Funções exponenciais e logarítmicas
Embora mudada, ressurjo a mesma.
Uma grandeza pode variar por acréscimos iguais ou por multiplicações pelo mesmo fator. Uma função afim, por exemplo, acrescenta sempre a mesma quantidade quando a variável aumenta uma unidade. Já uma população que dobra a cada período é multiplicada por 2 em cada etapa: os acréscimos aumentam, mas o fator permanece o mesmo.
As funções exponenciais descrevem esse segundo tipo de variação. Nelas, a base é fixa e a variável ocupa o expoente. Essa posição distingue, por exemplo, \(2^x\) de \(x^2\): na primeira, varia o expoente; na segunda, varia a base.
O logaritmo responde à pergunta inversa: qual expoente \(x\) produz o valor \(y\) na igualdade \(a^x=y\)? Estudaremos essas duas funções usando as potências de expoente real construídas na Seção 1.6.
4.1 Da potência à função exponencial
Fixada uma base positiva, podemos estudar como o valor da potência varia com o expoente real. A função assim obtida é a função exponencial.
Quatro fatos orientam a leitura de qualquer gráfico exponencial:
\(a^x\gt 0\) para todo \(x\in \mathbb {R}\);
\(a^0=1\), portanto o gráfico passa por \((0,1)\);
se \(a\gt 1\), a função é estritamente crescente;
se \(0\lt a\lt 1\), a função é estritamente decrescente.
O sentido da variação pode ser explicado comparando dois valores da função. Se \(y\gt x\), então \(a^y/a^x=a^{y-x}\); esse quociente é maior que \(1\) quando \(a\gt 1\) e está entre \(0\) e \(1\) quando \(0\lt a\lt 1\), o que explica, respectivamente, o crescimento e o decrescimento.
Usaremos também um fato sobre essa extensão das potências, admitido aqui sem demonstração: todo número positivo é atingido por \(x\mapsto a^x\). Esse resultado será demonstrado na Seção 8.3. Portanto,
A monotonicidade garante que cada valor é atingido no máximo uma vez; a afirmação sobre a imagem garante que todo valor positivo é atingido. Juntas, essas duas propriedades permitem inverter a função exponencial.
Geometricamente, o segundo caso é uma reflexão do primeiro. Se \(0\lt a\lt 1\), então \(1/a\gt 1\) e
Assim, para \(0\lt a\lt 1\), o gráfico de \(a^x\) é a reflexão do gráfico de \((1/a)^x\) em relação ao eixo vertical.
O eixo \(x\) funciona como assíntota horizontal. Para \(a\gt 1\), os valores de \(a^x\) se aproximam de zero quando \(x\) assume valores negativos de módulo cada vez maior; quando \(x\) cresce sem limite, \(a^x\) também cresce sem limite. Para \(0\lt a\lt 1\), esses comportamentos se invertem. A linguagem de limites tornará essas afirmações precisas mais adiante.
10-exponenciais-refletidasO caso \(a=2\). Os gráficos de \(2^x\) e \(2^{-x}\) são reflexos um do outro em relação ao eixo vertical e se encontram em \((0,1)\).
4.1.1 Transformações do gráfico exponencial
As transformações estudadas na Seção 2.8 permitem deslocar, refletir e mudar as escalas do gráfico de \(y=a^x\). Na expressão
o parâmetro \(h\) produz uma translação horizontal e \(k\), uma translação vertical. O módulo de \(A\) controla a escala vertical; se \(A\lt 0\), o gráfico é refletido verticalmente em relação à reta \(y=k\). O módulo de \(B\) controla a escala horizontal, com fator \(1/|B|\); se \(B\lt 0\), há também uma reflexão horizontal em relação à reta \(x=h\). Por exemplo, os gráficos de \(a^{x-h}+k\) e \(a^{-(x-h)}+k\) são reflexos um do outro em relação a essa reta e têm sentidos de variação opostos.
Como \(A\neq 0\) e \(a^{B(x-h)}\gt 0\), temos \(F(x)\neq k\) para todo \(x\). Portanto, o gráfico não intersecta a reta \(y=k\), que é sua assíntota horizontal.
11-exponencial-transladadaEm verde, \(f(x)=2^{x-1}+3\); em cinza, \(y=2^x\). O ponto \((0,1)\) é levado a \(P=(1,4)\), e a assíntota passa a ser \(y=3\).
A expressão é construída em etapas: de \(x\) passamos a \(-2(x-1)\), aplicamos a exponencial, multiplicamos por \(-3\) e somamos \(4\). Para acompanhar o gráfico sem confundir os deslocamentos, tome um ponto \((t,2^t)\) da curva original. Como \(t=-2(x-1)\) equivale a \(x=1-t/2\), o ponto correspondente no novo gráfico é
12-exponencial-transformacoesCada ponto \((t,2^t)\) passa a \((1-t/2,\, 4-3\, 2^t)\). As escalas verticais dos dois painéis são diferentes; as coordenadas exatas aparecem no quadro.
| Ponto inicial | Ponto transformado | Correspondência |
|---|---|---|
| $P=(-2,1/4)$ | $P'=(2,13/4)$ | $P\mapsto P'$ |
| $Q=(0,1)$ | $Q'=(1,1)$ | $Q\mapsto Q'$ |
| $R=(2,4)$ | $R'=(0,-8)$ | $R\mapsto R'$ |
A ordem horizontal dos três pontos é invertida, pois \(x=1-t/2\) diminui quando \(t\) aumenta. A transformação vertical também inverte a ordem das alturas, pois \(y=4-3\, 2^t\). Essas duas inversões explicam por que a função transformada continua crescente.
O domínio é \(\mathbb {R}\). A potência assume todos os valores positivos; multiplicar por \(-3\) e somar \(4\) produz exatamente os valores menores que \(4\). Assim, \(\operatorname {Im}f=(-\infty ,4)\).
Quando \(x\) aumenta, \(-2(x-1)\) diminui e a potência de \(2\) também diminui. A multiplicação por \(-3\) inverte novamente a desigualdade: \(f\) é estritamente crescente. Para valores positivos cada vez maiores de \(x\), a potência se aproxima de zero, e \(f(x)\) se aproxima de \(4\) por baixo. A assíntota horizontal é, portanto, \(y=4\).
O gráfico representa uma função \(f(x)=a^x\), com \(a\gt 0\) e \(a\neq 1\). Os pontos destacados têm coordenadas exatas. Determine a base e explique, a partir dela, o sentido de variação do gráfico. Um leitor situa \(f(1/2)\) exatamente a meio caminho entre \(f(0)\) e \(f(1)\). Essa leitura é correta? Determine o valor exato e explique que tipo de média aparece.
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\(f(x)=3^x\).
\(g(x)=(1/4)^x\).
\(h(x)=2^{x+2}-1\).
\(q(x)=5-3^{-x}\).
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\(\operatorname {Dom}f=\mathbb {R}\), \(\operatorname {Im}f=(0,\infty )\), crescente, assíntota \(y=0\).
\(\operatorname {Dom}g=\mathbb {R}\), \(\operatorname {Im}g=(0,\infty )\), decrescente, assíntota \(y=0\).
\(\operatorname {Dom}h=\mathbb {R}\), \(\operatorname {Im}h=(-1,\infty )\), crescente, assíntota \(y=-1\).
\(\operatorname {Dom}q=\mathbb {R}\), \(\operatorname {Im}q=(-\infty ,5)\), crescente, assíntota \(y=5\).
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4.2 Variação multiplicativa e modelos exponenciais
A igualdade \(a^{x+1}=a\cdot a^x\) explica a variação multiplicativa. Para a função \(f(x)=a^x\),
Portanto, aumentar a entrada uma unidade multiplica a saída pelo fator constante \(a\).
Se uma quantidade inicialmente igual a \(Q_0\gt 0\) é multiplicada por \(r\gt 0\) a cada unidade de tempo, os valores nos instantes inteiros são
Um modelo exponencial para os demais instantes é
Ao estender o modelo a todos os instantes \(t\geq 0\), supomos que a mesma regra multiplicativa vale também entre as observações. Se \(r\gt 1\), a quantidade cresce; se \(0\lt r\lt 1\), decai; se \(r=1\), permanece constante.
Uma taxa percentual deve ser convertida em fator multiplicativo. Se \(p\) é a taxa escrita na forma decimal, um aumento de \(100p\% \) transforma \(Q\) em \(Q+pQ=(1+p)Q\); uma redução de \(100p\% \), com \(0\lt p\lt 1\), transforma \(Q\) em \(Q-pQ=(1-p)Q\). Assim, crescer \(8\% \) corresponde ao fator \(1{,}08\), e perder \(12\% \) corresponde ao fator \(0{,}88\). Aplicar a mesma taxa em períodos sucessivos significa multiplicar repetidamente pelo mesmo fator. Nos juros compostos, por exemplo, um capital \(C_0\) à taxa decimal \(p\) por período torna-se \(C_n=C_0(1+p)^n\) após \(n\) períodos, pois cada rendimento é calculado sobre o saldo atualizado.
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Compare as perdas absolutas e os fatores multiplicativos nos dois intervalos. Qual desses padrões é compatível com um modelo exponencial?
Admitindo que \(Q(t)=Q_0r^t\) para todo \(t\geq 0\), obtenha o modelo e a previsão para \(t=1\).
As três medições, por si sós, obrigam a quantidade a seguir esse modelo entre os instantes observados? Descreva outra interpolação possível.
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O preço volta ao valor inicial? Qual deveria ser a redução percentual, depois do aumento, para recuperar exatamente o preço inicial?
Uma aplicação rende \(1\% \) ao mês, com juros compostos. Qual é seu rendimento percentual em um ano? Explique por que não é exatamente \(12\% \).
Explique as duas situações em termos dos fatores multiplicativos de cada etapa.
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Se o preço inicial é \(P\gt 0\), depois das duas etapas ele vale \(1{,}2\cdot 0{,}8P=0{,}96P\), isto é, \(4\% \) abaixo do inicial. Para voltar a \(P\) depois da alta, o fator da redução deve ser \(1/1{,}2=5/6\), o que corresponde a uma queda de \(1/6\), aproximadamente \(16{,}7\% \).
O fator anual é \((1{,}01)^{12}\approx 1{,}1268\). Logo, o rendimento é aproximadamente \(12{,}68\% \). Somar doze vezes \(1\% \) ignoraria que a base de cada aumento inclui os rendimentos anteriores.
Variações percentuais sucessivas correspondem à multiplicação dos fatores associados. Suas porcentagens não podem ser somadas diretamente porque, em geral, as bases de referência são diferentes.
Calcule \(Q(0)\), \(Q(1)\) e \(Q(2)\). Compare os fatores de crescimento nos dois intervalos sucessivos.
A população total pode ser descrita por \(Q(t)=Cr^t\), com constantes \(C,r\gt 0\)? Justifique.
Explique por que o fator de crescimento do total muda com o tempo, embora cada população tenha um fator de crescimento constante.
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\(Q(0)=200\), \(Q(1)=600\) e \(Q(2)=2000\). Os fatores sucessivos são \(600/200=3\) e \(2000/600=10/3\), que são diferentes.
Não. Se \(Q(t)=Cr^t\) para todo \(t\ge 0\), teríamos \(C=200\) e \(r=3\) a partir dos dois primeiros valores. Isso daria \(Q(2)=1800\), contrariando o valor \(2000\).
A primeira população dobra em cada unidade de tempo, enquanto a segunda quadruplica. Além disso,
\[ \frac{Q(t+1)}{Q(t)} =2\frac{A(t)}{Q(t)}+4\frac{B(t)}{Q(t)}. \]Esse fator é uma média dos fatores \(2\) e \(4\), ponderada pelas proporções das duas populações. Como \(B(t)/A(t)=2^t\) cresce, a população de crescimento mais rápido passa a ter maior peso no total. Por isso, o fator do total não permanece constante.
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4.3 Função logarítmica
Considere a equação
Não há uma potência inteira de \(2\) igual a \(10\), mas a função \(2^x\) é estritamente crescente e sua imagem é \((0,+\infty )\). Existe, portanto, um único número real \(x\) que resolve a equação.
Esse número é, por definição, \(\log _2 10\).
De modo geral, em uma igualdade \(a^x=y\), com \(a\gt 0\), \(a\neq 1\) e \(y\gt 0\), o logaritmo fornece o expoente \(x\). Trata-se, portanto, da operação inversa da exponenciação.
A definição já contém duas informações fundamentais: o argumento do logaritmo precisa ser positivo, e o valor de um logaritmo é um expoente. Por exemplo,
porque
Como exponencial e logaritmo são inversas,
e
A inversão troca domínio e imagem:
Também troca o comportamento horizontal e vertical: a assíntota horizontal \(y=0\) da exponencial corresponde à assíntota vertical \(x=0\) do logaritmo. Quando \(a\gt 1\), as duas funções são crescentes; quando \(0\lt a\lt 1\), ambas são decrescentes.
Domínios com logaritmos
O domínio da função logarítmica é \((0,+\infty )\). Por isso, quando o argumento é uma expressão em \(x\), devemos determinar para quais valores essa expressão é positiva. Se houver mais de um logaritmo, cada um deles precisa estar definido.
Para que os dois logaritmos estejam definidos, precisamos de
ou seja, \(x\gt -1\) e \(x\lt 4\). Portanto,
Na expressão de \(g\), essas condições continuam necessárias. Além disso, o denominador não pode ser zero. Pela definição de logaritmo,
Devemos, então, excluir também \(x=3\). Logo,
Os argumentos dos logaritmos são os mesmos nas duas expressões, mas a divisão exige um cuidado adicional: o valor do logaritmo no denominador não pode ser zero.
Quando o argumento de um logaritmo contém outro logaritmo, examinamos a expressão de dentro para fora. Primeiro verificamos quando o logaritmo interno está definido; depois, quando o argumento do externo é positivo.
Para calcular \(h(x)\), precisamos primeiro de \(x\gt 0\), de modo que \(\log _2 x\) esteja definido. Nesse conjunto, o logaritmo externo exige
Como \(2^{-1}=1/2\), temos \(\log _2(1/2)=-1\). A função \(\log _2\) é crescente; portanto, a última desigualdade equivale a \(x\gt 1/2\). Essa condição já garante que \(x\gt 0\). Assim,
Não é necessário que \(\log _2 x\) seja positivo: o argumento do logaritmo externo é a soma \(1+\log _2 x\), e é essa soma que deve ser positiva.
Para calcular \(k(x)\), precisamos ainda que
Reunindo essa condição com a anterior, obtemos
\(\log _2 16=4\). \(\log _5(1/25)=-2\). \(\log _{10}1000=3\).
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\(3^4=81\).
\(10^{-5}=0{,}00001\).
\(7^0=1\).
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\(\log _4 64\).
\(\log _9(1/3)\).
\(\log _{1/2}8\).
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\(\log _2 64\).
\(\log _{10}(0{,}0001)\).
\(3^{x-1}=27\).
\(\log _3(x-1)=2\).
\(2^{x+1}=5\).
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\(6\).
\(-4\).
\(x=4\).
É necessário \(x\gt 1\); a equação fornece \(x-1=9\), logo \(x=10\).
\(x=\log _2 5-1\).
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Um instrumento idealizado recebe uma quantidade positiva \(q\) e mostra \(L(q)=\log _2q\). O gráfico representa essa calibração.
Uma leitura negativa significa que a quantidade medida é negativa? Explique o significado das leituras \(-1\), \(0\) e \(1\).
O visor informa apenas que \(-1\leq L(q)\leq 1\). Qual intervalo contém \(q\)? Explique por que os extremos desse intervalo não são simétricos em torno de \(q=1\).
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4.4 Propriedades dos logaritmos
As leis dos logaritmos são traduções das leis das potências. Fixe uma base \(a\gt 0\), \(a\neq 1\). Suponha \(x,y\gt 0\) e escreva
Então \(x=a^u\) e \(y=a^v\). Multiplicando,
e, pela definição de logaritmo,
Do mesmo modo,
Para potências,
de onde
sempre que as expressões reais envolvidas estejam definidas.
A mudança de base decorre da mesma ideia. Se \(u=\log _a x\), então \(a^u=x\). Aplicando \(\log _b\),
e portanto
Essa identidade permite calcular logaritmos em qualquer base usando, por exemplo, \(\log _{10}\).
A base \(e\) e o logaritmo natural
Considere um capital aplicado à taxa nominal anual de \(100\% \), repartida igualmente entre \(n\) períodos de capitalização. A taxa de cada período é \(1/n\), e o capital é multiplicado por \((1+1/n)^n\) ao fim de um ano. Para \(n=1\), \(12\) e \(365\), esse fator vale \(2\), cerca de \(2{,}613\) e cerca de \(2{,}715\). Quando \(n\) aumenta, os fatores se aproximam de um número \(e\approx 2{,}71828\), cuja construção como limite será apresentada na Seção 8.3. A função \(f(x)=e^x\) é a exponencial natural; sua inversa é o logaritmo natural, denotado por \(\ln x=\log _e x\). No estudo de derivadas, veremos o que distingue essa base: a taxa instantânea de variação de \(e^x\) é igual ao próprio valor da função. As propriedades já obtidas valem também para essa base. Em particular,
As condições são diferentes porque o domínio do logaritmo é \((0,\infty )\), enquanto o da exponencial é \(\mathbb {R}\). Após o Teorema Fundamental do Cálculo, retomaremos o logaritmo natural e a exponencial por meio da integração.
Aplicando as propriedades
As propriedades dos logaritmos permitem reescrever expressões, mas devemos conservar as condições em que cada igualdade é válida. Esse é o mesmo cuidado que tivemos com o cancelamento de fatores na Seção 2.3.
Para calcular \(f(x)\), os dois argumentos devem ser positivos:
Logo, \(\operatorname {Dom}f=(1,+\infty )\).
Para \(g\), precisamos de \(x^2-1\gt 0\). Como \(x^2-1=(x-1)(x+1)\), o produto é positivo quando os fatores têm o mesmo sinal: ambos são positivos para \(x\gt 1\) e ambos são negativos para \(x\lt -1\). Portanto,
Se \(x\gt 1\), podemos aplicar a propriedade do produto aos números positivos \(x-1\) e \(x+1\), obtendo \(f(x)=g(x)\). Para \(x\lt -1\), porém, apenas \(g(x)\) está definido: o produto é positivo, mas seus fatores são negativos. Por exemplo, \(g(-2)=\log _2 3\) existe, enquanto \(f(-2)\) não está definido.
As funções não são iguais, pois seus domínios são diferentes. A fórmula \(\log _2(x^2-1)\) também pode ser usada para calcular \(f(x)\), desde que se mantenha a condição \(x\gt 1\).
\(\displaystyle \log _2\left(\frac{x^2+1}{2^x}\right)\);
\(\displaystyle \ln \left(\frac{x^2\sqrt{x^2-1}}{e^x}\right)\).
(a) Como \(x^2+1\gt 0\) e \(2^x\gt 0\) para todo \(x\in \mathbb {R}\), o argumento do logaritmo é sempre positivo. Portanto, o domínio é \(\mathbb {R}\). Pela propriedade do quociente e pela relação entre logaritmo e exponencial,
O termo \(\log _2(x^2+1)\) permanece assim: a propriedade do produto não se aplica a uma soma.
(b) A raiz exige \(x^2-1\geq 0\). Nos extremos \(x=\pm 1\), porém, o argumento do logaritmo é zero. Como \(e^x\gt 0\), a expressão está definida exatamente quando \(x^2-1\gt 0\), isto é,
Nesse domínio, \(x^2\) e \(x^2-1\) são positivos. Aplicando as propriedades do produto, do quociente e da potência, obtemos
Usamos \(\ln (x^2)=\ln (|x|^2)=2\ln |x|\), pois o domínio também contém valores negativos de \(x\). Escrever \(2\ln x\) excluiria esses valores.
O primeiro cuidado é com a ordem da composição. Para que o logaritmo exista, seu argumento deve ser positivo:
Como \(2^x\) é crescente,
Nesse domínio, \(2^x\) percorre \((0,4)\); portanto, \(4-2^x\) percorre também \((0,4)\), mas no sentido contrário. Como \(\log _2\) transforma \((0,4)\) em \((-\infty ,2)\),
A função \(x\mapsto 4-2^x\) é estritamente decrescente, enquanto \(\log _2\) é estritamente crescente. Logo, \(G\) é estritamente decrescente.
Quando \(x\) se aproxima de \(2\) pela esquerda, o argumento \(4-2^x\) permanece positivo e se aproxima de zero; os valores de \(G(x)\) decrescem sem limite. Assim, \(x=2\) é uma assíntota vertical. Para valores negativos de \(x\) com módulo cada vez maior, \(2^x\) se aproxima de zero e \(G(x)\) se aproxima de \(\log _2 4=2\) por valores menores. Portanto, \(y=2\) é uma assíntota horizontal.
Para inverter a função, escrevemos
Então
e portanto
Como \(y\) percorre \((-\infty ,2)\),
Curiosamente, a inversa tem a mesma regra de \(G\): neste domínio, \(G\) é sua própria inversa. Isso também significa que seu gráfico é simétrico em relação à reta \(y=x\).
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\(\log _2(8x)\).
\(\ln (x^2)\).
\(\ln \left(\sqrt{x}/e^{2x}\right)\).
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Domínio \(x\gt 0\); \(3+\log _2x\).
Domínio \(x\neq 0\); \(2\ln |x|\).
Domínio \(x\gt 0\); \(\frac12\ln x-2x\).
\(\log _a(xy)=\log _a x+\log _a y\) para \(x,y\gt 0\).
\(\log _a(x+y)=\log _a x+\log _a y\) para \(x,y\gt 0\).
\(\log _a(x^2)=2\log _a|x|\) para \(x\neq 0\).
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Relacione \(S(q)\) e \(T(q)\). A diferença entre as leituras depende de \(q\)?
Uma amostra \(A\) produz \(S(q_A)=5\) e uma amostra \(B\) produz \(T(q_B)=5\). As quantidades são iguais? Determine a razão \(q_B/q_A\).
Se \(T(q_2)-T(q_1)=2\), por qual fator as quantidades diferem? A diferença entre as leituras seria a mesma na escala \(S\)? Justifique.
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Determine o domínio da expressão original.
Nesse domínio, escreva \(E(x)\) como um único logaritmo.
Determine o domínio natural da expressão obtida e explique por que a simplificação não autoriza ampliar o domínio de \(E\).
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Descreva as etapas que compõem \(L\) e determine seu domínio.
Determine a imagem de \(L\) e os pontos em que seus valores extremos são atingidos.
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Determine o domínio e justifique a monotonicidade pela ordem das operações.
Determine a imagem e as assíntotas vertical e horizontal.
Encontre a inversa de \(F\) sobre sua imagem, indicando o domínio da inversa.
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4.5 Escalas logarítmicas e aplicações
O logaritmo transforma o quociente entre dois valores positivos na diferença entre seus logaritmos. Essa propriedade permite construir escalas que comparam valores distribuídos por muitas ordens de grandeza.
Gráficos semilogarítmicos e log–log
Uma escala logarítmica em um eixo representa um valor positivo \(y\) na posição correspondente a \(\log _b y\), para uma base fixa \(b\gt 1\). As marcas podem continuar rotuladas por \(y\): em base \(10\), por exemplo, \(1\), \(10\), \(100\) e \(1000\) ficam igualmente espaçados. Distâncias iguais nesse eixo representam fatores iguais, e não diferenças iguais. Zero e valores negativos não podem ser representados por essa escala.
Num gráfico semilogarítmico, apenas um eixo é logarítmico. Com o eixo horizontal usual e o vertical logarítmico, o modelo \(y=Ca^x\), com \(C\gt 0\), \(a\gt 0\), transforma-se em
Portanto, seu desenho é uma reta nas coordenadas \((x,Y)\): a inclinação é \(\log _b a\), e não a variação absoluta de \(y\) por unidade de \(x\). Por exemplo, \(y=10\cdot 2^x\) produz a reta \(Y=1+x\log _{10}2\) em escala vertical de base \(10\).
Num gráfico log–log, ambos os eixos são logarítmicos e exigimos \(x\gt 0\), \(y\gt 0\). O modelo potência \(y=Cx^\alpha \), com \(C\gt 0\), transforma-se em
A inclinação da reta é agora o expoente \(\alpha \). Por exemplo, na base \(10\), \(y=10x^2\) produz \(Y=1+2X\). Assim, uma reta com eixo horizontal usual e eixo vertical logarítmico indica um modelo exponencial, enquanto uma reta em escala log–log indica um modelo potência. Antes de interpretar o desenho, é indispensável ler as escalas dos dois eixos.
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“Um som de \(80\) dB é duas vezes mais intenso que um som de \(40\) dB.”
“Uma solução de pH \(4\) tem o dobro da concentração de \(H^+\) de uma solução de pH \(8\).”
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\(\beta _1-\beta _2=10\log _{10}(I_1/I_2)=40\); logo, \(I_1/I_2=10^4\).
A diferença de \(4\) unidades de pH corresponde a um fator \(10^4\) na concentração.
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O eixo vertical usa escala logarítmica de base \(10\): marcas igualmente espaçadas representam \(1\), \(10\), \(100\) e \(1000\). As retas representam dois modelos exponenciais positivos \(A(t)\) e \(B(t)\).
Leia os valores iniciais e o instante em que as quantidades se igualam.
Qual quantidade tem maior fator de crescimento por unidade de tempo? Explique por que as retas desenhadas não indicam acréscimos absolutos constantes em \(A\) e \(B\).
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Dois pesquisadores estudam grandezas positivas em função de \(x\gt 0\). Seus gráficos apresentam retas de mesma aparência geométrica, mas empregam escalas diferentes. No gráfico A, os dois eixos são logarítmicos; no gráfico B, apenas o eixo vertical é logarítmico. Em cada eixo logarítmico, marcas igualmente espaçadas representam valores multiplicados por \(10\), e não aumentados por uma quantidade fixa.
Nas coordenadas transformadas, as retas têm equações
As marcas dos eixos nas figuras indicam os valores das grandezas, e não os valores de seus logaritmos.
Determine as expressões de \(f(x)\) e \(g(x)\). As duas funções pertencem à mesma família?
Calcule
\[ \frac{f(2x)}{f(x)} \qquad \text{e}\qquad \frac{g(x+1)}{g(x)}. \]Explique o significado dessas razões e relacione cada uma ao tipo de escala utilizado.
\(\star \) É possível que uma função positiva e não constante, definida em \((0,\infty )\), tenha um gráfico retilíneo tanto em escala log–log quanto em escala semilogarítmica em todo o seu domínio? Justifique.
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No primeiro caso, \(\log _{10}f(x)=2\log _{10}x+1\), portanto \(f(x)=10x^2\), uma função potência. No segundo, \(\log _{10}g(x)=2x+1\), logo \(g(x)=10\cdot 100^x\), uma função exponencial.
Temos
\[ \frac{f(2x)}{f(x)}=4,\qquad \frac{g(x+1)}{g(x)}=100. \]Na lei de potência, multiplicar a entrada por \(2\) multiplica a saída por \(4\); na exponencial, acrescentar uma unidade à entrada multiplica a saída por \(100\).
Se uma função positiva tivesse ambos os gráficos retilíneos em todo \((0,\infty )\), poderíamos escrevê-la como
\[ h(x)=Ax^p=Ba^x \]para constantes \(A,B,a\gt 0\) e \(p\in \mathbb R\). A forma de potência exige \(h(2)/h(1)=h(4)/h(2)\); a forma exponencial dá, respectivamente, \(a\) e \(a^2\). Portanto, \(a=a^2\) e, como \(a\gt 0\), segue \(a=1\). Assim, \(h\) seria constante, contrariando a hipótese.