer as mesmas condições.
O ponto \(a\) é o centro da aproximação. Quando \(a=0\), o polinômio também é chamado polinômio de Maclaurin; para \(n=0\), temos simplesmente \(P_0(x)=f(a)\).
As duas primeiras ordens recuperam aproximações familiares:
O primeiro polinômio representa a reta tangente; o segundo incorpora também a derivada segunda. Seus erros, nas condições do teorema, tendem a zero mais rapidamente que \(x-a\) e \((x-a)^2\), respectivamente, como veremos ao estudar o resto de Taylor.
A ordem não é necessariamente o grau: alguns coeficientes podem se anular. O primeiro exemplo mostra isso de modo particularmente simples.
Todas as derivadas de \(e^x\) coincidem com a própria função e valem \(1\) em \(0\). Logo,
\[ P_n(x)=1+x+\frac{x^2}{2!}+\cdots +\frac{x^n}{n!} =\sum _{k=0}^{n}\frac{x^k}{k!}. \]Como \(e=f(1)\), avaliamos o polinômio em \(x=1\):
\[ P_5(1)=1+1+\frac12+\frac16+\frac1{24}+\frac1{120} =\frac{163}{60}\approx 2{,}71667. \]A Figura 11.52 compara os gráficos de \(f\) e \(P_5\). O valor obtido é uma aproximação de \(e\); falta determinar quão próximo ele está do valor exato.
11.9.1 O erro da aproximação
Conhecer o polinômio e saber avaliá-lo não basta para garantir a precisão de um cálculo. Precisamos controlar a diferença
chamada também de resto de Taylor. O resultado seguinte expressa esse resto por meio de mais uma derivada de \(f\).
Fixe \(x\neq a\). Para aplicar Rolle repetidamente, procuramos uma função que se anule em \(x\) e conserve, em \(a\), os zeros de \(f-P_n\) e de suas primeiras \(n\) derivadas. Um múltiplo de \((t-a)^{n+1}\) preserva esses zeros; escolhemos seu coeficiente para anular também o valor em \(x\). Definimos, portanto,
Temos \(\phi (x)=0\) e, como \(P_n\) concorda com \(f\) e suas primeiras \(n\) derivadas em \(a\),
Rolle aplicado entre \(a\) e \(x\) fornece \(c_1\) estritamente entre esses pontos, com \(\phi ^{\prime }(c_1)=0\). Quando \(n\geq 1\), temos também \(\phi ^{\prime }(a)=0\), e uma nova aplicação, agora a \(\phi ^{\prime }\), fornece \(c_2\) entre \(a\) e \(c_1\), com \(\phi ^{\prime \prime }(c_2)=0\). Repetindo o argumento, usando \(\phi ^{(j)}(a)=0\) em cada etapa, obtemos \(c_{n+1}\) entre \(a\) e \(x\), com \(\phi ^{(n+1)}(c_{n+1})=0\). Cada aplicação é válida porque a derivada da etapa é contínua no segmento e derivável no interior. Tome \(\xi =c_{n+1}\). Portanto,
de onde segue a fórmula desejada.
Em geral, não sabemos onde está \(\xi \). Para usar a estimativa, porém, não precisamos encontrá-lo: basta escolher uma cota superior \(M\) para o módulo da derivada no segmento indicado. A fórmula separa, assim, o papel das derivadas, da ordem escolhida e da distância ao centro.
No exemplo da exponencial, o centro é \(0\) e queremos calcular o valor em \(1\). Em \([0,1]\), todas as derivadas satisfazem \(0\lt e^t\leq e\lt 3\). Logo,
Além de limitar o erro, o sinal do resto mostra que \(P_5(1)\) é menor que \(e\). Sem usar uma aproximação previamente conhecida de \(e\), obtivemos
Quando a derivada de ordem \(n+1\) é limitada numa vizinhança de \(a\), a mesma estimativa também recupera o comportamento local que vimos nas ordens \(1\) e \(2\):
Isso não significa que, num ponto fixo distante de \(a\), aumentar a ordem sempre melhore a aproximação. A cota superior para o módulo da derivada também pode variar com a ordem. O logaritmo permite observar essa diferença.
As primeiras derivadas são \(f'(x)=1/x\), \(f''(x)=-1/x^2\) e \(f'''(x)=2/x^3\). A cada derivação, o sinal se alterna e surge o próximo fator inteiro. Para \(k\geq 1\),
\[ f^{(k)}(x)=\frac{(-1)^{k-1}(k-1)!}{x^k}, \qquad f^{(k)}(1)=(-1)^{k-1}(k-1)!. \]Como \(f(1)=0\) e \((k-1)!/k!=1/k\), a definição fornece
\[ \begin{aligned} P_n(x)& =(x-1)-\frac{(x-1)^2}{2}+\frac{(x-1)^3}{3} -\cdots +\frac{(-1)^{n-1}(x-1)^n}{n}\\ & =\sum _{k=1}^{n}\frac{(-1)^{k-1}}k(x-1)^k. \end{aligned} \]Em \(x=1{,}5\), temos \(x-1=1/2\). Portanto,
\[ P_6(1{,}5)=\frac12-\frac18+\frac1{24}-\frac1{64} +\frac1{160}-\frac1{384} =\frac{259}{640}=0{,}4046875. \]Em \(x=2\), temos \(x-1=1\), de modo que
\[ P_6(2)=1-\frac12+\frac13-\frac14+\frac15-\frac16 =\frac{37}{60}\approx 0{,}616667. \]
Para \(x=1{,}5\), obtemos
\[ 0\lt E_6(1{,}5)\leq \frac{720}{7!}\left(\frac12\right)^7 =\frac1{896}\lt 0{,}001117. \]Logo,
\[ \frac{259}{640}\lt \ln (1{,}5) \leq \frac{259}{640}+\frac1{896}. \]Para \(x=2\), a estimativa é
\[ 0\lt E_6(2)\leq \frac{720}{7!}=\frac17. \]Portanto,
\[ \frac{37}{60}\lt \ln 2\leq \frac{37}{60}+\frac17=\frac{319}{420}. \]
A Figura 11.54 mostra o que ocorre ao usar o polinômio de ordem \(20\). Perto de \(1\), os gráficos ficam muito próximos, mas isso não se mantém em todo o intervalo desenhado. Para decidir onde usar um polinômio, precisamos considerar o resto, e não apenas sua ordem.
Até aqui, escolhemos o polinômio e estimamos seu erro. Podemos também seguir o caminho inverso: fixar a precisão desejada e usar o resto para escolher a ordem da aproximação.
Usamos o polinômio da exponencial centrado em \(0\) e o avaliamos em \(1\). Como \(f^{(n+1)}(t)=e^t\lt 3\) para \(0\leq t\leq 1\), o resto satisfaz
Assim, basta escolher \(n\) de modo que \((n+1)!\gt 3\cdot 10^5\). Temos \(8!=40320\) e \(9!=362880\); portanto, \(n=8\) é a primeira ordem que atende a essa estimativa. Bastam nove termos, de \(1/0!\) até \(1/8!\), e obtemos
O erro de substituir \(e\) por essa soma é menor que \(3/9!\approx 8{,}27\cdot 10^{-6}\), como queríamos.
Essa cota superior garante que nove termos bastam, mas não decide, por si só, se oito termos seriam suficientes. Para a soma de oito termos, \(P_7(1)\), a fórmula de Lagrange fornece algum \(\xi \in (0,1)\) tal que
Logo, oito termos não bastam. Como as parcelas \(1/k!\) são positivas, as somas com menos termos são ainda menores e têm erro maior. Portanto, nove é o menor número de termos necessário.
A escolha do centro facilita o cálculo das derivadas; a escolha da ordem responde à precisão que procuramos. A estimativa do resto liga essas duas escolhas e transforma o polinômio em uma aproximação com erro controlado.
Uma função \(f\) é três vezes continuamente derivável em um intervalo aberto que contém \([0,0{,}4]\) e satisfaz Seu polinômio de Taylor de ordem \(2\) é \(P_2(x)=1-2x+2x^2\). A faixa da figura é delimitada por \(P_2(x)-x^3\) e \(P_2(x)+x^3\). Use o resto de Taylor para obter um intervalo garantido para \(f(0{,}4)\). Quais afirmações ficam garantidas: \(f(0{,}4)\gt 0{,}45\) e \(f(0{,}4)\gt 0{,}52\)? Para a que não ficar garantida, apresente duas funções que satisfaçam os dados e deem respostas diferentes. O resto satisfaz \(|f(x)-P_2(x)|\leq 6x^3/3!=x^3\) para \(0\leq x\leq 0{,}4\). Como \(P_2(0{,}4)=0{,}52\) e \((0{,}4)^3=0{,}064\), obtemos A primeira afirmação é garantida, pois \(0{,}456\gt 0{,}45\). A segunda não: as funções \(f_-(x)=P_2(x)-x^3\) e \(f_+(x)=P_2(x)+x^3\) têm os dados iniciais indicados e terceiras derivadas de módulo \(6\), mas dão \(0{,}456\lt 0{,}52\) e \(0{,}584\gt 0{,}52\), respectivamente.
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Escreva \(P_n\) e calcule \(P_1(10)\), \(P_2(10)\) e \(P_3(10)\). As aproximações de \(\ln 10\) melhoram ao aumentar a ordem?
Explique o comportamento observado.
Proponha uma maneira de aproximar \(\ln 10\) usando apenas valores de \(P_n\) em pontos mais próximos de \(1\).
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Temos \(P_n(x)=\sum _{k=1}^n(-1)^{k+1}(x-1)^k/k\). Assim,
\[ P_1(10)=9,\qquad P_2(10)=-31{,}5,\qquad P_3(10)=211{,}5. \]Para comparação, \(\ln 10\approx 2{,}303\). As três aproximações pioram e se alternam entre valores acima e abaixo do valor exato.
Em \(x=10\), o módulo do termo de ordem \(k\) é \(9^k/k\). O quociente entre o módulo do próximo termo e o atual é \(9k/(k+1)\gt 1\), para \(k\geq 1\). Assim, os termos acrescentados crescem, em vez de representarem pequenas correções. A concordância das derivadas em \(1\) não garante uma boa aproximação em \(10\).
Podemos usar
\[ \ln 10=-3\ln (0{,}5)+\ln (1{,}25) \approx -3P_n(0{,}5)+P_n(1{,}25). \]Os dois argumentos estão mais próximos do centro. O erro dessa combinação é, em módulo, no máximo \(3|E_n(0{,}5)|+|E_n(1{,}25)|\) e deve ser estimado antes de escolher \(n\).
\(\ln x\), em \(1\).
\(e^x\), em \(0\).
\(\operatorname {sen}x\), em \(0\).
\(\cos x\), em \(0\).
\(\star \) \(\operatorname {senh}x\), em \(0\) (opcional; funções hiperbólicas).
\(\star \) \(\cosh x\), em \(0\) (opcional; funções hiperbólicas).
\(\sqrt[3]{x}\), em \(1\).
\(\sqrt{x}\), em \(4\).
\(1/(1-x^2)\), em \(0\).
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\(h=x-1\): \(P_2=h-h^2/2\).
\(h=x\): \(P_2=1+h+h^2/2\).
\(h=x\): \(P_2=h\).
\(h=x\): \(P_2=1-h^2/2\).
\(h=x\): \(P_2=h\).
\(h=x\): \(P_2=1+h^2/2\).
\(h=x-1\): \(P_2=1+h/3-h^2/9\).
\(h=x-4\): \(P_2=2+h/4-h^2/64\).
\(h=x\): \(P_2=1+h^2\).
\(\ln (1{,}2)\).
\(\sqrt{3{,}8}\).
\(\operatorname {sen}(0{,}1)\).
\(\operatorname {sen}(\pi /25)\).
\(e^{0{,}003}\).
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Com \(a=1\), obtemos \(\ln (1{,}2)\approx 0{,}18\). Como \(f'''(t)=2/t^3\leq 2\) em \([1,1{,}2]\), \(0\lt E_2\leq 1/375\lt 0{,}002667\).
Com \(a=4\), temos
\[ \sqrt{3{,}8}\approx 2-\frac{0{,}2}{4}-\frac{0{,}2^2}{64} =1{,}949375. \]Em \([3{,}8,4]\), \(f'''(t)=3/(8t^{5/2})\leq 3/(8(3{,}8)^{5/2})\). Logo, \(|E_2|\leq 0{,}0005/(3{,}8)^{5/2}\lt 0{,}0000178\).
Com \(a=0\), temos \(\operatorname {sen}(0{,}1)\approx 0{,}1\). Como \(|f'''|=|\cos |\leq 1\), o erro é, em módulo, no máximo \(0{,}1^3/6=1/6000\).
Novamente com \(a=0\), temos \(\operatorname {sen}(\pi /25)\approx \pi /25\), com \(|E_2|\leq \pi ^3/93750\lt 0{,}000331\).
Com \(a=0\), obtemos
\[ e^{0{,}003}\approx 1+0{,}003+\frac{0{,}003^2}{2}=1{,}0030045. \]Em \([0,0{,}003]\), podemos usar \(f'''(t)=e^t\lt 3\). Portanto, \(0\lt E_2\lt 3(0{,}003)^3/6=1{,}35\cdot 10^{-8}\).
\(\ln x\), em \(1\).
\(e^x\), em \(0\).
\(\operatorname {sen}x\), em \(0\).
\(\cos x\), em \(0\).
\(\star \) \(\operatorname {senh}x\), em \(0\) (opcional; funções hiperbólicas).
\(\star \) \(\cosh x\), em \(0\) (opcional; funções hiperbólicas).
\(x^{1/x}\), para \(x\gt 0\), em \(1\).
\(\sqrt{x}\), em \(4\).
\((1+x)^{\alpha }\), com \(\alpha \in \mathbb R\) e \(x\gt -1\), em \(0\).
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\(h=x-1\): \(P_5=h-h^2/2+h^3/3-h^4/4+h^5/5\).
\(h=x\): \(P_5=1+h+h^2/2+h^3/6+h^4/24+h^5/120\).
\(h=x\): \(P_5=h-h^3/6+h^5/120\).
\(h=x\): \(P_5=1-h^2/2+h^4/24\).
\(h=x\): \(P_5=h+h^3/6+h^5/120\).
\(h=x\): \(P_5=1+h^2/2+h^4/24\).
\(h=x-1\): \(P_5=1+h-h^2+h^3/2+h^4/6-3h^5/4\).
Para \(h=x-4\),
\[ P_5=2+\frac h4-\frac{h^2}{64}+\frac{h^3}{512} -\frac{5h^4}{16384}+\frac{7h^5}{131072}. \]\(P_5(x)=\sum _{k=0}^{5}\binom \alpha k x^k\), onde
\[ \binom \alpha 0=1,\qquad \binom \alpha k=\frac{\alpha (\alpha -1)\cdots (\alpha -k+1)}{k!} \quad (k\geq 1). \]
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Para \(f(x)=e^x\), o polinômio de Taylor de ordem \(2\) em torno de zero é \(P_2(x)=1+x+x^2/2\). Como \(f^{(3)}(0)=1\), o resto de Lagrange em \(x=1\) tem módulo no máximo \(1/6\). Portanto, \(e\le 8/3\).
Quais passos estão corretos? Identifique o primeiro que não foi justificado.
Sabendo que \(e\lt 3\), obtenha uma cota válida para o erro de \(P_2(1)\) como aproximação de \(e\).
Determine o polinômio de Taylor \(P_3\) de \(e^x\) em torno de zero e use o sinal de seu resto em \(x=1\) para decidir se a conclusão \(e\le 8/3\) é verdadeira.
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A expressão de \(P_2\) e o cálculo \(f^{(3)}(0)=1\) estão corretos. O erro está em tratar a derivada no centro como majorante válido em todo o segmento. O resto de Lagrange garante que, para algum \(\xi \in (0,1)\),
\[ e-P_2(1)=\frac{e^\xi }{3!}, \]e \(e^\xi \gt 1\), não \(e^\xi \le 1\).
Para \(0\le s\le 1\), \(e^s\le e\lt 3\). Assim,
\[ 0\lt e-P_2(1)=e-\frac52\lt \frac36=\frac12. \]Essa cota é correta, ainda que menos precisa que a cota apresentada no argumento.
Como
\[ P_3(1)=1+1+\frac12+\frac16=\frac83 \]e o resto é \(e^\eta /24\gt 0\), para algum \(\eta \in (0,1)\), temos
\[ e=\frac83+\frac{e^\eta }{24}\gt \frac83. \]Portanto, a conclusão examinada é falsa.
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11.10 \(\star \) Irracionalidade de e
O controle do erro de Taylor permite ir além do cálculo aproximado. Aplicado à função exponencial, ele fornece uma representação de \(e\) que usaremos para provar sua irracionalidade. Começaremos estabelecendo essa representação:
Como vimos, o polinômio de Taylor de ordem \(n\) da função \(f(x)=e^x\), centrado em \(0\), é \(\displaystyle P_n(x)=1+x+\dfrac {x^2}{2!}+\dfrac {x^3}{3!}+\dfrac {x^4}{4!}+\cdots +\dfrac {x^n}{n!}\). Para todo \(t\in [0,1]\), temos \(0\lt e^t=f^{(n+1)}(t)\leq e\lt 3\). Pelo Teorema 11.75, o erro da aproximação é dado por
para algum \(\xi \in (0,1)\). Logo,
Finalmente, tomando o limite e aplicando o Teorema do Confronto obtemos
Suponha, por absurdo, que \(e=a/b\), com \(a\) e \(b\) inteiros positivos. Pelo teorema anterior, \(e\geq 1+1+\frac12\gt 2\); como \(e\lt 3\), não é inteiro e, portanto, \(b\geq 2\).
Todas as derivadas da função \(f(x)=e^x\) coincidem com a própria função. Aplicando a fórmula de Taylor em torno de \(0\), com resto de Lagrange, obtemos
Multiplicamos por \(b!\) para eliminar os denominadores dos termos da soma e da fração \(a/b\). Assim,
O lado esquerdo é um número inteiro, pois \(b!/k!\) é inteiro para todo \(0\leq k\leq b\). No entanto, como \(0\lt \xi \lt 1\), \(e\lt 3\) e \(b\geq 2\),
Teríamos, portanto, um número inteiro estritamente entre \(0\) e \(1\), o que é impossível. Logo, \(e\) é irracional.