Espaços Vetoriais
When did mathematicians first generally accept the definition of a vector space as a set of elements subject to suitably axiomatized operations of addition and multiplication by scalars, and not just as a set of n-tuples of scalars closed under these two operations? This abstract description did not come into early use, but has the evident advantages of conceptual simplicity and geometric invariance.
A noção geral de espaço vetorial, comum a esses desenvolvimentos, foi isolada e adotada relativamente tarde.
O tratamento moderno e abstrato foi formulado por Giuseppe Peano, em 1888, no contexto da geometria. A formulação teve pouca influência imediata e tampouco se difundiu quando Weyl a retomou em 1918. Por volta de 1920, ideias semelhantes reapareceram nos trabalhos de Banach, Hahn, Wiener e Noether; a partir daí, a noção de espaço vetorial se desenvolveu rapidamente Moore (1995).
Como referências gerais para álgebra linear em níveis distintos de abstração, podem ser consultados Lima (2006); Hoffman and Kunze (1971); Axler (1997).
2.1 Definições e Exemplos
No restante do texto, salvo indicação em contrário, assumiremos que \(\mathbb {K}\) é um corpo arbitrário.
\( \bm {x}+ \bm {y}= \bm {y}+\bm {x}\) para todos os \( \bm {x}, \bm {y}\in V.\)
\( \bm {x}+ (\bm {y}+\vec{z}) = (\bm {x}+ \bm {y})+\vec{z} \) para todos os \( \bm {x}, \bm {y}, \vec{z} \in V.\)
Existe um elemento \(\vec0\in V\) tal que \(\vec0+\bm {x}=\bm {x}\) para todo \(\bm {x}\in V\).
Para cada \( \bm {x}\in V\), existe um \( \bm {y}\in V\) tal que \( \bm {x}+ \bm {y}= \vec0.\)
\( (\lambda _1 \lambda _2) \bm {x}= \lambda _1 (\lambda _2 \bm {x}) \) para todos os \( \lambda _1, \lambda _2 \in \mathbb {K}\) e \( \bm {x}\in V.\)
\( \lambda _1 (\bm {x}+ \bm {y}) = \lambda _1 \bm {x}+ \lambda _1 \bm {y}\) para todos os \( \lambda _1 \in \mathbb {K}\) e \( \bm {x}, \bm {y}\in V.\)
\( (\lambda _1+\lambda _2) \bm {x}= \lambda _1 \bm {x}+\lambda _2 \bm {x}\) para todos os \( \lambda _1, \lambda _2 \in \mathbb {K}\) e \( \bm {x}\in V.\)
\( 1 \bm {x}= \bm {x}\) para todos os \( \bm {x}\in V.\)
Assim como ocorre com os corpos, um espaço vetorial inclui não apenas o conjunto \(V\), mas também as duas operações especificadas acima. Em outras palavras, trata-se da tripla formada por \(V\), pela adição e pela multiplicação por escalares, sujeita aos axiomas V1–V8.
Em geral, um mesmo conjunto pode receber diferentes estruturas de espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\). Quando não houver risco de confusão, deixaremos as operações implícitas e usaremos simplesmente \(V\) para denotar o espaço.
Se \(V\) for um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\), os elementos de \(V\) serão chamados vetores, e os elementos de \(\mathbb {K}\), escalares.
Apresentamos algumas consequências simples dessa definição.
O elemento \( \vec0 \in V\) é único. Ou seja, existe um único \(\vec0\) tal que \(\vec0+\bm {x}=\bm {x}\) para todo \(\bm {x}\in V\).
O elemento oposto é único. Ou seja, para todo \( \bm {x}\in V\), existe um único \( \bm {y}\in V\) tal que \( \bm {x}+ \bm {y}= \vec0.\) Esse vetor será denotado por \(-\bm {x}\).
\(0\bm {x}=\lambda \vec0=\vec0\) para todos os \(\lambda \in \mathbb {K}\) e \(\bm {x}\in V\).
\( (- 1) \bm {x}= -\bm {x}\).
Se \(\lambda \bm {x}=\vec0\), então \(\lambda =0\) ou \(\bm {x}=\vec0\).
Se \(\bm {x}+\bm {y}= \bm {z}+\bm {y}\) então \(\bm {x}= \bm {z}\).
a Se \(\vec0\) e \(\vec0'\) satisfazem a propriedade do vetor nulo, então \(\vec0=\vec0+\vec0'=\vec0'\). Logo o vetor nulo é único.
b Se \(\bm {y}\) e \(\bm {z}\) são opostos de \(\bm {x}\), então
Portanto, o oposto de cada vetor é único.
c Como \(0\bm {x}+0\bm {x}=(0+0)\bm {x}=0\bm {x}\), o cancelamento aditivo fornece \(0\bm {x}=\vec0\). Analogamente, \(\lambda \vec0+\lambda \vec0=\lambda (\vec0+\vec0)=\lambda \vec0\), de modo que \(\lambda \vec0=\vec0\).
d Temos \(\bm {x}+(-1)\bm {x}=1\bm {x}+(-1)\bm {x}=(1-1)\bm {x}=0\bm {x}=\vec0\). Pela unicidade do oposto, \((-1)\bm {x}=-\bm {x}\).
e Se \(\lambda \bm {x}=\vec0\) e \(\lambda \neq 0\), multiplicar a igualdade por \(\lambda ^{-1}\) dá \(\bm {x}=(\lambda ^{-1}\lambda )\bm {x}=\lambda ^{-1}\vec0=\vec0\).
f Somando \(-\bm {y}\) aos dois lados de \(\bm {x}+\bm {y}=\bm {z}+\bm {y}\), obtemos \(\bm {x}=\bm {z}\).
Uma expressão da forma \(\sum _{i=1}^{n}a_i\bm {x}_i\) é uma combinação linear dos vetores \(\bm {x}_1,\ldots ,\bm {x}_n\). Os escalares \(a_i\) são os coeficientes da combinação.
Espaços de dimensão zero sobre corpos distintos são estruturas distintas; por isso o corpo de escalares faz parte da especificação do espaço vetorial.
O conjunto \(V=\mathbb {K}\), com a adição e a multiplicação do próprio corpo, é um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\). vect]\(\mathbb {K}\), corpo
De maneira mais geral, dados um corpo \(\mathbb {K}\) e um subcorpo \(\mathbb {F}\) deste, o corpo \(\mathbb {K}\) pode ser visto como um espaço vetorial sobre \(\mathbb {F}\). Por exemplo, o corpo de números complexos \(\mathbb {C}\) é um espaço vetorial sobre o corpo dos números reais \(\mathbb {R}\), e este é um espaço vetorial sobre o corpo dos números racionais \(\mathbb {Q}\).
vect]\(\mathbb {K}^n\), espaço de coordenadas Para cada \(n\in \mathbb {N}\), denotamos por \(\mathbb {K}^n=\mathcal{M}_{n, 1}(\mathbb {K})\) o espaço dos vetores coluna com \(n\) entradas em \(\mathbb {K}\). Assim,
A adição e a multiplicação por escalares são definidas componente a componente:
Em particular, quando \( n = 1 \), temos que \(\mathbb {K}\) é um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\).
Se \(A\) e \( B \) são dois conjuntos, vamos denotar o conjunto de funções de \(A\) para \( B \) por \( B^{A}\). Assim, \( B^{A} = \{ f: A \to B \, \mid \, f \text{ é uma função } \} \).
No Exemplo 2.6, \(\mathbb {K}^n\) pode ser identificado com o conjunto das funções de \(\{ 1,\ldots ,n\} \) em \(\mathbb {K}\): ao vetor coluna de entradas \(x_1,\ldots ,x_n\) associamos a função \(i\mapsto x_i\). Essa observação sugere a seguinte generalização.
vect]\(\mathbb {K}^S\), espaço de funções Sejam \( S \) um conjunto arbitrário e \( \mathbb {K}(S)= \mathbb {K}^S \) o conjunto de funções em \( S \) com valores no corpo \( \mathbb {K}\). Se \( f : S \to \mathbb {K}\) é uma função, então \( f (s) \) indica o valor de \(f\) no elemento \( s \in S. \)
A adição e multiplicação de funções por um escalar são definidas pontualmente:
\( (f+g) (s) \mathrel {\mathop:\! =}f (s)+g (s) \) para todos os \( s \in S, \)
\( (af) (s) \mathrel {\mathop:\! =}a f (s) \) para todos os \( a \in \mathbb {K}\) e \(s\in S\).
Como já observamos, se \(S=\{ 1,\ldots ,n\} \), então \(\mathbb {K}(S)\) pode ser identificado com \(\mathbb {K}^n\): a função \(f\) corresponde ao vetor coluna cujas entradas são \(f(1),\ldots ,f(n)\). As operações são compatíveis com essa identificação.
A todo elemento \( s \in S \) podemos associar uma função delta \( \delta _{s} \) centrada em \( \{ s \} \) definida como
Quando \(S=\{ 1,\ldots ,n\} \), usaremos também a notação do delta de Kronecker, \(\delta _i(k)=\delta _{ik}\).
Se o conjunto \( S \) for finito, uma função \( f \in \mathbb {K}(S) \) poderá ser representada unicamente por uma combinação linear de funções delta:
A igualdade pode ser verificada ponto a ponto. Reciprocamente, se \(f=\sum _{s\in S}a_s\delta _s\), avaliar ambos os lados em \(s\) fornece \(f(s)=a_s\).
Se \(S\) for infinito, essa representação vale apenas para as funções de suporte finito, pois combinações lineares contêm somente um número finito de parcelas. Algumas somas infinitas podem ser definidas quando o espaço possui uma topologia ou uma norma; voltaremos a esse tema na Seção 7.7.
Se \(A\) for finito, com \(n\) elementos, identificaremos \(V^A\) com \(V^n\) depois de escolher uma ordem em \(A\). Em particular, para \(V=\mathbb {K}\), recuperamos o espaço de coordenadas \(\mathbb {K}^n\) do Exemplo 2.6.
vect]\(\mathcal{M}_{m, n}(\mathbb {K})\), espaço das matrizes \( m \times n \) Denotaremos por \(\mathcal{M}_{m, n}(\mathbb {K})\) o conjunto das matrizes \(m\times n\) com entradas em \(\mathbb {K}\). A adição usual, \((a_{ij})+(b_{ij})=(a_{ij}+b_{ij})\), e a multiplicação por escalares, \(\lambda (a_{ij})=(\lambda a_{ij})\), fazem de \(\mathcal{M}_{m, n}(\mathbb {K})\) um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\).
A análise fornece outros exemplos de espaços vetoriais.
vect]\(\operatorname {Seq}(\mathbb {K})\), sequências
Uma sequência com valores em \(\mathbb {K}\) é uma função \(a:\mathbb {N}\to \mathbb {K}\); escrevemos usualmente \(a_n\mathrel {\mathop:\! =}a(n)\). O conjunto \(\operatorname {Seq}(\mathbb {K})\) de todas as sequências infinitas com valores num corpo \( \mathbb {K}\) é um espaço vetorial com as operações definidas termo a termo:
Também denotaremos o espaço \(\operatorname {Seq}(\mathbb {K})\) como \(\mathbb {K}^{\infty }\) e veremos uma sequência como uma lista ordenada. Assim, veremos \((a_n)\) como a lista ordenada \((a_1,a_2,\ldots )\) e escreveremos
com as operações definidas coordenada a coordenada.
vect]\( \mathcal{R}(B ) \), funções integráveis
Seja \(B=[a_1,b_1]\times \cdots \times [a_n,b_n]\subseteq \mathbb {R}^n\) um retângulo fechado. O conjunto \(\mathcal R(B)\) das funções reais Riemann-integráveis em \(B\) é um espaço vetorial sobre \(\mathbb {R}\), com as operações pontuais definidas como no Exemplo 2.13.
Apresentaremos a seguir dois exemplos nos quais uma notação diferente é preferível.
o vetor zero em \( L \) é o elemento \(1\), ou seja, \(\vec0=1\).
a identidade \( 1\bm {x}= \bm {x}\) adquire a forma \( x^{1} = x\)
a identidade \( a (b\bm {x}) = (ab) \bm {x}\) adquire a forma \( (x^{b})^{a} = x^{ba}\)
a identidade \( (a+b) \bm {x}= a\bm {x}+b\bm {x}\) torna-se \(x^{a+b}=x^ax^b\).
Seja \(V\) um espaço vetorial sobre um corpo \(\mathbb {K}\). Mostre que: O vetor nulo \(\vec0\) é único. O vetor oposto \(-\bm {v}\) a cada vetor \(\bm {v}\in V\) é único. Prove que \(-1\cdot \bm {v}=-\bm {v}\) e conclua que \(-(-\bm {v})=\bm {v}\) para todo \(\bm {v}\in V\). Prove que \(\alpha \bm {v}=\vec0\) se, e somente se, \(\alpha =0\) ou \(\bm {v}=\vec0\). Prove que \(\alpha \bm {v}=\bm {v}\) se, e somente se, \(\alpha =1\) ou \(\bm {v}=\vec0\). Mostre que se \(\bm {x}+\bm {y}= \bm {z}+\bm {y}\) então \(\bm {x}= \bm {z}\). Suponha que o neutro e o oposto sejam bilaterais, isto é, \(\vec0+\bm {x}=\bm {x}+\vec0=\bm {x}\) e, para cada \(\bm {x}\), exista \(\bm {y}\) tal que \(\bm {x}+\bm {y}=\bm {y}+\bm {x}=\vec0\). Mostre que, nessas condições, a comutatividade da soma decorre dos demais axiomas. Mostre que, com os axiomas exatamente como na definição do texto, a comutatividade não pode ser deduzida. Para isso, tome um conjunto \(V\) com pelo menos dois elementos e defina \(\bm {u}+\bm {v}:=\bm {v}\) e \(\lambda \bm {x}:=\bm {x}\).
Determine se os seguintes conjuntos são espaços vetoriais sobre o corpo \(\mathbb {K}\) especificado em cada caso.
\(\mathbb {R}^{3}\) sobre \(\mathbb {K}=\mathbb {R}\) com as operações
\begin{align*} (x_{1},x_{2},x_{3})+(y_{1},y_{2},y_{3}) & =(x_{1}+y_{1},x_{2}+y_{2},x_{3}+y_{3})\\ \alpha \cdot (x_{1},x_{2},x_{3}) & =(\alpha \cdot x_{1},x_{2},x_{3}) \end{align*}O conjunto \(V=\{ (a,b)\in \mathbb {R}^{2}:a,b\gt 0\} \) sobre \(\mathbb {K}=\mathbb {R}\) com as operações
\begin{align*} (a,b)+(c,d) & =(ac,bd)\\ \alpha \cdot (a,b) & =(a^{\alpha },b^{\alpha }),\; \alpha \in \mathbb {R}\end{align*}O conjunto \( \mathbb {Q}(\sqrt{2})\) dos elementos \(a+b\sqrt{2}\) com \(a,b\in \mathbb {Q}\) sobre \(\mathbb {K}=\mathbb {Q}\) com as operações:
\begin{align*} (a+b\sqrt{2})+(c+d\sqrt{2}) & =(a+c)+(b+d)\sqrt{2}\\ \alpha \cdot (a+b\sqrt{2}) & =\alpha \cdot a+\alpha \cdot b\sqrt{2},\; \alpha \in \mathbb {Q}\end{align*}
Mostre que \(\mathbb {N}\) pode receber uma estrutura de espaço vetorial sobre \(\mathbb {Q}\). (Dica: transporte as operações de \(\mathbb {Q}\) por uma bijeção \(\mathbb {N}\to \mathbb {Q}\).)
Seja \(V\) um espaço vetorial. Use os axiomas de espaço vetorial para provar que se \(\bm {v}\in V\) e \(n \in \mathbb {N}\) então
Sejam \(\bm {u},\bm {v}\) vetores não nulos de \(V\). Prove que \(\bm {v}\) é múltiplo de \(\bm {u}\) se, e somente se, \(\bm {u}\) é múltiplo de \(\bm {v}\).
Prove detalhadamente que o conjunto de funções \(\mathbb {K}(S)=\mathbb {K}^S\) é um espaço vetorial quando a adição e a multiplicação por escalares são definidas pontualmente:
\( (f+g) (s) \mathrel {\mathop:\! =}f (s)+g (s) \) para todos os \( s \in S, \)
\( (af) (s) \mathrel {\mathop:\! =}a f (s) \) para todos os \(a\in \mathbb {K}\) e \(s\in S\).
Se \(S\) é um conjunto finito com \(n\) elementos, quantos elementos possui o espaço vetorial \(\mathbb {Z}_2^S\)?
Suponha que \(\operatorname {char}(\mathbb {K})\neq 2\). Defina a média de dois vetores por \(\bm {u}\star \bm {v}=\frac12\bm {u}+\frac12\bm {v}\). Prove que \((\bm {u}\star \bm {v})\star \bm {w}=\bm {u}\star (\bm {v}\star \bm {w})\) se, e somente se, \(\bm {u}=\bm {w}\).
Dados os espaços vetoriais \(V_1, V_2,\) considere o conjunto \(V=V_1 \times V_2\) (produto cartesiano de \(V_1\) por \(V_2\)), cujos elementos são os pares ordenados \(v=(v_1,v_2)\), com \(v_1 \in V_1\) e \(v_2 \in V_2\). Defina operações que tornem \(V\) um espaço vetorial. Verifique a validade de cada um dos axiomas.
Em \(\mathbb {R}^2\) mantenhamos a definição de produto \(\alpha v\) de um número por um vetor mas modifiquemos, de três maneiras diferentes, a definição de soma \(u+v\) de vetores \(u=(x,y)\) e \(v=(x^{\prime }, y^{\prime })\). Em cada tentativa, dizer quais axiomas de espaço vetorial continuam válidos e quais são violados:
\(u+v = (x+y^{\prime }, x^{\prime }+y)\),
\(u+v = (xx^{\prime }, yy^{\prime })\),
\(u+v = (3x+3x^{\prime }, 5x+5x^{\prime })\).
Seja \(\mathbb {K}\) um corpo finito com \(q\) elementos. Quantos elementos possui o espaço vetorial \(\mathbb {K}^n\)?
2.2 Subespaços
Em muitas estruturas algébricas podemos reconhecer subconjuntos que herdam as operações da estrutura original. Os espaços vetoriais não são exceção. Fixemos um espaço vetorial \(V\) sobre \(\mathbb {K}\).
A proposição seguinte fornece um critério para reconhecer subespaços.
Se \(W\) é um subespaço, o fechamento decorre dos axiomas de espaço vetorial. Reciprocamente, suponha que \(W\) seja não vazio e fechado por soma e multiplicação por escalares. Escolha \(\bm {w}\in W\). Como \(\vec0=0\bm {w}\in W\) e \(-\bm {w}=(-1)\bm {w}\in W\), o vetor nulo e os opostos pertencem a \(W\). Todos os demais axiomas são herdados de \(V\); portanto, \(W\) é um espaço vetorial com as operações de \(V\).
Vamos apresentar alguns exemplos de subespaços do espaço de sequências.
O conjunto \(c_0\) das sequências complexas que convergem para \(0\) é um espaço vetorial, assim como o conjunto \(\ell ^\infty \) das sequências complexas limitadas. Além disso, se \(p\geq 1\) é um número real, o conjunto \(\ell ^p\) das sequências complexas \((s_n)\) para as quais
é um espaço vetorial com operações definidas componente a componente. O fechamento em relação à adição decorre da desigualdade de Minkowski:
O conjunto
é um subespaço de \(\mathbb {K}^{\infty }\).
vect]solução de um sistema de equações lineares homogêneo Seja \(A\in \mathcal{M}_{m, n}(\mathbb {K})\). O conjunto das soluções \(X\in \mathbb {K}^n\) do sistema homogêneo \(AX=\vec0\) é um subespaço de \(\mathbb {K}^n\). De fato, se \(AX=AY=\vec0\) e \(\lambda \in \mathbb {K}\), então \(A(\lambda X+Y)=\lambda AX+AY=\vec0\).
Essa distributividade pode ser verificada diretamente nas entradas. Se \(B,C\in \mathcal{M}_{n, p}(\mathbb {K})\), então
para todo \(\lambda \in \mathbb {K}\); com efeito,
Considere o seguinte sistema de equações diferenciais lineares:
com \(x_1,\ldots ,x_n\in C^1(I)\), onde \(I\) é um intervalo aberto em \(\mathbb {R}\), \(x_i'\) denota a derivada de \(x_i\) e \(a_{ij}\in \mathbb {R}\). A matriz \(A=(a_{ij})\in \mathcal M_{n,n}(\mathbb {R})\) é a matriz do sistema. Defina \(\bm {x}=(x_1,\ldots ,x_n)^{\mathrm{t}}\). Com essa notação, o sistema assume a forma
O conjunto de soluções é \(V=\{ \bm {x}\in C^1(I)^n\, \mid \, \bm {x}'=A\bm {x}\} \). A linearidade da derivação e da multiplicação por \(A\) mostra que \(V\) é um subespaço de \(C^1(I)^n\).
Uma coleção \(\mathcal S=\{ W_i\, \mid \, i\in I\} \) de subespaços de \(V\) permite construir novos subespaços de duas maneiras naturais.
A interseção \(\bigcap _{i\in I}W_i\) é um subespaço de \(V\), pois todas as condições do teste de subespaço são preservadas por interseções.
Se, para cada \(i,j\in I\), existir \(k\in I\) tal que \(W_i\cup W_j\subseteq W_k\), então \(\bigcup _{i\in I}W_i\) também é um subespaço: dois de seus vetores pertencem simultaneamente a algum \(W_k\), onde sua soma e seus múltiplos escalares permanecem.
Em geral, porém, a união de dois subespaços não é um subespaço. De fato, \(W_1\cup W_2\) é um subespaço se, e somente se, \(W_1\subseteq W_2\) ou \(W_2\subseteq W_1\). A verificação é proposta como exercício.
Suponha, por contradição, que \(V=W_1\cup \cdots \cup W_n\), com todos os \(W_i\) próprios, e escolha tal cobertura com \(n\) mínimo. Ela é irredundante; em particular, existe
Como \(W_1\neq V\), escolha também \(\bm {y}\in V\setminus W_1\). A reta afim \(L=\{ \bm {x}+\lambda \bm {y}\, \mid \, \lambda \in \mathbb {K}\} \) é infinita: se duas de suas expressões fossem iguais, teríamos \((\lambda -\mu )\bm {y}=\vec0\) e, portanto, \(\lambda =\mu \).
Como \(L\) está coberta pelos \(n\) subespaços, algum \(L\cap W_j\) é infinito. Escolha dois de seus pontos distintos, \(\bm {x}+\lambda \bm {y}\) e \(\bm {x}+\mu \bm {y}\). A diferença mostra que \((\lambda -\mu )\bm {y}\in W_j\) e, como \(\lambda \neq \mu \), temos \(\bm {y}\in W_j\). Subtraindo \(\lambda \bm {y}\) do primeiro ponto, obtemos \(\bm {x}\in W_j\). Se \(j=1\), isso contradiz \(\bm {y}\notin W_1\); se \(j\neq 1\), contradiz a escolha de \(\bm {x}\). Logo tal cobertura não existe.
Denotaremos por \(\mathscr {P}(V)\) o conjunto dos subconjuntos de \(V\) e por \(\mathcal{S}\left(V\right)\) o conjunto de seus subespaços. A aplicação \(\langle \, \cdot \, \rangle :\mathscr {P}(V)\to \mathcal{S}\left(V\right)\) envia \(S\) em \(\langle S\rangle \). Ela é sobrejetiva, pois sua restrição a \(\mathcal{S}\left(V\right)\) é a identidade.
Se escolhermos todos \( c_{i} = 0 \), obteremos
Esta é a combinação linear trivial dos vetores em \( B \). Qualquer outra combinação linear é não trivial.
Se \(B=\emptyset \), a única combinação linear é a soma vazia, cujo valor é, por convenção, o vetor nulo de \(V\).
Para \( S \in \mathscr {P}(V), \langle S\rangle \) é o subespaço de \(V\) de todas as combinações lineares finitas de vetores de \(S\). Assim,
\[ \langle S\rangle = \left\{ \sum _{i = 1}^{n} x_{i} \bm {x}_{ i} \, \mid \, x_{i} \in \mathbb {K}, \bm {x}_{i} \in S, n \geq 0 \right\} \]Se \( S_{1} \subseteq S_{2} \), \( \langle S_{1}\rangle \subseteq \langle S_{2}\rangle \).
Se \( \bm {x}\in \langle S\rangle \), existe um subconjunto finito \( S '\subseteq S \) de modo que \( \bm {x}\in \langle S '\rangle \).
\( S \subseteq \langle S\rangle \) para todos os \( S \in \mathscr {P}(V) \).
Para cada \( S \in \mathscr {P}(V), \langle \langle S\rangle \rangle = \langle S\rangle \).
Se \( \bm {y}\in \langle S \cup \{ \bm {x}\} \rangle \) e \( \bm {y}\not\in \langle S\rangle \), então \( \bm {x}\in \langle S \cup \{ \bm {y}\} \rangle \). Aqui \( \bm {x}, \bm {y}\in V\) e \( S \in \mathscr {P}(V).\)
a Seja \(L\) o conjunto das combinações lineares finitas de vetores de \(S\). Como \(\langle S\rangle \) é um subespaço que contém \(S\), temos \(L\subseteq \langle S\rangle \). Por outro lado, \(L\) é um subespaço que contém \(S\); pela minimalidade de \(\langle S\rangle \), segue que \(\langle S\rangle \subseteq L\).
b Se \(S_1\subseteq S_2\), então \(\langle S_2\rangle \) é um subespaço que contém \(S_1\). Pela minimalidade de \(\langle S_1\rangle \), \(\langle S_1\rangle \subseteq \langle S_2\rangle \).
c Pelo item a, cada vetor de \(\langle S\rangle \) é uma combinação linear de um número finito de vetores de \(S\); basta reunir esses vetores em \(S'\).
d Cada \(\bm {x}\in S\) é a combinação linear \(1\bm {x}\), logo \(S\subseteq \langle S\rangle \).
e O conjunto \(\langle S\rangle \) já é subespaço; portanto, tomar seu gerado não o altera.
f Se \(\bm {y}\in \langle S\cup \{ \bm {x}\} \rangle \setminus \langle S\rangle \), podemos escrever
O coeficiente \(a\) não pode ser nulo, pois isso colocaria \(\bm {y}\) em \(\langle S\rangle \). Assim,
Seja \(W\) um subconjunto não vazio de \(V\). Prove que, se \(W\) for fechado em relação à adição e à multiplicação por escalares, então \(W\) é um subespaço de \(V\).
Para os conjuntos seguintes, determine se os conjuntos dados são espaços vetoriais reais, se a adição e a multiplicação forem as usuais. Para aqueles que não forem diga quais axiomas de espaços vetoriais não são satisfeitos.
O conjunto dos polinômios de grau menor ou igual a \(n\)
O conjunto de todas as funções reais tais que \(f(0)=f(1)\)
O conjunto das funções tais que \(f(0)=1+f(1)\)
O conjunto das funções reais crescentes.
O conjunto das funções reais pares.
O conjunto das funções reais ímpares.
O conjunto das funções contínuas em \([0,1]\) tais que \(\displaystyle \int _0^1f(x)dx=0\)
O conjunto das funções contínuas em \([0,1]\) tais que \(\displaystyle \int _0^1f(x)dx\geq 0\)
O conjunto dos vetores \((x,y,z)\) em \(\mathbb {R}^3\) tais que \(x=0\) ou \(y=0\)
O conjunto das matrizes \(2\times 2\) cujo traço é zero
O conjunto das matrizes \(2\times 2\) cujo determinante é zero
O conjunto das matrizes \(2\times 2\) simétricas, isto é, tais que \(A=A^{\mathrm{t}}\).
O conjunto dos vetores \((x,y,z)\) que satisfaz a equação linear \(a_1x+a_2y+a_3z=0\)
Considere o subconjunto \(S\) de \(C^n(\mathbb {R})\) formado pelas funções que são soluções da equação diferencial linear homogênea de ordem \(n\) com coeficientes constantes
onde \(a_{0},a_{1},\dots ,a_{n-1}\in \mathbb {R}\). Mostre que \(S\) é um subespaço vetorial de \(C^n(\mathbb {R})\).
Seja \(\mathcal{F}(X,\mathbb {K})\) o espaço das funções, onde \(\mathbb {K}\) é um corpo. No caso particular em que \(X=\mathbb {N}\) o espaço é denominado espaço de sequências e vamos denotá-lo por \(\mathbb {K}^{\mathbb {N}}\). Um elemento \(f\in \mathbb {K}^{\mathbb {N}}\) é uma função \(f:\mathbb {N}\to \mathbb {K}\) dada por \(n\mapsto x_{n}\in \mathbb {K}\) e será denotado por \(f=(x_{n})_{n\in \mathbb {N}}.\) Quais dos seguintes conjuntos são subespaços de \(\mathbb {K}^{\mathbb {N}}\) ?
O conjunto das sequências com apenas um número finito de coordenadas diferentes de zero.
Nenhuma coordenada igual a \(1\).
Nos próximos itens \(\mathbb {K}=\mathbb {R}\)
O conjunto das sequências de Cauchy, isto é, das sequências tais que, dado \(\epsilon \gt 0\) existe \(N\gt 0\) tal que \(|x_{n}-x_{m}|\lt \epsilon \) para \(n,m\gt N\).
As sequências tais que \(\sum _{n=1}^{\infty }|x_{n}|\lt \infty \).
As sequências limitadas, isto é, as sequências \((x_n)_{n\in \mathbb {N}}\) para as quais existe \(M\gt 0\) tal que \(\left|x_{n}\right|\leq M\) para todo \(n\in \mathbb {N}\).
Seja \(S\) um subespaço de \(V\) e seja \(v\in V\). O conjunto \(v+S=\{ v+s\, \mid \, s\in S\} \) é um subespaço afim de \(V\).
Quando um subespaço afim de \(V\) é subespaço de \(V\)?
Mostre que dois subespaços afins \(x+S\) e \(y+S\) ou são iguais ou são disjuntos.
Prove que
Se \( S_{1} \subseteq S_{2} \), \( \langle S_{1}\rangle \subseteq \langle S_{2}\rangle \).
Se \( \bm {x}\in \langle S\rangle \), existe um subconjunto finito \( S '\subseteq S \) de modo que \( \bm {x}\in \langle S '\rangle \).
\( S \subseteq \langle S\rangle \) para todos os \( S \in \mathscr {P}(V) \).
Para cada \( S \in \mathscr {P}(V), \langle \langle S\rangle \rangle = \langle S\rangle \).
Seja \(X\subseteq V\) um subconjunto de um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\) \(V\). Mostre que \(\left\langle X\right\rangle =\{ \sum _{v\in F}\alpha _{v}\cdot v:F\subseteq X\text{ é um subconjunto finito e }\alpha _{v}\in \mathbb {K},\, \forall v\in F\} \).
Dê um contraexemplo que mostre que a união de subespaços não é necessariamente um subespaço.
Mostre que, se \(W_1\) e \(W_2\) são subespaços de \(V\), então \(W_1\cup W_2\) é um subespaço se, e somente se, \(W_1\subseteq W_2\) ou \(W_2\subseteq W_1\).
Com as operações usuais, determine se os conjuntos abaixo são subespaços reais. Nos casos afirmativos, encontre uma base e a dimensão.
\(\{ (0,y):y\in \mathbb {R}\} \subseteq \mathbb {R}^2\);
\(\left\{ \begin{bmatrix} a & a+b \\ a+b & b \end{bmatrix}:a,b\in \mathbb {R}\right\} \);
o conjunto das matrizes triangulares superiores de ordem \(3\).
Para subconjuntos arbitrários \(U,W\) de um espaço vetorial, prove ou refute: \(\langle U\rangle \cap \langle W\rangle =\langle U\cap W\rangle \) e \(\langle U\rangle +\langle W\rangle =\langle U\cup W\rangle \). Se uma igualdade falhar, indique a inclusão que permanece válida.
2.3 Bases e Dimensão
\(S\) é dito linearmente dependente sobre \(\mathbb {K}\) se existirem vetores distintos \(\bm {x}_1,\ldots ,\bm {x}_n\in S\) e escalares \(a_1,\ldots ,a_n\in \mathbb {K}\), não todos nulos, tais que \(a_1\bm {x}_1+\cdots +a_n\bm {x}_n=\vec0\).
\(S\) é dito linearmente independente (sobre \(\mathbb {K}\)) se \( S \) não for linearmente dependente.
Portanto, se \(S\) for linearmente independente, toda relação \(\sum _{i=1}^n a_i\bm {x}_i=\vec0\), com \(\bm {x}_1,\ldots ,\bm {x}_n\) distintos em \(S\), terá todos os coeficientes nulos.
Pela definição, o conjunto vazio é linearmente independente por vacuidade. Omitiremos a expressão “sobre \(\mathbb {K}\)” quando o corpo estiver claro no contexto. Se houver mais de um corpo envolvido, porém, a dependência pode mudar, como mostra o exemplo seguinte.
Se \(S\) é uma base de \(V\), todo vetor não nulo \(\bm {x}\in V\) possui uma expressão única \(\bm {x}=x_1\bm {x}_1+\cdots +x_n\bm {x}_n\), na qual \(\bm {x}_1,\ldots ,\bm {x}_n\) são elementos distintos de \(S\) e os coeficientes \(x_1,\ldots ,x_n\) são não nulos.
Vejamos alguns exemplos de bases.
Seja \(V=(\mathbb {K}^\infty )_0\). Para cada \(i\in \mathbb {N}\), denote por \(\bm {e}_i\) a sequência cuja \(i\)-ésima entrada é \(1\) e cujas demais entradas são nulas. Todo \(\bm {x}\in (\mathbb {K}^\infty )_0\) tem a forma
para algum \(n\). Logo \(\underline{\textsc{B}}=\{ \bm {e}_1,\bm {e}_2,\ldots \} \) é a base canônica de \((\mathbb {K}^\infty )_0\).
O conjunto dos números reais é um espaço vetorial sobre o corpo dos números racionais.
Como seria uma base desse espaço? Não há uma descrição elementar. Como \(\mathbb {Q}\) é enumerável, o subespaço de \(\mathbb {R}\) gerado por qualquer subconjunto enumerável também é enumerável. Como \(\mathbb {R}\) não é enumerável, nenhuma base de \(\mathbb {R}\) sobre \(\mathbb {Q}\) pode ser enumerável. O teorema seguinte garante a existência de tal base, mas não a constrói explicitamente.
Leitura opcional: bases em dimensão infinita.
Os resultados a seguir usam o Lema de Zorn e aritmética de cardinais. Em uma primeira leitura voltada a espaços de dimensão finita, esta passagem pode ser omitida.
Todo espaço vetorial possui uma base, como afirma o teorema seguinte:
De fato, temos um resultado ligeiramente mais forte: qualquer subconjunto linearmente independente \( S \) de \(V\) pode ser expandido para uma base. É esse fato que provaremos.
Denotaremos por \(\mathcal{I}\) o conjunto de todos os subconjuntos linearmente independentes de \(V\) que contêm \(S\):
Como \(S\in \mathcal I\), temos \(\mathcal I\neq \emptyset \). Ordenamos \(\mathcal I\) por inclusão. Assim, para \(A_1,A_2\in \mathcal I\),
Dessa forma \( (\mathcal{I}, \ \subseteq ) \) é um conjunto parcialmente ordenado.
Seja \(\mathcal T=\{ A_i\, \mid \, i\in I\} \) uma cadeia em \(\mathcal I\) e defina \(A=\bigcup _{i\in I}A_i\). Temos \(S\subseteq A\) e \(A_i\subseteq A\) para todo \(i\). Se \(A\) fosse linearmente dependente, uma relação não trivial envolveria apenas um subconjunto finito de \(A\). Como \(\mathcal T\) é totalmente ordenada, esse subconjunto finito estaria contido em algum \(A_{i_0}\), contradizendo a independência linear de \(A_{i_0}\). Portanto, \(A\in \mathcal I\) e \(A\) é um limitante superior de \(\mathcal T\).
O Lema de Zorn fornece um elemento maximal \(\underline{\textsc{B}}\in \mathcal I\). Esse conjunto é linearmente independente e contém \(S\). Se \(\langle \underline{\textsc{B}}\rangle \neq V\), existiria \(\bm {x}\in V\setminus \langle \underline{\textsc{B}}\rangle \); então \(\underline{\textsc{B}}\cup \{ \bm {x}\} \) ainda seria linearmente independente, contrariando a maximalidade de \(\underline{\textsc{B}}\). Logo \(\langle \underline{\textsc{B}}\rangle =V\), e \(\underline{\textsc{B}}\) é a base desejada.
Se \(V=\{ \vec0\} \), então \(\emptyset \) é uma base de \(V\). Suponha agora \(V\neq \{ \vec0\} \) e escolha \(\bm {v}\neq \vec0\). O conjunto \(\{ \bm {v}\} \) é linearmente independente e, pelo Teorema 2.43, pode ser completado a uma base de \(V\).
A demonstração tem uma limitação importante: o Lema de Zorn garante a existência de uma base, mas em geral não fornece um procedimento para construí-la. Em muitos espaços de dimensão infinita, essa base de Hamel não admite uma descrição explícita simples.
O Teorema 2.43 afirma que qualquer subconjunto linearmente independente de \(V\) pode ser estendido a uma base. O resultado complementar diz que todo conjunto gerador contém uma base.
Se \( S = \emptyset \) ou \( \{ \vec0\} \), então \(V = (0)\). Nesse caso, \( \emptyset \) é uma base de \(V\) contida em \(S\). Portanto, podemos supor que \( S \) contém um vetor diferente de zero \( \bm {x}\).
Seja \( \mathcal{I} = \{ A \subseteq S \, \mid \, A \) linearmente independente sobre \( \mathbb {K}\} \). Claramente, \( \{ \bm {x}\} \in \mathcal{I} \). Ordenaremos parcialmente \( \mathcal{I} \) por inclusão.
Se \( \mathcal{T}= \{ A_{i} \, \mid \, i \in I \} \) é um subconjunto totalmente ordenado de \( \mathcal{I}, \) então \( \displaystyle \bigcup _{i \in I} A_{i} \) é um limite superior para \(\mathcal{T}\) em \( \mathcal{I}\).
Portanto, \( (\mathcal{I}, \subseteq ) \) é indutivo. Aplicando o Lema de Zorn temos que \( \mathcal{I} \) possui um elemento maximal \(\underline{\textsc{B}}\).
Afirmamos que \(\underline{\textsc{B}}\) é uma base de \(V\). Já sabemos que \(\underline{\textsc{B}}\subseteq S\) e que \(\underline{\textsc{B}}\) é linearmente independente. Se \(\langle \underline{\textsc{B}}\rangle \neq V=\langle S\rangle \), então \(S\not\subseteq \langle \underline{\textsc{B}}\rangle \); logo existe \(\bm {y}\in S\setminus \langle \underline{\textsc{B}}\rangle \). Nesse caso, \(\underline{\textsc{B}}\cup \{ \bm {y}\} \in \mathcal I\) seria estritamente maior que \(\underline{\textsc{B}}\), em contradição com sua maximalidade. Portanto, \(\langle \underline{\textsc{B}}\rangle =V\).
Um espaço vetorial costuma possuir muitas bases. Por exemplo, para todo \(\lambda \in \mathbb {K}\),
é uma base de \(\mathbb {K}^n\). O que todas as bases de um mesmo espaço têm em comum é sua cardinalidade, como mostraremos a seguir.
Desejamos mostrar que \(m \le n\) e que, após rearranjar os \(\bm {w}_j\) se necessário, o conjunto \(\{ \bm {v}_1, \dotsc , \bm {v}_m, \bm {w}_{m+1}, \dotsc , \bm {w}_n\} \) gera \(V\). Vamos proceder por indução em \(m\).
Para o caso base, suponha que \(m\) seja zero. Nesse caso, a afirmação é verdadeira porque não há vetores \(\bm {v}_i\), e o conjunto \(\{ \bm {w}_1, \dotsc , \bm {w}_n\} \) gera \(V\) por hipótese.
Para o passo indutivo, assuma que a proposição é verdadeira para \(m-1\). Pela hipótese de indução, podemos reorganizar os \(\bm {w}_i\) de modo que \(\{ \bm {v}_1,\ldots , \bm {v}_{m-1},\bm {w}_{m},\ldots ,\bm {w}_n\} \) gere \(V\). Como \(\bm {v}_{m}\in V\), existem coeficientes \(a_1,\ldots ,a_n\) tais que
Pelo menos um dos \(a_{m},\ldots ,a_n\) deve ser diferente de zero, pois, caso contrário, essa igualdade contradiria a independência linear de \(\{ \bm {v}_1,\ldots ,\bm {v}_{m}\} \); portanto, \(m \le n\). Reordenando os vetores \(\bm {w}_m,\ldots ,\bm {w}_n\) se necessário, podemos assumir que \(a_{m}\) é não nulo. Portanto,
Em outras palavras, \(\bm {w}_{m}\) está no espaço gerado por \(\{ \bm {v}_1,\ldots , \bm {v}_{m},\bm {w}_{m+1},\ldots ,\bm {w}_n\} \). Como esse espaço contém o conjunto que, pela hipótese de indução, gera \(V\), ele coincide com \(V\).
O lema contém duas informações. Primeiro, um conjunto finito linearmente independente não pode ter mais elementos que um conjunto gerador finito. Segundo, parte do conjunto gerador pode substituir, uma a uma, as direções introduzidas pelo conjunto independente, sem perder a propriedade de gerar \(V\).
O resultado seguinte justifica a definição da dimensão de um espaço vetorial.
Dividimos essa prova em dois casos.
Caso 1: suponha que \(V\) tenha uma base \( \underline{\textsc{B}}_{1} \) finita.
Suponha que \(\underline{\textsc{B}}_1=\{ \bm {x}_1,\ldots ,\bm {x}_n\} \). Se \(\underline{\textsc{B}}_2\) for finita, o Lema de Steinitz, aplicado nos dois sentidos, fornece \(\left\lvert \underline{\textsc{B}}_1\right\rvert =\left\lvert \underline{\textsc{B}}_2\right\rvert \). Se \(\underline{\textsc{B}}_2\) fosse infinita, conteria um subconjunto linearmente independente com \(n+1\) elementos, o que também contradiria o Lema de Steinitz, pois \(\underline{\textsc{B}}_1\) gera \(V\).
Caso 2: suponha que nenhuma base de \(V\) seja finita.
Nesse caso, \(\underline{\textsc{B}}_1\) e \(\underline{\textsc{B}}_2\) são conjuntos infinitos. Para cada \(\bm {y}\in \underline{\textsc{B}}_2\), seja \(I_{\bm {y}}\subseteq \underline{\textsc{B}}_1\) o suporte finito da expressão de \(\bm {y}\) na base \(\underline{\textsc{B}}_1\). Como \(\underline{\textsc{B}}_2\) gera \(V\), a união desses suportes gera \(V\); sendo um subconjunto de \(\underline{\textsc{B}}_1\), ela deve ser igual a \(\underline{\textsc{B}}_1\). Portanto,
Invertendo os papéis de \(\underline{\textsc{B}}_1\) e \(\underline{\textsc{B}}_2\), obtemos a desigualdade contrária. Pelo teorema de Cantor–Schröder–Bernstein, \(\left\lvert \underline{\textsc{B}}_1\right\rvert =\left\lvert \underline{\textsc{B}}_2\right\rvert \).
Retomemos alguns exemplos. No Exemplo 2.33, \(\dim _{\mathbb {R}}\mathbb {R}=1\) e \(\dim _{\mathbb {Q}}\mathbb {R}=\left\lvert \mathbb {R}\right\rvert \). No Exemplo 2.36, \(\dim _{\mathbb {K}}\{ \vec0\} =0\). Pelos Exemplos 2.37, 2.39 e 2.40, temos, respectivamente, \(\dim \mathbb {K}^n=n\), \(\dim \mathcal{M}_{m, n}(\mathbb {K})=mn\) e \(\dim \mathbb {K}[x]=\left\lvert \mathbb {N}\right\rvert \).
Se a dimensão de um espaço vetorial \(V\) for infinita, como nos Exemplos 2.33 e 2.40, em geral não faremos nenhuma tentativa de distinguir qual a cardinalidade de \( \dim V.\) Em vez disso, escreveremos simplesmente \( \dim V = \infty \). Se \(V\) tiver uma base finita \( \{ \bm {x}_{1}, \ldots , \bm {x}_{n} \} , \) diremos que \(V\) é um espaço vetorial de dimensão finita e escreveremos \( \dim V \lt \infty \), ou, mais precisamente, \( \dim V = n \lt \infty \). Por exemplo, \( \dim _{\mathbb {R}} C^{k} (I) = \infty \), enquanto \( \dim _{\mathbb {R}} \mathbb {R}^{n} = n \lt \infty \). Quando dimensões infinitas participarem de identidades de cardinalidade, porém, \(\dim V\) voltará a denotar o cardinal definido acima; a escrita \(\infty \) será apenas uma abreviação qualitativa para dimensão infinita.
Se \( W \) for um subespaço de \(V\), então \( \dim W \leq \dim V.\)
Se \(V\) for de dimensão finita e \( W \) é um subespaço de \(V\) tal que \( \dim W = \dim V\), \( W = V.\)
Se \(\underline{\textsc{B}}_W\) é uma base de \(W\), o Teorema 2.43 permite estendê-la a uma base \(\underline{\textsc{B}}_V\) de \(V\). Logo \(\dim W=\left\lvert \underline{\textsc{B}}_W\right\rvert \leq \left\lvert \underline{\textsc{B}}_V\right\rvert =\dim V\), provando a. Se \(V\) tem dimensão finita e essas dimensões são iguais, a extensão não pode acrescentar vetores; portanto, \(\underline{\textsc{B}}_W=\underline{\textsc{B}}_V\) e \(W=V\), o que prova b.
Se \(V\) não é de dimensão finita, então b é falso em geral. Um exemplo simples ilustra esse ponto.
Suponha que \(S\) seja finito. Exiba uma base para o espaço de funções \(\mathbb {K}(S)=\mathbb {K}^S\).
Dado um subespaço \(L\subseteq V\), prove que, se \(\dim L=\dim V\lt \infty \), então \(L=V\).
Prove que os únicos subespaços de \(\mathbb {R}\) são o próprio \(\mathbb {R}\) e o subespaço nulo.
Prove que todos os subespaços de \(\mathbb {R}^2\) são o próprio \(\mathbb {R}^2\), o subespaço nulo ou o subespaço constituído pelos múltiplos de um vetor não nulo fixo de \(\mathbb {R}^2\).
Quais são todos os subespaços de \(\mathbb {R}^3\)?
Seja \(L\) um espaço \(n\)-dimensional sobre um corpo finito com \(q\) elementos.
Calcule o número de subespaços \(k\)-dimensionais de \(L\), para \(1\leq k\leq n\).
Calcule o número de pares de subespaços \(L_1\) e \(L_2\) com \(\dim L_1\), \(\dim L_2\) e \(\dim (L_1\cap L_2)\) fixos. Verifique que, quando \(q\to \infty \), a razão entre o número de pares em posição geral e o número total de pares com \(\dim L_1\) e \(\dim L_2\) fixadas tende a \(1\).
Seja \(\underline{\textsc{B}}\) um subconjunto de um espaço vetorial \(V\). Mostre que \(\underline{\textsc{B}}\) é linearmente dependente se, e somente se, existir \(v\in \underline{\textsc{B}}\) que pode ser escrito como combinação linear dos elementos de \(\underline{\textsc{B}}\setminus \{ v\} \).
Se \(\underline{\textsc{e}}=\{ \bm {e}_i\} _{i\in I}\) é uma base de \(V\) e \(\underline{\textsc{f}}=\{ \vec{f}_j\} _{j\in J}\) é uma base de \(W\), mostre que \(\{ (\bm {e}_i,0)\} _{i\in I}\cup \{ (0,\vec{f}_j)\} _{j\in J}\) é uma base de \(V\boxplus W\).
Seja \(V\) um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\) de dimensão não necessariamente finita e seja \(\underline{\textsc{B}}\) um conjunto linearmente independente em \(V\). Mostre que se existir um elemento \(v\in V\) que não seja combinação linear de elementos de \(\underline{\textsc{B}}\), então o conjunto \(\underline{\textsc{B}}\cup \{ v\} \) é linearmente independente.
Seja \(V\) um espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\). Mostre que:
Dados vetores não nulos \(v_1,v_2\), prove que eles são linearmente independentes se, e somente se, \(\langle v_1\rangle \cap \langle v_2\rangle =\{ 0\} \).
Dados vetores \(v_{1},v_{2}, v_3\) não nulos. Prove que \(\left\langle v_{1}\right\rangle \cap \left\langle v_{2}\right\rangle \cap \left\langle v_{3}\right\rangle =\{ 0\} \) não implica que os vetores \(v_{1},v_{2},v_{3}\) sejam linearmente independentes.
Dado \(S=\left\{ s_{1},\ldots ,s_{n}\right\} \subset V\). Prove que \(S\) é linearmente independente se, e somente se, \(\langle S\setminus \{ s_i\} \rangle \neq \langle S\rangle \) para todo \(s_{i}\in S\).
Prove que, se \(A,B\subseteq V\), então \(\langle A\rangle +\langle B\rangle =\langle A\cup B\rangle \).
Mostre que se os coeficientes \(a_1 , \ldots , a_n \) não são todos iguais a zero, o hiperplano
é um subespaço vetorial de dimensão \(n-1\) em \(\mathbb {R}^n\).
Prove que em qualquer conjunto de vetores \(S\) existe um subconjunto \(S'\) linearmente independente tal que \(\left\langle S\right\rangle =\left\langle S'\right\rangle \).
Se \(\mathbb {K}=\mathbb {Z}_{2}\), o subconjunto \(\{ (\overline{1},\overline{1},\overline{0}),(\overline{1},\overline{0},\overline{1}),(\overline{0},\overline{1},\overline{1})\} \) de \(\mathbb {K}^{3}\) é linearmente dependente? E se \(\mathbb {K}=\mathbb {Z}_{13}\)?
Seja \(V=\mathcal{F}(\mathbb {R},\mathbb {C})\) o \(\mathbb {C}\)-espaço vetorial de todas as funções de \(\mathbb {R}\) em \(\mathbb {C}\). Prove que \(\{ f_{1},f_{2},f_{3}\} \) é linearmente independente, onde \(f_{1}(x)=1\), \(f_{2}(x)=e^{ix}=\cos (x)+i\sin (x)\) e \(f_{3}(x)=e^{-ix}\) para todo \(x\in \mathbb {R}\).
Considere o espaço das funções \(\mathcal{F}(\mathbb {R},\mathbb {R})\). Mostre que os seguintes subconjuntos são linearmente independentes:
\((f_{n})_{n\in \mathbb {N}}\) onde \(f_{n}:x\mapsto e^{nx}\)
\((f_{a})_{a\in \mathbb {R}}\) onde \(f_{a}:x\mapsto \left|x-a\right|\)
Seja \(V\) um espaço vetorial sobre \(\mathbb {R}\) e considere no conjunto \(V_{\mathbb {C}}=\{ (u,v):u,v\in V\} \) as seguintes operações de adição e multiplicação por um número complexo:
Mostre que \(V_{\mathbb {C}}\) é um espaço vetorial sobre \(\mathbb {C}\).
Seja \(\{ v_{1},v_{2},\dots ,v_{n}\} \subseteq V\) um subconjunto linearmente independente. Mostre que \(\{ (v_{1},0),(v_{2},0),\dots ,(v_{n},0)\} \) e \(\{ (0,v_{1}),(0,v_{2}),\dots ,(0,v_{n})\} \) são subconjuntos linearmente independentes de \(V_{\mathbb {C}}\).
Para um \(\mathbb {C}\)-espaço vetorial \(V\), denotaremos por \(V_{\mathbb {R}}\) o conjunto \(V\) visto como \(\mathbb {R}\)-espaço vetorial. Mostre que se \(\{ v_{1},v_{2},\dots ,v_{n}\} \) for um subconjunto linearmente independente de \(V\), então \(\{ v_{1},v_{2},\dots ,v_{n}\} \) e \(\{ v_{1},v_{2},\dots ,v_{n}\} \cup \{ iv_{1},iv_{2},\dots ,iv_{n}\} \) são subconjuntos linearmente independentes de \(V_{\mathbb {R}}\).
Seja \(V\) um espaço vetorial e seja \(\underline{\textsc{B}}\subseteq V\). Mostre que são equivalentes:
\(\underline{\textsc{B}}\) é uma base de \(V\);
\(\underline{\textsc{B}}\) é um conjunto linearmente independente maximal, isto é, a adição de qualquer vetor de \(V\setminus \underline{\textsc{B}}\) produz um conjunto linearmente dependente;
\(\underline{\textsc{B}}\) é um conjunto gerador minimal, isto é, a remoção de qualquer vetor de \(\underline{\textsc{B}}\) produz um conjunto que não gera \(V\).
Seja \(V=\langle X\rangle \). Mostre que existe uma base \(\underline{\textsc{B}}\) de \(V\) tal que \(\underline{\textsc{B}}\subseteq X\). Dica: Defina um conjunto parcialmente ordenado e use o lema de Zorn.
Ache uma base de \(\mathcal{M}_{n, n}(\mathbb {C})\) como espaço vetorial sobre \(\mathbb {R}\). Qual é a \(\dim _{\mathbb {R}}(\mathcal{M}_{n, n}(\mathbb {C}))\)?
Seja \(S\) o \(\mathbb {R}\)-espaço vetorial do Exercício 2.14. Mostre que \(\dim _{\mathbb {R}}S=n\).
Dica. Use o Teorema de Existência e Unicidade de soluções. Considere a equação
onde \(a_{0},a_{1},\dots ,a_{n-1}\in \mathbb {R}\). Dados \(A_{0},A_{1},\dots ,A_{n-1}\in \mathbb {R}\), existe uma única solução \(y:\mathbb {R}\to \mathbb {R}\) da equação (2.6) verificando \(y(0)=A_{0}\), \(y'(0)=A_{1},\dots ,y^{(n-1)}(0)=A_{n-1}\) (condições iniciais da equação (2.6)).
Construa \(n\) soluções que formarão uma base do espaço das soluções de (2.6), da seguinte forma: considerando as condições iniciais \(A_{0}=1\) e \(A_{1}=\cdots =A_{n-1}=0\) o Teorema de Existência e Unicidade garante que existe uma única solução \(y_{1}:\mathbb {R}\to \mathbb {R}\) de (2.6) que verifica as condições \(y_{1}(0)=1\) e \(y'_{1}(0)=\cdots =y_{1}^{(n-1)}(0)=0\). Repita o procedimento considerando as condições iniciais \(A_{i}=1\) e \(A_{j}=0\) para todo \(j\neq i\) com \(i\) variando de \(1\) a \(n-1\).
Determine se os espaços abaixo têm dimensão finita. Em caso afirmativo, determine a dimensão e uma base para o espaço:
O conjunto de todas as sequências reais.
O conjunto das sequências reais que satisfazem \(a_{k}=a_{k-1}+a_{k-2}\) para \(k\geqslant 3\).
\(\mathbb {C}^{n}\) visto como um espaço vetorial sobre \(\mathbb {C}\) e visto como um espaço vetorial sobre \(\mathbb {R}\).
O conjunto das sequências com apenas um número finito de termos não nulos.
O espaço das funções em \(\mathcal{F}(X,\mathbb {R})\), \(|X|\lt \infty \) que se anulam em todos os pontos de um subconjunto \(X_{0}\subset X\).
O espaço das funções \(C([0,1],\mathbb {R})\).
Seja \(\mathbb {F}\) um corpo. Um subcorpo \(\mathbb {K}\) é um subconjunto de \(\mathbb {F}\) que é corpo quando restringimos as operações de \(\mathbb {F}\) a \(\mathbb {K}\).
Mostre que \(\mathbb {F}\) é espaço vetorial sobre \(\mathbb {K}\).
Suponha que \(V\) seja um espaço vetorial \(m\)-dimensional sobre \(\mathbb {F}\) e que \(\mathbb {F}\) seja um espaço vetorial \(n\)-dimensional sobre \(\mathbb {K}\). Qual a dimensão de \(V\) sobre \(\mathbb {K}\)?
Seja \(W\) um subespaço de \(V\) com \(\dim (V)\lt \infty \). Prove que:
\(\dim (W)\leq \dim (V)\)
\(\dim (W)=\dim (V)\) se, e somente se, \(W=V\).
Mostre que \(\mathbb {R}\) é um espaço vetorial de dimensão infinita sobre \( \mathbb {Q}\).
Sejam \(u,v,w\) vetores linearmente independentes em um espaço vetorial complexo. Prove que \(u+v,v+w,u+w\) são linearmente independentes. A conclusão continua válida sobre um corpo de característica \(2\)?
Sejam \(n,p\geq 1\).
Determine uma base e a dimensão do espaço dos polinômios em \(n\) variáveis de grau total menor que \(p\).
Determine uma base e a dimensão do espaço dos polinômios homogêneos de grau exatamente \(d\geq 0\).
Explique por que o conjunto de todos os polinômios homogêneos, admitindo diferentes graus menores que \(p\), em geral não é um subespaço. Identifique o espaço gerado por esse conjunto.
Seja \(\mathbb {K}\) um corpo com \(q\) elementos e \(n\geq 1\). Quantos elementos tem \(\mathbb {K}^n\)? Para \(a_1,\ldots ,a_n\in \mathbb {K}\), determine o número de soluções de \(\sum _i a_ix_i=0\), distinguindo o caso em que todos os coeficientes são nulos.
Sejam \(U_1,W_1,U_2,W_2\subseteq \mathbb {R}^n\) com \(\dim U_1=\dim U_2\), \(\dim W_1=\dim W_2\) e \(\dim (U_1\cap W_1)=\dim (U_2\cap W_2)\). Prove que existe um automorfismo \(T\) de \(\mathbb {R}^n\) tal que \(T(U_1)=U_2\) e \(T(W_1)=W_2\).
Com a noção de dimensão, concluímos a descrição interna básica dos espaços vetoriais. Subespaços, independência linear, bases e dimensão fornecem a linguagem que será usada no restante do livro.