Equações e inequações
Conhecidas as principais famílias de funções, passamos a comparar seus valores. Uma equação pergunta onde duas funções coincidem; uma inequação pergunta onde uma delas fica acima ou abaixo da outra. Podemos, portanto, ler o mesmo problema por uma expressão algébrica ou por um gráfico.Eu usava cada verdade encontrada como uma regra para descobrir outras verdades.
Algumas ferramentas deste capítulo já apareceram em exemplos. Vamos agora reuni-las e justificar seu uso, cuidando para que cada transformação preserve as soluções que procuramos.
6.1 Equações
Dadas duas expressões, queremos encontrar todos os valores admissíveis da variável para os quais elas são iguais. O desafio é transformar essa igualdade em outras mais simples, preservando o conjunto de valores procurado.
Sejam \(f:D\to \mathbb {R}\) e \(g:D\to \mathbb {R}\). Uma equação na incógnita \(x\) é uma igualdade da forma
O conjunto \(D\) é o domínio da equação. Resolver a equação significa determinar todos os valores \(a\in D\) para os quais \(f(a)=g(a)\). Esses valores são suas soluções ou raízes, e o conjunto de todas elas é o conjunto-solução:
Quando não houver risco de ambiguidade, escreveremos apenas \(\operatorname *{Sol}\nolimits \).
Há duas interpretações que convém manter em mente. No gráfico, as soluções são as abscissas dos pontos em que as curvas \(y=f(x)\) e \(y=g(x)\) se intersectam. Equivalentemente, se \(h=f-g\), resolver \(f(x)=g(x)\) é determinar a imagem inversa de zero por \(h\), isto é, encontrar os zeros de \(h\).
As soluções de uma equação dependem do domínio considerado. Por exemplo, \(2x=1\) tem a solução \(1/2\) quando o domínio é \(\mathbb {R}\), mas não tem solução quando o domínio é \(\mathbb {N}\). Quando o enunciado não especificar o domínio, adotaremos o domínio real máximo das expressões envolvidas. Assim, em \(1/x=2\), o valor \(x=0\) deve ser excluído antes de qualquer manipulação.
Em geral, resolvemos uma equação transformando-a em outra mais simples. Duas equações são equivalentes quando têm o mesmo conjunto-solução. Operações reversíveis, como somar o mesmo número aos dois membros ou multiplicá-los por um número não nulo, preservam a equivalência. Outras operações podem produzir apenas uma consequência da equação original. Elevar os dois membros ao quadrado, por exemplo, pode criar candidatos que não satisfazem a igualdade inicial.
Determine o domínio em que todas as expressões estão definidas.
Simplifique a equação, indicando se cada transformação é uma equivalência ou apenas uma implicação.
Encontre os candidatos a solução.
Verifique no problema original os candidatos obtidos quando alguma etapa não for reversível ou quando houver restrições de domínio.
Apresente o conjunto-solução.
Por exemplo, \(-2\) satisfaz \(4x+8=0\), pois \(4(-2)+8=0\). Nesse caso, as operações usadas para isolar \(x\) são reversíveis e mostram também que não há outra solução.
6.1.1 Equações polinomiais
Equação linear
Uma equação linear na variável \(x\) pode ser escrita como
em que \(a,b\in \mathbb {R}\) e \(a\neq 0\). Somar \(-b\) aos dois membros e, em seguida, dividir por \(a\) produz apenas equações equivalentes:
Logo, \(\operatorname *{Sol}\nolimits =\{ -b/a\} \).
A propriedade do produto nulo, já estudada, também resolve equações de grau mais alto depois de uma fatoração: um produto real é zero se, e somente se, ao menos um dos fatores é zero. É preciso, porém, verificar quais fatores podem realmente se anular em \(\mathbb {R}\).
Equação quadrática
Uma equação quadrática tem a forma
Na Seção 3.3, deduzimos sua fórmula de resolução. Recordemos apenas o papel do discriminante \(\Delta =b^2-4ac\):
Quando \(\Delta =0\), os sinais \(\pm \) fornecem a mesma raiz. As transformações empregadas nessa fórmula são equivalências porque \(a\ne 0\).
Equações biquadráticas
Uma equação biquadrática na incógnita \(x\) é uma equação da forma
em que \(a,b,c\) são números reais e \(a\neq 0\). Para resolver uma equação biquadrática, fazemos a substituição \(t=x^2\) e, portanto, \(t^2=x^4\). A equação \(ax^4+bx^2+c=0\) transforma-se na quadrática \(at^2+bt+c=0\). Há, contudo, uma restrição que deve acompanhar a substituição: como \(t=x^2\), necessariamente \(t\geq 0\). Descartamos, assim, as raízes negativas em \(t\). Para cada raiz \(t\gt 0\), obtemos \(x=\pm \sqrt t\); se \(t=0\), obtemos apenas \(x=0\).
Equações polinomiais de grau mais alto nem sempre admitem uma fórmula simples de resolução. A fatoração, as substituições adequadas e informações sobre as raízes tornam-se então especialmente importantes. Em um contexto mais amplo, temos o resultado seguinte.
Pelo Teorema do Fator, cada raiz distinta \(r\) fornece um fator \(x-r\). Se \(P(x)=(x-r_1)Q(x)\) e \(r_2\neq r_1\) também é raiz de \(P\), então \(Q(r_2)=0\). Podemos, portanto, aplicar novamente o Teorema do Fator. Repetindo o argumento, concluímos que
divide \(P\). Esse produto tem grau \(k\), logo \(k\leq n\). Se uma raiz tem multiplicidade \(m\), seu fator aparece \(m\) vezes; o mesmo argumento mostra que a soma das multiplicidades reais é no máximo \(n\).
Em \(\mathbb {R}\), o limite superior dado pela proposição não precisa ser atingido. Por exemplo, \(x^2+1\) não possui raízes reais. Para o que faremos neste livro, basta distinguir fatores lineares reais de fatores quadráticos sem raízes reais.
6.1.2 Equações envolvendo expressões racionais
Ao resolver uma equação com expressões racionais \(p(x)/q(x)\), começamos excluindo os valores para os quais algum denominador se anula. Depois disso, podemos multiplicar os dois membros por um denominador comum: essa multiplicação é uma equivalência no domínio já estabelecido, pois o fator usado é diferente de zero em todos os pontos desse domínio. Ao final, os candidatos devem ser comparados com as exclusões iniciais.
O exemplo seguinte mostra por que a restrição de domínio deve ser registrada antes de eliminar denominadores.
No próximo exemplo, o denominador comum elimina as frações, mas conduz a uma equação quadrática. Convém separar com clareza essas duas etapas.
Domínio. Os denominadores se anulam em \(x=0\) e \(x=1\). Logo,
Redução algébrica. Em \(D\), colocamos as parcelas sobre o denominador comum \(x(1-x)\):
Como o denominador não se anula em \(D\), a última fração é zero exatamente quando seu numerador é zero. Assim,
cujas raízes são \(-1-\sqrt3\) e \(-1+\sqrt3\).
Verificação. Nenhuma das duas raízes é \(0\) ou \(1\); ambas pertencem ao domínio. Portanto,
6.1.3 Equações envolvendo raízes
Nas equações com radicais, o domínio e o sinal dos membros orientam cada passo. Para uma raiz de índice par, o radicando deve ser não negativo; raízes de índice ímpar estão definidas para todo radicando real. Além disso, de \(u=v\) sempre podemos concluir \(u^2=v^2\), mas a recíproca não vale sem informações sobre os sinais. Por exemplo, \(x^2=1\) tem as soluções \(-1\) e \(1\), enquanto \(x=1\) tem apenas a segunda.
Em particular, a igualdade \(\sqrt{u(x)}=v(x)\) equivale ao sistema
Também é possível elevar ao quadrado, obter candidatos e substituí-los na equação original. A formulação pelo sistema, porém, ajuda a localizar desde o início as condições que tornam a operação reversível.
Quando há mais de um radical, a estratégia usual é isolar um deles antes de elevar ao quadrado. Esse procedimento pode precisar ser repetido; a cada repetição, as condições de domínio e de sinal devem continuar visíveis.
Domínio. Os três radicandos devem ser não negativos:
Redução. Em \(D\), os dois membros são não negativos. Podemos, portanto, elevar a igualdade ao quadrado sem perder a equivalência:
Logo,
o que fornece \(x=-4/9\) ou \(x=4/3\).
Seleção e verificação. O primeiro valor não pertence ao domínio, de modo que é descartado. Para \(x=4/3\), a igualdade original se torna \(4+0=4\). Assim,
Uma outra técnica frequentemente usada na resolução de equações envolvendo raízes é multiplicar a equação por uma expressão diferente de zero, em especial pelo conjugado.
Escrevamos
Os dois radicandos são positivos para todo \(x\in \mathbb {R}\): seus discriminantes são negativos e os coeficientes de \(x^2\) são positivos. Portanto, o domínio é \(\mathbb {R}\), e o conjugado \(A+B\) é sempre positivo.
A equação original é
Multiplicando seus dois membros por \(A+B\), obtemos
Na diferença \(A^2-B^2\), os termos \(3x^2-2x\) se cancelam:
Segue que
Somando (6.1) e (6.2), encontramos \(2A=8\) e, portanto, \(A=4\). Logo,
As raízes dessa equação são \(x=-1/3\) e \(x=1\). Em ambos os casos, \(A=4\) e \(B=3\), de modo que \(A-B=1\). Portanto,
6.1.4 Equações envolvendo módulos
O módulo \(|u|\) representa a distância entre \(u\) e \(0\) na reta real. Por isso, se \(a\gt 0\), a equação \(|u|=a\) descreve dois valores possíveis para \(u\):
Se \(a=0\), temos apenas \(u=0\); se \(a\lt 0\), não há solução. Nos exemplos seguintes, as expressões dentro dos módulos são polinomiais. Seus zeros dividem a reta em intervalos nos quais cada expressão mantém o sinal. Determinamos esses sinais e aplicamos a definição de módulo em cada intervalo.
Como retomada, \(|x+1|=3\) equivale a \(x+1=3\) ou \(x+1=-3\), de modo que suas soluções são \(2\) e \(-4\). Para equações com vários módulos, a divisão em intervalos permite estudar os sinais de cada expressão interna antes de retirar as barras.
As expressões internas se anulam em \(x=1\) e \(x=2\). Esses dois pontos dividem a reta em três intervalos, que analisamos separadamente.
Caso (i): \(x\lt 1\). Temos \(|x-1|=1-x\) e \(|x-2|=2-x\). Logo,
Como \(0\lt 1\), o valor encontrado é válido neste caso.
Caso (ii): \(1\leq x\lt 2\). Agora, \(|x-1|=x-1\) e \(|x-2|=2-x\). Assim,
Esse valor não pertence ao intervalo considerado e deve ser descartado.
Caso (iii): \(x\geq 2\). Os dois termos internos são não negativos, e
Como \(6\geq 2\), esse valor é válido. Reunindo os casos, obtemos
Elevar os dois membros ao quadrado. Dividir os dois membros por uma expressão que contém \(x\). Multiplicar os dois membros por \(x-1\). Somar aos dois membros um número real fixo. Pode introduzir soluções: \(\sqrt x=-1\) não tem solução, mas \(x=1\) satisfaz \(x=1\). Pode eliminar soluções: dividindo \(x^2=x\) por \(x\), perde-se \(x=0\). Pode introduzir a solução \(x=1\): \(x=2\) e \(x(x-1)=2(x-1)\) não são equivalentes. Sempre equivalente. \(2x-3(x-1)=8(x+3)\). \(x(x^2-4)=0\). \((x^2-2)(x^2-9)=0\). \(x^4-24x^2-25=0\). \(2x^4-5x^2+3=0\). \((x^2-3x+2)^2-3(x^2-3x+2)=0\). (Dica: na última equação, faça \(y=x^2-3x+2\).) \(\{ -7/3\} \). \(\{ -2,0,2\} \). \(\{ -3,-\sqrt2,\sqrt2,3\} \). \(\{ -5,5\} \). \(\{ -1,-\sqrt6/2,\sqrt6/2,1\} \). \(\{ (3-\sqrt{13})/2,1,2,(3+\sqrt{13})/2\} \).
Ver solução
Quando uma operação pode introduzir soluções, os candidatos devem ser verificados na equação original.
Ver solução
A soma das raízes é igual a \(\dfrac {-b}{a}\), isto é, \(S=x_1+x_2=\dfrac {-b}{a}\).
O produto das raízes é igual a \(\dfrac {c}{a}\), isto é, \(P=x_1\cdot x_2=\dfrac {c}{a}\).
Ver solução
\(-a(x_1+x_2)=b\), logo \(x_1+x_2=-b/a\).
\(ax_1x_2=c\), logo \(x_1x_2=c/a\).
as raízes sejam opostas, isto é, \(x_1=-x_2\)
as raízes sejam inversas, isto é, \(x_1=\dfrac {1}{x_2}\)
Ver solução
Raízes opostas têm soma zero. Como \(x_1+x_2=2m\), precisamos de \(m=0\). Nesse caso, a equação é \(x^2-1=0\) e as raízes são \(-1\) e \(1\).
Raízes inversas têm produto \(1\). Como \(x_1x_2=m-1\), precisamos de \(m=2\). Nesse caso, as raízes são \(2-\sqrt3\) e \(2+\sqrt3\), cujo produto é \(1\).
Ver solução
Ver solução
\(\dfrac {x}{x+2}+\dfrac {4}{x-1}=5\)
\(\dfrac {2}{x^2-1}-\dfrac {x}{x-1}=1\)
\(6x^{-2}-17x^{-1}+12=0\).
Ver solução
\(\{ (-1-\sqrt{73})/4,(-1+\sqrt{73})/4\} \).
\(\{ -3/2\} \).
\(\{ 2/3,3/4\} \). Com \(y=x^{-1}\), a equação se reduz a \(6y^2-17y+12=0\).
A figura compara \(y=\sqrt{x+2}\) e \(y=x\). Ao elevar a equação \(\sqrt{x+2}=x\) ao quadrado, obtêm-se os candidatos \(x=-1\) e \(x=2\).
Quais candidatos correspondem a encontros dos dois gráficos? Explique o que ocorre com os valores dos dois membros no candidato rejeitado.
Os dois candidatos pertencem ao domínio do radical. Por que verificar apenas o domínio não basta? Acrescente uma condição que torne a passagem para a equação quadrática uma equivalência.
Ver solução
\(\sqrt{x+1}=8-\sqrt{3x-1}\).
\(\sqrt{x+\sqrt{x+11}}+\sqrt{x-\sqrt{x+11}}=4\).
\(\sqrt{4x-3}+\sqrt{5x-1}=\sqrt{15x+4}\).
\(\sqrt[3]{x+34}-\sqrt[3]{x-3}=1\).
Ver solução
\(\{ 65-40\sqrt2\} \).
\(\{ 5\} \).
\(\left\{ (43+3\sqrt{269})/22\right\} \).
\(\{ -61,30\} \).
Interprete as soluções como interseções do gráfico de \(y=\sqrt x\) com uma reta de inclinação \(1\).
Com a substituição \(t=\sqrt x\geq 0\), determine para quais valores de \(k\) a equação tem duas soluções, uma solução ou nenhuma.
Qual valor de \(k\) corresponde à reta tangente ao gráfico de \(y=\sqrt x\)?
Ver solução
Cada solução é a abscissa de um ponto comum ao gráfico de \(\sqrt x\) e à reta \(y=x+k\), que se desloca verticalmente quando \(k\) varia.
A equação equivale a \(t^2-t+k=0\) com \(t\geq 0\), cujo discriminante é \(1-4k\). Para \(k\gt 1/4\) não há solução; para \(k=1/4\) há uma (\(t=1/2\), \(x=1/4\)); para \(0\le k\lt 1/4\) há duas raízes não negativas, logo duas soluções; para \(k\lt 0\) o produto das raízes é negativo e apenas uma é positiva: uma solução.
\(k=1/4\): a reta \(y=x+\tfrac 14\) toca o gráfico em \((1/4,1/2)\).
\(\left\lvert x\right\rvert =x^2\)
\(\left\lvert x^2-3\right\rvert =2\)
\(\left\vert x\right\vert =x+2\)
\(\left\vert -x+2\right\vert =2x+1\)
\(\left\vert x+1\right\vert +\left\vert x-2\right\vert =1\)
Ver solução
\(\{ -1,0,1\} \).
\(\{ -\sqrt5,-1,1,\sqrt5\} \).
\(\{ -1\} \).
\(\{ 1/3\} \).
\(\varnothing \).
Ver solução
\(\left\vert 5x-x^{2}-6\right\vert =x^{2}-5x+6\)
\(\begin{aligned} & \left\vert x-1\right\vert -2\left\vert x-2\right\vert \\ & \quad {}+3\left\vert x-3\right\vert =4. \end{aligned}\)
Ver solução
Ponha \(u=x^2-5x+6=(x-2)(x-3)\). Como \(|-u|=u\) equivale a \(u\geq 0\), o quadro de sinais fornece \((-\infty ,2]\cup [3,\infty )\).
Os pontos de mudança são \(1,2,3\). O membro esquerdo é \(6-2x\) para \(x\lt 1\), \(4\) para \(1\leq x\lt 2\), \(12-4x\) para \(2\leq x\lt 3\) e \(2x-6\) para \(x\geq 3\). Igualando a \(4\) e respeitando cada intervalo, obtemos \([1,2]\cup \{ 5\} \).
6.2 Inequações
Nas equações, procuramos os valores em que duas expressões são iguais. Nas inequações, procuramos os valores em que uma delas é maior ou menor que a outra. Graficamente, resolver \(f(x)\gt g(x)\) significa determinar as abscissas para as quais o gráfico de \(f\) está acima do gráfico de \(g\).
Uma inequação em uma variável compara duas expressões por meio de um dos símbolos \(\lt ,\leq ,\gt \) ou \(\geq \):
Seu domínio é \(D=\operatorname {Dom}f\cap \operatorname {Dom}g\). Uma solução é um valor de \(D\) que torna verdadeira a desigualdade; o conjunto de todos esses valores é o conjunto-solução. Assim,
Quando estiver claro a qual inequação nos referimos, usaremos simplesmente \(\operatorname *{Sol}\nolimits \).
Subtraindo \(g(x)\) dos dois membros, toda inequação pode ser convertida em um estudo do sinal de \(h(x)=f(x)-g(x)\). Por exemplo,
Essa observação explica por que zeros, pontos excluídos do domínio e quadros de sinais aparecem repetidamente nesta seção.
Determine o domínio.
Leve todos os termos para um dos membros e, quando possível, fatore a expressão.
Identifique os pontos de separação: zeros do numerador, zeros do polinômio e valores excluídos por denominadores ou radicais.
Estude o sinal nos intervalos determinados por esses pontos.
Selecione os intervalos desejados e decida, ponto a ponto, quais extremos podem ser incluídos.
Antes de multiplicar os dois membros de uma inequação por uma expressão, é preciso determinar seu sinal: se for positivo, o sentido da desigualdade é mantido; se for negativo, é invertido. O caso em que a expressão se anula deve ser tratado separadamente, pois a multiplicação por zero não é reversível. O quadro de sinais organiza essa análise.
6.2.1 Inequações envolvendo polinômios
Inequação linear
Uma inequação linear é uma inequação que pode ser escrita em uma das seguintes formas:
onde \(a,b\) são números reais e \(a\neq 0\). Para resolvê-la, usamos as propriedades de ordem de \(\mathbb {R}\), demonstradas na Seção 1.3. O quadro abaixo as reúne para consulta durante a resolução.
Compatibilidade com a soma:
\[ a\leq b\quad \Longrightarrow \quad a+c\leq b+c. \]Compatibilidade com a multiplicação por número não negativo:
\[ a\leq b,\ c\geq 0\quad \Longrightarrow \quad ac\leq bc. \]Compatibilidade com a multiplicação por número não positivo:
\[ a\leq b,\ c\leq 0\quad \Longrightarrow \quad ac\geq bc. \]
Para polinômios de grau maior, a fatoração transforma o problema em um estudo dos sinais dos fatores. Suponha, por exemplo, que
Em cada intervalo determinado pelas raízes, o sinal de cada fator \(x-r_i\) é fixo; por isso, o sinal do produto também é fixo. Ao atravessar uma raiz de multiplicidade ímpar, o sinal do fator correspondente muda; ao atravessar uma raiz de multiplicidade par, ele permanece o mesmo. Essa observação algébrica é suficiente para todos os quadros de sinais construídos a seguir.
Inequações quadráticas e polinomiais
Uma inequação quadrática é uma desigualdade que pode ser colocada em uma das formas:
onde \(a,b,c\) são números reais e \(a\neq 0\). Se \(\Delta \geq 0\), resolvemos \(ax^2+bx+c=0\) e fatoramos o polinômio por meio de suas raízes. Os fatores obtidos determinam o sinal em cada intervalo. Se \(\Delta \lt 0\), a identidade
mostra diretamente que a expressão tem sempre o sinal de \(a\), pois o termo entre colchetes é positivo.
Nos casos \(\lt \) e \(\gt \), as raízes não são incluídas. Nos casos \(\leq \) e \(\geq \), elas são incluídas, pois tornam o polinômio igual a zero.
Escreva \(\Delta =b^2-4ac\). Há três casos.
Caso (i): \(\Delta \gt 0\). Sejam \(x_1\lt x_2\) as duas raízes reais. A fatoração
permite ler o sinal de cada fator. Como \(a\gt 0\), o produto é positivo fora do intervalo entre as raízes e negativo dentro dele, conforme mostra o quadro.
Portanto, neste caso, \(\operatorname *{Sol}\nolimits =(x_1,x_2)\).
Caso (ii): \(\Delta =0\). Há uma raiz dupla \(r=-b/(2a)\), e
O polinômio nunca é estritamente negativo; logo, \(\operatorname *{Sol}\nolimits =\varnothing \).
Caso (iii): \(\Delta \lt 0\). Pela forma de quadrado completado apresentada acima, \(ax^2+bx+c\) tem sempre o sinal de \(a\). Como \(a\gt 0\), ele é positivo para todo \(x\), e novamente \(\operatorname *{Sol}\nolimits =\varnothing \).
O fator \(x^2+9\) é estritamente positivo para todo número real. Dividir por esse fator não altera o sentido da desigualdade; portanto, o problema equivale a
Os pontos de separação são \(1\), \(5\) e \(9\). Todos têm multiplicidade ímpar: as multiplicidades são, respectivamente, \(1\), \(3\) e \(1\). Assim, o sinal do produto muda ao atravessar cada um desses pontos.
À direita de \(9\), todos os fatores são positivos, e o produto é positivo. Ao percorrer a reta para a esquerda, os sinais nos quatro intervalos são, portanto,
Escolhemos os intervalos de sinal positivo. Como a desigualdade é não estrita, incluímos também os três pontos em que o produto vale zero. Logo,
6.2.2 Inequações envolvendo expressões racionais
Uma inequação racional combina dois cuidados. Primeiro, os zeros dos denominadores são excluídos do domínio. Depois de reunir os termos em uma única fração, estudamos separadamente o sinal do numerador e o do denominador. Os zeros do numerador podem pertencer à solução de uma desigualdade não estrita; os zeros do denominador nunca pertencem, pois a expressão não está definida neles.
6.2.3 Inequações envolvendo raízes
Para resolver inequações com raízes quadradas, precisamos controlar tanto o domínio quanto o efeito de elevar os dois membros ao quadrado. Em uma equação com um número finito de candidatos, podemos testar cada valor obtido. Nas inequações, em que as soluções costumam formar intervalos, é mais conveniente preservar a equivalência em cada etapa.
A função quadrado é estritamente crescente em \([0,\infty )\). Portanto, se \(u,v\geq 0\), temos \(u\lt v\) se, e somente se, \(u^2\lt v^2\); o mesmo vale com \(\leq \), \(\gt \) ou \(\geq \). Assim, podemos elevar os dois membros ao quadrado depois de garantir que ambos são não negativos. Se um deles puder ser negativo, separamos os casos antes dessa operação. Vejamos como aplicar esse cuidado.
O domínio da inequação é \(D=[-2,3]\). Nesse domínio, a desigualdade equivale a
Os dois membros são não negativos. Elevando-os ao quadrado e simplificando, obtemos a desigualdade equivalente
Temos dois casos a considerar.
Caso (i): Se \(x\leq 1\), o membro esquerdo é não positivo e o direito é positivo. Logo, não há solução nesse caso.
Caso (ii): Se \(x\gt 1\), os dois membros são não negativos. Elevando novamente ao quadrado, obtemos
Essa inequação tem conjunto-solução \((-\infty ,-1)\cup (2,\infty )\). Intersectando-o com a condição \(x\gt 1\) e com o domínio \([-2,3]\), encontramos
As três raízes devem estar definidas. A raiz \(\sqrt{6-x}\) exige \(x\le 6\); a raiz interna \(\sqrt{2-x}\) exige \(x\le 2\). Sob essa última condição, a raiz externa exige
O domínio é a interseção das três condições:
17-radicais-dominioAs três condições devem valer simultaneamente. A última linha destaca a interseção \(D=[-79,2]\). Esquema de ordem: as distâncias entre as marcas não estão em escala.
No domínio \(D\), a desigualdade equivale a
Os dois membros são não negativos, de modo que podemos elevar ao quadrado preservando a equivalência:
Como o membro direito é não negativo, a desigualdade exige \(x\gt -3\). Se \(x\le -3\), ela não pode ser satisfeita. Para \(x\gt -3\) dentro do domínio, os dois membros são não negativos e podemos elevar ao quadrado mais uma vez:
Seja \(q(x)=x^2+7x+7\). Suas raízes são
Como o coeficiente de \(x^2\) é positivo, \(q(x)\gt 0\) em \((-\infty ,\alpha )\cup (\beta ,+\infty )\). Precisamos intersectar esse conjunto com \(D\) e com \(x\gt -3\):
O ramo \(x\lt \alpha \) é eliminado pela condição \(x\gt -3\). O extremo \(\beta \) fica excluído porque produz igualdade; o extremo 2 pertence ao domínio e satisfaz a desigualdade original.
6.2.4 Inequações envolvendo módulos
Retomamos as equivalências da Seção 1.4, obtidas pela interpretação de \(|u|\) como distância, para aplicá-las a expressões mais gerais. Para \(a\gt 0\),
Quando há vários módulos ou expressões mais complexas dentro deles, retomamos a separação em casos. Em cada intervalo determinado pelos zeros das expressões internas, retiramos os módulos e resolvemos a inequação correspondente, respeitando a condição que define o intervalo.
O módulo \(|x-1|\) é a distância de \(x\) a 1, enquanto \(|x+3|=|x-(-3)|\) é a distância de \(x\) a \(-3\). Procuramos, portanto, os pontos da reta que estão mais perto de 1 do que de \(-3\).
16-distancias-inequacaoO ponto médio entre \(-3\) e 1 é \(-1\). A semirreta destacada contém os pontos mais próximos de 1. O ponto médio fica excluído, pois nele as distâncias são iguais. O ponto médio entre \(-3\) e 1 é \(-1\). À direita dele, a distância a 1 é menor; à esquerda, a distância a \(-3\) é menor. No ponto médio, ambas valem 2. A interpretação geométrica sugere, assim, o conjunto \((-1,+\infty )\).
Podemos confirmar essa conclusão algebricamente. Os dois membros são não negativos, e elevar ao quadrado preserva a ordem entre números não negativos. Logo,
Na última passagem dividimos por \(-8\), invertendo o sentido da desigualdade. Portanto,
Resolução por casos
Também podemos resolver a desigualdade diretamente pela definição de módulo. As expressões internas mudam de sinal em \(x=-3\) e \(x=1\), o que divide a reta em três regiões.
Se \(x\lt -3\), então \(x-1\lt 0\) e \(x+3\lt 0\). A desigualdade fica
o que é falso. Não há solução nessa região.
Se \(-3\le x\lt 1\), então \(x-1\lt 0\) e \(x+3\ge 0\). Temos
Essa condição deve ser satisfeita junto com a hipótese do caso. Sua interseção com \([-3,1)\) é \((-1,1)\).
Se \(x\ge 1\), ambas as expressões são não negativas, e a desigualdade fica
Ela é verdadeira para todo \(x\) desse caso, que contribui com \([1,+\infty )\).
Reunindo as soluções das três regiões,
Em cada caso, fazemos uma interseção com a região em que a expressão utilizada é válida. Ao final, fazemos a união dos conjuntos obtidos, pois basta que o número resolva a desigualdade em uma dessas regiões.
A expressão dentro do módulo se anula em \(x=-1\) e \(x=1\). Separamos os casos conforme seu sinal. Para tornar os desenhos mais legíveis, usaremos neles
Caso 1: \(x^2-1\ge 0\). Essa condição define
Nesse conjunto, \(|x^2-1|=x^2-1\), e a inequação torna-se
O polinômio \(x^2-2x-1\) tem raízes \(1-\sqrt2\) e \(1+\sqrt2\). Como a parábola tem concavidade voltada para cima, a desigualdade vale entre as raízes, incluindo os extremos:
Mas essa expressão do módulo só vale em \(C_1\). A contribuição do primeiro caso é, portanto,
19-modulo-caso-umA solução da inequação quadrática é intersectada com a condição \(C_1\). A parte negativa de \(C_1\) não encontra \(I_1\). Aqui \(a=\sqrt2-1\) e \(b=\sqrt2+1\).
Caso 2: \(x^2-1\lt 0\). Agora
A inequação torna-se
As raízes são \(-1-\sqrt2\) e \(-1+\sqrt2\). A desigualdade é satisfeita fora do intervalo entre elas:
Intersectando com a condição deste caso, obtemos
20-modulo-caso-doisDentro de \(C_2=(-1,1)\), apenas o ramo de \(I_2\) que começa em \(a=\sqrt2-1\) fornece soluções. O extremo 1 não pertence a este caso. Os dois casos cobrem toda a reta. Por isso, reunimos suas soluções por união:
O ponto 1 pertence ao primeiro caso, de modo que não há uma lacuna entre os dois intervalos. Nos extremos \(-1+\sqrt2\) e \(1+\sqrt2\), a expressão original vale zero; ambos pertencem à solução.
21-modulo-uniaoA união de \([1,b]\) com \([a,1)\) é o intervalo fechado \([a,b]\). Embora 1 esteja excluído do segundo intervalo, ele está incluído no primeiro. Em problemas resolvidos por casos, há duas operações distintas. Primeiro, intersectamos a solução de cada inequação com a condição que autoriza aquela expressão. Depois, unimos as contribuições dos casos. Fazer apenas uma dessas operações pode acrescentar valores indevidos ou perder soluções.
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\(5 \lt 2x + 7 \leq 13\)
\(6 + x - x^2 \geq 0\)
\(x^2 - 1 \gt 0\)
\(x^2 - 4 \leq 0\)
\(2 - x - x^2 \geq 0\)
\(x^2 + 2 x + 1 \leq 0\)
\((2x + 3)^2 \leq 4\)
\((3x - 1)^2 \gt 9\)
\((x+1)(3-x)(x-2)^2\geq 0\)
\((x-\dfrac {\pi }{2})(x+\pi )(x+\sqrt{3})^{15}\gt 0\)
\((x-\pi )^{3}(x+\pi )(x+\sqrt{\pi })^{16}\gt 0\)
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\((-1,3]\).
\([-2,3]\).
\((-\infty ,-1)\cup (1,\infty )\).
\([-2,2]\).
\([-2,1]\).
\(\{ -1\} \).
\([-5/2,-1/2]\).
\((-\infty ,-2/3)\cup (4/3,\infty )\).
\([-1,3]\).
\((-\pi ,-\sqrt3)\cup (\pi /2,\infty )\).
\((-\infty ,-\pi )\cup (\pi ,\infty )\).
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Use \(x=0\) para localizar a falha dessa equivalência.
Corrija a solução separando os casos \(x\lt 1\) e \(x\gt 1\). Explique por que a condição “o denominador é diferente de zero” não autoriza manter sempre o sentido da desigualdade.
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\(\dfrac {1}{x} \lt 3\)
\(-2 \lt \dfrac {1}{x} \lt 3\)
\(\dfrac {x + 4}{2x} \lt 3\)
\(\dfrac {2x + 3}{3x + 1} \lt 1\)
\(\dfrac {4x - 2}{x + 4} \geq 2\)
\(2 \leq \dfrac {4x - 2}{x + 4} \lt 3\)
\(\dfrac {2-x^{2}}{1-x}\lt x\)
\(\dfrac {x-5}{4x^{2}-4x-3}\lt 0\)
\(\dfrac {x-\pi }{4x^{2}-3x-3}\gt 0\)
\(\dfrac {4x^{2}-6x+2}{4x^{2}+6x+2}\geq 1\)
\(\dfrac {2}{2-x}\gt \dfrac {6}{3-x}\)
\(\dfrac {3}{2-2x}+\dfrac {15}{2+4x}\lt 1\)
\(\dfrac {1}{2-x}+\dfrac {5}{2+x}\lt 1\)
\(\dfrac {1}{2-x}+\dfrac {5}{2+x}\gt 1\)
\(\dfrac {2x-5}{x^{2}-6x-7}\lt \dfrac {1}{x-3}\)
\(\dfrac {1-x}{2-x^{2}}\leq \dfrac {1}{x}\)
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\((-\infty ,0)\cup (1/3,\infty )\).
\((-\infty ,-1/2)\cup (1/3,\infty )\).
\((-\infty ,0)\cup (4/5,\infty )\).
\((-\infty ,-1/3)\cup (2,\infty )\).
\((-\infty ,-4)\cup [5,\infty )\).
\([5,14)\).
\((1,2)\).
\((-\infty ,-1/2)\cup (3/2,5)\).
\(((3-\sqrt{57})/8,(3+\sqrt{57})/8)\cup (\pi ,\infty )\).
\((-\infty ,-1)\cup (-1/2,0]\).
\((3/2,2)\cup (3,\infty )\).
\((-\infty ,-1/2)\cup (1,\infty )\).
\((-\infty ,-2)\cup (2,\infty )\).
\((-2,2)\).
\((-\infty ,-1)\cup (3,7)\).
\((-\infty ,-\sqrt2)\cup (0,\sqrt2)\cup [2,\infty )\).
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\(\sqrt{1-3x}-\sqrt{5+x}\gt 1\).
\(\sqrt{4-\sqrt{1-x}}-\sqrt{2-x}\gt 0\).
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\([-5,(-9-\sqrt{61})/8)\).
\(((-5+\sqrt{13})/2,1]\).
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\(\left\vert x-2\right\vert -\left\vert x+2\right\vert \gt 2\).
\(\left\vert x-2\right\vert -x\left\vert x+2\right\vert \lt 1\).
\(\left\vert x^{2}-2\right\vert +2x+1\geq 0\).
\(\dfrac {9}{\left\vert x-5\right\vert -3}\gt \left\vert x-2 \right\vert \).
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\((-\infty ,-1)\).
\(((-3+\sqrt{13})/2,\infty )\).
\((-\infty ,-1-\sqrt2]\cup [-1,\infty )\).
\((-1,2)\cup (8,5+3\sqrt2)\).
O gráfico de \(Q\) é formado pelos segmentos que ligam \((0,1)\), \((2,5)\), \((4,1)\) e \((6,3)\). Um processo é aceito quando \(2\leq Q(t)\lt 4\), com \(0\leq t\leq 6\).
Determine todos os intervalos de tempo em que o processo é aceito, cuidando da inclusão de cada extremo.
Um programa aceita o processo quando \(Q(t)\geq 2\) ou \(Q(t)\lt 4\). Que instantes ele aceita? Explique a diferença geométrica entre esse teste e a condição pedida.
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6.3 Equações e inequações exponenciais e logarítmicas
As propriedades das funções exponenciais e logarítmicas permitem resolver novos tipos de comparação. Em ambos os casos, a monotonicidade estrita garante a injetividade usada nas equações e determina se a ordem é preservada ou invertida nas inequações.
6.3.1 Equações exponenciais e logarítmicas
Fixe uma base \(a\gt 0\), com \(a\neq 1\). Como a função \(x\mapsto a^x\) é injetora,
O primeiro objetivo, portanto, é escrever os dois membros com a mesma base. Se isso não for possível diretamente, uma substituição pode converter a equação exponencial em uma equação polinomial.
Nas equações logarítmicas, as condições de existência vêm antes do uso das propriedades algébricas. Para que \(\log _a u(x)\) esteja definido, precisamos de \(u(x)\gt 0\). Sob essa condição, a função logarítmica também é injetora:
desde que \(u(x)\gt 0\) e \(v(x)\gt 0\).
Domínio. Precisamos de \(x-1\gt 0\) e \(x-3\gt 0\); portanto, \(D=(3,\infty )\).
Redução. No domínio, podemos usar a propriedade do logaritmo do produto. Como \(3=\log _2 8\), temos
Assim, \(x^2-4x-5=0\), cujas raízes são \(-1\) e \(5\). Somente \(5\) pertence ao domínio. Logo, \(\operatorname *{Sol}\nolimits =\{ 5\} \).
6.3.2 Inequações exponenciais e logarítmicas
Quando \(a\gt 1\), as funções \(a^x\) e \(\log _a x\) são estritamente crescentes e preservam a ordem. Quando \(0\lt a\lt 1\), ambas são estritamente decrescentes e invertem a ordem. Em símbolos,
com \(u,v\gt 0\) nas comparações logarítmicas. As mesmas regras valem para os outros símbolos de desigualdade.
Identifique separadamente a restrição de domínio e o erro cometido ao retirar o logaritmo. Determine o conjunto correto. Teste \(x=2\) e \(x=6\) para mostrar que a rotina tanto rejeita um valor válido quanto aceita um inválido. \(5^{2x-1}=125\). \(4^x=8\). \(3^{2x}-4\cdot 3^x-5=0\). \(\log _3(x+6)=2\). \(\ln x+\ln (x-3)=\ln 4\). \(2^{x+1}\lt 8\). \(\left(\dfrac 13\right)^{2x}\leq 9\). \(\ln (x+2)\gt 0\). \(\log _2(x-1)+\log _2(x+1)\leq 3\). \(\log _{1/2}\left(\dfrac {x-1}{x+1}\right)\geq 1\). \(\ln \left(\dfrac {x+2}{x-1}\right)\lt \ln 2\). O domínio é \(\mathbb {R}\). Como \(125=5^3\), temos \(2x-1=3\); logo \(\{ 2\} \). O domínio é \(\mathbb {R}\). Escrevendo \(2^{2x}=2^3\), obtemos \(\{ 3/2\} \). O domínio é \(\mathbb {R}\). Com \(u=3^x\gt 0\), a equação é \((u-5)(u+1)=0\). Descartamos \(u=-1\); logo \(\{ \log _3 5\} \). O domínio é \(x\gt -6\). A equação equivale a \(x+6=9\); logo \(\{ 3\} \). O domínio é \(x\gt 3\). Nele, \(x(x-3)=4\), isto é, \((x-4)(x+1)=0\); somente \(4\) é admissível. Solução: \(\{ 4\} \). O domínio é \(\mathbb {R}\). Como a base é maior que \(1\), \(x+1\lt 3\); logo \((-\infty ,2)\). O domínio é \(\mathbb {R}\). Como \(9=(1/3)^{-2}\) e a base é menor que \(1\), temos \(2x\geq -2\); logo \([-1,\infty )\). O domínio é \(x\gt -2\). A desigualdade equivale a \(x+2\gt 1\); logo \((-1,\infty )\). O domínio exige \(x\gt 1\). Nesse domínio, \(\log _2(x^2-1)\leq \log _2 8\) equivale a \(x^2\leq 9\). Intersectando com o domínio, obtemos \((1,3]\). O domínio é \((-\infty ,-1)\cup (1,\infty )\). Como a base é menor que \(1\), a inequação equivale a \((x-1)/(x+1)\leq 1/2\), isto é, \((x-3)/(x+1)\leq 0\). Essa condição dá \((-1,3]\); sua interseção com o domínio é \((1,3]\). O domínio é \((-\infty ,-2)\cup (1,\infty )\). Pela monotonicidade de \(\ln \), \((x+2)/(x-1)\lt 2\) equivale a \((4-x)/(x-1)\lt 0\). O quadro de sinais dá \((-\infty ,1)\cup (4,\infty )\); intersectando com o domínio, obtemos \((-\infty ,-2)\cup (4,\infty )\). Ver solução
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Esboce \(y=2^x\) e \(y=x+1\) no mesmo plano. Quantas soluções o esboço sugere para \(2^x=x+1\)? Verifique algebricamente os valores encontrados.
Esboce \(y=2^x\) e \(y=x^2\). Verifique que \(x=2\) e \(x=4\) são soluções de \(2^x=x^2\) e explique por que o esboço sugere ainda uma solução negativa.
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O esboço sugere duas soluções, \(x=0\) e \(x=1\), ambas confirmadas por substituição. Nesta etapa, a contagem dos encontros é sugerida pelo esboço; a demonstração de que não existem outros requer ferramentas que estudaremos mais adiante.
\(2^2=2^2\) e \(2^4=4^2\). Para \(x\lt 0\), temos \(0\lt 2^x\lt 1\). Quando \(x\) se aproxima de \(0\) pela esquerda, \(2^x\) se aproxima de \(1\), enquanto \(x^2\) se aproxima de \(0\). Em \(x=-1\), temos \(2^{-1}\lt 1\) e, em \(x=0\), temos \(1\gt 0\). O desenho indica um cruzamento entre \(-1\) e \(0\) (em \(x\approx -0{,}77\)). Esse é um argumento gráfico, não uma demonstração de existência; a continuidade permitirá justificá-lo.
6.4 Equações e inequações trigonométricas
As funções trigonométricas apresentam uma diferença importante em relação às funções exponenciais e logarítmicas: elas são periódicas e, portanto, repetem seus valores. Assim, uma equação trigonométrica pode ter infinitas soluções, mesmo quando sua forma é muito simples. O procedimento natural é encontrar as soluções em um período e, em seguida, usar a periodicidade para descrever todas as demais.
As funções trigonométricas inversas fornecem um ângulo principal, mas não resolvem sozinhas o problema. Por exemplo, \(\operatorname {arcsen}(1/2)=\pi /6\), embora o seno também valha \(1/2\) em \(5\pi /6\) e nos ângulos obtidos desses dois pela adição de voltas completas.
6.4.1 Equações trigonométricas
Considere primeiro uma equação da forma \(\operatorname {sen}x=a\). Se \(|a|\gt 1\), não há solução real, pois a imagem do seno é \([-1,1]\). Se \(|a|\leq 1\) e \(\alpha =\operatorname {arcsen}a\), então
As duas famílias correspondem aos pontos de mesma altura na circunferência unitária. De modo semelhante, se \(|a|\leq 1\) e \(\alpha =\arccos a\), então
Por fim, para todo \(a\in \mathbb {R}\),
pois o período da tangente é \(\pi \).
Quando a incógnita aparece dentro do argumento da função, resolvemos primeiro a equação trigonométrica no argumento e somente depois voltamos à variável original.
Algumas equações podem ser tratadas como equações algébricas em \(\operatorname {sen}x\) ou \(\cos x\). A substituição auxilia a fatoração, mas as raízes encontradas ainda precisam pertencer à imagem da função trigonométrica.
6.4.2 Inequações trigonométricas
Quando as funções envolvidas têm um período comum \(T\gt 0\), basta determinar as soluções em um intervalo de comprimento \(T\). As demais são obtidas por translações de múltiplos inteiros de \(T\). O gráfico ou a circunferência unitária permitem identificar não apenas os pontos de igualdade, mas também os arcos nos quais a função fica acima ou abaixo do valor de referência.
Quando aparece uma função que não está definida em todos os reais, seus pontos excluídos continuam fora do conjunto-solução. Em particular, nas inequações com tangente devemos respeitar os pontos \(\pi /2+k\pi \), nos quais \(\cos x=0\).
\(\operatorname {sen}x=\sqrt3/2\). \(\cos x=-\sqrt2/2\). \(\operatorname {tg}x=-1\). \(2\operatorname {sen}x+1=0\). \(\operatorname {sen}(2x)=1\). \(\cos (x-\pi /3)=1/2\). \(\operatorname {tg}\left(x-\dfrac {\pi }{4}\right)=1\). \(2\operatorname {sen}^2x-3\operatorname {sen}x+1=0\). \(x=\pi /3+2k\pi \) ou \(x=2\pi /3+2k\pi \). \(x=3\pi /4+2k\pi \) ou \(x=5\pi /4+2k\pi \). \(x=-\pi /4+k\pi \). \(x=-\pi /6+2k\pi \) ou \(x=7\pi /6+2k\pi \). \(x=\pi /4+k\pi \). \(x=2k\pi \) ou \(x=2\pi /3+2k\pi \). \(x=\pi /2+k\pi \). Como \((2\operatorname {sen}x-1)(\operatorname {sen}x-1)=0\), obtemos \(x=\pi /6+2k\pi \), \(x=5\pi /6+2k\pi \) ou \(x=\pi /2+2k\pi \).
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Quantas soluções a equação tem em \([0,2\pi ]\)? Escreva todas usando \(\operatorname {arcsen}0{,}3\).
Resolva da mesma forma \(\cos x=-0{,}4\) em \([0,2\pi ]\).
Explique por que a função inversa fornece apenas uma das soluções.
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Duas: \(x=\operatorname {arcsen}0{,}3\) e \(x=\pi -\operatorname {arcsen}0{,}3\).
\(x=\arccos (-0{,}4)\) e \(x=2\pi -\arccos (-0{,}4)\).
Para ser invertível, o seno foi restrito a \([-\pi /2,\pi /2]\) e o cosseno a \([0,\pi ]\); a inversa devolve somente a solução desse intervalo. As demais são obtidas por simetria e periodicidade.
Para resolver \(\operatorname {sen}(2x)=\operatorname {sen}x\), um estudante dividiu por \(\operatorname {sen}x\) e obteve \(\cos x=\tfrac 12\), isto é, \(x=\pm \tfrac \pi 3+2k\pi \).
Para resolver \(\operatorname {tg}x=\sqrt3\), outro estudante respondeu \(x=\tfrac \pi 3+2k\pi \), \(k\in \mathbb {Z}\).
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\(2\operatorname {sen}x\cos x-\operatorname {sen}x=\operatorname {sen}x(2\cos x-1)=0\). Faltam as soluções de \(\operatorname {sen}x=0\): \(x=k\pi \). O conjunto-solução é \(\{ k\pi \} \cup \{ \pm \pi /3+2k\pi \} \), \(k\in \mathbb {Z}\).
A tangente tem período \(\pi \): \(x=\tfrac \pi 3+k\pi \). Ficaram faltando os valores \(\tfrac {4\pi }3+2k\pi \).
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\(\cos x+2\sec x=-3\).
\(\operatorname {tg}^2x-\sec x-1=0\).
\(\cos ^2x-\operatorname {sen}x\cos x=0\).
\(\operatorname {cossec}^2x-\operatorname {cotg}x-1=0\).
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Como \(\cos x\neq 0\), podemos multiplicar a equação por \(\cos x\):
\[ \cos ^2x+3\cos x+2=0. \]As possibilidades são \(\cos x=-1\) e \(\cos x=-2\); a segunda é impossível. Logo, \(x=\pi \).
Usando \(\operatorname {tg}^2x=\sec ^2x-1\), obtemos
\[ \sec ^2x-\sec x-2=0. \]Assim, \(\sec x=2\) ou \(\sec x=-1\), e \(x\in \{ \pi /3,\pi ,5\pi /3\} \).
Fatorando,
\[ \cos x(\cos x-\operatorname {sen}x)=0. \]Portanto, \(x\in \{ \pi /4,\pi /2,5\pi /4,3\pi /2\} \).
Como \(\operatorname {cossec}^2x=1+\operatorname {cotg}^2x\), a equação equivale a \(\operatorname {cotg}x(\operatorname {cotg}x-1)=0\). Logo, \(x\in \{ \pi /4,\pi /2,5\pi /4,3\pi /2\} \).
\(\cos x\lt 0\).
\(\operatorname {sen}x\leq -1/2\).
\(\cos (2x)\geq 0\).
\(\operatorname {tg}x\gt \sqrt3\).
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\((\pi /2,3\pi /2)\).
\([7\pi /6,11\pi /6]\).
\([0,\pi /4]\cup [3\pi /4,5\pi /4]\cup [7\pi /4,2\pi )\).
\((\pi /3,\pi /2)\cup (4\pi /3,3\pi /2)\). Os pontos \(\pi /2\) e \(3\pi /2\) ficam excluídos porque a tangente não está definida neles.
Um dispositivo fica ligado quando \(\cos \theta \geq 1/2\). A figura destaca as posições correspondentes na circunferência unitária. O ângulo varia segundo \(\theta (t)=\pi t/3\), com \(t\) em segundos.
Escreva a condição sobre \(\theta \) como uma união de intervalos em \(\mathbb R\). Por que um único intervalo em torno de zero não descreve todo o funcionamento?
Determine os instantes em que o dispositivo fica ligado durante \(0\leq t\leq 12\) e a fração desse tempo em que permanece ligado.