Funções e gráficos
A distância percorrida por um móvel depende do tempo, e o custo de uma compra depende da quantidade adquirida. Uma função especifica essa dependência, declarando quais entradas aceita e qual saída associa a cada uma delas. Para estudá-la, usaremos as ferramentas do capítulo anterior: operações com expressões, comparação de valores e descrição de conjuntos de números.É preciso medir tudo o que é mensurável e tentar tornar mensurável o que não o é diretamente.
Começaremos pelos pares ordenados e pelo plano cartesiano, que permitem registrar entradas e saídas juntas. Em seguida, relacionaremos fórmulas, tabelas e gráficos, acompanhando sempre domínio, contradomínio e imagem. Operações, composição, inversão e transformações de gráficos ampliarão esse vocabulário e prepararão o estudo das famílias de funções dos próximos capítulos.
2.1 Pares ordenados e o plano cartesiano
O plano cartesiano traduz relações numéricas em relações geométricas. Nele, uma equação pode descrever uma curva, uma desigualdade pode selecionar uma região e, mais adiante, uma função será representada por um conjunto de pontos. Para usar essa linguagem com precisão, começamos pelos pares ordenados.
Pares ordenados e produto cartesiano
Um par ordenado \((a,b)\) registra dois elementos numa ordem determinada: \(a\) é a primeira componente e \(b\) é a segunda. Em geral, \((a,b)\ne (b,a)\). Mais precisamente,
Dados dois conjuntos \(A\) e \(B\), seu produto cartesiano é o conjunto de todos os pares cuja primeira componente pertence a \(A\) e cuja segunda pertence a \(B\):
Coordenadas
O produto \(\mathbb {R}\times \mathbb {R}\), também escrito \(\mathbb {R}^2\), pode ser representado geometricamente pelo plano cartesiano. No ponto \(P=(x,y)\), o número \(x\) é a abscissa e determina a posição horizontal; o número \(y\) é a ordenada e determina a posição vertical. O ponto \((0,0)\) é a origem.
Os eixos dividem o plano em quatro quadrantes. Pontos sobre os eixos não pertencem a nenhum quadrante.
| Quadrante | sinal de $x$ | sinal de $y$ |
|---|---|---|
| I | positivo | positivo |
| II | negativo | positivo |
| III | negativo | negativo |
| IV | positivo | negativo |
Distância entre dois pontos
Sejam \(P=(x_1,y_1)\) e \(Q=(x_2,y_2)\). Para relacionar suas coordenadas à distância entre eles, introduzimos o ponto \(H=(x_2,y_1)\). O segmento \(PH\) é horizontal, e \(HQ\) é vertical. Seus comprimentos são, respectivamente,
02-distanciaO ponto auxiliar \(H=(x_2,y_1)\) decompõe o deslocamento em uma parte horizontal e outra vertical. O desenho mostra \(x_2\gt x_1\) e \(y_2\gt y_1\). Quando ambas as diferenças são não nulas, o triângulo \(PHQ\) é retângulo em \(H\), e \(PQ\) é sua hipotenusa. Pelo teorema de Pitágoras,
Como uma distância é não negativa, obtemos
Os módulos nos comprimentos dos catetos permitem usar o mesmo raciocínio qualquer que seja a posição relativa dos pontos. Se uma das diferenças é zero, os pontos estão na mesma horizontal ou vertical, e a fórmula se reduz à distância nessa direção. Se as duas são zero, os pontos coincidem e a distância é zero.
Como ler regiões do plano?
Uma condição envolvendo \(x\) e \(y\) seleciona os pontos cujas coordenadas a satisfazem. A igualdade costuma descrever uma fronteira; uma desigualdade indica um dos lados ou uma região interior ou exterior.
| Condição | região correspondente |
|---|---|
| $x>1$ | à direita da reta vertical $x=1$ |
| $y\leq2$ | abaixo da reta horizontal $y=2$, incluindo a reta |
| $y>x$ | acima da reta $y=x$ |
| $x^2+y^2<4$ | interior do círculo de centro $(0,0)$ e raio $2$ |
Quando várias condições devem ser satisfeitas simultaneamente, tomamos a interseção das regiões que elas definem. Por exemplo,
é a região à direita do eixo \(y\), entre as retas horizontais \(y=-1\) e \(y=2\), com a borda inferior excluída e os demais pontos da fronteira incluídos. A mesma região pode ser escrita de forma compacta como
Nos dois painéis, as coordenadas são medidas em metros. Observe as marcas dos eixos: o segundo desenho usa escalas gráficas diferentes para as duas coordenadas. Leia as coordenadas de \(P\) e \(Q\) em cada painel. Os desenhos representam pontos diferentes ou os mesmos pontos? Compare as distâncias de \(P\) e de \(Q\) à origem e calcule \(d(P,Q)\). Essas respostas podem ser obtidas medindo os segmentos na página sem levar as escalas em conta?
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Calcule \(d(P,Q)\) corretamente.
Interprete geometricamente o número \(7\) obtido pelo estudante.
Para dois pontos quaisquer do plano, em que situação as duas contas fornecem o mesmo resultado?
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\(d(P,Q)=\sqrt{3^2+4^2}=5\).
É o comprimento de um caminho de \(P\) a \(Q\) formado por um trecho horizontal e um vertical, isto é, a soma dos catetos do triângulo retângulo cuja hipotenusa é \(PQ\).
Quando um dos catetos é nulo, ou seja, quando \(P\) e \(Q\) estão na mesma reta horizontal ou na mesma reta vertical. Nos demais casos, a hipotenusa é menor que a soma dos catetos.
Liste os elementos de \(A\times B\).
Liste os elementos de \(B\times A\).
Os dois produtos são iguais?
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\(A\times B=\{ (0,-1),(0,2),(1,-1),(1,2)\} \).
\(B\times A=\{ (-1,0),(-1,1),(2,0),(2,1)\} \).
Não. A ordem dos conjuntos determina a ordem das componentes.
Em que quadrante está cada ponto?
Calcule \(d(P,Q)\).
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\(P\) está no segundo quadrante e \(Q\), no quarto.
\(d(P,Q)=\sqrt{(1+2)^2+(-3-1)^2}=\sqrt{9+16}=5\).
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2.2 O conceito de função
Os pares ordenados registram duas informações numa ordem determinada. Para descrever como uma grandeza depende de outra, precisamos ainda exigir que cada entrada esteja associada a uma única saída: essa é a condição que define uma função. Mantidas a pressão e a quantidade de gás, seu volume pode ser estudado como função da temperatura. De modo semelhante, a posição de um corpo em uma trajetória pode ser estudada como função do tempo. Essa linguagem de dependências faz das funções um dos conceitos centrais da Matemática e a base sobre a qual construiremos o Cálculo.
Funções como conjuntos de pares ordenados
Uma relação entre \(A\) e \(B\) é qualquer subconjunto de \(A\times B\). Ela é uma função de \(A\) em \(B\) exatamente quando, para todo \(x\in A\), existe um único \(y\in B\) tal que \((x,y)\) pertence à relação. Assim,
não define uma função de \(\{ 1,2,3\} \) em \(\{ u,v\} \): o elemento \(2\) aparece com duas segundas componentes, e o elemento \(3\) não aparece com nenhuma. Essa formulação formaliza a regra de associação da definição anterior por meio de um conjunto de pares.
Uma função fica especificada pelo domínio, pelo contradomínio e pela regra de associação. Alterar qualquer um deles pode alterar a função. Neste livro estudaremos principalmente funções reais de uma variável real, isto é, funções cujos domínios e contradomínios são subconjuntos de \(\mathbb {R}\).
Adotaremos as convenções
Embora fórmulas sejam uma maneira particularmente útil de descrever funções, elas não são a única. Uma função também pode ser especificada por uma tabela, por um gráfico, por uma definição em casos ou por um procedimento que determine univocamente cada valor.
\(f:\mathbb {R}\to \mathbb {R}\), dada por \(f(x)=x^2\);
\(g:\mathbb {R}\to \mathbb {R}_+\), dada por \(g(x)=x^2\);
\(h:\mathbb {R}\to \mathbb {R}\), dada por
\[ h(x)= \begin{cases} 1,& x\in \mathbb {Q},\\ -1,& x\in \mathbb {R}\setminus \mathbb {Q}; \end{cases} \]\(u(x)=\dfrac {x^3+5x+6}{x^2-1}\), sem domínio indicado explicitamente.
As funções \(f\) e \(g\) possuem a mesma expressão e o mesmo domínio, mas contradomínios diferentes; por isso, não são iguais. Em ambos os casos, os valores efetivamente assumidos formam o conjunto \(\mathbb {R}_+\).
A função \(h\), conhecida como função de Dirichlet, possui imagem \(\{ -1,1\} \). A regra está bem definida, embora possa ser difícil determinar se um número dado é racional ou irracional e, assim, calcular sua imagem.
No último item, a expressão somente representa um número real quando \(x^2-1\neq 0\). Pela convenção usual, o domínio de \(u\) é, portanto, \(\mathbb {R}\setminus \{ -1,1\} \).
Uma função não precisa ser descrita por uma fórmula algébrica. A função de Euler
associa a cada \(n\) a quantidade de inteiros positivos menores que \(n\) que não possuem com ele divisor comum maior que \(1\), isto é, são coprimos com \(n\). Entre os inteiros positivos menores que \(6\), apenas \(1\) e \(5\) são coprimos com \(6\); portanto, \(\phi (6)=2\). Também temos \(\phi (2)=1\) e \(\phi (3)=\phi (4)=2\). A regra é um procedimento aritmético inequívoco, e isso basta para definir uma função.
Além da imagem de um elemento, podemos considerar a imagem de um subconjunto do domínio. Se \(f:A\to B\) e \(X\subset A\), definimos a imagem de \(X\) por \(f\) por
Em particular, o conjunto imagem de \(f\) é
Observe que \(\operatorname {Im}f\subset B\), mas a igualdade não é automática.
O caminho inverso parte de um conjunto do contradomínio. Se \(Y\subset B\), a pré-imagem de \(Y\) é
Para um único valor \(y\in B\), escrevemos
O símbolo \(f^{-1}\) também será usado para funções inversas. O contexto distingue os dois significados: em \(f^{-1}(Y)\), o argumento é um conjunto e estamos tomando uma pré-imagem; em \(f^{-1}(y)\), quando a função inversa existir, o argumento será um elemento.
A cada pessoa, sua data de nascimento. A cada data, cada uma das pessoas nascidas naquele dia. A cada \(x\in \mathbb {R}\), o número real \(y\) tal que \(y^2=x\). A cada \(x\in \mathbb {R}\), o número real \(y\) tal que \(y^3=x\). Função: cada pessoa tem uma única data de nascimento. Não é função: a uma data podem corresponder várias pessoas, ou nenhuma. Não é função: para \(x\gt 0\) há dois valores, \(\pm \sqrt x\), e para \(x\lt 0\) não há nenhum. Restringindo a \(x\ge 0\) e escolhendo \(y\ge 0\), obtém-se a função \(x\mapsto \sqrt x\). Função de \(\mathbb {R}\) em \(\mathbb {R}\): cada real tem uma única raiz cúbica real. \(R=\{ (e,1), (o,2)\} \) \(R=\{ (a,1), (e,1), (i,1), (o,2), (u,2)\} \) \(R=\{ (a,1), (e,2), (i,3), (o,4), (u,5)\} \) \(R=\{ (a,1), (e,1), (e,2), (i,1), (u,2), (u,5)\} \) \(R=\{ (a,3), (e,3), (i,3), (o,3), (u,3)\} \) \(R=\{ (a,1), (e,3), (i,3), (o,2), (u,2)\} \) \(R=\{ (a,2), (e,1), (i,4), (o,5), (u,3)\} \) Não: faltam imagens para \(a\), \(i\) e \(u\). Sim: cada elemento de \(A\) aparece exatamente uma vez como primeira coordenada. Sim, pelo mesmo motivo. Não: \(e\) e \(u\) têm duas imagens, e \(o\) não tem imagem. Sim: todos os elementos de \(A\) têm imagem \(3\). Sim: cada elemento de \(A\) tem uma única imagem. Sim: cada elemento de \(A\) tem uma única imagem.
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Uma pessoa afirma que essa regra não define uma função porque “produz dois números para cada entrada”. Explique por que a escolha do contradomínio resolve a questão.
A regra \(G(x)=(x^2,x)\), com o mesmo domínio e contradomínio, define a mesma função que \(F\)? Determine em quais entradas as saídas coincidem e explique por que isso não basta para a igualdade das funções.
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Verifique se as regras \(f(x)=x^2\) e \(g(x)=x^4\) são ambas compatíveis com a tabela.
É possível afirmar, usando somente os dados registrados, que \(H(1/2)=1/4\)? Compare as duas regras nessa entrada e explique a diferença entre conhecer alguns valores de uma função e conhecer sua regra completa.
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Calcule \(f(A)\), \(f(B)\), \(f(A\cap B)\) e \(f(A)\cap f(B)\). A igualdade \(f(A\cap B)=f(A)\cap f(B)\) vale?
Para \(C=[0,1]\), determine todas as entradas \(x\in \mathbb R\) tais que \(f(x)\) pertence ao conjunto \(f(C)\). Compare o conjunto encontrado com \(C\).
Que propriedade de \(f\) é responsável pelas diferenças observadas?
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\(f(A)=f(B)=[1,4]\) e \(f(A)\cap f(B)=[1,4]\), mas \(A\cap B=\varnothing \) e \(f(A\cap B)=\varnothing \). A igualdade não vale.
\(f(C)=[0,1]\). A condição \(f(x)\in f(C)\) equivale a \(0\le x^2\le 1\); portanto o conjunto das entradas procuradas é \([-1,1]\supsetneq C\).
Pontos diferentes, como \(x\) e \(-x\) quando \(x\ne 0\), têm a mesma imagem. Por isso, conjuntos distintos podem ter imagens em comum, e valores de \(f(C)\) também podem ser produzidos por entradas fora de \(C\).
\(f : \mathbb {N}\rightarrow \mathbb {N}\), \(f(n)=3n+1\).
\(f : \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)= x-\lvert (x+2)^{2}-1\rvert \).
\(f : [0,\infty ) \rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)= \sqrt{x+1}-\sqrt{x}\).
\(f : \mathbb {R}\times \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x,y)= x-\lvert y\rvert \).
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\(\varnothing \), \(\{ 0\} \) e \(\varnothing \).
\(\varnothing \), \(\varnothing \) e \(\varnothing \). De fato,
\[ f(x)=\begin{cases} x^2+5x+3,& -3\leq x\leq -1,\\ -x^2-3x-3,& x\leq -3\text{ ou }x\geq -1,\end{cases} \]e em todos esses intervalos \(f(x)\leq -1\). No intervalo central, \(f(x)+1=(x+1)(x+4)\leq 0\); fora dele, \(f(x)+1=-(x+1)(x+2)\leq 0\).
\(\varnothing \), \(\{ 0\} \) e \(\varnothing \), pois
\[ f(x)=\frac1{\sqrt{x+1}+\sqrt x}\in (0,1], \]e o valor \(1\) só é atingido em \(x=0\).
\(\{ (|t|,t):t\in \mathbb {R}\} \), \(\{ (1+|t|,t):t\in \mathbb {R}\} \) e \(\{ (2+|t|,t):t\in \mathbb {R}\} \).
2.3 Determinando o domínio
Para determinar o domínio natural de uma função dada por uma expressão, procuramos todos os números reais para os quais podemos realizar as operações indicadas. Na expressão \(x^2-3x+1\), por exemplo, há apenas somas, diferenças e produtos, que podem ser calculados para qualquer número real. Uma divisão, porém, só pode ser efetuada quando seu denominador é diferente de zero.
Quando uma expressão contém várias parcelas, cada uma delas precisa estar definida. As condições impostas pelas parcelas devem, portanto, valer simultaneamente.
Na Seção 1.8, vimos que uma simplificação deve conservar as restrições da expressão original. Ao estudar funções, esse cuidado também nos permite distinguir funções cujas expressões simplificadas coincidem.
Determinar o domínio envolve, assim, dois cuidados: identificar as restrições de cada parte da expressão e reunir apenas os valores que satisfazem todas elas. Se simplificarmos a expressão, essas restrições permanecem.
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2.4 Gráficos de funções
O gráfico reúne no plano os pares \((x,f(x))\) da Seção 2.2. Essa representação permite examinar onde a função se anula, como seus valores variam e quais valores ela atinge.
Para cada \(x\in A\), há exatamente um ponto do gráfico com abscissa \(x\). Essa observação fornece o teste da reta vertical: um conjunto de pontos é o gráfico de alguma função de \(x\) quando nenhuma reta vertical o encontra em mais de um ponto. O domínio dessa função é o conjunto das abscissas desses pontos. Se o domínio \(A\) já estiver fixado, cada reta vertical \(x=a\), com \(a\in A\), deve encontrar o gráfico em exatamente um ponto; as demais não devem encontrá-lo.
O que se lê em um gráfico
O ponto \((a,f(a))\) permite ler o valor \(f(a)\). Um número \(a\in \operatorname {Dom}f\) é chamado de zero ou raiz de \(f\) quando \(f(a)=0\). No gráfico, os zeros são as abscissas das interseções com o eixo horizontal.
Os trechos acima e abaixo desse eixo indicam, respectivamente, onde \(f(x)\gt 0\) e onde \(f(x)\lt 0\). A projeção do gráfico sobre o eixo horizontal fornece o domínio, e a projeção sobre o eixo vertical fornece a imagem. Essas leituras dependem sempre dos pontos que efetivamente pertencem ao gráfico, inclusive nas extremidades de intervalos.
\(f:[-1,2] \to \mathbb {R}\), \(f(x)=x^{2}\)
Figura 2.5 Gráfico de \(f(x)=x^2\) com domínio restrito a \([-1,2]\). \(g:\mathbb {Z}\to \mathbb {N}\), \(g(n)=|n|\)
Figura 2.6 Gráfico discreto de \(g(n)=|n|\). \(h:\mathbb {R}\to \mathbb {R}\), dada por
\[ h(x)= \begin{cases} -x,& x\leq -1,\\ 1,& -1\lt x\leq 1,\\ 2-x,& x\gt 1. \end{cases} \]
Figura 2.7 Gráfico da função \(h\) definida por partes.
Comparar dois gráficos no mesmo plano também permite localizar soluções de equações e desigualdades. Na figura, a interseção \(P\) indica uma abscissa na qual \(f(x)=g(x)\). Os pontos \(Q\) e \(R\) têm a mesma abscissa: como \(R\) está acima de \(Q\), nessa abscissa temos \(g(x)\gt f(x)\).
O gráfico de \(f\) é exatamente o conjunto desenhado: um segmento de \((-2,1)\) até \((0,3)\), com o último ponto excluído; um segmento horizontal de \((0,1)\) até \((3,1)\), com o primeiro ponto excluído; e o ponto isolado \((0,-1)\). Os círculos vazios indicam pontos excluídos. Determine \(f(0)\), o domínio e a imagem de \(f\). Por que a imagem não é um único intervalo? Leia no gráfico os conjuntos de soluções de \(f(x)=2\) e de \(f(x)\ge 2\). Explique o tratamento da abscissa \(0\).
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\(x^2+y^2=1\);
\(y=|x|\);
\(x=y^2\);
\(y=x^3\);
\(y^2=x^2\).
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Nenhum dos dois: a reta \(x=0\) e a reta \(y=0\) cortam a circunferência em dois pontos.
Função de \(x\); não é função de \(y\), pois a reta \(y=1\) corta o gráfico em \(x=\pm 1\).
Função de \(y\), \(x=y^2\); não é função de \(x\), pois a reta \(x=1\) corta em \(y=\pm 1\).
As duas coisas: \(y=x^3\) e \(x=\sqrt[3]y\).
Nenhum dos dois: é a união das retas \(y=x\) e \(y=-x\), que se cruzam na origem e são cortadas duas vezes por retas verticais e horizontais.
Um carrinho move-se sobre uma pista reta. Sua posição \(s(t)\), em metros, é representada por segmentos de reta no gráfico, com \(t\) em segundos.
Em quais instantes o carrinho está na origem? Em qual intervalo permanece parado?
Determine a maior distância à origem e a distância total percorrida nos seis segundos. Por que são quantidades diferentes?
Uma pessoa interpreta a linha poligonal como a forma da pista vista de cima. Explique quais grandezas os eixos representam e por que essa interpretação não é adequada.
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Quatro recipientes ideais, inicialmente vazios, têm a mesma altura \(H\) e recebem água com a mesma vazão constante e positiva, até ficarem cheios. Não há vazamentos nem transbordamento durante o enchimento; o volume do tubo de entrada é desprezível e o nível permanece horizontal. Em toda altura interior, a seção horizontal tem área positiva e finita, que varia sem mudanças bruscas.
Os perfis são: (A) cilindro; (B) cone com vértice para baixo; (C) cone com vértice para cima; (D) esfera. Admita uma entrada de água de tamanho desprezível, inclusive nos perfis fechados. Os gráficos de \(h\) em função de \(t\) usam escalas de tempo independentes.
Associe cada recipiente a um gráfico. Compare a subida do nível quando são acrescentadas pequenas quantidades iguais de água.
Na esfera, em que altura o nível sobe mais lentamente?
Desenhe um recipiente cujo nível suba primeiro em ritmo constante e depois cada vez mais devagar. Explique o formato escolhido.
Durante o enchimento, pode haver um intervalo de tempo com altura constante? O nível pode saltar instantaneamente de uma altura a outra? Justifique pelas hipóteses do modelo.
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A associação é A–I, B–II, C–III e D–IV. Como o volume cresce a uma taxa fixa, uma mesma pequena quantidade de água produz um aumento maior de altura onde a seção horizontal é menor. No cilindro, a área é constante e a altura cresce linearmente; no cone com vértice inferior, a área aumenta à medida que a água sobe e o gráfico vai ficando menos inclinado; no cone invertido, a área diminui e o gráfico vai ficando mais inclinado. Na esfera, a área é máxima no plano equatorial: a altura sobe mais devagar na metade da altura, e mais rapidamente perto do fundo e do topo.
Um recipiente cuja seção horizontal começa constante e depois aumenta continuamente produz reta seguida de trecho com inclinação decrescente. Um patamar exigiria receber um volume positivo sem alterar a altura, o que não ocorre com seções finitas. Um salto entre duas alturas interiores exigiria preencher instantaneamente uma faixa de volume positivo, incompatível com vazão finita. Uma subida muito rápida perto do fundo ou do topo continua sendo uma variação contínua da altura.
Uma curva de altura contra tempo pode revelar a geometria de um recipiente. A vazão é constante; a velocidade de subida do nível, não.
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2.5 Operações e composição
A maior parte das funções elementares pode ser construída a partir de famílias simples por meio de soma, produto, quociente e composição. Ao realizar essas operações, porém, é preciso acompanhar os domínios.
Sejam \(f:D_f\to \mathbb {R}\) e \(g:D_g\to \mathbb {R}\). A soma e o produto são definidos no domínio comum \(D_f\cap D_g\) por
O quociente possui a restrição adicional de que o denominador não se anule:
Se \(\alpha \in \mathbb {R}\), definimos ainda \((\alpha f)(x)=\alpha f(x)\) em \(D_f\). Esse produto pode ser visto como o produto de \(f\) pela função constante de valor \(\alpha \).
As propriedades algébricas dos números passam ponto a ponto para as funções, sempre que os dois membros estejam definidos no mesmo domínio.
A composição permite usar a saída de uma função como entrada de outra. Se
partimos de um elemento \(x\in A\) e aplicamos primeiro \(g\), obtendo \(g(x)\in B\). Como \(B\) é o domínio de \(f\), podemos aplicar \(f\) a esse resultado. Obtemos, assim, um elemento \(f(g(x))\in C\).
Essa sequência de duas operações define uma nova função, chamada composta de \(f\) com \(g\) e denotada por \(f\circ g\):
Na expressão \(f(g(x))\), o cálculo começa pelos parênteses internos. Embora \(f\) apareça à esquerda na notação \(f\circ g\), quem atua primeiro é \(g\):
Por exemplo, para calcular \((f\circ g)(2)\), precisamos primeiro encontrar \(g(2)\). Só depois usamos esse número como argumento de \(f\). Isso é diferente de calcular \(f(2)\) e \(g(2)\) separadamente e multiplicar os resultados: a multiplicação define \(fg\), não \(f\circ g\).
Quando os domínios são diferentes dos conjuntos acima, precisamos verificar quais entradas permitem completar as duas etapas. Não basta que \(g(x)\) exista: esse valor também deve pertencer ao domínio de \(f\). Por isso, ao formar a composição no maior domínio possível, temos
A condição dentro das chaves descreve o percurso do cálculo: a entrada é aceita por \(g\), e a saída de \(g\) é aceita por \(f\).
Para obter \(f\circ g\), começamos por \(g(x)=x-1\) e substituímos todo esse resultado no argumento de \(f\):
Em \(x=2\), as duas etapas são
Portanto, \((f\circ g)(2)=5\).
Na ordem contrária, aplicamos primeiro \(f\) e depois \(g\). Como \(g\) subtrai 1 do número que recebe,
Em \(x=2\), o percurso é
e \((g\circ f)(2)=6\). As duas composições têm domínio \(\mathbb {R}\), mas não são a mesma função.
Trocar a ordem pode alterar tanto a expressão quanto o domínio. Nos próximos exemplos, acompanharemos essas duas mudanças, verificando em cada etapa se o valor obtido pode ser usado como entrada da função seguinte.
Se \(f(x)=\sqrt{x}\) e \(g(x)=x^{2}\), então \(\operatorname {Dom}f = \mathbb {R}_{+}\), \(\operatorname {Dom}g=\mathbb {R}\) e:
\(\operatorname {Dom}(f \circ g)=\mathbb {R}\) e \((f \circ g)(x)=|x|\)
\(\operatorname {Dom}(g \circ f)=\mathbb {R}_{+}\) e \((g \circ f)(x)=x\)
Se \(f(x)=1/x\) e \(g(x)=\sqrt{1-x}\), então \(\operatorname {Dom}f = \mathbb {R}^{*}\), \(\operatorname {Dom}g=(-\infty , 1]\) e:
\(\operatorname {Dom}(f \circ g)=(-\infty ,1)\) e \((f \circ g)(x)=\frac{1}{\sqrt{1-x}}\)
\(\operatorname {Dom}(g \circ f)=(-\infty ,0) \cup [1,+\infty )\) e \((g \circ f)(x)=\sqrt{\frac{x-1}{x}}\)
Na primeira ordem,
São necessárias duas condições: \(x\neq -1\), para que \(g(x)\) exista, e \(g(x)\geq 0\), para que seja possível aplicar a raiz quadrada. O numerador \(x-2\) muda de sinal em \(2\) e o denominador \(x+1\), em \(-1\). Em cada intervalo, combinamos seus sinais pela regra de sinais da divisão:
Aplicamos aqui o quadro de sinais apresentado na Seção 1.8: ordenamos os zeros dos fatores, combinamos os sinais em cada intervalo e verificamos os extremos separadamente. O capítulo de equações e inequações retomará e ampliará esse método. Consequentemente,
O ponto \(2\) é incluído porque a raiz de zero existe; \(-1\) continua excluído porque anula o denominador.
Na ordem contrária,
Primeiro precisamos de \(x\geq 0\). A condição seguinte seria \(\sqrt x\neq -1\), mas ela é automaticamente satisfeita: uma raiz quadrada real é não negativa. Portanto,
Por exemplo, \(x=-2\) é permitido na primeira composição e não na segunda; já \(x=0\) é permitido na segunda e não na primeira.
Calcule \((f\circ g)(1)\), \((g\circ f)(1)\), \((f\circ f)(2)\) e \((g\circ g)(2)\). Determine o domínio de \(f\circ g\) e o de \(g\circ f\). Um estudante calculou \((f\circ g)(1)=f(1)\, g(1)=6\). Explique o erro. \((f\circ g)(1)=f(2)=1\), \((g\circ f)(1)=g(3)=1\), \((f\circ f)(2)=f(1)=3\) e \((g\circ g)(2)=g(4)=5\). \(f\circ g\) está definida em \(\{ 1,2,3\} \), pois \(g(4)=5\) não pertence ao domínio de \(f\). Como \(f\) assume apenas valores em \(\{ 1,2,3,4\} \), \(g\circ f\) está definida em \(\{ 1,2,3,4\} \). O estudante multiplicou os valores, isto é, calculou \((fg)(1)\). Na composição o valor \(g(1)\) é usado como entrada de \(f\): \((f\circ g)(1)=f\bigl(g(1)\bigr)\).
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As funções \(f:[0,4]\to \mathbb R\) e \(g:[0,2]\to \mathbb R\) têm os gráficos abaixo. O gráfico de \(f\) é formado por dois segmentos; o de \(g\) é o segmento que liga \((0,1)\) a \((2,3)\). Todos os extremos estão incluídos.
Determine os domínios naturais de \(f\circ g\) e de \(g\circ f\). Em cada caso, acompanhe a entrada, a saída intermediária e o domínio da função aplicada por último.
Calcule \((f\circ g)(1)\) e \((g\circ f)(1)\). Explique também por que \((g\circ f)(2)\) não está definido, embora \(f(2)\) exista.
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Os gráficos poligonais definem \(f,g:[0,4]\to [0,4]\). Entre vértices consecutivos, cada gráfico é um segmento de reta. Os vértices são
Determine \((f\circ g)(1)\), \((f\circ g)(2)\) e \((g\circ f)(1)\). Registre o valor intermediário de cada leitura.
Construa \(f\circ g\) e liste os vértices. Em quais trechos a poligonal sobe ou desce quando \(x\) aumenta? Quantos picos interiores há, isto é, vértices mais altos que seus vizinhos?
No gráfico de \(f\circ g\), localize as mudanças de sentido e relacione cada uma delas ao comportamento de \(g\) ou à passagem de \(g(x)\) pela abscissa do vértice de \(f\).
Construa \(g\circ f\). Compare a quantidade, as posições e as alturas dos picos interiores das duas composições.
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Como \(g(1)=2\), \(g(2)=4\) e \(f(1)=3\), temos
A leitura de \(f\circ g\) revela a poligonal com vértices
Ela sobe em \([0,1/2]\) e em \([2,7/2]\), e desce nos outros dois trechos. Possui dois picos interiores, em \(x=1/2\) e em \(x=7/2\). Esses pontos aparecem porque \(g(x)\) atinge o valor \(1\), onde \(f\) passa de subida para descida. O vale em \(x=2\) decorre da mudança de sentido de \(g\).
Já \(g\circ f\) possui vértices
Também possui dois picos interiores, mas nas abscissas \(2/3\) e \(2\). Esses picos ocorrem quando \(f(x)=2\), e o vale em \(x=1\) decorre da mudança de sentido de \(f\). Os dois gráficos têm dois picos, de alturas \(3\) em \(f\circ g\) e \(4\) em \(g\circ f\). Assim, a composição pode gerar mais mudanças de comportamento do que cada uma das funções tomadas isoladamente.
Compor funções significa percorrer duas correspondências em sequência. O gráfico resultante não é obtido somando nem multiplicando ordenadas: as saídas de uma função tornam-se entradas da outra.
Determine dois pontos do gráfico de \(f\circ g\).
Calcule \(g(f(1))\) e \(g(f(3))\).
Use \(x=1\) para mostrar que as composições são diferentes, sem supor uma fórmula para \(f\).
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\(f(x)=x\) e \(g(x)=x^2-1\).
\(f(x)=x\) e \(g(x)=\dfrac 1{\sqrt x}\).
\(f(x)=1\) e \(g(x)=\sqrt{x-1}\).
\(f(x)=1\) e \(g(x)=\dfrac 1{(x-2)^2}\).
\(f(x)=\begin{cases} 1,& x\in \mathbb {Q},\\ -1,& x\notin \mathbb {Q},\end{cases}\) e \(g(x)=\begin{cases} -1,& x\in \mathbb {Q},\\ 1,& x\notin \mathbb {Q}.\end{cases}\)
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\((f+g)(x)=x^2+x-1\), com domínio \(\mathbb {R}\); \((g/f)(x)=x-\dfrac 1x\), com domínio \(\mathbb {R}\setminus \{ 0\} \).
\((f+g)(x)=x+\dfrac 1{\sqrt x}\) e \((g/f)(x)=\dfrac 1{x\sqrt x}=x^{-3/2}\), ambas com domínio \((0,+\infty )\).
\((f+g)(x)=1+\sqrt{x-1}\) e \((g/f)(x)=\sqrt{x-1}\), ambas com domínio \([1,+\infty )\).
\((f+g)(x)=1+\dfrac 1{(x-2)^2}\) e \((g/f)(x)=\dfrac 1{(x-2)^2}\), para \(x\ne 2\).
\(\operatorname {Dom}(f+g)=\operatorname {Dom}(g/f)=\mathbb {R}\), pois \(f\) nunca se anula. Como \(g=-f\), temos \(f+g=0\) e \(g/f=-1\) para todo real. Embora \(f\) e \(g\) assumam valores diferentes em entradas racionais e irracionais, sua soma e seu quociente são constantes. Seus gráficos são as retas horizontais \(y=0\) e \(y=-1\), respectivamente.
\(g(x)=3x+1\) e \(f(x)=x+2\).
\(g(x)=\sqrt x\) e \(f(x)=2+x^2\).
\(g(x)=\dfrac {x+1}{x-2}\) e \(f(x)=x^2+3\).
\(g(x)=-x^2+3x+1\) e \(f(x)=2x-3\).
\(g(x)=\dfrac 2{x-2}\) e \(f(x)=x+1\), \(x\ne 1\).
\(g(x)=\dfrac {x+1}{x-1}\) e \(f(x)=\dfrac x{x+1}\).
\(g(x)=\sqrt x\) e \(f(x)=x^2-x\), com \(x\le 0\) ou \(x\ge 1\).
\(g(x)=\dfrac {x+1}{x-2}\) e \(f(x)=\dfrac {2x+1}{x-1}\).
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\(\operatorname {Im}f=\mathbb {R}=\operatorname {Dom}g\); \(h(x)=3x+7\).
\(\operatorname {Im}f=[2,+\infty )\subset [0,+\infty )\); \(h(x)=\sqrt{2+x^2}\).
\(\operatorname {Im}f=[3,+\infty )\) não contém \(2\); \(h(x)=\dfrac {x^2+4}{x^2+1}\).
\(h(x)=-4x^2+18x-17\), em \(\mathbb {R}\).
\(\operatorname {Im}f=\mathbb {R}\setminus \{ 2\} =\operatorname {Dom}g\); \(h(x)=\dfrac 2{x-1}\), \(x\ne 1\).
\(f(x)\ne 1\) para todo \(x\ne -1\); \(h(x)=-2x-1\), \(x\ne -1\).
Nesses intervalos \(x^2-x\ge 0\); \(h(x)=\sqrt{x^2-x}\).
\(f(x)\ne 2\) para todo \(x\ne 1\); \(h(x)=x\), \(x\ne 1\).
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Escreva \(H=f\circ g\) de duas maneiras diferentes, indicando os domínios das funções escolhidas. Depois, decomponha \(H\) como composição de três funções.
Se \(f(u)=u^2\) e \(h(x)=(x+1)^2\), determine todas as funções \(g:\mathbb R\to \mathbb R\) da forma \(g(x)=ax+b\), com \(a,b\in \mathbb R\), que satisfazem \(f\circ g=h\).
Se \(g(x)=x+1\) e \(h(x)=(x+1)^2\), determine \(f:\mathbb R\to \mathbb R\) tal que \(f\circ g=h\). Ela é única? Justifique.
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Podemos tomar \(g(x)=x^2+1\) e \(f(u)=u^{3/2}\), com \(u\ge 0\), ou \(g(x)=(x^2+1)^3\) e \(f(u)=\sqrt u\), também com \(u\ge 0\). Nos dois casos, a composição está definida em toda a reta. Uma decomposição em três etapas é \(x\mapsto x^2+1\mapsto (x^2+1)^3\mapsto \sqrt{(x^2+1)^3}\).
A condição é \(g(x)^2=(x+1)^2\) para todo \(x\). Substituindo \(g(x)=ax+b\) e comparando os coeficientes de \((ax+b)^2=(x+1)^2\), obtemos \(a^2=1\), \(ab=1\) e \(b^2=1\). Portanto, \(g(x)=x+1\) ou \(g(x)=-x-1\).
Necessariamente \(f(u)=u^2\), pois \(u=g(x)=x+1\) percorre todos os números reais. Assim, \(f\) é única.
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Escreva \(H\) como composição de \(u(x)=2x-1\), \(v(t)=4-t^2\) e uma terceira função \(w\).
Determine seu domínio, acompanhando as três etapas.
Determine sua imagem.
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2.6 Propriedades qualitativas
Uma fórmula informa como calcular valores; as propriedades qualitativas descrevem o comportamento global da função. Como as imagens variam quando a entrada aumenta? Entradas diferentes podem produzir a mesma saída? Todo elemento do contradomínio é atingido? Essas perguntas orientam a seção.
2.6.1 Crescimento e decrescimento
Para funções reais, podemos investigar como as imagens se comportam quando a variável aumenta. Essa relação entre as ordens no domínio e na imagem é descrita pelas noções de crescimento e decrescimento:
\(f\) é crescente em \(A\) se, para todo \(a,b \in A\) com \(a\lt b\), resulta \(f(a)\lt f(b)\).
\(f\) é não decrescente em \(A\) se, para todo \(a,b \in A\) com \(a\lt b\), resulta \(f(a)\leq f(b)\).
\(f\) é decrescente em \(A\) se, para todo \(a,b \in A\) com \(a\lt b\), resulta \(f(a)\gt f(b)\).
\(f\) é não crescente em \(A\) se, para todo \(a,b \in A\) com \(a\lt b\), resulta \(f(a)\geq f(b)\).
As figuras ilustram as definições; não representam quatro classes disjuntas. A distinção está em permitir ou não a igualdade entre imagens de entradas diferentes.
A função piso, ou parte inteira, associa a cada real \(x\) o maior inteiro menor ou igual a ele. Indicamos esse número por \(\left[\! \left[x\right]\! \right]\):
Por exemplo, \(\left[\! \left[2{,}7\right]\! \right]=2\) e \(\left[\! \left[-1{,}2\right]\! \right]=-2\).
A função identidade é crescente em \(\mathbb {R}\).
A função \(x^2\) é decrescente em \(\mathbb {R}_{-}\) e crescente em \(\mathbb {R}_{+}\).
A função \(\left[\! \left[x\right]\! \right]\) é não decrescente em \(\mathbb {R}\). A mesma função é crescente em \(\mathbb {Z}\).
2.6.2 Injetividade e sobrejetividade
Dada uma função \(f:A\to B\), podemos fazer duas perguntas distintas. Valores diferentes do domínio podem produzir a mesma imagem? Todo elemento do contradomínio é atingido? As noções de injetividade e sobrejetividade respondem, respectivamente, a essas perguntas.
| Função | Injetora? | Sobrejetora? |
|---|---|---|
| $\bbR\to\bbR$ | não | não |
| $\bbR\to[0,+\infty)$ | não | sim |
| $[0,+\infty)\to\bbR$ | sim | não |
| $[0,+\infty)\to[0,+\infty)$ | sim | sim |
No gráfico, a injetividade pode ser reconhecida pelo teste da reta horizontal: uma função é injetora quando nenhuma reta horizontal encontra seu gráfico em mais de um ponto. O teste apenas traduz geometricamente o fato de que uma mesma imagem não pode provir de duas entradas distintas.
Quando uma função é bijetora, cada elemento do contradomínio corresponde a exatamente um elemento do domínio. Podemos então inverter a associação.
A função \(h:[-2,4]\to [-1,3]\) tem o gráfico poligonal abaixo, com todos os extremos incluídos. Identifique os intervalos máximos não degenerados em que \(h\) é estritamente crescente e o intervalo em que é constante. Ela é não decrescente em todo o domínio? É estritamente crescente em todo ele? Classifique \(h\) quanto à injetividade e à sobrejetividade. Se apenas o contradomínio for substituído por \([-1,4]\), o que muda nessa classificação e o que acontece com o gráfico?
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Seja \(D=[-2,-1]\cup [1,2]\). A função \(p:D\to D\) é representada pelos dois segmentos da figura, cujos extremos estão incluídos. Não há pontos do gráfico fora desses segmentos.
Verifique diretamente no gráfico se \(p\) é injetora e sobrejetora. Use retas horizontais para explicar por que saídas iguais não aparecem em entradas diferentes.
A função é crescente em cada um dos dois intervalos do domínio. Ela é crescente em todo \(D\)? Poderia ser decrescente em todo \(D\)? Que conclusão o exemplo permite tirar sobre a recíproca de “toda função estritamente monótona é injetora”?
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\(A=\{ 1,2,3,4,5,6,7\} \) e \(f:A\to A\) é dada por
\[ f(x)= \begin{cases} x,& \text{se $x$ é ímpar},\\ x/2,& \text{se $x$ é par}. \end{cases} \]\(A=\{ 1,2,3,4,5,6,7\} \) e \(g:A\to A\) é dada por
\[ g(x)=\begin{cases} x+1,& x\neq 7,\\ 1,& x=7. \end{cases} \]\(f : \mathbb {N}\rightarrow \mathbb {N}\), \(f(n)=3n+1\).
\(f : \mathbb {Z}\rightarrow \mathbb {Z}\), \(f(n)=n - \lvert n\rvert \).
\(f : \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)=ax+b\) com \(a\neq 0\).
\(f : \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)=2x^{2}\) .
\(f : (0,\infty ) \rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)=\dfrac {1}{x}\).
\(f : \mathbb {R}^{*} \rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)=\dfrac {1}{x^2}\).
\(f : [0,\infty ) \rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x)=\sqrt{x}\).
\(f : \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\times \mathbb {R}\), \(f(x)= (x,x)\).
\(f : \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\times \mathbb {R}\), \(f(x)= (x,\lvert x\rvert )\).
\(f : \mathbb {R}\times \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\), \(f(x,y)= x-\lvert y\rvert \).
\(f : \mathbb {R}\times \mathbb {R}\rightarrow \mathbb {R}\times \mathbb {R}\), \(f(x,y)= (x, y^{3})\).
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Não é injetora, pois \(f(1)=f(2)=1\), nem sobrejetora: a imagem é \(\{ 1,2,3,5,7\} \).
É bijetora: \(g\) permuta ciclicamente os sete elementos, com \(g(7)=1\) e \(g(k)=k+1\) para \(1\leq k\leq 6\).
É injetora, pois \(3n+1=3m+1\) implica \(n=m\). Não é sobrejetora: \(0\) não pertence à imagem.
Não é injetora, pois todos os inteiros não negativos têm imagem zero. Não é sobrejetora: a imagem é \(\{ 0,-2,-4,\ldots \} \).
É bijetora: para cada \(y\in \mathbb {R}\), a equação \(ax+b=y\) tem exatamente uma solução, \(x=(y-b)/a\).
Não é injetora, pois \(f(1)=f(-1)\), nem sobrejetora, pois a imagem é \([0,\infty )\).
É injetora, mas não sobrejetora em \(\mathbb {R}\): a imagem é \((0,\infty )\).
Não é injetora, pois \(f(1)=f(-1)\), nem sobrejetora: a imagem é \((0,\infty )\).
É injetora, mas não sobrejetora em \(\mathbb {R}\): a imagem é \([0,\infty )\).
É injetora; não é sobrejetora, pois a imagem é a diagonal \(\{ (t,t):t\in \mathbb {R}\} \).
É injetora pela primeira coordenada; não é sobrejetora, pois a imagem é \(\{ (t,|t|):t\in \mathbb {R}\} \).
É sobrejetora, pois \(f(z,0)=z\) para todo \(z\in \mathbb {R}\). Não é injetora: \(f(0,0)=f(1,1)=0\).
É bijetora: cada par \((u,v)\in \mathbb {R}^2\) tem exatamente uma pré-imagem, o par \((u,\sqrt[3]{v})\), pois a equação \(y^3=v\) tem uma única solução real.
A soma \(f+g\) é crescente.
A composta \(f\circ g\) é crescente.
O produto \(fg\) é crescente.
Se, além disso, \(f(x)\gt 0\) e \(g(x)\gt 0\) para todo \(x\), então \(fg\) é crescente.
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Verdadeira: se \(x\lt y\), então \(f(x)+g(x)\lt f(y)+g(y)\).
Verdadeira: \(x\lt y\) implica \(g(x)\lt g(y)\) e, pela monotonicidade de \(f\), \(f(g(x))\lt f(g(y))\).
Falsa: \(f(x)=g(x)=x\) são crescentes, mas \(fg(x)=x^2\) não é crescente em toda a reta.
Verdadeira: para \(x\lt y\), temos \(f(x)g(x)\lt f(y)g(x)\lt f(y)g(y)\), pois os fatores são positivos.
Se existe uma função injetora \(f:A \to B\), então \(B\) possui pelo menos \(n\) elementos.
Se existe uma função sobrejetora \(f:A \to B\), então \(B\) possui no máximo \(n\) elementos.
Conclua, das afirmações acima, a seguinte propriedade: dois conjuntos finitos possuem o mesmo número de elementos se, e somente se, existe uma função bijetora entre tais conjuntos.
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Se \(f\) é injetora, os \(n\) elementos distintos de \(A\) têm \(n\) imagens distintas em \(B\). Logo, \(B\) tem pelo menos \(n\) elementos.
Se \(f\) é sobrejetora, \(B=f(A)\). Uma lista de \(n\) imagens contém no máximo \(n\) valores distintos, logo \(B\) tem no máximo \(n\) elementos.
Uma bijeção implica as duas desigualdades, portanto as cardinalidades são iguais. Reciprocamente, se \(A=\{ a_1,\ldots ,a_n\} \) e \(B=\{ b_1,\ldots ,b_n\} \), a regra \(f(a_i)=b_i\) define uma bijeção. Para os dois conjuntos vazios, a função vazia é bijetora.
2.7 Função inversa
Inverter uma função significa recuperar a entrada a partir da saída. Para que isso seja possível em todo o contradomínio, duas condições são necessárias: saídas iguais não podem provir de entradas diferentes, e todo elemento do contradomínio precisa ser atingido. Essas são precisamente a injetividade e a sobrejetividade.
Quando \(C\subset A\), a função
é a restrição de \(f\) a \(C\). Restringir o domínio pode eliminar repetições de valores e tornar uma função injetora. Por exemplo, \(x\mapsto x^2\) não é injetora em \(\mathbb {R}\), mas sua restrição a \([0,+\infty )\) é injetora. Tomando também \([0,+\infty )\) como contradomínio, obtemos uma bijeção.
No sentido oposto, uma extensão de \(g:A\to B\) a um conjunto \(C\supset A\) é uma função \(f:C\to B\) que coincide com \(g\) em \(A\). A restrição a um conjunto fixado é única; uma extensão, em geral, não é.
A função identidade de um conjunto \(A\) é a função \(\imath _A:A\to A\) dada por \(\imath _A(x)=x\) para todo \(x\in A\).
Suponha primeiro que tal função \(g\) exista. Se \(f(x_1)=f(x_2)\), aplicar \(g\) aos dois membros fornece \(x_1=x_2\); portanto, \(f\) é injetora. Além disso, para cada \(y\in B\), temos \(y=f(g(y))\), de modo que \(y\) é imagem de algum elemento de \(A\); logo, \(f\) é sobrejetora.
Reciprocamente, se \(f\) é bijetora, cada \(y\in B\) é imagem de um único \(x\in A\). Definindo \(g(y)=x\), obtemos as duas identidades acima.
Se \(f:A\to B\) é apenas injetora, ela se torna bijetora quando substituímos o contradomínio \(B\) por sua imagem \(f(A)\). Nesse caso, podemos inverter a função sobre sua imagem, obtendo \(f^{-1}:f(A)\to A\). É exatamente o que ocorre com \(x\mapsto x^2\) depois que restringimos seu domínio a \([0,+\infty )\).
2.7.1 O gráfico da inversa
Se \(f:A\to B\) é bijetora, então
Assim, a cada ponto \((x,y)\) do gráfico de \(f\) corresponde o ponto \((y,x)\) do gráfico de \(f^{-1}\). Esses pontos são simétricos em relação à reta \(y=x\); portanto, os gráficos de uma função e de sua inversa são reflexões um do outro em relação a essa reta.
A função \(f:[-2,3]\to [0,4]\) tem o gráfico formado pelos segmentos que ligam, nessa ordem, \((-2,0)\), \((0,1)\), \((1,3)\) e \((3,4)\). Justifique a existência da inversa e determine seu domínio, sua imagem e os valores \(f^{-1}(0)\), \(f^{-1}(1)\) e \(f^{-1}(4)\). Esboce o gráfico de \(f^{-1}\) usando a reta \(y=x\) como referência e indique os quatro vértices correspondentes. Explique por que o ponto \((1,0)\) pertence ao gráfico da inversa, mas \((0,1)\) não pertence.
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Um sensor recebe uma entrada \(x\in [-1,4]\) e exibe a leitura \(r(x)\) do gráfico. Entradas negativas são exibidas como \(0\); entradas acima de \(3\) são exibidas como \(3\); entre \(0\) e \(3\), a leitura coincide com a entrada.
Quais entradas são compatíveis com as leituras \(0\), \(2\) e \(3\)? Explique por que a possibilidade de recuperar a entrada depende da leitura.
A função \(r:[-1,4]\to [0,3]\) possui inversa? Se soubermos adicionalmente que a entrada pertence a \([0,3]\), que função inversa passa a ser possível? Uma fórmula pode recuperar a informação perdida fora desse intervalo sem novos dados?
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\(\imath _B\circ f=f\) e \(f\circ \imath _A=f\);
se \(f\) é invertível, então \(f\circ f^{-1}=\imath _B\) e \(f^{-1}\circ f=\imath _A\).
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Para \(x\in A\), \((\imath _B\circ f)(x)=f(x)\) e \((f\circ \imath _A)(x)=f(x)\). Os domínios e contradomínios também coincidem.
Se \(f\) é bijetora, a definição de inversa dá \(f^{-1}(f(x))=x\) para \(x\in A\) e \(f(f^{-1}(y))=y\) para \(y\in B\). Logo, \(f^{-1}\circ f=\imath _A\) e \(f\circ f^{-1}=\imath _B\).
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\(g(x)=\dfrac 1x\);
\(g(x)=\dfrac {x+2}{x+1}\);
\(g(x)=x^2\), \(x\ge 0\);
\(g(x)=x^2-2x\), \(x\ge 1\);
\(g(x)=2+\dfrac 3{x+1}\);
\(g(x)=x^2-4x+3\), \(x\ge 2\).
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\(f(x)=\dfrac 1x\), \(x\ne 0\).
\(f(x)=\dfrac {2-x}{x-1}\), \(x\ne 1\).
\(f(x)=\sqrt x\), \(x\ge 0\).
\((f-1)^2=x+1\) e \(f\ge 1\): \(f(x)=1+\sqrt{x+1}\), \(x\ge -1\).
\(f(x)=\dfrac 3{x-2}-1=\dfrac {5-x}{x-2}\), \(x\ne 2\).
\((f-2)^2=x+1\) e \(f\ge 2\): \(f(x)=2+\sqrt{x+1}\), \(x\ge -1\).
Mostre que \(g\) não é injetora em \(\mathbb R\). Encontre dois intervalos distintos \(I_1\) e \(I_2\) tais que a restrição de \(g\) a cada um seja uma bijeção sobre \([-1,+\infty )\).
Determine as duas funções inversas, indicando seus domínios e suas imagens.
Esboce os gráficos das inversas no mesmo plano. Por que a união desses gráficos não representa uma função?
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Como \(g(x)=(x-1)^2-1\), temos \(g(0)=g(2)\), logo \(g\) não é injetora na reta. Podemos escolher \(I_1=(-\infty ,1]\) e \(I_2=[1,+\infty )\). Em cada intervalo, \(g\) é estritamente monótona e sua imagem é \([-1,+\infty )\).
A inversa da restrição a \(I_1\) é \(g_1^{-1}(y)=1-\sqrt{y+1}\), com domínio \([-1,+\infty )\) e imagem \((-\infty ,1]\). A inversa da restrição a \(I_2\) é \(g_2^{-1}(y)=1+\sqrt{y+1}\), com o mesmo domínio e imagem \([1,+\infty )\).
As duas curvas são os ramos da parábola \(x=(y-1)^2-1\), escritos como gráficos de \(y=1\pm \sqrt{x+1}\). Para cada \(x\gt -1\), a união contém dois valores distintos de \(y\), portanto falha no teste da reta vertical.
2.8 Transformações e simetrias dos gráficos
Conhecer um gráfico permite construir muitos outros sem recomeçar o esboço ponto a ponto. Alterações simples na expressão correspondem a deslocamentos, mudanças de escala ou reflexões no plano.
2.8.1 Translações
Se \(c\in \mathbb {R}\), comparemos
Na primeira expressão, a constante é somada ao valor da função: cada ponto \((x,f(x))\) é levado a \((x,f(x)+c)\). O gráfico sofre uma translação vertical de \(|c|\) unidades, para cima quando \(c\gt 0\) e para baixo quando \(c\lt 0\).
Na segunda expressão, a constante altera a entrada da função. O valor que \(f\) assume em \(a\) passa a ser assumido por \(h\) em \(a+c\), pois \(h(a+c)=f(a)\). O gráfico sofre uma translação horizontal de \(|c|\) unidades para a direita se \(c\gt 0\) e para a esquerda se \(c\lt 0\).
2.8.2 Mudanças de escala
Multiplicar uma coordenada por uma constante positiva produz uma mudança homogênea de escala. Para \(c\gt 0\), consideremos
No gráfico de \(g\), todas as ordenadas são multiplicadas por \(c\): temos uma mudança de escala vertical por fator \(c\). No gráfico de \(h\), o valor que \(f\) assumia em \(cx\) passa a aparecer em \(x\); por isso, a escala horizontal é multiplicada por \(1/c\).
Consequentemente, se \(c\gt 1\), \(cf(x)\) produz uma dilatação vertical, enquanto \(f(cx)\) produz uma contração horizontal. Se \(0\lt c\lt 1\), ocorre o contrário. A diferença é a mesma observada nas translações: alterações feitas fora de \(f\) atuam diretamente nos valores; alterações feitas no argumento atuam de maneira inversa no eixo horizontal.

2.8.3 Reflexões
As mudanças de escala anteriores usaram fatores positivos. A troca de sinal de uma coordenada introduz outro efeito geométrico: a reflexão. Dado um ponto \(P\) de coordenadas \((x,y)\), dizemos que:
o ponto de coordenadas \((x,-y)\) é o ponto simétrico de \(P\) relativamente ao eixo \(x\).
o ponto de coordenadas \((-x,y)\) é o ponto simétrico de \(P\) relativamente ao eixo \(y\).
o ponto de coordenadas \((-x,-y)\) é o ponto simétrico de \(P\) relativamente à origem \(O\).
Refletir em relação ao eixo \(x\) troca o sinal das ordenadas; refletir em relação ao eixo \(y\) troca o sinal das abscissas. Assim:
o gráfico de \(-f(x)\) é a reflexão do gráfico de \(f\) em relação ao eixo \(x\);
o gráfico de \(f(-x)\) é a reflexão do gráfico de \(f\) em relação ao eixo \(y\).
2.8.4 Paridade
Uma reflexão pode levar o gráfico de uma função ao de outra ou pode deixá-lo inalterado. Quando o gráfico permanece o mesmo após uma reflexão em relação ao eixo \(y\), a função é chamada de par; quando permanece o mesmo após uma reflexão em relação à origem, a função é chamada de ímpar.
De fato, refletir \((x,f(x))\) em relação ao eixo \(y\) produz \((-x,f(x))\). Esse ponto pertence ao gráfico original exatamente quando \(f(-x)=f(x)\). De modo semelhante, a reflexão em relação à origem produz \((-x,-f(x))\), que pertence ao gráfico original exatamente quando \(f(-x)=-f(x)\).
Portanto, se \(f:A\to B\) e o domínio \(A\subset \mathbb {R}\) é simétrico em relação à origem, isto é, \(x\in A\) implica \(-x\in A\), então
\(f\) é par se, e somente se, \(f(-x)=f(x)\) para todo \(x\in A\);
\(f\) é ímpar se, e somente se, \(f(-x)=-f(x)\) para todo \(x\in A\).
A função \(f(x)=x^4-4x^2+1\) é par, pois \(f(-x)=f(x)\) para todo \(x\).
Figura 2.19 Simetria do gráfico de uma função par. A função \(g(x)=x^5-3x^3+2x\) é ímpar, pois \(g(-x)=-g(x)\) para todo \(x\).
Figura 2.20 Simetria do gráfico de uma função ímpar. A função \(h(x)=x^3+x^2\) não é nem par, nem ímpar: \(h(1)=2\) e \(h(-1)=0\), valores que não são iguais nem opostos.
Figura 2.21 Gráfico de uma função que não é par nem ímpar.
2.8.5 Periodicidade
Nem toda simetria decorre de uma reflexão. Um gráfico pode também permanecer inalterado após uma translação horizontal. Esse comportamento caracteriza as funções periódicas.
\(x\in A\) se, e somente se, \(x+T\in A\), e \(f(x+T)=f(x)\) para todo \(x\in A\);
nenhum número de \((0,T)\) é período de \(f\).
04-periodicidadeO mesmo desenho se repete por translações de \(T\). Deslocamentos de \(2T\) ou \(3T\) também preservam o gráfico, mas \(T\) é o menor período positivo. O desenho mostra três repetições de um padrão que se prolonga por toda a reta. Deslocar o gráfico \(T\) unidades para a direita faz cada trecho coincidir com o seguinte. Fazer dois desses deslocamentos equivale a transladar \(2T\) unidades; portanto, \(2T\) também é um período. O mesmo vale para qualquer múltiplo inteiro positivo de \(T\).
Para reconhecer o período fundamental, precisamos excluir deslocamentos positivos menores. Na curva desenhada, a altura máxima é atingida apenas nas abscissas \(kT\), com \(k\in \mathbb {Z}\). Uma translação que preserve o gráfico deve levar o máximo em \(x=0\) a outro ponto de mesma altura. Não existe um ponto assim entre \(0\) e \(T\). Logo, nenhum número de \((0,T)\) é período, e \(T\) é o período fundamental.
A repetição exige a coincidência do gráfico inteiro, não apenas de dois valores isolados. A forma da curva pode ser bastante diferente de uma onda simples; o que importa é a invariância por translação.
Uma função periódica não constante pode não ter período fundamental. A função de Dirichlet apresentada anteriormente é um exemplo: todo racional positivo é um período, mas não há um menor racional positivo. Para as funções periódicas com período fundamental que estudaremos a seguir, usaremos também a palavra período para designar esse menor valor, quando o contexto for claro.
Os exemplos clássicos são as funções trigonométricas, estudadas adiante. Antes delas, retomemos a parte inteira e consideremos a função
em que \(\left[\! \left[x\right]\! \right]\) denota, como definido anteriormente, o maior inteiro menor ou igual a \(x\). A função \(f\) é periódica, pois, para todo inteiro \(n\),
Em particular, \(1\) é um período de \(f\). A figura mostra esse comportamento periódico.
Obtenha \(y=\sqrt{x}+2\) a partir de \(y=\sqrt x\). Obtenha \(y=2\sqrt{x+3}-1\) a partir de \(y=\sqrt x\). Translação de duas unidades para cima. O domínio permanece \([0,+\infty )\). Primeiro, translação de três unidades para a esquerda, que leva o domínio a \([-3,+\infty )\); depois, escala vertical por fator \(2\) e translação de uma unidade para baixo, que não alteram o domínio.
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O gráfico de \(f\) é a linha poligonal indicada na figura. Seu domínio é \((-1,3]\): o ponto \((-1,1)\) está excluído, e os demais vértices estão incluídos. Defina
Determine para onde vai cada um dos quatro vértices, esboce \(g\) e indique seu domínio e sua imagem. Preserve a distinção entre extremos incluídos e excluídos.
Uma descrição propõe “deslocar uma unidade para a direita e dobrar as distâncias horizontais”. Corrija essa descrição acompanhando a abscissa \(u\) de um ponto de \(f\) até a abscissa correspondente em \(g\).
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O gráfico de uma função pode ser simétrico em relação ao eixo \(x\)? Em que caso?
O que se pode dizer sobre o domínio de uma função par ou ímpar?
Num domínio simétrico fixado, qual função é simultaneamente par e ímpar?
Considere duas funções definidas no mesmo domínio simétrico em relação à origem. Estude a paridade da soma e do produto quando ambas são pares, quando ambas são ímpares e quando uma é par e a outra é ímpar.
Se \(f\) é par, \(g\) é ímpar e \(k\in \mathbb {R}\), discuta a paridade de
\[ \begin{gathered} kf,\quad kg,\quad f+k,\quad g+k,\\ |f|,\quad |g|. \end{gathered} \]
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Sim, apenas para a função nula: a simetria exigiria que \((x,y)\) e \((x,-y)\) pertencessem ao gráfico, e a unicidade da imagem força \(y=0\).
O domínio deve ser simétrico em relação à origem.
A função nula. As duas identidades de paridade dão \(f(x)=f(-x)=-f(x)\).
A soma de duas funções pares é par, e a de duas ímpares é ímpar. O produto de duas pares ou de duas ímpares é par; o produto de uma par por uma ímpar é ímpar. Para uma soma de par com ímpar, em geral não há paridade.
\(kf\) é par, \(kg\) é ímpar e \(f+k\) é par. Se \(k=0\), então \(g+k\) é ímpar; se \(g\) é nula, \(g+k\) é par; nos demais casos, \(g+k\) não é par nem ímpar. As funções \(|f|\) e \(|g|\) são pares. A função nula deve ser lembrada como simultaneamente par e ímpar.
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Em \([0,4]\), o gráfico de \(w\) liga \((0,0)\) a \((1,2)\) e depois a \((4,0)\) por segmentos. Esse padrão repete-se por translações horizontais de \(4\) unidades em toda a reta real; a figura mostra duas repetições.
O número \(2\) também é um período? Justifique pelo gráfico e determine o período fundamental, usando o conjunto de zeros do padrão repetido.
Se a informação de repetição não tivesse sido dada, a igualdade \(w(1)=w(5)\) bastaria para concluir que \(4\) é um período? Examine, como comparação, a função \(q(x)=(x-3)^2\) nas entradas \(1\), \(5\), \(0\) e \(4\).