Círculos e Esferas
7.1 Equações Canônicas de Círculos e Esferas
Um círculo de centro \(C=(a,b)\) e raio \(r\gt 0\) é o lugar geométrico dos pontos do plano cuja distância a \(C\) é igual a \(r\). Assim, \(P=(x,y)\) pertence ao círculo se e somente se
ou equivalentemente:
De modo análogo, a equação reduzida de uma esfera de centro \(\left( a,b,c\right) \) e raio \(r\) é
Já conhecemos o centro e precisamos determinar o raio. Nesse caso o raio é a distância entre a reta e o ponto, já que a tangente a um círculo é perpendicular ao raio que liga o centro ao ponto de tangência. Logo:
e assim a equação do círculo é:
O segmento dado é um diâmetro. Seu ponto médio determina o centro da esfera, e metade de seu comprimento determina o raio. Logo:
O ponto médio é \(\left( 4,1,3\right) \) e logo a equação da esfera é:
Podemos generalizar o exemplo anterior:
Como no exemplo anterior, identificaremos a curva completando quadrados. O termo \(x^2+Ax\) pode ser convertido num quadrado, se somarmos \(\dfrac {A^2}{4}\) e \(y^2+By\) pode ser convertido num quadrado somando \(\dfrac {B^2}{4}\). Desta forma, somaremos \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}\) em cada lado da equação:
A equação representa um círculo não degenerado exatamente quando \(r^2=\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}-C\), e assim temos que ter \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}-C\gt 0\).
Se \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}-C\lt 0\), o lugar geométrico é vazio, pois uma soma de quadrados não pode ser negativa.
Se \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}-C=0\), o lugar geométrico reduz-se ao ponto \(\left(-\dfrac {A}{2}, -\dfrac {B}{2} \right)\), pois se a soma de quadrados perfeitos é \(0\) cada termo da soma é zero.
De modo análogo, podemos demonstrar que a equação
descreve uma esfera se \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}+\dfrac {C^2}{4}-D\gt 0\), um ponto se \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}+\dfrac {C^2}{4}-D=0\) e o conjunto vazio se \(\dfrac {A^2}{4}+\dfrac {B^2}{4}+\dfrac {C^2}{4}-D\lt 0\).
7.1.1 Círculo por três pontos
Três pontos não colineares determinam um único círculo. Dados \(P_1,P_2\) e \(P_3\) não colineares, sua equação pode ser obtida impondo que as coordenadas dos três pontos satisfaçam uma equação geral da forma
e que um ponto pertence ao círculo se e somente se suas coordenadas satisfazem tal equação. A substituição das coordenadas de cada ponto fornece uma equação linear nas incógnitas \(A,B,C\). As três condições determinam, portanto, um sistema linear de três equações nas incógnitas \(A,B,C\). Sua solução fornece os coeficientes da equação procurada.
Uma alternativa é determinar o centro geometricamente. Os pontos \(P_1,P_2,P_3\) formam um triângulo inscrito na circunferência, cujo centro é o circuncentro do triângulo, isto é, a interseção de suas mediatrizes.
A equação da reta passando pelos pontos \((-1,2)\), \((0,1)\) é \(y - 1 = -x\), e como o ponto médio desses pontos é: \((-\dfrac {1}{2},\dfrac {3}{2})\) temos que a mediatriz relativa a esse lado é: \(y-\dfrac {3}{2}=x+\dfrac {1}{2}\) (lembrando que como a mediatriz é perpendicular ao lado seu coeficiente angular é igual a menos o inverso do coeficiente da reta).
De modo análogo a equação da reta passando pelos pontos \((0,1)\) e \((-3,2)\) é \(y=-\dfrac {x}{3}+1\) e a equação da mediatriz é: \(3 x =- 6 + y\)
temos o sistema:
cujas solução é \(x = -2,y=0\), ou seja o centro da circunferência é \((-2,0)\). O raio pode ser calculado observando que este será a distância do centro \((-2,0)\) a um dos vértices do triângulo, por exemplo \((0,1)\). Assim \(r^2=5\), e logo a equação é:
Impondo que os pontos pertençam a esfera temos o seguinte sistema linear:
cuja solução é \(A= -\dfrac {5}{3},B= -\dfrac {1}{3},C= -\dfrac {1}{3},D= -\dfrac {2}{3}\) e assim a equação da esfera é:
Completando quadrado obtemos:
Donde segue:
Determine as equações dos círculos descritos a seguir: Centro \(\left( -2,5\right) \) e raio \(r=3\). Centro \(\left( 1,3\right) \) e raio \(r=2\) Centro na origem e raio \(r=a\) Centro \(\left( 5,2\right) \) e que passa pelo ponto \(\left( 2,3\right) \) Tangente ao eixo \(y\) na origem e raio \(a\) Extremos de um diâmetro em \(\left( 5,2\right) \) e \(\left( -2,10\right) \) Centro \(\left( 3,-2\right) \) e tangente à reta \(2x-y=0\) Tangente à reta \(2x-5y+1=0\) no ponto \(\left( 2,1\right) \) e de raio \(3\) (duas respostas) Na ordem dos itens: \((x+2)^2+(y-5)^2=9\). \((x-1)^2+(y-3)^2=4\). \(x^2+y^2=a^2\). \((x-5)^2+(y-2)^2=10\). Para \(a\gt 0\), há duas soluções: \((x-a)^2+y^2=a^2\) e \((x+a)^2+y^2=a^2\). O centro é \((3/2,6)\) e \(r=\sqrt{113}/2\): A distância do centro \((3,-2)\) à reta é \(8/\sqrt5\), logo Os centros são e as duas circunferências são Identifique as figuras descritas pelas equações a seguir e determine, quando aplicável, o centro e o raio. \(x^{2}+ y^{2}-4x+6y=12\) \(x^{2}+y^{2}-2x-4y+5=0\) \(x^{2}+ y^{2}=2ax\) \(4x^{2}-4x=5y-4y^{2}\) \(x^{2}+y^{2}+z^{2}=2az\) Na ordem dos itens: \((x-2)^2+(y+3)^2=25\): centro \((2,-3)\), raio \(5\). \((x-1)^2+(y-2)^2=0\): caso degenerado, centro \((1,2)\) e raio \(0\). \((x-a)^2+y^2=a^2\): centro \((a,0)\) e raio \(|a|\). centro \((1/2,5/8)\) e raio \(\sqrt{41}/8\). \(x^2+y^2+(z-a)^2=a^2\): centro \((0,0,a)\) e raio \(|a|\). O círculo pelos pontos \((4,0)\), \((0,3)\) e \((0,0)\) é ou Determine os círculos descritos a seguir. Tangente aos eixos coordenados no segundo quadrante e com raio \(r=4\). Todos os círculos tangentes às três retas que contêm os lados do triângulo limitado pelos eixos coordenados e pela reta que intercepta os eixos \(x\) e \(y\) em \(3\) e \(2\), respectivamente. No segundo quadrante, o centro é \((-4,4)\): A terceira reta é \(2x+3y=6\). Os quatro círculos têm raios com centros, respectivamente, \((r_1,r_1)\), \((r_2,r_2)\), \((r_3,-r_3)\) e \((-r_4,r_4)\). Verifique se as equações a seguir descrevem esferas. Em caso afirmativo, determine o centro e o raio: \(x^{2}+y^{2}+z^{2}-2x-4y+10=0\) \(x^{2}-6x+y^{2}-4y+z^{2}+14z+58=0\) \(x^{2}+y^{2}-6y+z^{2}+4z+16=0\) \(x^{2}+2x+y^{2}+4y-z^{2}+6z-29=0\) Não há esfera real: a equação equivale a centro \((3,2,-7)\) e raio \(2\). Não há esfera real: Não é esfera, pois os coeficientes dos termos quadráticos não são iguais: o termo \(z^2\) aparece com sinal oposto. Expanda A condição significa que os vetores \(\overrightarrow {P_1X}\) e \(\overrightarrow {P_2X}\) são ortogonais; pelo teorema de Tales, o lugar geométrico é a esfera de diâmetro \(P_1P_2\). Em coordenadas, a expansão fornece exatamente a equação proposta.
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7.2 Retas Tangentes e Planos Tangentes
Uma reta é tangente a um círculo quando possui exatamente um ponto em comum com ele. Se \(T\) é o ponto de tangência e \(C\) é o centro, então o raio \(\overrightarrow {CT}\) é perpendicular à reta tangente. Equivalentemente, a distância de \(C\) à reta tangente é igual ao raio do círculo.
De modo análogo, um plano é tangente a uma esfera quando a intersecta em um único ponto \(T\). Nesse caso, o vetor radial que liga o centro da esfera a \(T\) é normal ao plano tangente. Equivalentemente, a distância do centro da esfera ao plano é igual ao raio.
Podemos generalizar o argumento sem recorrer a coeficientes angulares. Considere o círculo
e um ponto \(T=(x_1,y_1)\) do círculo. O vetor radial
é normal à reta tangente em \(T\). Assim, sua equação é
Como \(T\) pertence ao círculo,
e a equação também pode ser escrita na forma
Completando quadrados temos que a equação da esfera pode ser escrita como:
Logo o centro dessa esfera é \((1,-2,-1)\) e o raio é \(3\).
A equação geral de um plano paralelo a \(x - 2 y + 2 z = 3 \) tem equação da forma: \(x - 2 y + 2 z = d\)
Como o plano é tangente à esfera, sua distância ao centro \(C=(1,-2,-1)\) deve ser igual ao raio \(3\). Portanto:
Logo \(d=-6\) ou \(d=12\). Os planos tangentes são \(x-2y+2z=-6\) e \(x-2y+2z=12\).
Resolva os itens a seguir. Determine a equação da reta tangente a \(x^{2}+y^{2}=25\) no ponto \(\left( -3,4\right) \). Determine a equação da reta tangente a \(x^{2}+y^{2}=2x-4y\) na origem. Determine as retas tangentes ao círculo \(x^{2}+y^{2}=4x\) que passam pelo ponto \(\left( 3,2\right) \). Uma corda da circunferência \(x^{2}+y^{2}=25\) está sobre a reta \(x-7y+25=0\). Determine o comprimento dessa corda. Na ordem dos itens: \(3x-4y+25=0\). \(x-2y=0\). As duas tangentes por \((3,2)\) são A distância do centro à reta é \(5/\sqrt2\). Assim a meia corda mede \(5/\sqrt2\) e o comprimento da corda é a equação da circunferência circunscrita ao triângulo; a equação da circunferência inscrita no triângulo; a equação da circunferência que passa pelos pontos médios dos lados do triângulo. Para um triângulo \(ABC\): o circuncentro é a interseção de duas mediatrizes; o raio é a distância desse ponto a qualquer vértice; o incentro é a interseção de duas bissetrizes internas; o raio é a distância do incentro a qualquer lado; os três pontos médios pertencem à circunferência dos nove pontos; seu centro é o ponto médio entre circuncentro e ortocentro e seu raio é metade do circunraio. Para obter apenas a equação, basta determinar o círculo pelos três pontos médios. A escolha \(A=(0,0)\), \(B=(0,a)\), \(C=(b,c)\) simplifica as contas. Os vértices do triângulo são A circunferência circunscrita é Para \(y=mx+b\), a distância da origem à reta é \(|b|/\sqrt{1+m^2}\). A tangência a \(x^2+y^2=r^2\) exige essa distância igual a \(r\), portanto O centro está em \((0,k)\). Igualando as distâncias a \((1,2)\) e \((3,4)\), obtemos \(k=5\). Logo Os centros estão sobre a normal \((3,-4)\) à reta, a distância \(5\) do ponto de tangência \((3,2)\). Assim são e as circunferências são e A circunferência é O ponto \((-1,5)\) está a distância \(\sqrt5\) do centro, menor que o raio \(\sqrt7\). Portanto está no interior do círculo e nenhuma reta por ele pode ser tangente. Determine a equação dos círculos que passam pelos seguintes conjuntos de pontos. Em cada caso, determine o centro e o raio e esboce o círculo. \(\left( 3,4\right) , \left( -1,2\right) , \left( -2,4\right) \) \(\left( 4,2\right) , \left( -2,3\right) , \left( -1,6\right) \) \(\left( a,0\right) , \left( b,0\right) , \left( 0,c\right) \) Na ordem dos itens: centro \((1/2,4)\), raio \(5/2\). centro \((45/38,137/38)\) e \(r^2=7585/722\). Supondo \(c\neq 0\) e \(a\neq b\), a equação é No ponto \((a,b,c)\) da esfera, o vetor radial \((a,b,c)\) é normal ao plano tangente. Portanto Como \(a^2+b^2+c^2=r^2\), segue O centro é a origem e o raio é \(1\). Portanto Parametrize o centro por Igualando suas distâncias aos dois pontos dados, obtém-se \(t=-2\). Assim e Completando quadrados, logo a esfera tem centro \((-2,1,0)\) e raio \(1\). O ponto \((2,3,4)\) está a distância do centro; portanto sua distância à superfície esférica é O plano dado tem normal \((1,3,-2)\) e equação A distância do centro \((3,2,-2)\) ao plano é \(\sqrt{14}\), portanto Se o centro é \((h,0,0)\), a igualdade das distâncias aos pontos dados fornece \(h=2\). O raio satisfaz \(r^2=21\), logo A equação de uma esfera é \(x^{2}+y^{2}+z^{2}+6y-4z+9=0\). Determine a equação da esfera concêntrica que é tangente ao plano: A esfera dada tem centro \((0,-3,2)\). O plano parametrizado tem equação A distância do centro ao plano é \(\sqrt{17}\); a esfera concêntrica procurada é Os planos paralelos a \(4x-y+3z=2\) são \(4x-y+3z=d\). A distância do centro \((0,0,1)\) ao plano deve ser \(1\), portanto A esfera tem centro \((2,-1,2)\) e raio \(\sqrt5\). A distância desse centro à reta é \(\sqrt{14}/2\lt \sqrt5\). Logo a reta atravessa o interior da esfera. Consequentemente, não existe plano real que contenha a reta e seja tangente à esfera.
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7.3 Circunferência em coordenadas polares
Centrada na Origem
O caso mais simples ocorre quando a circunferência está centrada na origem nesse caso a circunferência é o conjunto de pontos que distam uma constante \(a\) da origem ou seja a equação em coordenadas polares é
A equivalência com a equação cartesiana pode ser verificada pela relação entre as coordenadas. Observe que, em coordenadas cartesianas, \(P=(x,y)\) pertence a tal círculo se e somente se: \(x = a\cos \theta \) e \(y = a\sin \theta \). Daí segue que:
Passando pela Origem
Dada uma circunferência de raio \(a\) e passando pela origem. As coordenadas polares do centro dessa circunferência são \(\left( a,\alpha \right) \).
Considere o triângulo \(\Delta OKP\). Como \(\overline{OK}\) é diâmetro da circunferência circunscrita ao triângulo vemos que \(\Delta OKP\) é retângulo em \(P\). Da definição de cosseno segue então:
Forma Geral
Dado uma circunferência de centro \(\left( c,\alpha \right) \) e raio \(a\), usando a lei dos cossenos temos que:
que é a equação da circunferência na forma geral.
De segue portanto o centro cartesiano é e o raio é \(\sqrt{A^2+B^2}/2\). Como \(A\gt 0\), o centro está no semiplano \(x\gt 0\) e sua direção polar é exatamente Assim o centro polar é (Sem a hipótese \(A\gt 0\), a direção correta em todos os quadrantes é dada por \(\alpha =\operatorname {atan2}(B,A)\), que coincide com \(\arctan (B/A)\) apenas quando \(A\gt 0\).) \(r=8\cos \theta \) equivale a A reta \(r\sin \theta =4\) é \(y=4\), cuja distância ao centro \((4,0)\) é \(4\), igual ao raio. Logo é tangente. O círculo \(r=2a\cos \theta \) equivale a No ponto \((r_1,\theta _1)\), usando \(r_1=2a\cos \theta _1\), a equação do raio normal à tangente leva a A equação é o círculo de centro \((r_1,0)\) e raio \(|a|\). A reta é Sua distância ao centro é \(|a|\), portanto ela é tangente ao círculo. Ver solução
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7.4 Exercícios complementares
O centro é \(C=(2,-1)\) e o raio é \(5\). A distância do centro à reta é portanto a reta é secante. Se \(\ell \) é o comprimento da corda, logo O centro é \(C=(1,-2,3)\) e é normal ao plano tangente. Assim ou Multiplicando por \(r\), logo Completando quadrados, O centro é \((3,-1)\) e o raio é \(\sqrt{10}\). A equação cartesiana é ou Portanto Ver solução
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