A formulação de um problema é frequentemente mais essencial que sua solução.
Nem toda relação entre grandezas aparece inicialmente na forma \(y=f(x)\), e nem toda derivada pode ser obtida apenas pelas regras algébricas básicas. A derivação implícita, a derivação logarítmica e o teorema da função inversa ampliam o alcance das técnicas desenvolvidas no capítulo anterior. Essas ferramentas permitem tratar funções exponenciais de base geral, funções trigonométricas inversas e problemas de taxas relacionadas. Derivadas de ordem superior e funções hiperbólicas completam o repertório; a aproximação linear, ao final, retoma a interpretação local que está na origem da derivada.
10.1 Derivação implícita
Muitas funções são apresentadas explicitamente na forma \(y=f(x)\). Outras surgem como ramos de uma relação entre \(x\) e \(y\), expressa por uma equação:
Dizemos que uma função \(y=f(x)\) é definida implicitamente por tal equação se o ponto \((x,f(x))\) for solução da equação 10.1 para todo \(x\in \operatorname {Dom}f\). Uma mesma relação pode determinar vários ramos locais, ou até não definir \(y\) como função global de \(x\); por isso, é necessário identificar o ramo e as condições em que a derivada existe.
Exemplo 10.1
Determine as funções definidas implicitamente pela equação \(y^2+x^2y-4=0\).
Solução
A equação é quadrática em \(y\). Pela fórmula resolutiva,
\[ y=\frac{-x^2\pm \sqrt{x^4+16}}{2}. \]
Como \(x^4+16\gt 0\), a relação determina duas funções reais, ambas definidas para todo \(x\in \mathbb {R}\).
Exemplo 10.2
Sejam \(a,b\gt 0\). Uma elipse é caracterizada pela equação
\[ \dfrac {x^2}{a^2}+\dfrac {y^2}{b^2}=1 \]
Determine as funções de \(x\) definidas implicitamente por essa equação.
Logo, para \(|x|\leq a\), a parte superior e a parte inferior da elipse são os gráficos das funções \(y_+(x)=b\sqrt{1-x^2/a^2}\) e \(y_-(x)=-b\sqrt{1-x^2/a^2}\). A elipse inteira não é o gráfico de uma única função de \(x\).
Quando uma função é dada implicitamente, calculamos a derivada de \(y\) em relação a \(x\) por derivação implícita: em um ramo no qual \(y=y(x)\) é diferenciável, diferenciamos os dois lados da equação, aplicamos as regras de derivação e isolamos \(dy/dx\). A divisão feita nesse último passo deve ser registrada como uma condição de domínio. Utilizaremos a técnica de derivação implícita para apresentar outra forma de deduzir a derivada do logaritmo natural.
Exemplo 10.3
Mostre que \(\frac{d }{d x}\ln (x)=\dfrac {1}{x}\).
Solução
Para \(x\gt 0\), escrevemos \(y=\ln x\), ou, equivalentemente, \(x=e^y\). Derivando implicitamente em relação a \(x\),
Nas soluções da equação, \(\cos (x/y)\neq 0\), o que justifica a simplificação. A fórmula final requer também \(x\neq 0\).
Figura10.3Curva implícita definida por \(\operatorname {tg}(x+y)=\operatorname {sen}(xy)\), com vários ramos separados pelas singularidades da tangente.
Exemplo 10.6
Considere a função \(y = y(x)\) definida implicitamente por
Figura10.4O fólio \(x^3+y^3=6xy\) possui um laço e ramos que não formam o gráfico global de uma única função de \(x\).
Solução
Derivando ambos os lados da equação em relação a \(x\), obtemos
\[ 3x^2+3y^2y'=6y+6xy'. \]
Isolando \(y'\),
\[ y'=\dfrac {2y-x^2}{y^2-2x}, \]
nos pontos em que \(y^2-2x\neq 0\).
Exercício 10.1
Encontre \(dy/dx\) diferenciando implicitamente
\(x^2+y^2=1\)
\(x^2y+xy^2=3x\)
\(\sqrt{x+y}+\sqrt{xy}=6\)
\(x\operatorname {sen}(y)+\cos (2y)=\cos (y)\)
\(x^y=y^x\)
\(y=\ln (x^2+y^2)\)
\(x^4+y^2+y=7\)
\(x^{2/5}+y^{2/5}=1\)
Ver solução
Diferenciando cada relação em relação a \(x\) e isolando \(y'\), com as restrições necessárias para as divisões efetuadas, obtemos
\(-\dfrac {x}{y}\), nos pontos em que \(y\neq 0\).
\(\dfrac {-2xy-y^2+3}{x(x+2y)}\), nos pontos em que \(x(x+2y)\neq 0\).
\(-\dfrac {y\sqrt{x+y}+\sqrt{xy}}{x\sqrt{x+y}+\sqrt{xy}}\), para \(x+y\gt 0\), \(xy\gt 0\) e denominador não nulo.
\(\dfrac {\operatorname {sen}y}{2\operatorname {sen}(2y)-\operatorname {sen}y-x\cos y}\), nos pontos em que o denominador não se anula.
\(\dfrac {\ln y-y/x}{\ln x-x/y}\), para \(x,y\gt 0\) e nos pontos em que o denominador não se anula.
\(\dfrac {2x}{x^2+y^2-2y}\), para \(x^2+y^2\gt 0\) e denominador não nulo.
\(-\dfrac {4x^3}{2y+1}\), nos pontos em que \(2y+1\neq 0\).
\(-\left(\dfrac {y}{x}\right)^{3/5}\), nos pontos em que \(x\neq 0\) e \(y\neq 0\).
Exercício 10.2
Mostre que \( \frac{dy}{dx}\) é a mesma para cada uma das seguintes funções definidas implicitamente.
\(xy=1\)
\(x^2y^2=1\)
\(\operatorname {sen}(xy) = 1\)
\(\ln (xy) =1\)
Ver solução
Em cada ramo diferenciável com \(x\neq 0\), o produto \(xy\) é uma constante não nula:
\(xy=1\);
\(xy=1\) ou \(xy=-1\);
\(xy=\pi /2+2k\pi \), para um inteiro \(k\) fixo no ramo;
\(xy=e\).
Em todos os casos, \(y=C/x\) para alguma constante \(C\neq 0\), de modo que \(y'=-C/x^2=-y/x\). No item 3, a diferenciação direta fornece \(0=0\), pois \(\cos (xy)=0\); por isso identificamos primeiro os ramos. A continuidade de \(xy\) impede que seu valor salte entre essas constantes em um intervalo.
Exercício 10.3
Encontre uma equação da reta tangente à curva no ponto dado
\(\dfrac {x^2}{16}-\dfrac {y^2}{9}=1\) no ponto \((-5,9/4)\)
\(\dfrac {x^2}{9}+\dfrac {y^2}{36}=1\) no ponto \((-1,4\sqrt{2})\)
\(y^2=x^3(2-x)\) no ponto \((1,1)\)
Ver solução
\(y'=\dfrac {9x}{16y}\); no ponto dado, \(m=-5/4\). A reta é \(y-9/4=-\dfrac 54(x+5)\).
\(y'=-\dfrac {4x}{y}\); no ponto dado, \(m=1/\sqrt2\). A reta é \(y-4\sqrt2=\dfrac 1{\sqrt2}(x+1)\).
\(y'=\dfrac {x^2(3-2x)}{y}\); no ponto dado, \(m=1\). A reta é \(y=x\).
Exercício 10.4
A função \(y=f(x)\), \(y\gt 0\) é dada implicitamente por \(x^2+4y^2=2\). Determine a equação da reta tangente ao gráfico de \(f(x)\) no ponto de abscissa 1. Ver solução
A derivação implícita fornece \(y'=-x/(4y)\). Quando \(x=1\), temos \(y=1/2\); portanto, \(y'(1)=-1/2\) e a reta tangente é
\[ y=\frac12-\frac12(x-1). \]
Exercício 10.5
Sejam \(a,b\gt 0\). Mostre, fazendo a diferenciação implícita, que a tangente à elipse
\[ \dfrac {x^2}{a^2}+\dfrac {y^2}{b^2}=1 \]
no ponto \((x_0,y_0)\) é
\[ \dfrac {x_0x}{a^2}+\dfrac {y_0y}{b^2}=1 \]
Ver solução
Se \(y_0\neq 0\), a diferenciação implícita fornece \(y'=-b^2x/(a^2y)\). Portanto, a tangente em \((x_0,y_0)\) satisfaz
Se \(y_0=0\), então \(x_0=\pm a\neq 0\). Diferenciando \(x\) em relação a \(y\), obtemos \(dx/dy=-a^2y/(b^2x)\), que se anula nesse ponto; logo, a tangente é vertical, \(x=x_0\). A fórmula do enunciado reduz-se exatamente a essa reta.
Exercício 10.6
Seja \(c\gt 0\). Mostre que a soma dos interceptos nos eixos \(x\) e \(y\) da reta tangente à curva \(\sqrt{x}+\sqrt{y}=\sqrt{c}\), em qualquer ponto com \(x\gt 0\) e \(y\gt 0\), é igual a \(c\). Ver solução
Derivando implicitamente, temos \(y'=-\dfrac {\sqrt y}{\sqrt x}\). Logo, a reta tangente em \((a,b)\) é \(y-b=-\dfrac {\sqrt b}{\sqrt a}(x-a)\). Seus interceptos somam \(a+b+2\sqrt{ab}=(\sqrt a+\sqrt b)^2=c\).
Exercício 10.7
Encontre as equações das retas tangentes à elipse \(x^2+4y^2=36\) que passam pelo ponto \((12,3)\). Ver solução
A tangente à elipse no ponto \((u,v)\) satisfaz \(ux+4vy=36\). Para passar por \((12,3)\), é necessário \(12u+12v=36\), isto é, \(u+v=3\). Substituindo \(v=3-u\) em \(u^2+4v^2=36\), obtemos \(5u^2-24u=0\). Assim, os pontos são \((0,3)\) e \((24/5,-9/5)\), e as retas correspondentes são \(y=3\) e \(2x-3y=15\). Ambas passam por \((12,3)\).
Exercício 10.8
A água escoa de um tanque cuja área da seção transversal é constante e igual a \(50\, \mathrm{m^2}\). Na parte inferior do tanque, há um orifício de área \(14\, \mathrm{m^2}\). A altura inicial da água é \(20\, \mathrm{m}\) e, após \(t\) segundos, a altura \(h\), em metros, satisfaz
\[ 2\sqrt h+\frac t{25}-2\sqrt{20}=0. \]
O modelo vale para \(0\leq t\leq 50\sqrt{20}\). A que taxa a altura da água diminui no instante em que \(h=9\, \mathrm{m}\)?
Quando \(h=9\), \(h'=-3/25\, \mathrm{m/s}\); portanto, a altura diminui à taxa de \(3/25\, \mathrm{m/s}\).
A derivação implícita permite diferenciar uma relação sem isolar previamente uma das variáveis. Combinada à regra da cadeia e às identidades entre exponenciais e logaritmos, ela também conduz às fórmulas de derivação para bases gerais.
10.2 Derivadas das funções exponencial e logarítmica
A identidade \(a^x=e^{x\ln a}\) reduz qualquer base positiva à base \(e\). Com ela e a regra da cadeia, as derivadas de \(a^x\) e \(\log _a x\) seguem das que já conhecemos.
Teorema 10.8
Se \(a\gt 0\), então
\[ \frac{d }{d x}a^x=a^x\ln a. \]
Demonstração▼
A identidade \(a^x=e^{x\ln a}\) permite aplicar diretamente a regra da cadeia:
\[ \frac{d }{d x}a^x=e^{x\ln a}\ln a=a^x\ln a. \]
Exemplo 10.9
Calcule a derivada de \(y=2^{\sqrt{x}}\)
Solução
A função está definida para \(x\geq 0\). Para \(x\gt 0\), a regra da cadeia fornece
Calcule \(P'(I)\) e interprete seu comportamento quando \(I\) aumenta.
Mostre que duplicar o estímulo sempre produz o mesmo acréscimo na percepção prevista pelo modelo.
Ver solução
Temos \(P'(I)=k/I\). A percepção ainda cresce com o estímulo, mas sua sensibilidade a um mesmo acréscimo absoluto diminui quando \(I\) aumenta. Além disso,
\[ P(2I)-P(I)=k\ln 2, \]
independentemente de \(I\).
Exercício 10.14
Uma curva idealizada de frequência de disparo de um neurônio é
\[ f(I)=a\sqrt{I-I_c},\qquad I\gt I_c, \]
em que \(a\gt 0\), \(I\) é a corrente de entrada e \(I_c\) é um limiar. A derivada \(f'(I)\) é chamada de ganho. Determine o ganho, estude seu limite quando \(I\to I_c^+\) e interprete o resultado. Ver solução
Para \(I\gt I_c\),
\[ f'(I)=\frac{a}{2\sqrt{I-I_c}}. \]
Logo, \(f'(I)\to +\infty \) quando \(I\to I_c^+\). O modelo prevê sensibilidade muito alta imediatamente acima do limiar e ganho decrescente à medida que a corrente aumenta. O valor infinito é uma idealização do modelo, não uma previsão fisiológica literal.
Exemplo 10.11
Calcule a derivada de \(y=\log _{10}(x^2+1)\).
Solução
Como \(x^2+1\gt 0\) para todo \(x\in \mathbb {R}\), a composição está definida em todo \(\mathbb {R}\). Pela regra da cadeia,
A identidade \(h(x)=e^{g(x)\ln f(x)}\) e a regra da cadeia garantem primeiro que \(h\) é diferenciável. Como \(f(x)\gt 0\), também \(h(x)\gt 0\), e podemos escrever
\[ \ln h(x)=g(x)\ln [f(x)]. \]
Diferenciando implicitamente e aplicando as regras do produto e da cadeia,
Multiplicando por \(h(x)=[f(x)]^{g(x)}\), obtemos a fórmula enunciada.
O procedimento empregado na demonstração é chamado derivação logarítmica: aplicamos o logaritmo à identidade que define a função, simplificamos a expressão obtida e diferenciamos implicitamente.
Exemplo 10.13
Calcule a derivada de \(x^x\), para \(x\gt 0\).
Solução
Para \(x\gt 0\), ponha \(y=x^x\). Como \(y\gt 0\), podemos aplicar o logaritmo natural:
A mesma fórmula resulta da identidade \(x^x=e^{x\ln x}\).
Exemplo 10.14
Calcule a derivada de \((\operatorname {sen}x)^{\cos x}\).
Solução
Trabalhamos em qualquer intervalo no qual \(\operatorname {sen}x\gt 0\), condição necessária para usar o logaritmo real. Ponha \(y=(\operatorname {sen}x)^{\cos x}\). Então
\[ \ln y=\cos x\, \ln (\operatorname {sen}x). \]
Derivando implicitamente e aplicando as regras do produto e da cadeia,
Usando a regra da cadeia e, nos itens com variável na base e no expoente, a diferenciação logarítmica, obtemos
\(e^{\operatorname {sen}x}\cos x\).
\(\dfrac {2x}{1+x^2}\).
\(x^x(\ln x+1)\), para \(x\gt 0\).
\((\cos x)^x\bigl(\ln (\cos x)-x\operatorname {tg}x\bigr)\), nos intervalos em que \(\cos x\gt 0\).
\(\pi x^{\pi -1}+\pi ^x\ln \pi \), para \(x\gt 0\).
\((2x+1)^x\left(\ln (2x+1)+\dfrac {2x}{2x+1}\right)\), para \(x\gt -1/2\).
\(\dfrac 1{x\ln x\, \ln (\ln x)}\), para \(x\gt e\).
\((\ln x)^x\left(\ln (\ln x)+\dfrac 1{\ln x}\right)\), para \(x\gt 1\).
\(x^{e^x}e^x\left(\ln x+\dfrac 1x\right)\), para \(x\gt 0\).
\(x^{x^x}x^x\left((\ln x+1)\ln x+\dfrac 1x\right)\), para \(x\gt 0\).
10.3 Derivadas das funções trigonométricas inversas
Seno, cosseno e tangente não são injetivas em seus domínios naturais. Ao restringi-las aos intervalos escolhidos na Seção 5.8, obtemos funções bijetivas e, portanto, inversas bem definidas. O teorema da derivada da função inversa permite então deduzir as derivadas de arco seno, arco cosseno e arco tangente, com seus respectivos domínios.
Teorema 10.15
Seja \(\operatorname {arcsen}:[-1,1]\to \left[\displaystyle \dfrac {-\pi }{2}\, ,\, \dfrac {\pi }{2}\right]\) então
A função \(\operatorname {sen}x\) é injetiva no intervalo \(\left[\displaystyle \dfrac {-\pi }{2}\, ,\, \dfrac {\pi }{2}\right]\) com imagem o intervalo \([-1,1]\). Logo,
Para \(-1\lt x\lt 1\), temos \(-\pi /2\lt y\lt \pi /2\) e, portanto, \(\cos y\gt 0\). Assim, a derivada de \(\operatorname {sen}\) não se anula no ponto correspondente e as hipóteses do Teorema 9.42 estão satisfeitas. Há duas maneiras de obter a derivada. Pelo Teorema 9.42,
A restrição de \(\operatorname {tg}\) ao intervalo \((-\pi /2,\pi /2)\) é bijetiva sobre \(\mathbb {R}\). Sua inversa é a função \(\operatorname {arctg}:\mathbb {R}\to (-\pi /2,\pi /2)\), caracterizada por
e \(\operatorname {arccotg}x=\pi /2-\operatorname {arctg}x\) para \(x\in \mathbb {R}\). Assim, os valores da arco-secante pertencem a \([0,\pi ]\setminus \{ \pi /2\} \), os da arco-cossecante a \([-\pi /2,\pi /2]\setminus \{ 0\} \) e os da arco-cotangente a \((0,\pi )\). A regra da cadeia e as fórmulas já demonstradas dão as derivadas seguintes.
Teorema 10.18 (Derivadas das Funções Trigonométricas Inversas)
Aplicando a regra da cadeia às fórmulas das funções trigonométricas inversas e registrando os respectivos domínios, obtemos
\(\dfrac {3x^2}{\sqrt{1-x^6}}\), para \(|x|\lt 1\).
\(-\dfrac {\cos x}{|\cos x|}\), nos pontos em que \(\cos x\neq 0\).
\(-\dfrac {1}{|x|\sqrt{4x^2-1}}\), para \(|x|\gt 1/2\).
Exercício 10.17
Calcule as derivadas e indique onde as fórmulas são válidas.
\(h(t)=\operatorname {arcsen}(2t)\)
\(f(t)=\operatorname {arcsec}(2t)\)
\(g(x)=\operatorname {arctg}(2x)\)
\(f(x)=x\operatorname {arcsen}x\)
\(g(t)=\operatorname {sen}t\, \arccos t\)
\(h(x)=\operatorname {arcsen}x/\arccos x\)
\(g(x)=\operatorname {arctg}(\sqrt{x})\)
\(f(x)=\operatorname {arcsec}(1/x)\)
Ver solução
As regras da cadeia, do produto e do quociente fornecem
\(h'(t)=\dfrac {2}{\sqrt{1-4t^2}}\), para \(|t|\lt 1/2\).
\(f'(t)=\dfrac {1}{|t|\sqrt{4t^2-1}}\), para \(|t|\gt 1/2\).
\(g'(x)=\dfrac {2}{1+4x^2}\), para \(x\in \mathbb {R}\).
\(f'(x)=\operatorname {arcsen}x+\dfrac {x}{\sqrt{1-x^2}}\), para \(|x|\lt 1\).
\(g'(t)=\arccos (t)\cos t-\dfrac {\operatorname {sen}t}{\sqrt{1-t^2}}\), para \(|t|\lt 1\).
\(h'(x)=\dfrac {\operatorname {arcsen}x+\arccos x}{\sqrt{1-x^2}\, [\arccos x]^2}\), para \(|x|\lt 1\).
\(g'(x)=\dfrac {1}{2\sqrt{x}(1+x)}\), para \(x\gt 0\).
\(f'(x)=-\dfrac {1}{\sqrt{1-x^2}}\), para \(0\lt |x|\lt 1\).
Exercício 10.18
Faça um treino cumulativo das regras de derivação.
\(f(x)=(x^2+1)^5\).
\(g(x)=e^{x^2}\operatorname {sen}x\).
\(h(x)=\ln (1+x^2)\).
\(p(x)=x^x\), para \(x\gt 0\).
\(q(x)=(\operatorname {sen}x)^x\), em um intervalo no qual \(\operatorname {sen}x\gt 0\).
\(r(x)=\sqrt{\dfrac {1+x}{1-x}}\), para \(-1\lt x\lt 1\).
\(u(x)=\operatorname {arctg}(e^x)\).
\(v(x)=\ln \! \left(\dfrac {x^2+1}{x-1}\right)\), para \(x\gt 1\).
Calcule \(y'\) se \(x^2+xy+y^2=7\).
Calcule \(f''(x)\) se \(f(x)=x^2e^x\).
Ver solução
Este bloco combina as técnicas do capítulo; em cada item usamos apenas as regras necessárias e mantemos as condições de domínio implícitas no enunciado.
Por diferenciação logarítmica, \(r'(x)=r(x)/(1-x^2)\).
\(u'(x)=e^x/(1+e^{2x})\).
\(v'(x)=2x/(x^2+1)-1/(x-1)\).
\(y'=-(2x+y)/(x+2y)\), quando \(x+2y\neq 0\).
\(f''(x)=e^x(x^2+4x+2)\).
Até aqui, a regra da cadeia e a derivação implícita foram usadas principalmente para obter novas fórmulas de derivação. Quando várias grandezas dependem de um mesmo parâmetro — em geral, o tempo —, as mesmas técnicas tornam-se uma ferramenta de modelagem: uma relação entre grandezas passa a produzir uma relação entre suas taxas de variação.
10.4 Taxas relacionadas
Em muitos problemas, duas ou mais grandezas variam com o tempo e permanecem ligadas por uma equação. As taxas relacionadas são as derivadas dessas grandezas em relação ao tempo. Um procedimento útil consiste em identificar as grandezas que variam, escrever uma equação que as relacione, diferenciar essa equação em relação a \(t\) e somente então substituir os valores correspondentes ao instante considerado.
Por exemplo, se \(x=x(t)\) e \(y=y(t)\) estão relacionadas por uma equação envolvendo \(x\) e \(y\), tratamos ambas como funções do tempo e diferenciamos a relação inteira em relação a \(t\), usando a regra da cadeia sempre que necessário. Os valores numéricos das grandezas devem ser substituídos somente depois da diferenciação, pois, durante o processo, todas elas variam com \(t\).
Exemplo 10.19
Seja \(A\) a área de um quadrado cujo lado \(l\) varia com o tempo. Qual é a relação entre as taxas \(dl/dt\) e \(dA/dt\)?
Solução
Escrevemos \(l=l(t)\) e, consequentemente, \(A=A(t)\). Como \(A=l^2\), a regra da cadeia fornece
Essa identidade relaciona, em cada instante, a taxa de variação da área à taxa de variação do lado.
Exemplo 10.20
Ar é bombeado para o interior de um balão esférico, cujo volume cresce à taxa de \(50\, \mathrm{cm^3/s}\). A que taxa o raio cresce quando mede \(5\, \mathrm{cm}\)?
Solução
Sejam \(r=r(t)\) o raio e \(V=V(t)\) o volume. Como
Um tanque de água tem a forma de um cone circular invertido, com raio superior de \(2\, \mathrm{m}\) e altura de \(4\, \mathrm{m}\). A água é bombeada para o tanque à taxa de \(2\, \mathrm{m^3/min}\). Determine a taxa de elevação do nível da água quando a profundidade é \(3\, \mathrm{m}\).
Solução
Sejam \(V=V(t)\) o volume de água, \(r=r(t)\) o raio da superfície e \(h=h(t)\) a profundidade. O volume satisfaz Figura10.7No corte axial do tanque, a semelhança entre o cone de água e o tanque fornece \(r(t)/h(t)=2/4\).
\[ V=\frac13\pi r^2h. \]
Por semelhança de triângulos, \(r/h=2/4\), isto é, \(r=h/2\). Portanto,
Um balanço está preso à extremidade de uma corda de \(10\, \mathrm{m}\), fixada no ponto \(Q\). Seja \(P\) a posição do assento. No instante \(t=0\), o balanço está diretamente abaixo de \(Q\) e começa a ser puxado horizontalmente, da esquerda para a direita, à velocidade de \(6\, \mathrm{m/s}\). Determine:
a velocidade vertical do balanço após \(1\, \mathrm{s}\);
a velocidade angular da corda, em graus por segundo, após \(1\, \mathrm{s}\).
Solução
Fixemos a origem na posição inicial de \(P\). Se \(x=x(t)\) é o deslocamento horizontal e \(y=y(t)\) é a elevação em relação à posição inicial, então \(\frac{d x}{d t}=6\, \mathrm{m/s}\). No primeiro item, procuramos \(\frac{d y}{d t}\); no segundo, procuramos \(\frac{d \theta }{d t}\), em que \(\theta \) é o ângulo da corda com a vertical, medido em radianos. Figura10.8As variáveis do balanço formam um triângulo retângulo com catetos \(x(t)\) e \(10-y(t)\) e hipotenusa \(10\). Para a velocidade vertical, o triângulo retângulo da figura tem catetos \(x\) e \(10-y\) e hipotenusa \(10\). Logo,
\[ x^2+(10-y)^2=100. \]
Derivando,
\[ 2x\dot x-2(10-y)\dot y=0. \]
Após \(1\, \mathrm{s}\), temos \(x=6\, \mathrm{m}\) e, pelo teorema de Pitágoras, \(10-y=8\, \mathrm{m}\), de modo que \(y=2\, \mathrm{m}\). Com \(\dot x=6\, \mathrm{m/s}\),
Multiplicando por \(180/\pi \), obtemos aproximadamente \(43\, \mathrm{graus/s}\).
Exemplo 10.23
A energia cinética de um corpo de massa constante \(M\) é dada por \(K=\frac12Mv^2\). Se o corpo está em queda livre com aceleração \(9{,}8\, \mathrm{m/s^2}\), a que taxa a energia cinética aumenta quando sua velocidade é \(30\, \mathrm{m/s}\)?
Solução
Como \(K=\frac12Mv^2\) e \(M\) é constante, a diferenciação em relação ao tempo fornece
\[ \frac{d K}{d t}=Mv\frac{d v}{d t}. \]
No instante indicado, \(v=30\, \mathrm{m/s}\) e \(\frac{d v}{d t}=9{,}8\, \mathrm{m/s^2}\). Portanto,
Um gás está em uma câmara de parede flexível. Mantidos constantes a quantidade de gás e a temperatura, a pressão \(P\) e o volume \(V\) satisfazem \(PV=k\), em que \(k\gt 0\) é constante. Se o volume diminui a uma taxa constante, qual é a taxa de variação da pressão?
Como \(\frac{d V}{d t}\lt 0\), resulta \(\frac{d P}{d t}\gt 0\): a pressão aumenta. Se \(\frac{d V}{d t}\) é constante, o fator \(k/V^2\) cresce à medida que o volume diminui; portanto, a pressão sobe cada vez mais depressa.
Exercício 10.19
A água flui sobre uma superfície plana à taxa de \(5\, \mathrm{cm^3/s}\), formando uma poça circular de \(10\, \mathrm{mm}\) de profundidade constante. A que taxa o raio cresce quando mede:
1 cm?
10 cm?
100 cm?
Ver solução
Como \(10\, \mathrm{mm}=1\, \mathrm{cm}\), o volume é \(V=\pi r^2\). Derivando, \(5=2\pi r\, r'\), logo \(r'=5/(2\pi r)\), em cm/s. Na ordem pedida:
\(5/(2\pi )\, \mathrm{cm/s}\).
\(1/(4\pi )\, \mathrm{cm/s}\).
\(1/(40\pi )\, \mathrm{cm/s}\).
Exercício 10.20
Uma escada de \(8\, \mathrm m\) está encostada em uma casa enquanto sua base é afastada a uma velocidade constante de \(0{,}5\, \mathrm{m/s}\).
A que velocidade vertical o topo da escada desliza pela parede quando a base está a:
\(1\, \mathrm m\) da casa?
\(4\, \mathrm m\) da casa?
\(7{,}5\, \mathrm m\) da casa?
\(8\, \mathrm m\) da casa?
Ver solução
Se \(x\) é a distância da base à parede e \(y\) é a altura do topo, então \(x^2+y^2=64\). Como \(x'=0{,}5\), temos \(y'=-0{,}5x/y=-0{,}5x/\sqrt{64-x^2}\). As velocidades verticais são:
\(-1/(2\sqrt{63})\, \mathrm{m/s}\).
\(-1/(2\sqrt3)\, \mathrm{m/s}\).
\(-15/(2\sqrt{31})\, \mathrm{m/s}\).
Não há taxa vertical finita: quando \(x\to 8^-\), \(y\to 0^+\) e \(y'\to -\infty \). O modelo com afastamento horizontal constante não continua além desse instante.
Exercício 10.21
A luminosidade \(L\) de uma estrela é modelada pela lei de Stefan–Boltzmann,
\[ L=4\pi \sigma R^2T^4, \]
em que \(R\) é o raio, \(T\) é a temperatura da superfície e \(\sigma \) é constante. Mostre que
Em certo instante, o raio cresce à taxa relativa de \(0{,}4\% \) por século e a temperatura diminui à taxa relativa de \(0{,}1\% \) por século. Qual é a taxa relativa de variação da luminosidade nesse instante? Ver solução
Diferenciando em relação ao tempo e dividindo por \(L=4\pi \sigma R^2T^4\), obtemos a identidade pedida. Substituindo as taxas relativas,
por século. Nesse instante, a luminosidade está aumentando.
Exercício 10.22
Um tanque cônico invertido, com 20 m de profundidade e 10 m de diâmetro na parte superior, está sendo preenchido com água a uma taxa de \(10\, \mathrm{m^3/min}\). A que taxa a água está subindo quando sua profundidade é:
1 m?
10 m?
19 m?
Quanto tempo o tanque levará para encher quando começar vazio? Ver solução
O raio superior é \(5\) m. Por semelhança, \(r/h=5/20=1/4\), de modo que \(V=\pi h^3/48\). Derivando, \(10=(\pi h^2/16)h'\), portanto \(h'=160/(\pi h^2)\). Na ordem pedida:
\(160/\pi \, \mathrm{m/min}\).
\(8/(5\pi )\, \mathrm{m/min}\).
\(160/(361\pi )\, \mathrm{m/min}\).
O volume total é \(V(20)=500\pi /3\, \mathrm{m^3}\). Dividindo-o pela vazão de \(10\, \mathrm{m^3/min}\), obtemos o tempo de enchimento \(50\pi /3\) minutos.
Exercício 10.23
Uma corda inextensível presa a um peso passa por uma polia no teto e retorna até um trabalhador. Ele mantém a extremidade livre a uma altura constante, \(10\, \mathrm m\) abaixo da polia. Inicialmente, o ponto de conexão da corda com o peso está nessa mesma altura. Despreze o trecho de corda em contato com a polia.
Suponha que o trabalhador esteja inicialmente ao lado do peso, de modo que o comprimento total da corda seja \(20\, \mathrm m\), e comece a se afastar a \(0{,}6\, \mathrm{m/s}\). A que velocidade o peso sobe depois que ele percorre (a) \(3\, \mathrm m\) e (b) \(12\, \mathrm m\)?
Ver solução
Se \(x\) é a distância horizontal percorrida e \(y\) é a distância vertical entre o peso e a polia, o comprimento constante da corda dá
\[ y+\sqrt{x^2+10^2}=20. \]
A distância vertical da mão à polia é fixa, igual a \(10\, \mathrm m\). Como \(x'=0{,}6\), a diferenciação fornece
\[ y'=-\frac{0{,}6x}{\sqrt{x^2+100}}. \]
Portanto, a velocidade de subida do peso é \(-y'=0{,}6x/\sqrt{x^2+100}\). Após percorrer (a) \(3\, \mathrm m\), o peso sobe a \(1{,}8/\sqrt{109}\approx 0{,}172\, \mathrm{m/s}\); após percorrer (b) \(12\, \mathrm m\), sobe a \(3{,}6/\sqrt{61}\approx 0{,}461\, \mathrm{m/s}\).
Exercício 10.24
Um barco é puxado em direção a uma doca por uma corda recolhida por um guincho à taxa constante de \(9\, \mathrm{m/min}\). O guincho está \(3\, \mathrm m\) acima do convés do barco, e essa diferença de altura permanece constante.
A que velocidade o barco se aproxima do cais quando o barco está:
\(15\, \mathrm m\) distante da doca?
\(4{,}5\, \mathrm m\) distante da doca?
\(0{,}3\, \mathrm m\) distante da doca?
É possível que o trecho de corda entre o barco e o guincho tenha menos de \(3\, \mathrm m\) de comprimento?
Ver solução
Se \(s\) é o comprimento do trecho de corda entre o barco e o guincho e \(x\) é a distância horizontal ao cais, então \(s^2=x^2+9\). Como \(s'=-9\), obtemos \(x'=ss'/x=-9\sqrt{x^2+9}/x\). Na ordem pedida, as taxas de variação da distância são:
\(-9\sqrt{26}/5\, \mathrm{m/min}\).
\(-3\sqrt{13}\, \mathrm{m/min}\).
\(-9\sqrt{101}\, \mathrm{m/min}\).
É impossível ter \(s\lt 3\, \mathrm m\), pois a separação vertical entre o guincho e o convés já mede \(3\, \mathrm m\).
Nos três primeiros itens, as velocidades de aproximação são os módulos desses valores; o sinal negativo indica diminuição da distância.
Exercício 10.25
Uma aeronave voa a \(800\, \mathrm{km/h}\), a uma altitude constante de \(3\, \mathrm{km}\), em trajetória retilínea que passa diretamente sobre um dispositivo de rastreamento.
A que velocidade angular o dispositivo deve girar para acompanhar a aeronave, em graus por segundo, quando a distância horizontal do avião ao dispositivo for:
\(1\, \mathrm{km}\)?
\(0{,}2\, \mathrm{km}\)?
zero, isto é, quando a aeronave estiver diretamente acima dele?
Ver solução
Se \(x\) é a distância horizontal orientada, em quilômetros, e \(\theta \) é o ângulo medido a partir da horizontal, então \(\operatorname {cotg}\theta =x/3\). Diferenciando e tomando módulos,
Uma empresa de paisagismo despeja areia em uma pilha cônica à taxa de \(1\, \mathrm{m^3/s}\). As propriedades físicas da areia asseguram que a altura do cone seja sempre igual a \(2/3\) do diâmetro de sua base circular. A que taxa a altura da pilha aumenta quando mede \(10\, \mathrm m\)?
Ver solução
Como \(h=(2/3)(2r)=4r/3\), temos \(r=3h/4\). Logo, \(V=\pi r^2h/3=3\pi h^3/16\). Derivando, \(1=(9\pi h^2/16)h'\). Para \(h=10\, \mathrm m\), obtemos \(h'=4/(225\pi )\, \mathrm{m/s}\).
Exercício 10.27
A posição, em centímetros, de uma massa presa a uma mola amortecida é
Logo, \(v(0)=4\pi \, \mathrm{cm/s}\); o sinal positivo indica movimento inicial no sentido positivo do eixo. Como o fator exponencial nunca se anula, o primeiro repouso positivo satisfaz
Finalmente, \(|s(t)|\leq 2e^{-3t/2}\) e essa envoltória tende a zero; portanto, as oscilações são amortecidas.
Exercício 10.28
Um cristal cúbico cresce preservando sua forma. Se \(x\) é a medida da aresta, em milímetros, e \(V=x^3\) é o volume, responda:
Qual é a taxa de variação do volume em relação à aresta?
Quanto vale essa taxa quando \(x=3\, \mathrm{mm}\)?
Relacione \(dV/dx\) com a área superficial \(S\) do cubo.
Ver solução
Temos \(dV/dx=3x^2\). Em \(x=3\), a taxa é \(27\, \mathrm{mm^2}\), isto é, cerca de \(27\, \mathrm{mm^3}\) de volume para cada milímetro acrescentado à aresta. Como \(S=6x^2\), segue que \(dV/dx=S/2\).
Exercício 10.29
Uma população de peixes \(P(t)\), medida em número de indivíduos, obedece ao modelo logístico com retirada proporcional
Os equilíbrios são \(P=0\) e \(P=P_c(1-\beta /r_0)\). O segundo é positivo exatamente quando \(\beta \lt r_0\). Com os valores dados, ele vale \(10000(1-0{,}04/0{,}05)=2000\) peixes.
Se \(\beta =r_0\), então
\[ P'=-\frac{r_0}{P_c}P^2\lt 0\qquad (P\gt 0), \]
logo a população decresce enquanto é positiva. Ela não pode permanecer acima de um nível \(\varepsilon \gt 0\): nesse caso teríamos \(P'\leq -(r_0/P_c)\varepsilon ^2\), e o Teorema do Valor Médio forçaria uma queda linear que acabaria tornando \(P\) negativa. Portanto, o único nível possível a longo prazo é \(0\), isto é, o modelo prevê \(P(t)\to 0\).
Exercício 10.30
Os ponteiros de um relógio medem \(8\, \mathrm{mm}\) e \(4\, \mathrm{mm}\). Determine a taxa de variação da distância entre suas pontas exatamente à uma hora. Considere o movimento contínuo dos dois ponteiros. Ver solução
Se \(d\) é a distância entre as pontas e \(\theta \) é o menor ângulo entre os ponteiros logo após uma hora, a lei dos cossenos fornece
O valor é negativo: nesse instante, as pontas estão se aproximando.
10.5 Funções hiperbólicas e suas derivadas
As funções hiperbólicas são combinações de exponenciais que apresentam propriedades algébricas e geométricas análogas às das funções trigonométricas. Sua origem está ligada à hipérbole \(x^2-y^2=1\), assim como seno e cosseno estão ligados à circunferência unitária.
10.5.1 Definições e propriedades básicas
O nome funções hiperbólicas vem de uma relação geométrica análoga àquela que liga as funções trigonométricas à circunferência unitária. Enquanto os pontos da circunferência podem ser parametrizados por \((\cos t,\operatorname {sen}t)\), os pontos do ramo direito da hipérbole \(x^2-y^2=1\) podem ser parametrizados por \((\cosh t,\operatorname {senh}t)\).
Essas funções aparecem naturalmente como combinações de exponenciais. Também surgem em diversos modelos físicos. Um exemplo clássico é a catenária, curva de equação
A identidade fundamental mostra que \((\cosh t,\operatorname {senh}t)\) pertence à hipérbole \(x^2-y^2=1\). Como \(\cosh t\gt 0\), essa parametrização percorre seu ramo direito.
Figura10.10A função seno hiperbólico
Figura10.11A função cosseno hiperbólico
Definição 10.2
As funções tangente, cotangente, secante e cossecante hiperbólicas são definidas por
As funções \(\operatorname {tgh}\) e \(\operatorname {sech}\) estão definidas em todo \(\mathbb {R}\); as funções \(\operatorname {cotgh}\) e \(\operatorname {csch}\) estão definidas em \(\mathbb {R}\setminus \{ 0\} \). A identidade fundamental também fornece
Assim, a função que motivou a seção também fornece um exemplo direto do uso das novas fórmulas de derivação.
Para definir as inversas, podemos verificar a monotonicidade diretamente pelas representações exponenciais, sem recorrer ainda ao critério baseado no sinal da derivada. Se \(x\lt y\), então
de modo que \(\operatorname {senh}\) é estritamente crescente; como seus limites em \(-\infty \) e \(+\infty \) são, respectivamente, \(-\infty \) e \(+\infty \), ela é uma bijeção de \(\mathbb {R}\) sobre \(\mathbb {R}\).
Para \(0\leq x\lt y\), ponha \(u=e^x\) e \(v=e^y\). Então \(1\leq u\lt v\) e
\[ \cosh y-\cosh x =\frac{v-u}{2}\left(1-\frac1{uv}\right)\gt 0. \]
Como \(\cosh 0=1\) e \(\cosh x\to \infty \) quando \(x\to \infty \), a restrição de \(\cosh \) a \([0,\infty )\) é uma bijeção sobre \([1,\infty )\). Finalmente,
\[ \operatorname {tgh}x=1-\frac{2}{e^{2x}+1}, \]
portanto \(\operatorname {tgh}\) é estritamente crescente. Juntamente com
A bijetividade estabelecida acima permite definir os ramos principais das funções hiperbólicas inversas. Vejamos uma dessas inversões em detalhe. Se \(y=\operatorname {arcsenh} x\), então
\[ x=\operatorname {senh}y=\frac{e^y-e^{-y}}2. \]
Pondo \(z=e^y\gt 0\) e multiplicando por \(2z\), obtemos
\[ z^2-2xz-1=0. \]
A raiz positiva é \(z=x+\sqrt{x^2+1}\); portanto, \(y=\ln \bigl(x+\sqrt{x^2+1}\bigr)\). Assim,
As fórmulas seguem do teorema da derivada da função inversa e das identidades hiperbólicas. Nos ramos escolhidos, as derivadas das funções diretas não se anulam nos pontos interiores relevantes: \(\cosh y\gt 0\); para \(\operatorname {arccosh} x\) temos \(y\gt 0\) e, portanto, \(\operatorname {senh}y\gt 0\); além disso, \(\operatorname {sech}^2y\), \(\operatorname {csch}^2y\) e os produtos que aparecem nos dois últimos casos são não nulos em seus respectivos domínios. Assim, as hipóteses do Teorema 9.42 estão satisfeitas. Indicamos os cálculos, incluindo as restrições dos ramos principais:
Nos dois últimos cálculos, os sinais são determinados pelos ramos principais: para \(\operatorname {arsech}\), \(y\geq 0\); para \(\operatorname {arcsch}\), \(\operatorname {cotgh} y\) tem o mesmo sinal que \(x=\operatorname {csch}y\).
Exercício 10.31
Calcule as derivadas:
\(\operatorname {senh}(2x)\).
\(\operatorname {tgh}(x^2)\).
\(1/\cosh x\).
\(\operatorname {arsenh}(3x)\).
\((\operatorname {senh}x)^{\operatorname {tgh}x}\), para \(x\gt 0\).
\(x^{\cosh x}\), para \(x\gt 0\).
Ver solução
Usando as fórmulas das funções hiperbólicas, a regra da cadeia e, nos dois últimos itens, diferenciação logarítmica, obtemos
Uma derivada também pode variar e, portanto, pode ser novamente derivada. As derivadas sucessivas descrevem variações de ordem cada vez mais alta: na mecânica, por exemplo, a derivada da posição é a velocidade, e a derivada da velocidade é a aceleração.
Formalmente, seja \(f\) uma função diferenciável em um intervalo aberto \(I\). A função \(f':I\to \mathbb {R}\) é chamada derivada primeira de \(f\). Quando \(f'\) também é diferenciável, sua derivada é a derivada segunda de \(f\):
A derivada de \(f''\), quando existe, é a derivada terceira de \(f\), denotada por
\[ f^{(3)}\quad \text{ou}\quad f'''. \]
De modo geral, para \(n\in \mathbb {N}^*\), denotamos por \(f^{(n)}\) a derivada n-ésima de \(f\), sempre que ela exista. Adotaremos também a convenção \(f^{(0)}=f\).
Na notação de Leibniz, para \(y=f(x)\), escrevemos
As derivadas, portanto, repetem-se em ciclos de comprimento \(4\). Como \(98=4\cdot 24+2\), a derivada de ordem \(98\) ocupa a mesma posição que a derivada segunda no ciclo. Logo,
Depois de ampliar o repertório de técnicas de diferenciação, voltamos à interpretação geométrica que motivou a derivada. A reta tangente não registra apenas a inclinação do gráfico: perto do ponto de tangência, ela fornece uma aproximação da própria função.
10.7 Aproximações lineares e diferenciais
Em muitas situações, precisamos estimar de modo rápido a variação de \(f(x)\) provocada por uma pequena variação em \(x\). O incremento da variável dependente é
\[ \Delta y:=f(x+\Delta x)-f(x). \]
Figura10.16Incrementos \(\Delta x\) e \(\Delta y\) no gráfico de uma função.
Se \(f\) é diferenciável em \(p\), seu gráfico e sua reta tangente tornam-se indistinguíveis em primeira ordem nas proximidades de \((p,f(p))\). A reta tangente tem equação
\[ y=f(p)+f'(p)(x-p), \]
o que motiva a aproximação
\[ f(x)\approx f(p)+f'(p)(x-p). \]
A função \(L(x)=f(p)+f'(p)(x-p)\) é chamada linearização de \(f\) em \(p\).
Figura10.17Perto de \(P=(a,f(a))\), o gráfico de uma função diferenciável se aproxima de sua reta tangente; sob ampliação, a aproximação linear se torna visualmente dominante.
Exemplo 10.35
Use a linearização de \(f(x)=\ln x\) em torno de \(x=1\) para estimar \(\ln (1{,}02)\).
Solução
Como \(f(1)=0\) e \(f'(1)=1\), a linearização em \(1\) é
\[ L(x)=x-1. \]
Portanto,
\[ \ln (1{,}02)\approx L(1{,}02)=0{,}02. \]
O valor real é aproximadamente \(0{,}01980\): a aproximação já é boa porque \(1{,}02\) está próximo do ponto de referência \(1\).
Exemplo 10.36 (Sensibilidade de um modelo)
A concentração de um fármaco é modelada por
\[ C(t)=C_0e^{-0{,}2t}, \]
com \(t\) medido em horas. Use a linearização em torno de \(t=5\) para estimar a variação relativa de \(C\) quando o tempo aumenta em \(0{,}1\) hora.
Assim, um aumento de \(0{,}1\) hora produz, nesse ponto do modelo, uma redução de aproximadamente \(2\% \) na concentração. A derivada mede diretamente essa sensibilidade local.
Exemplo 10.37
Aproxime \(\sqrt{3{,}95}\) e \(\sqrt{4{,}02}\) utilizando a linearização de \(f(x)=\sqrt{x}\) em torno de \(x=4\).
Figura10.18Linearização de \(f(x)=\sqrt{x}\) nas proximidades de \(x=4\).
Solução
Como \(f'(x)=1/(2\sqrt{x})\), a linearização em \(p=4\) é
Nesta seção, a escrita \(\, \mathrm{d}y/\, \mathrm{d}x\) registra a derivada e a relação \(\, \mathrm{d}y=f'(x)\, \mathrm{d}x\) entre diferenciais; ela não deve ser manipulada como uma fração algébrica ordinária sem a justificativa de um teorema.
Figura10.19A variação real \(\Delta y\) segue a curva, enquanto a diferencial \(dy=f'(x)\, dx\) é a variação prevista pela tangente. Para interpretar geometricamente a diferencial, considere a Figura 10.19. Seja \(\, \mathrm{d}x=\Delta x\) a variação em \(x\) e seja \(\Delta y=f(x+\, \mathrm{d}x)-f(x)\) a correspondente variação em \(y\). Como \(f'(x)\) é o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico de \(f\) no ponto \((x,f(x))\), a quantidade \(\, \mathrm{d}y\) representa a variação prevista pela reta tangente, enquanto \(\Delta y\) representa a variação efetiva da função.
Observação 10.38
Quando \(\, \mathrm{d}x\) é suficientemente pequeno, \(\, \mathrm{d}y\) aproxima \(\Delta y=f(x+\, \mathrm{d}x)-f(x)\) no seguinte sentido:
Portanto, o volume calculado é \(V(5)=625\pi /3\approx 654{,}50\, \mathrm{cm^3}\), com erro absoluto máximo estimado pela linearização em \(23{,}56\, \mathrm{cm^3}\). Essa é uma estimativa de primeira ordem. Como a fórmula exata de \(V\) é conhecida e \(V\) cresce no intervalo \([4{,}9,5{,}1]\), o erro máximo efetivo é
Figura10.21Um erro \(dr\) na medida do raio produz, em primeira ordem, uma casca esférica de volume \(dV=4\pi r^2\, dr\).
Exemplo 10.40
O raio medido de uma esfera é \(21\, \mathrm{cm}\), com erro máximo de \(0{,}05\, \mathrm{cm}\). Estime o erro máximo no volume calculado a partir dessa medida.
Solução
Se o raio da esfera é \(r\), então \(V=(4/3)\pi r^3\). Usamos a diferencial \(\mathrm{d}r\) para aproximar o erro \(\Delta r\) na medida do raio. A variação correspondente do volume é aproximada por
\[ \mathrm{d}V=4\pi r^2\, \mathrm{d}r. \]
Como \(r=21\) e \(|\mathrm{d}r|\leq 0{,}05\), temos
Logo, a linearização estima o erro absoluto máximo em \(277{,}09\, \mathrm{cm^3}\). O erro máximo exato, obtido pela fórmula do volume e pela monotonicidade em \([20{,}95,21{,}05]\), é
A pequena diferença corresponde aos termos de ordem superior desprezados pela aproximação linear.
Exemplo 10.41
Utilizando aproximação linear, encontre uma fórmula aproximada para o volume de uma casca cilíndrica de altura \(h\), raio interno \(r\) e espessura \(t\).
Qual é o erro envolvido ao usar essa fórmula?
Solução
Considere \(V(r)=\pi r^2h\), com \(h\) constante. O volume da casca é o incremento produzido quando o raio passa de \(r\) para \(r+t\). Pela aproximação linear,
Portanto, o erro absoluto da aproximação é \(E=\pi ht^2\), que é de segunda ordem na espessura.
Exercício 10.32
Para \(k\in \mathbb {R}\), mostre que a linearização de \(f(x)=(1+x)^k\) em \(x=0\) é \(L(x)=1+kx\). Ver solução
Como \(f(0)=1\) e \(f'(0)=k\), a linearização de \(f\) em torno de \(0\) é
\[ L(x)=f(0)+f'(0)(x-0)=1+kx. \]
Exercício 10.33
Um cristal cúbico tem volume \(V=x^3\), com \(x\) em milímetros. Use a linearização de \(V\) em \(x=3\) para estimar a variação do volume quando a aresta passa de \(3\) para \(3{,}02\, \mathrm{mm}\). Ver solução
Como \(V'(3)=27\) e \(\Delta x=0{,}02\, \mathrm{mm}\),
A hipótese garante a existência de \(\sqrt x\) e de \(\ln x\) e torna \(y\gt 0\).
Exercício 10.37
Determine a derivada de \(\operatorname {arctg}(2x/(1-x^2))\) nos intervalos em que a expressão está definida. Compare a resposta com a derivada que seria obtida ao simplificar apenas localmente pela fórmula da tangente dupla. Ver solução
A identidade da tangente dupla leva localmente à mesma derivada, mas a função \(\operatorname {arctg}\) escolhe valores em um intervalo restrito; por isso não se pode substituir globalmente a expressão por \(2\operatorname {arctg}x\) sem constantes por trechos.
Exercício 10.38
Um balão esférico é inflado a \(30\) cm\(^3\)/s. Quando seu raio é \(5\) cm, a que taxa cresce a área de sua superfície? Ver solução
De \(V=4\pi r^3/3\), obtemos \(r'=30/(4\pi r^2)\). Como \(S=4\pi r^2\), \(S'=8\pi rr'\). Em \(r=5\, \mathrm{cm}\), \(S'=12\, \mathrm{cm^2/s}\).
Exercício 10.39
Use a linearização de \(\sqrt[3]{x}\) em \(x=8\) para aproximar \(\sqrt[3]{8{,}12}\). Ver solução
\(L(x)=2+(x-8)/12\), logo \(\sqrt[3]{8{,}12}\approx L(8{,}12)=2{,}01\).
Exercício 10.40
A voltagem de um sinal é \(V(t)=4\cosh (0{,}3t)\) volts. Determine \(V'(t)\) e interprete o resultado em \(t=2\) s. Ver solução
\(V'(t)=1{,}2\operatorname {senh}(0{,}3t)\, \mathrm{V/s}\). Em \(t=2\) s, a voltagem aumenta à taxa \(1{,}2\operatorname {senh}(0{,}6)\approx 0{,}764\, \mathrm{V/s}\).
Exercício 10.41
Uma escada de \(8\) m desliza: sua base afasta-se da parede a \(0{,}4\) m/s. Quando a base está a \(3\) m da parede, determine a velocidade da extremidade superior e diga se sua altura aumenta ou diminui. Ver solução
De \(x^2+y^2=64\), segue \(xx'+yy'=0\). Quando \(x=3\), \(y=\sqrt{55}\) e