Capítulo 13

Medidas com sinal e o teorema de Radon–Nikodým

Ao reunir conjuntos disjuntos, uma medida positiva soma contribuições não negativas. Diferenças de probabilidades e integrais de funções que mudam de sinal exigem uma noção mais ampla. A aditividade enumerável continua sendo central, mas agora precisamos evitar a expressão indeterminada \(\infty -\infty \).

Começaremos pela decomposição de Hahn, que separa o espaço em partes positiva e negativa. Essa separação dará a decomposição de Jordan da própria medida. A comparação com uma medida de referência levará, depois, às noções de continuidade absoluta e singularidade e ao teorema de Lebesgue–Radon–Nikodým. Ao final, veremos como esse resultado prepara a construção da esperança condicional.

13.1 Medidas com sinal

Definição 13.1 (Medida com sinal)
Seja \((\Omega ,\mathcal{F})\) um espaço mensurável. Uma função
\[ \nu \colon \mathcal{F}\longrightarrow [-\infty ,\infty ] \]
é uma medida com sinal se:
  1. \(\nu (\varnothing )=0\);

  2. no máximo um dos valores \(+\infty \) e \(-\infty \) pertence à imagem de \(\nu \);

  3. para toda sequência \((E_n)_{n\geq 1}\) de conjuntos mensuráveis dois a dois disjuntos,

    \[ \nu \left(\bigcup _{n=1}^{\infty }E_n\right) =\sum _{n=1}^{\infty }\nu (E_n). \]
A série do último item é entendida em \([-\infty ,\infty ]\). A segunda condição impede que nela apareça a forma indeterminada \(\infty -\infty \). Se a união tiver medida finita, a série converge absolutamente.

Quando \(\nu (E)\in \mathbb {R}\) para todo \(E\in \mathcal{F}\), dizemos que \(\nu \) é uma medida com sinal finita. É esse o caso que aparece com mais frequência em probabilidade.

Exemplo 13.2 (Densidade com sinal)
Se \(g\in L^1(\Omega ,\mathcal{F},\mu )\), então
\[ \nu (E)=\int _E g\, \d\mu =\int _E g^+\, \d\mu -\int _E g^-\, \d\mu , \qquad E\in \mathcal{F}, \]
define uma medida com sinal finita. As regiões onde \(g\) é positiva e negativa antecipam a decomposição de Hahn.

Exemplo 13.3 (Diferença de medidas)
Se \(\mu _1\) e \(\mu _2\) são medidas finitas em \((\Omega ,\mathcal{F})\), então
\[ \nu (E)=\mu _1(E)-\mu _2(E) \]
é uma medida com sinal finita. A hipótese de finitude evita que essa diferença seja \(\infty -\infty \).

13.1.1 Conjuntos positivos, negativos e nulos

O sinal de \(\nu (E)\) não descreve necessariamente o sinal da medida dentro de \(E\): contribuições positivas e negativas podem se cancelar. Para localizar o sinal, precisamos considerar todos os subconjuntos mensuráveis de \(E\).

Definição 13.4
Seja \(\nu \) uma medida com sinal e seja \(E\in \mathcal{F}\).
  • \(E\) é positivo para \(\nu \) se \(\nu (A)\geq 0\) para todo \(A\in \mathcal{F}\) com \(A\subseteq E\).

  • \(E\) é negativo para \(\nu \) se \(\nu (A)\leq 0\) para todo \(A\in \mathcal{F}\) com \(A\subseteq E\).

  • \(E\) é nulo para \(\nu \) se \(\nu (A)=0\) para todo \(A\in \mathcal{F}\) com \(A\subseteq E\).

Um conjunto nulo para \(\nu \) é ao mesmo tempo positivo e negativo. Essa noção é mais forte que a igualdade \(\nu (E)=0\): um saldo zero pode esconder cancelamentos. Se \(E\) é positivo, a restrição \(A\mapsto \nu (A)\) aos subconjuntos mensuráveis de \(E\) é uma medida positiva.

Lema 13.5
Todo subconjunto mensurável de um conjunto positivo é positivo. Além disso, uma união enumerável de conjuntos positivos é positiva. As afirmações análogas valem para conjuntos negativos e nulos.

Demonstração

A primeira afirmação segue diretamente da definição. Para a segunda, sejam \(E_1,E_2,\ldots \) positivos e disjuntifiquemos a união:

\[ F_1=E_1, \qquad F_n=E_n\setminus \bigcup _{j\lt n}E_j \quad (n\geq 2). \]

Então os \(F_n\) são disjuntos, \(F_n\subseteq E_n\) e \(\bigcup _nF_n=\bigcup _nE_n\). Se \(B\subseteq \bigcup _nE_n\) é mensurável,

\[ B=\bigcup _{n=1}^{\infty }(B\cap F_n) \]

é uma união disjunta. Como \(B\cap F_n\subseteq E_n\),

\[ \nu (B)=\sum _{n=1}^{\infty }\nu (B\cap F_n)\geq 0. \]

Logo a união é positiva. Aplicar o mesmo argumento a \(-\nu \) prova a afirmação sobre conjuntos negativos; a afirmação sobre nulos segue das duas anteriores.

O lema seguinte fornece o mecanismo da decomposição de Hahn: enquanto houver um subconjunto de medida negativa, retiramos uma parte desse tipo. O nome descreve a estratégia. Este Pac-Man tem uma dieta seletiva: só retira conjuntos de medida negativa, de modo que a medida do que resta aumenta.

Lema 13.6 (Lema do Pac-Man)
Se \(E\in \mathcal{F}\) e \(0\lt \nu (E)\lt \infty \), então existe um conjunto positivo \(P\subseteq E\) tal que \(\nu (P)\gt 0\).

Demonstração

Se \(E\) já é positivo, tomamos \(P=E\). Caso contrário, ponha \(R_0=E\). Enquanto \(R_{k-1}\) não for positivo, existe um subconjunto mensurável de \(R_{k-1}\) com medida negativa. Seja \(n_k\) o menor inteiro positivo para o qual se pode escolher \(N_k\subseteq R_{k-1}\) satisfazendo

\[ \nu (N_k)\lt -\frac1{n_k}, \]

e defina \(R_k=R_{k-1}\setminus N_k\). Se o procedimento terminar, o conjunto residual é positivo e, como apenas retiramos conjuntos de medida negativa, tem medida maior que \(\nu (E)\).

Suponha, portanto, que a construção seja infinita. Os conjuntos \(N_k\) são dois a dois disjuntos e a sequência \((n_k)\) é não decrescente, pois os resíduos diminuem. A aditividade enumerável dá

\[ \nu \left(\bigcup _{k=1}^{\infty }N_k\right) =\sum _{k=1}^{\infty }\nu (N_k). \]

O lado direito não pode ser \(-\infty \): de outro modo, a decomposição disjunta de \(E\) entre essa união e seu complemento seria incompatível com \(0\lt \nu (E)\lt \infty \). Como todos os termos são negativos,

\[ \sum _{k=1}^{\infty }|\nu (N_k)|\lt \infty \quad \text{e, portanto,}\quad \sum _{k=1}^{\infty }\frac1{n_k}\lt \infty . \]

Em particular, \(n_k\to \infty \).

Defina

\[ P=E\setminus \bigcup _{k=1}^{\infty }N_k. \]

Temos \(\nu (P)\geq \nu (E)\gt 0\). Resta provar que \(P\) é positivo. Se existisse um conjunto mensurável \(A\subseteq P\) com \(\nu (A)\lt 0\), poderíamos escolher \(m\geq 1\) tal que \(\nu (A)\lt -1/m\). Para todo \(k\), o conjunto \(A\) está contido em \(R_{k-1}\); pela minimalidade de \(n_k\), teríamos \(n_k\leq m\). Isso contradiz \(n_k\to \infty \). Logo \(P\) é positivo.

13.1.2 Decomposição de Hahn

O lema extrai um conjunto positivo de um conjunto de medida positiva. Usaremos essa extração para dividir todo o espaço em uma região positiva e outra negativa.

Teorema 13.7 (Decomposição de Hahn)
Se \(\nu \) é uma medida com sinal em \((\Omega ,\mathcal{F})\), existem conjuntos mensuráveis disjuntos \(P\) e \(N\) tais que
\[ \Omega =P\cup N, \]
com \(P\) positivo e \(N\) negativo para \(\nu \).

Demonstração

É suficiente tratar o caso em que \(\nu \) nunca assume o valor \(+\infty \). De fato, se esse não for o caso, a medida \(-\nu \) nunca assume \(+\infty \); uma decomposição para \(-\nu \) fornece uma decomposição para \(\nu \) após trocarmos os papéis das partes positiva e negativa.

Considere

\[ \alpha =\sup \{ \nu (A): A\in \mathcal{F}\text{ e }A\text{ é positivo}\} . \]

A classe não é vazia, pois contém \(\varnothing \). Além disso, \(\alpha \lt \infty \). Se o supremo fosse infinito, poderíamos escolher conjuntos positivos \(P_n\) com \(\nu (P_n)\gt n\). Pelo Lema 13.5, a união \(\bigcup _nP_n\) seria positiva e teria medida ao menos \(n\) para todo \(n\), obrigando \(\nu \) a assumir o valor \(+\infty \).

Escolha agora conjuntos positivos \(P_n\) tais que

\[ \nu (P_n)\gt \alpha -\frac1n \]

e ponha \(P=\bigcup _nP_n\). O conjunto \(P\) é positivo. Como \(P\setminus P_n\) também é positivo,

\[ \nu (P)\geq \nu (P_n)\gt \alpha -\frac1n. \]

Pela definição de \(\alpha \), também \(\nu (P)\leq \alpha \); logo \(\nu (P)=\alpha \).

Seja \(N=\Omega \setminus P\). Se \(N\) não fosse negativo, existiria \(E\subseteq N\) mensurável com \(\nu (E)\gt 0\). Como \(\nu \) não assume \(+\infty \), essa medida seria finita. O Lema 13.6 forneceria um conjunto positivo \(A\subseteq E\) com \(\nu (A)\gt 0\). Então \(P\cup A\) seria positivo e

\[ \nu (P\cup A)=\nu (P)+\nu (A)\gt \alpha , \]

contradizendo a definição de \(\alpha \). Portanto \(N\) é negativo.

Figura 13.1 À esquerda, o mecanismo do Lema do Pac-Man: retiram-se partes negativas até restar um conjunto positivo. À direita, Omega =Pmathbin dotcup N é uma decomposição de Hahn.

Figura 13.1 À esquerda, o mecanismo do Lema do Pac-Man: retiram-se partes negativas até restar um conjunto positivo. À direita, \(\Omega =P\mathbin {\dot\cup }N\) é uma decomposição de Hahn. A figura é esquemática: “positivo” significa que todo subconjunto mensurável de \(P\) tem medida não negativa, e analogamente para \(N\).

A decomposição de Hahn admite alguma liberdade: conjuntos nulos podem mudar de lado. A proposição seguinte mostra que essa é toda a ambiguidade.

Proposição 13.8 (Unicidade de Hahn)
Se \((P,N)\) e \((P',N')\) são duas decomposições de Hahn para \(\nu \), então \(P\mathbin {\triangle }P'=N\mathbin {\triangle }N'\) é nulo para \(\nu \).

Demonstração

O conjunto \(P\cap N'\) é subconjunto de um conjunto positivo e de um conjunto negativo; portanto é nulo. O mesmo vale para \(P'\cap N\). Como

\[ P\mathbin {\triangle }P'=(P\cap N')\cup (P'\cap N), \]

o lema sobre uniões de conjuntos nulos conclui a prova.

13.2 Decomposição de Jordan e variação total

Hahn separa o espaço; Jordan decompõe a medida. Basta restringir a medida às duas partes de Hahn e trocar o sinal na parte negativa. A singularidade mútua distinguirá essa decomposição de uma diferença arbitrária de medidas positivas.

Definição 13.9 (Medidas mutuamente singulares)
Duas medidas positivas ou com sinal \(\mu \) e \(\nu \) são mutuamente singulares, e escrevemos \(\mu \perp \nu \), se existe \(E\in \mathcal{F}\) tal que \(E^{\mathsf c}\) é nulo para \(\mu \) e \(E\) é nulo para \(\nu \). Em outras palavras, as duas medidas podem ser concentradas em partes disjuntas de \(\Omega \).

Exemplo 13.10
A medida de contagem restrita a \(\mathbb {N}\subseteq \mathbb {R}\) e a medida de Lebesgue em \(\mathbb {R}\) são mutuamente singulares: a primeira está concentrada em \(\mathbb {N}\), enquanto a segunda atribui medida zero a esse conjunto.

Teorema 13.11 (Decomposição de Jordan)
Toda medida com sinal \(\nu \) pode ser escrita de modo único na forma
\[ \nu =\nu ^+-\nu ^-, \]
em que \(\nu ^+\) e \(\nu ^-\) são medidas positivas mutuamente singulares.

Demonstração

Seja \((P,N)\) uma decomposição de Hahn e defina, para \(E\in \mathcal{F}\),

\[ \nu ^+(E)=\nu (E\cap P), \qquad \nu ^-(E)=-\nu (E\cap N). \]

As restrições são medidas positivas, estão concentradas respectivamente em \(P\) e \(N\), e a aditividade de \(\nu \) fornece

\[ \nu (E)=\nu ^+(E)-\nu ^-(E). \]

Para a unicidade, suponha que \(\nu =\mu ^+-\mu ^-\), com \(\mu ^+\perp \mu ^-\). Escolha uma partição \((P',N')\) tal que \(\mu ^-\) seja nula em \(P'\) e \(\mu ^+\) seja nula em \(N'\). Para \(A\subseteq P'\), \(\nu (A)=\mu ^+(A)\geq 0\); para \(A\subseteq N'\), \(\nu (A)=-\mu ^-(A)\leq 0\). Logo \((P',N')\) também é uma decomposição de Hahn. Pela Proposição 13.8, ela difere de \((P,N)\) apenas por conjuntos nulos. Assim, para todo \(E\in \mathcal{F}\),

\[ \mu ^+(E)=\nu (E\cap P')=\nu (E\cap P)=\nu ^+(E), \]

e, analogamente, \(\mu ^-(E)=\nu ^-(E)\).

A variação total soma as duas partes sem permitir que uma cancele a outra.

Definição 13.12 (Variação total)
A variação total de \(\nu \) é a medida positiva
\[ |\nu |=\nu ^++\nu ^-. \]

Proposição 13.13 (Partes de Jordan)
Para todo \(E\in \mathcal{F}\),
\begin{align*} \nu ^+(E)& =\sup \{ \nu (A):A\in \mathcal{F},\ A\subseteq E\} ,\\ \nu ^-(E)& =-\inf \{ \nu (A):A\in \mathcal{F},\ A\subseteq E\} , \end{align*}
e
\[ |\nu |(E)= \sup _{E=\dot\bigcup _{j=1}^m E_j} \sum _{j=1}^m|\nu (E_j)|, \]
onde o supremo percorre as partições mensuráveis finitas de \(E\).

Demonstração

Se \((P,N)\) é uma decomposição de Hahn e \(A\subseteq E\), então

\[ \nu (A)=\nu (A\cap P)+\nu (A\cap N) \leq \nu (E\cap P)=\nu ^+(E). \]

A igualdade é atingida por \(A=E\cap P\). A fórmula para \(\nu ^-\) segue do mesmo argumento aplicado a \(-\nu \).

Para qualquer partição finita de \(E\),

\[ \sum _j|\nu (E_j)| \leq \sum _j\bigl(\nu ^+(E_j)+\nu ^-(E_j)\bigr) =|\nu |(E). \]

A partição \(E=(E\cap P)\mathbin {\dot\cup }(E\cap N)\) realiza a igualdade.

Podemos agora relacionar essa medida à distância de variação total usada no capítulo de acoplamento. O fator dois decorre de que a diferença entre duas probabilidades tem massa total zero: suas partes positiva e negativa têm a mesma massa.

Corolário 13.14 (Variação total de uma diferença de probabilidades)
Se \(\mu \) e \(\nu \) são probabilidades em \((\Omega ,\mathcal{F})\) e \(\rho =\mu -\nu \), então
\[ |\mu -\nu |(\Omega ) =|\rho |(\Omega ) =2d_{\mathrm{TV}}(\mu ,\nu ). \]

Demonstração

Como \(\rho (\Omega )=0\), temos \(\rho (A^{\mathsf c})=-\rho (A)\) para todo \(A\in \mathcal{F}\). Portanto

\[ \sup _{A\in \mathcal{F}}|\rho (A)| =\sup _{A\in \mathcal{F}}\rho (A) =-\inf _{A\in \mathcal{F}}\rho (A). \]

Pela Proposição 13.13,

\[ \rho ^+(\Omega )=d_{\mathrm{TV}}(\mu ,\nu ), \qquad \rho ^-(\Omega )=d_{\mathrm{TV}}(\mu ,\nu ). \]

Somando as duas partes de Jordan obtemos a identidade.

Uma função mensurável \(f\) é integrável em relação a \(\nu \) quando \(f\in L^1(|\nu |)\). Nesse caso definimos

\[ \int f\, \d\nu =\int f\, \d\nu ^+-\int f\, \d\nu ^-. \]

Não há indeterminação, pois as duas integrais são finitas, e

\begin{equation} \label{eq:integral-medida-assinada} \left|\int f\, \d\nu \right| \leq \int |f|\, \d|\nu |. \tag{13.1} \end{equation}

A integração em relação a uma medida com sinal se reduz, portanto, à integração já construída para as duas partes positivas de Jordan.

13.3 Continuidade absoluta e singularidade

Passemos à comparação com uma medida de referência. A continuidade absoluta exige que seus conjuntos nulos também sejam nulos para a medida comparada. A singularidade, por sua vez, permite concentrar as duas medidas em partes disjuntas do espaço.

Definição 13.15 (Continuidade absoluta)
Se \(\mu \) é uma medida positiva e \(\nu \) é uma medida positiva ou com sinal no mesmo espaço mensurável, dizemos que \(\nu \) é absolutamente contínua em relação a \(\mu \), e escrevemos
\[ \nu \ll \mu , \]
se \(\mu (E)=0\) implica que \(E\) é nulo para \(\nu \).

Para uma medida positiva, basta exigir \(\nu (E)=0\). Para uma medida com sinal, a formulação com conjuntos nulos explicita que a condição vale também para todos os subconjuntos mensuráveis de \(E\), não apenas para o saldo total.

Observação 13.16
Continuidade absoluta e singularidade não são negações uma da outra. Uma medida pode ter uma parte absolutamente contínua e outra singular em relação à mesma medida de referência. O teorema de decomposição a seguir dará uma forma precisa a essa separação.

Lema 13.17
Se \(\nu \ll \mu \) e \(\nu \perp \mu \), então \(\nu \) é identicamente nula.

Demonstração

Escolha \(S\in \mathcal{F}\) tal que \(\mu (S)=0\) e \(\nu \) esteja concentrada em \(S\). Pela continuidade absoluta, \(S\) é nulo para \(\nu \); fora de \(S\), a medida já era nula pela singularidade. Logo \(\nu (E)=0\) para todo \(E\in \mathcal{F}\).

13.4 Decomposição de Lebesgue–Radon–Nikodým

Sob as hipóteses do próximo teorema, a parte absolutamente contínua admite uma densidade em relação à medida de referência. A parte restante é singular. Começaremos com medidas finitas e depois passaremos ao caso \(\sigma \)-finito.

Teorema 13.18 (Lebesgue–Radon–Nikodým: caso finito)
Se \(\mu \) e \(\nu \) são medidas positivas finitas em \((\Omega ,\mathcal{F})\), existem uma função mensurável \(f\geq 0\) e uma medida positiva \(\nu _s\) tais que
\[ \nu (E)=\int _E f\, \d\mu +\nu _s(E), \qquad E\in \mathcal{F}, \]
e \(\nu _s\perp \mu \). A função \(f\) é única \(\mu \)-quase certamente e a medida \(\nu _s\) é única.

Demonstração

Considere a classe

\[ \mathcal H= \left\{ h\geq 0\text{ mensurável}: \int _E h\, \d\mu \leq \nu (E)\text{ para todo }E\in \mathcal{F}\right\} \]

e defina

\[ \alpha =\sup _{h\in \mathcal H}\int h\, \d\mu . \]

A função nula pertence a \(\mathcal H\) e, tomando \(E=\Omega \), vemos que \(0\leq \alpha \leq \nu (\Omega )\lt \infty \).

A classe \(\mathcal H\) é fechada por máximos finitos. De fato, para \(h,k\in \mathcal H\), basta decompor cada \(E\) entre \(E\cap \{ h\geq k\} \) e \(E\cap \{ h\lt k\} \) para obter

\[ \int _E(h\vee k)\, \d\mu \leq \nu (E). \]

Escolha \(h_n\in \mathcal H\) com \(\int h_n\, \d\mu \to \alpha \) e ponha

\[ g_n=h_1\vee \cdots \vee h_n, \qquad f=\lim _{n\to \infty }g_n. \]

Pelo teorema da convergência monótona, \(f\in \mathcal H\) e

\[ \int f\, \d\mu =\alpha . \]

Defina a medida positiva

\[ \lambda (E)=\nu (E)-\int _E f\, \d\mu . \]

Mostraremos que \(\lambda \perp \mu \). Para cada \(m\geq 1\), aplique o Teorema de Hahn à medida com sinal \(\lambda -m^{-1}\mu \) e escolha uma decomposição \((P_m,N_m)\). Como \(P_m\) é positivo,

\[ \frac1m\mu (E\cap P_m)\leq \lambda (E\cap P_m) \qquad (E\in \mathcal{F}). \]

Além disso, para todo \(E\in \mathcal{F}\),

\begin{align*} \int _E\left(f+\frac1m\mathbb {1}_{P_m}\right)\, \d\mu & \leq \int _E f\, \d\mu +\lambda (E\cap P_m)\\ & \leq \int _E f\, \d\mu +\lambda (E)=\nu (E). \end{align*}

Consequentemente, \(f+m^{-1}\mathbb {1}_{P_m}\) pertence a \(\mathcal H\). Pela maximalidade de \(f\),

\[ \alpha +\frac1m\mu (P_m)\leq \alpha , \]

e portanto \(\mu (P_m)=0\).

Se \(S=\bigcup _{m\geq 1}P_m\), então \(\mu (S)=0\). Para \(E\subseteq S^c\), temos \(E\subseteq N_m\) para todo \(m\), e a negatividade de \(N_m\) fornece

\[ 0\leq \lambda (E)\leq \frac1m\mu (E). \]

Fazendo \(m\to \infty \), obtemos \(\lambda (E)=0\). Logo \(\lambda \) está concentrada no conjunto \(\mu \)-nulo \(S\), isto é, \(\lambda \perp \mu \). Tomamos \(\nu _s=\lambda \).

Resta a unicidade. Se

\[ \nu =f\mu +\nu _s=g\mu +\widetilde\nu _s \]

são duas decomposições, então a medida com sinal \((f-g)\mu =\widetilde\nu _s-\nu _s\) é absolutamente contínua em relação a \(\mu \). Ela também é singular: se \(\nu _s\) e \(\widetilde\nu _s\) estão concentradas, respectivamente, nos conjuntos \(\mu \)-nulos \(S\) e \(\widetilde S\), então \(\widetilde\nu _s-\nu _s\) está concentrada em \(S\cup \widetilde S\), que ainda é \(\mu \)-nulo. Pelo Lema 13.17, essa medida é nula. Logo \(f=g\) \(\mu \)-quase certamente e \(\nu _s=\widetilde\nu _s\).

A medida

\[ \nu _a(E)=\int _E f\, \d\mu \]

é a parte absolutamente contínua de \(\nu \), e \(\nu _s\) é sua parte singular. A função

\[ f=\frac{\d\nu _a}{\d\mu } \]

é a derivada de Radon–Nikodým. A ordem importa: \(f\) é a densidade de \(\nu _a\) em relação a \(\mu \), não o contrário.

Corolário 13.19 (Radon–Nikodým finito)
Se \(\mu \) e \(\nu \) são medidas positivas finitas e \(\nu \ll \mu \), existe uma função mensurável \(f\geq 0\), única \(\mu \)-quase certamente, tal que

\begin{equation} \label{rn_ftc} \nu (E)=\int _E f\, \d\mu , \qquad E\in \mathcal{F}. \tag{13.2} \end{equation}

Demonstração

Na decomposição do teorema, a parte singular \(\nu _s=\nu -\nu _a\) também é absolutamente contínua em relação a \(\mu \). Pelo Lema 13.17, \(\nu _s=0\).

A equação (13.2) tem a forma de um Teorema Fundamental do Cálculo: recuperamos a medida integrando sua densidade. A continuidade absoluta é a hipótese que permite essa recuperação sem uma parcela singular.

Teorema 13.20 (Radon–Nikodým \(\sigma \)-finito)

Se \(\mu \) e \(\nu \) são medidas positivas \(\sigma \)-finitas em \((\Omega ,\mathcal{F})\), então existem, de modo único, medidas positivas \(\nu _a\) e \(\nu _s\) tais que

\[ \nu =\nu _a+\nu _s, \qquad \nu _a\ll \mu , \qquad \nu _s\perp \mu . \]

Além disso, existe uma função mensurável \(f\geq 0\), única \(\mu \)-quase certamente, para a qual

\[ \nu _a(E)=\int _E f\, \d\mu . \]

Se \(\nu \) é uma medida com sinal cuja variação total \(|\nu |\) é \(\sigma \)-finita, a mesma conclusão vale com \(f\) real e \(\nu _s\) uma medida com sinal singular. Em particular, se \(\nu \) é finita e \(\nu \ll \mu \), então \(f\in L^1(\mu )\) e

\[ \nu (E)=\int _E f\, \d\mu . \]

Demonstração

Pela \(\sigma \)-finitude, escolha coberturas mensuráveis

\[ \Omega =\bigcup _{m\geq 1}A_m=\bigcup _{n\geq 1}B_n \]

tais que \(\mu (A_m)\lt \infty \) e \(\nu (B_n)\lt \infty \). Os conjuntos \(A_m\cap B_n\) formam uma família enumerável que cobre \(\Omega \) e têm medida finita para ambas as medidas. Enumerando essa família e disjuntificando-a, obtemos uma partição mensurável

\[ \Omega =\dot\bigcup _{k\geq 1}E_k \]

tal que \(\mu (E_k)\lt \infty \) e \(\nu (E_k)\lt \infty \) para todo \(k\). Aplicamos o caso finito às restrições de \(\mu \) e \(\nu \) a cada \(E_k\). As densidades locais podem ser coladas na função

\[ f=\sum _{k=1}^{\infty }f_k\mathbb {1}_{E_k}, \]

e a união dos suportes singulares locais ainda é \(\mu \)-nula. Isso produz a decomposição global; a unicidade segue do Lema 13.17.

Para uma medida com sinal, aplicamos o resultado às partes \(\nu ^+\) e \(\nu ^-\) da decomposição de Jordan e subtraímos as respectivas decomposições. Se \(\nu \) é finita e absolutamente contínua, a parte singular é nula e \(\int |f|\, \d\mu =|\nu |(\Omega )\lt \infty \).

13.4.1 Exemplos e uma ponte para a esperança condicional

Exemplo 13.21 (Uma medida mista)
Em \(\mathbb {R}\), seja
\[ \nu (E)=\int _E(1+x^2)\, \d x+3\delta _0(E), \]
onde \(\delta _0\) é a massa de Dirac em \(0\). Em relação à medida de Lebesgue \(\lambda \),
\[ \frac{\d\nu _a}{\d\lambda }(x)=1+x^2, \qquad \nu _s=3\delta _0. \]
A parte singular está concentrada num único ponto. Não podemos incorporá-la à densidade mudando apenas o valor desta em \(0\): a integral de Lebesgue não percebe essa alteração.

Figura 13.2 A decomposição da medida mista do exemplo. A área representa a densidade em relação à medida de Lebesgue; a seta vertical representa massa concentrada em \ 0\ , não o valor de uma densidade.

Figura 13.2 A decomposição da medida mista do exemplo. A área representa a densidade em relação à medida de Lebesgue; a seta vertical representa massa concentrada em \(\{ 0\} \), não o valor de uma densidade.

Exemplo 13.22 (Espaço discreto)
Num espaço enumerável, suponha que \(\mu (\{ x\} )\gt 0\) em todos os pontos. Toda medida \(\nu \) é absolutamente contínua em relação a \(\mu \) e
\[ \frac{\d\nu }{\d\mu }(x) =\frac{\nu (\{ x\} )}{\mu (\{ x\} )}. \]
Se \(\mu \) e \(\nu \) são probabilidades, essa razão é o fator que transforma os pesos da primeira lei nos da segunda, ponto a ponto.

A construção da esperança condicional dá uma aplicação direta do teorema. Seja \(X\in L^1(\Omega ,\mathcal{F},\P )\) e seja \(\mathcal{G}\subseteq \mathcal{F}\) uma \(\sigma \)-álgebra. Defina, para \(A\in \mathcal{G}\),

\[ \nu (A)=\mathbf{E}[X\mathbb {1}_A]. \]

Então \(\nu \) é uma medida com sinal finita em \((\Omega ,\mathcal{G})\) e \(\nu \ll \P |_{\mathcal{G}}\). Pelo Teorema de Radon–Nikodým, existe uma função integrável e \(\mathcal{G}\)-mensurável \(Y\), única \(\P \)-quase certamente, tal que

\[ \mathbf{E}[X\mathbb {1}_A]=\mathbf{E}[Y\mathbb {1}_A], \qquad A\in \mathcal{G}. \]

É essa função que, no capítulo seguinte, chamaremos de esperança condicional de \(X\) dada \(\mathcal{G}\) e denotaremos por

\[ Y=\mathbf{E}[X\mid \mathcal{G}]. \]

A existência e a unicidade quase certa da esperança condicional decorrem, portanto, do Teorema de Radon–Nikodým. A restrição a \(\mathcal{G}\) incorpora a informação disponível; a densidade \(Y\) preserva as integrais que essa informação permite observar.

Exercício 13.1

Seja \((\Omega ,\mathcal F,\mu )\) um espaço de medida e \(f\in L^1(\mu )\). Defina

\[ \nu (A)=\int _A f\, \d\mu , \qquad A\in \mathcal F. \]

Prove que \(\nu \) é uma medida com sinal finita. Encontre uma decomposição de Hahn, sua decomposição de Jordan e a medida de variação total \(|\nu |\).

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Aditividade enumerável segue de Convergência Dominada aplicada às somas de indicadoras disjuntas, e \(|\nu (\Omega )|\leq \int |f|\, \d\mu \lt \infty \). Tome \(P=\{ f\geq 0\} \) e \(N=\{ f\lt 0\} \). Então
\[ \nu ^+(A)=\int _Af^+\, \d\mu ,\qquad \nu ^-(A)=\int _Af^-\, \d\mu , \qquad |\nu |(A)=\int _A|f|\, \d\mu . \]
Exercício 13.2

Seja \(\Omega =\{ 1,\ldots ,n\} \) e sejam \(a_1,\ldots ,a_n\in \mathbb {R}\). Para

\[ \nu (A)=\sum _{i\in A}a_i, \qquad A\subseteq \Omega , \]

determine explicitamente:

  1. uma decomposição de Hahn de \(\Omega \);

  2. as medidas \(\nu ^+\) e \(\nu ^-\);

  3. \(|\nu |(A)\) para cada \(A\subseteq \Omega \).

Ver solução
Uma decomposição é \(P=\{ i:a_i\geq 0\} \), \(N=\{ i:a_i\lt 0\} \). Para todo \(A\),
\[ \nu ^+(A)=\sum _{i\in A}a_i^+,\qquad \nu ^-(A)=\sum _{i\in A}a_i^-,\qquad |\nu |(A)=\sum _{i\in A}|a_i|. \]
Os índices com \(a_i=0\) podem ser postos em qualquer uma das duas partes.
Exercício 13.3

Se \(\mu _1\) e \(\mu _2\) são medidas finitas no mesmo espaço mensurável, prove que \(\nu =\mu _1-\mu _2\) é uma medida com sinal e que

\[ |\nu |\leq \mu _1+\mu _2. \]

Tomando \(\rho =\mu _1+\mu _2\), escreva a decomposição de Jordan de \(\nu \) em termos das derivadas de Radon–Nikodým de \(\mu _1\) e \(\mu _2\) com respeito a \(\rho \).

Ver solução
A diferença de duas medidas finitas é uma medida com sinal. Para qualquer partição \(A=\bigsqcup _jA_j\), \(\sum _j|\nu (A_j)|\leq \sum _j(\mu _1(A_j)+\mu _2(A_j))=\rho (A)\); tomando o supremo, \(|\nu |\leq \rho \). Se \(h_i=\d\mu _i/\d\rho \), então \(\nu (A)=\int _A(h_1-h_2)\, \d\rho \) e
\[ \nu ^+=(h_1-h_2)^+\rho ,\qquad \nu ^-=(h_1-h_2)^-\rho . \]
Exercício 13.4

Se \((P,N)\) e \((P',N')\) são duas decomposições de Hahn da mesma medida com sinal \(\nu \), prove que \(P\mathbin {\triangle } P'\) e \(N\mathbin {\triangle } N'\) são \(|\nu |\)-nulos. Conclua que as partes positiva e negativa da decomposição de Jordan são únicas.

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\(P\cap N'\) é simultaneamente positivo e negativo: toda parte mensurável tem medida zero. Logo é \(|\nu |\)-nulo; o mesmo vale para \(N\cap P'\). Como \(P\triangle P'\subseteq (P\cap N')\cup (N\cap P')\), essa diferença é nula, e analogamente para \(N\triangle N'\). As fórmulas \(\nu ^+(A)=\nu (A\cap P)\) e \(\nu ^-(A)=-\nu (A\cap N)\) não mudam ao trocar a decomposição, provando a unicidade.
Exercício 13.5

Seja \(\nu \) uma medida com sinal finita. Prove que, para todo \(A\in \mathcal F\),

\[ |\nu |(A) =\sup \left\{ \sum _{j=1}^{m}|\nu (A_j)|: m\geq 1,\quad A=\bigsqcup _{j=1}^{m}A_j,\quad A_j\in \mathcal F \right\} . \]

Mostre também que \(|\nu (A)|\leq |\nu |(A)\).

Ver solução
Para qualquer partição,
\[ \sum _j|\nu (A_j)| \leq \sum _j\bigl(\nu ^+(A_j)+\nu ^-(A_j)\bigr)=|\nu |(A). \]
Se \((P,N)\) é uma decomposição de Hahn, a partição \(A=(A\cap P)\sqcup (A\cap N)\) atinge a igualdade, pois seus termos somam \(\nu ^+(A)+\nu ^-(A)\). A partição trivial \(\{ A\} \) dá imediatamente \(|\nu (A)|\leq |\nu |(A)\).
Exercício 13.6

Sejam \(\lambda \), \(\nu \) e \(\mu \) medidas \(\sigma \)-finitas tais que \(\lambda \ll \nu \ll \mu \). Prove a regra da cadeia

\[ \frac{\d\lambda }{\d\mu } =\frac{\d\lambda }{\d\nu }\, \frac{\d\nu }{\d\mu } \qquad \mu \text{-quase certamente}. \]

Especifique versões das derivadas para as quais o produto está definido.

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Escolha versões mensuráveis não negativas \(f=\d\lambda /\d\nu \) e \(g=\d\nu /\d\mu \), tornando-as finitas fora de conjuntos nulos e definindo \(f=0\) onde sua versão não estiver determinada. Como esse conjunto é \(\nu \)-nulo, \(g=0\) nele \(\mu \)-quase certamente. Para todo \(A\),
\[ \lambda (A)=\int _A f\, \d\nu =\int _A f g\, \d\mu . \]
Pela unicidade de Radon–Nikodým, \(fg=\d\lambda /\d\mu \) \(\mu \)-quase certamente.
Exercício 13.7

Sejam \(P\) e \(Q\) probabilidades no mesmo espaço mensurável, com \(Q\ll P\), e escreva \(Z=\d Q/\d P\).

  1. Prove que \(Z\geq 0\) e \(\mathbf{E}_P[Z]=1\).

  2. Para toda variável \(X\geq 0\), prove a fórmula de mudança de medida

    \[ \mathbf{E}_Q[X]=\mathbf{E}_P[XZ]. \]
  3. Estenda a identidade às variáveis \(Q\)-integráveis, indicando a condição correspondente em termos de \(P\) e \(Z\).

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Por Radon–Nikodým, \(Z\geq 0\) \(P\)-q.c. e \(\mathbf{E}_PZ=Q(\Omega )=1\). Para uma indicadora, \(\mathbf{E}_Q\mathbb {1}_A=Q(A)=\int _AZ\, \d P\); linearidade, Convergência Monótona e decomposição em partes positiva e negativa estendem a fórmula a todo \(X\geq 0\). Para \(X\) com sinal, ela vale exatamente quando \(\mathbf{E}_P(|X|Z)\lt \infty \), condição equivalente a \(X\in L^1(Q)\).
Exercício 13.8

Em \(\mathbb {R}\), defina

\[ \mu =\lambda +\delta _0, \qquad \nu =2\lambda +3\delta _0+\delta _1, \]

onde \(\lambda \) é a medida de Lebesgue. Determine a decomposição de Lebesgue \(\nu =\nu _a+\nu _s\) relativa a \(\mu \) e calcule \(\d\nu _a/\d\mu \).

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Como \(\delta _1\) está concentrada em \(\{ 1\} \) e \(\mu (\{ 1\} )=0\), ela é singular em relação a \(\mu \). Já \(2\lambda +3\delta _0\ll \mu \). Portanto
\[ \nu _a=2\lambda +3\delta _0, \qquad \nu _s=\delta _1, \]
e uma versão da densidade é
\[ \frac{\d\nu _a}{\d\mu }(x) =2\mathbb {1}_{\mathbb {R}\setminus \{ 0\} }(x)+3\mathbb {1}_{\{ 0\} }(x). \]