Capítulo 5

Posições Relativas

Neste capítulo estudaremos as posições relativas de retas e planos. As equações obtidas no capítulo anterior permitem estabelecer critérios algébricos para distinguir coincidência, paralelismo e interseção; no caso de retas no espaço, permitem também identificar a posição reversa.

5.1 Posições Relativas entre Retas

5.1.1 Posições Relativas entre Retas no Plano

Começaremos com o estudo da posição relativa de duas retas no plano. Lembremos primeiro que duas retas em um mesmo plano podem ser:

  • coincidentes, i.e., são a mesma reta;

  • paralelas;

  • concorrentes, ou seja, se interceptam em um único ponto.

Tomemos então duas retas dadas em forma vetorial como \(r:A+\boldsymbol {v}t\) e \(s:B+\boldsymbol {u}t\).

Como a direção de uma reta é dada pelo seu vetor direcional, temos que as retas \(r\) e \(s\) são paralelas se seus vetores diretores \(v\) e \(u\) são paralelos, ou seja, se um é múltiplo do outro.

Duas retas \(r\) e \(s\) são coincidentes quando possuem os mesmos pontos. Para verificar essa condição, comparamos primeiro suas direções. Se forem paralelas, basta verificar se um ponto de uma delas pertence à outra. Podemos, por exemplo, testar se o ponto inicial de \(r\) (o ponto \(A\)) pertence à reta \(s\). Se não houver ponto comum, as retas serão paralelas distintas.

Duas retas de um mesmo plano que não são paralelas se intersectam em um único ponto; nesse caso, são concorrentes.

Resumindo,

Proposição 5.1
Duas retas em um mesmo plano são:
  • Paralelas se e somente se seus vetores diretores são múltiplos um do outro.

    Neste caso elas podem ser:

    • Coincidentes: se o lugar geométrico de \(r\) e de \(s\) são o mesmo. Neste casos as retas são paralelas e passam pelo mesmo ponto. Para verificar se suas retas paralelas são coincidentes é suficiente verificar se elas possuem um ponto em comum. Por exemplo se o ponto \(B\) pertence a reta \(r\).

    • Paralelas não coincidentes, se não possuem pontos em comum.

  • Concorrentes, ou seja, se interceptam em um único ponto. Neste caso os vetores diretores não são paralelos.

Ilustração: Posições Relativas entre Retas no Plano Ilustração: Posições Relativas entre Retas no Plano

Exemplo 5.2
Determine a posição relativa entre as retas:
  1. \(r:(1,2)+(3,-1)t\) e \(s:(4,1)+(\dfrac {3}{2},-\dfrac {1}{2})t\)

  2. \(r:(1,2)+(3,-1)t\) e \(s:(2,2)+(1,-\dfrac {1}{3})t\)

  3. \(r:(1,2)+(3,-1)t\) e \(s:(2,2)+(0,1)t\)

Solução
  1. Os vetores diretores são paralelos, pois

    \[ \left(\dfrac 32,-\dfrac 12\right)=\dfrac 12(3,-1). \]

    Além disso, \((4,1)=(1,2)+(3,-1)\) pertence a \(r\). Portanto as retas são coincidentes.

  2. Os vetores diretores são paralelos, pois

    \[ \left(1,-\dfrac 13\right)=\dfrac 13(3,-1). \]

    Entretanto \((2,2)\) não pertence a \(r\): a primeira coordenada exigiria \(t=1/3\), que produziria \(y=5/3\). Logo as retas são paralelas distintas.

  3. Os vetores diretores \((3,-1)\) e \((0,1)\) não são paralelos. Portanto as retas são concorrentes.

No plano, também é conveniente comparar retas dadas por equações cartesianas. Considere

\[ r:ax+by+c=0, \qquad s:a'x+b'y+c'=0, \]

com \((a,b)\neq (0,0)\) e \((a',b')\neq (0,0)\). Os vetores \((a,b)\) e \((a',b')\) são normais às retas.

Teorema 5.3
Com a notação acima:
  1. \(r\) e \(s\) são coincidentes se e somente se existe \(\lambda \neq 0\) tal que

    \[ (a',b',c')=\lambda (a,b,c). \]
  2. \(r\) e \(s\) são paralelas distintas se e somente se \((a',b')=\lambda (a,b)\) para algum \(\lambda \neq 0\), mas \(c'\neq \lambda c\).

  3. \(r\) e \(s\) são concorrentes se e somente se \((a,b)\) e \((a',b')\) não são proporcionais.

Figura 5.1 Retas reversas no espaço.

Figura 5.1 Retas reversas no espaço.

5.1.2 Posições Relativas entre Retas no Espaço

No espaço, duas retas podem ou não estar contidas em um mesmo plano. Quando estão em um mesmo plano, são chamadas de retas coplanares, e sua posição relativa pode ser analisada como na seção anterior. Duas retas paralelas são necessariamente coplanares. Retas não coplanares são chamadas de reversas. Assim, duas retas no espaço podem ser

  • Reversas, se as duas retas não estiverem contidas num mesmo plano.

  • Coplanares, se as duas retas estiverem contidas num mesmo plano. Neste caso, valem as classificações vistas até agora, e as retas podem ser:

    • Coincidentes;

    • Paralelas;

    • Concorrentes.

Precisamos então encontrar um critério para determinar se duas retas são ou não coplanares. Para tanto, considere duas retas \(r:A+\boldsymbol {v}t\) e \(s:B+\boldsymbol {u}s\), com \(A\neq B\). Se \(r\) e \(s\) forem coplanares, então necessariamente o vetor \(\overrightarrow {AB}\) deve ser coplanar aos vetores \(\boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\), ou seja, os vetores \(\overrightarrow {AB}, \boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\) são linearmente dependentes. Do mesmo modo, se \(\overrightarrow {AB}, \boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\) forem coplanares então a reta \(s\) está contida no mesmo plano determinado pela reta \(r\) e pelo ponto \(B\). Isso nos dá o seguinte resultado.

Teorema 5.4
Duas retas \(r:X=A+t\boldsymbol {v}\) e \(s:X=B+u\boldsymbol {w}\) são coplanares se e somente se os vetores \(\overrightarrow {AB},\boldsymbol {v},\boldsymbol {w}\) são linearmente dependentes. Equivalentemente,
\[ (\boldsymbol {v}\times \boldsymbol {w})\cdot \overrightarrow {AB}=0. \]
Se esse produto misto é não nulo, as retas são reversas.

Ilustração: Posições Relativas entre Retas no Espaço Ilustração: Posições Relativas entre Retas no Espaço

Exemplo 5.5
Determine a posição relativa entre as seguintes retas:
  1. \(r:(1,2,0)+t(2,2,2)\) e \(s:(1,3,3)+t(2,2,3)\)

  2. \(r:(1,0,0)+t(2,2,2)\) e \(s:(2,3,0)+t(1,-1,2)\)

  3. \(r:(1,0,0)+t(1,1,1)\) e \(s:(2,3,0)+t(1,1,1)\)

  4. \(r:(1,0,0)+t(1,1,1)\) e \(s:(2,1,1)+t(1,1,1)\)

Solução
  1. Para determinar se \(r\) e \(s\) são coplanares precisamos estudar a dependência linear dos vetores \((2,2,2)\), \((2,2,3)\) e \((0,1,3)=(1,3,3)-(1,2,0)\). Como o determinante formado pelas coordenadas destes vetores vale

    \[ \left\vert \begin{array}{ccc} 2 & 2 & 2\\ 2 & 2 & 3\\ 0 & 1 & 3 \end{array} \right\vert =-2\neq 0, \]

    concluímos que as retas não são coplanares, sendo portanto reversas.

  2. Como o determinante formado pelas coordenadas dos vetores \((2,2,2)\), \((1,-1,2)\) e \((1,3,0)\)

    \[ \left\vert \begin{array}{ccc} 2 & 2 & 2\\ 1 & -1 & 2\\ 1 & 3 & 0 \end{array} \right\vert =0 \]

    as retas são coplanares. Como os vetores diretores não são múltiplos, as retas são concorrentes.

  3. As retas acima possuem o mesmo vetor diretor, de onde concluímos que são coplanares e paralelas. Como o ponto \((1,0,0)\) não pertence a \(s\), as retas são paralelas e não coincidentes.

  4. Assim como no item anterior, as retas são coplanares e paralelas. Como o ponto \((1,0,0)\) pertence a reta \(s\) (basta fazer \(t=-1\) na equação de \(s\)) obtemos que \(r\) e \(s\) são de fato coincidentes.

5.2 Posições Relativas entre Retas e Planos

Sejam \(r:X=P+t\boldsymbol {v}\) uma reta e \(\pi \) um plano de vetor normal \(\boldsymbol {n}\). Há três possibilidades: \(r\) pode estar contida em \(\pi \), ser paralela e disjunta de \(\pi \), ou intersectar \(\pi \) em um único ponto.

A distinção entre os casos depende do produto escalar \(\boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}\).

  • Se \(\boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}\neq 0\), a reta é transversal ao plano e existe exatamente um ponto de interseção.

  • Se \(\boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}=0\), a direção da reta é paralela ao plano. Nesse caso, se \(P\in \pi \), toda a reta está contida em \(\pi \); se \(P\notin \pi \), reta e plano são paralelos e disjuntos.

Em coordenadas, se

\[ \pi :ax+by+cz=d \]

e

\[ r:(x,y,z)=(x_0,y_0,z_0)+t(v_1,v_2,v_3), \]

então

\[ \boldsymbol {n}=(a,b,c), \qquad \boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}=av_1+bv_2+cv_3. \]

Proposição 5.6
A reta \(r:X=P+t\boldsymbol {v}\) é transversal ao plano \(\pi \) se e somente se
\[ \boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}\neq 0. \]
Se \(\boldsymbol {v}\cdot \boldsymbol {n}=0\), basta testar se \(P\in \pi \) para distinguir entre reta contida e reta paralela disjunta.

Exemplo 5.7
Determine a posição relativa entre o plano
\[ \pi :X=(1,2,1)+(1,-1,1)t_1+(0,1,2)t_2 \]
e a reta
\[ r:X=(1,3,4)+(1,1,1)s. \]

Solução

Um vetor normal ao plano é

\[ \boldsymbol {n}=(1,-1,1)\times (0,1,2)=(-3,-2,1). \]

Como

\[ \boldsymbol {n}\cdot (1,1,1)=-4\neq 0, \]

a reta é transversal ao plano.

Para determinar o ponto de interseção, resolvemos

\[ (1,2,1)+t_1(1,-1,1)+t_2(0,1,2) =(1,3,4)+s(1,1,1). \]

O sistema fornece

\[ s=\dfrac 14, \qquad t_1=\dfrac 14, \qquad t_2=\dfrac 32. \]

Logo

\[ P=\left(\dfrac 54,\dfrac {13}{4},\dfrac {17}{4}\right). \]

5.3 Posições Relativas entre Planos

Considere

\[ \pi _1:a_1x+b_1y+c_1z=d_1, \qquad \pi _2:a_2x+b_2y+c_2z=d_2, \]

com vetores normais

\[ \boldsymbol {n}_1=(a_1,b_1,c_1), \qquad \boldsymbol {n}_2=(a_2,b_2,c_2). \]

Proposição 5.8
  • \(\pi _1\) e \(\pi _2\) são transversais se e somente se \(\boldsymbol {n}_1\) e \(\boldsymbol {n}_2\) não são paralelos.

  • São coincidentes se e somente se existe \(\lambda \neq 0\) tal que

    \[ (a_2,b_2,c_2,d_2)=\lambda (a_1,b_1,c_1,d_1). \]
  • São paralelos distintos se e somente se

    \[ (a_2,b_2,c_2)=\lambda (a_1,b_1,c_1) \]

    para algum \(\lambda \neq 0\), mas \(d_2\neq \lambda d_1\).

Se os planos são transversais e \(P\in \pi _1\cap \pi _2\), então

\[ r:X=P+t(\boldsymbol {n}_1\times \boldsymbol {n}_2) \]

é uma equação vetorial da reta de interseção.

Exemplos 5.9
  1. Os planos \(\pi _1:2x+3y+4z=5\) e \(\pi _2:6x+2y+2z=3\) são transversais. E assim a sua interseção, ou seja, o sistema

    \[ \left\{ \begin{array}{c} 2x+3y+4z=5 \\ 6x+2y+2z=3 \end{array}\right. \]

    determina uma reta.

  2. Os planos \(\pi _1:2x+3y+4z=5\) e \(\pi _2:4x+6y+8z=2\) são paralelos distintos. Portanto o sistema

    \[ \left\{ \begin{array}{c} 2x+3y+4z=5,\\ 4x+6y+8z=2 \end{array}\right. \]

    não possui solução.

  3. Os planos \(\pi _1:2x+3y+4z=5\) e \(\pi _2:4x+6y+8z=10\) são coincidentes. E assim a sua interseção é o plano \(\pi _1=\pi _2\). Ou seja, o sistema

    \[ \left\{ \begin{array}{c} 2x+3y+4z=5 \\ 4x+6y+8z=10 \end{array}\right. \]

    tem como solução um plano.

Exemplo 5.10
A reta \(r\) é dada como interseção de dois planos

\begin{equation} \left\{ \begin{array}{c} x+y+2z=0\\ x-z=1 \end{array} \right. \label{sistema21}. \tag{5.1} \end{equation}

Escreva as equações paramétricas para essa reta.

Solução

Tomemos \(z=t\). Da equação \(x-z=1\) obtemos

\[ x=1+t. \]

Substituindo em \(x+y+2z=0\),

\[ 1+t+y+2t=0, \]

e portanto

\[ y=-1-3t. \]

Logo

\[ \left\{ \begin{array}{l} x=1+t,\\ y=-1-3t,\\ z=t. \end{array}\right. \]

Equivalentemente,

\[ r:X=(1,-1,0)+t(1,-3,1). \]

Como verificação, para \(z=0\) obtemos \((1,-1,0)\) e, para \(z=-1\), obtemos \((0,2,-1)\). O vetor entre esses pontos é \((-1,3,-1)\), múltiplo de \((1,-3,1)\).

Exercício 3.1
Considere a reta do plano
\[ r:\quad x=at+b,\qquad y=kt+d, \]
e a reta
\[ s:\quad \alpha x+\beta y=\gamma , \qquad (\alpha ,\beta )\neq (0,0). \]
  1. Determine quando \(r\) e \(s\) se interceptam em um único ponto.

  2. Discuta também os casos em que \(r\) está contida em \(s\) ou é paralela distinta de \(s\).

Ver solução

Substituindo a parametrização de \(r\) em \(s\),

\[ (\alpha a+\beta k)t+\alpha b+\beta d=\gamma . \]

Se \(\alpha a+\beta k\neq 0\), há um único ponto, com

\[ t=\frac{\gamma -\alpha b-\beta d}{\alpha a+\beta k}. \]

Se \(\alpha a+\beta k=0\), então \(r\subset s\) quando \(\alpha b+\beta d=\gamma \); caso contrário, são paralelas distintas.

Exercício 3.2
Verifique a posição relativa das retas \(r\) e \(s\) e, quando forem concorrentes, determine o ponto de interseção.
  1. \(r:X=(1,1,0)+\lambda (1,2,3)\) e \(s:X=(2,3,3)+\mu (3,2,1)\).

  2. \(r:X=(1,0,1)+\lambda (2,1,3)\) e \(s:X=(-1,-1,-2)+\mu (4,2,6)\).

  3. \(r:X=(2,4,11)+\lambda (-4,5,0)\) e \(s:X=(0,1,0)+\mu (2,-2,1)\).

  4. \(r:X=(2,-2,0)+\lambda (3,4,1)\) e \(s:X=(0,0,3)+\mu (4,2,2)\).

Ver solução
  1. Concorrentes em \((2,3,3)\).

  2. Coincidentes: o segundo vetor diretor é duas vezes o primeiro e \((-1,-1,-2)\) pertence a \(r\).

  3. Concorrentes em \((22,-21,11)\).

  4. Reversas: os vetores diretores não são paralelos e o sistema para a interseção é incompatível.

Exercício 3.3
A altura e a mediana relativas ao vértice \(B\) de um triângulo \(ABC\) estão contidas, respectivamente, nas retas
\[ r:X=(-6,0,3)+\lambda (3,2,0), \qquad s:X=(0,0,3)+\mu (3,-2,0). \]
Sabendo que \(C=(4,-1,3)\), determine \(A\) e \(B\).
Ver solução

A interseção de \(r\) e \(s\) fornece

\[ \boxed {B=(-3,2,3)}. \]

Se \(M=(A+C)/2\) é o ponto médio de \(AC\), então \(M\in s\); além disso, como \(r\) é altura, \(\overrightarrow {AC}\cdot (3,2,0)=0\). Essas condições dão

\[ \boxed {A=(8,-7,3)}. \]
Exercício 3.4
Suponha \((m,n)\neq (m',n')\). Mostre que as retas
\[ r:\begin{cases} x=mz+a,\\ y=nz+b, \end{cases} \qquad s:\begin{cases} x=m’z+a’,\\ y=n’z+b’ \end{cases} \]
se interceptam se e somente se
\[ (a-a')(n-n')=(b-b')(m-m'). \]
Ver solução

Num ponto comum existe \(z\) tal que

\[ (m-m')z=a'-a, \qquad (n-n')z=b'-b. \]

Como \((m,n)\neq (m',n')\), pelo menos um dos denominadores é não nulo. A compatibilidade dessas duas equações é exatamente

\[ (a-a')(n-n')=(b-b')(m-m'). \]
Exercício 3.5
Estude a posição relativa das retas \(r\) e \(s\).
  1. \(r:(1,4,4)+(1,2,3)t\) e \(s:(2,5,1)+(2,4,6)u\).

  2. \(r:(1,4,4)+(1,2,3)t\) e \(s:(2,5,1)+(1,4,1)u\).

  3. \(r:\dfrac {x+1}{2}=\dfrac {y}{3}=\dfrac {z+1}{2}\) e \(s:X=u(1,2,0)\).

  4. \(r:X=(8,1,9)+t(2,-1,3)\) e \(s:X=(3,-4,4)+u(1,-2,2)\).

  5. \(r:\dfrac {x-1}{3}=\dfrac {y-5}{3}=\dfrac {z+2}{5}\) e \(s:x=-y=\dfrac {z-1}{4}\).

  6. \(r:x+3=\dfrac {2y-4}{4}=\dfrac {z-1}{3}\) e \(s:X=(0,2,2)+u(1,1,-1)\).

Ver solução

Respectivamente:

  1. paralelas distintas;

  2. reversas;

  3. reversas;

  4. concorrentes em \((-2,6,-6)\);

  5. concorrentes em \((-2,2,-7)\);

  6. reversas.

Nos casos não paralelos, o produto misto \((\boldsymbol {v}\times \boldsymbol {w})\cdot \overrightarrow {AB}\) decide entre coplanares e reversas.

Exercício 3.6
Sejam
\[ r:X=(1,0,2)+\lambda (2,1,3), \qquad s:X=(0,1,-1)+\mu (1,m,2m). \]
Estude, segundo os valores de \(m\), a posição relativa de \(r\) e \(s\).
Ver solução

Os vetores diretores nunca são paralelos. O produto misto é

\[ -3(3m-2). \]

Logo, para \(m=2/3\), as retas são concorrentes; o ponto comum é

\[ \boxed {(-9,-5,-13)}. \]

Para \(m\neq 2/3\), são reversas.

Exercício 3.7
Dadas
\[ r:X=(0,1,0)+\lambda (1,0,0), \qquad s:X=(-1,2,-7)+\mu (2,1,-3), \]
encontre uma reta \(t\) concorrente com \(r\) e \(s\) e paralela a \((1,-5,-1)\).
Ver solução

Se \(P\in r\), \(Q\in s\) e \(Q-P\) é múltiplo de \((1,-5,-1)\), a solução é

\[ P=\left(-\frac{23}{4},1,0\right), \qquad Q=P+\frac14(1,-5,-1). \]

Assim uma resposta é

\[ \boxed {t:X=\left(-\frac{23}{4},1,0\right)+\tau (1,-5,-1).} \]
Exercício 3.8
Considere a reta que passa por \((1,2,3)\) e \((3,2,1)\) e a reta que passa por \((2,1,1)\) e \((1,2,1)\). Determine se elas se interceptam.
Ver solução

As direções podem ser tomadas como \((2,0,-2)\) e \((-1,1,0)\). O sistema de interseção é incompatível; equivalentemente, o produto misto com o vetor entre pontos das retas é não nulo. Portanto as retas são reversas.

Exercício 3.9
Considere os conjuntos
\[ r:\begin{cases} ax+3y-7z-1=0,\\ 5x+6y-bz=0, \end{cases} \qquad s:\begin{cases} ax+by=5,\\ 2x-3y=8. \end{cases} \]
Existem valores de \(a,b\) para os quais ambos sejam retas e sejam paralelas? Justifique.
Ver solução

A reta \(s\), quando não degenerada, é vertical: seu vetor diretor é paralelo a \((0,0,1)\). Para que \(r\) tivesse essa direção, o produto vetorial dos seus vetores normais deveria ter as duas primeiras componentes nulas. Isso força

\[ b=14,\qquad ab=35, \]

logo \(a=5/2\). Mas então também a terceira componente do produto vetorial se anula: os dois planos que definem \(r\) tornam-se paralelos/coincidentes e \(r\) deixa de ser uma reta. Portanto não existem tais valores.

Exercício 3.10
Mostre que a reta
\[ x=3t-2,\qquad y=-4t+1,\qquad z=4t-5 \]
é paralela ao plano \(4x-3y-6z-5=0\).
Ver solução

O vetor diretor é \((3,-4,4)\) e um normal do plano é \((4,-3,-6)\). Como

\[ (3,-4,4)\cdot (4,-3,-6)=12+12-24=0, \]

a direção da reta é paralela ao plano. A reta não está contida nele, pois, por exemplo, \((-2,1,-5)\) não satisfaz a equação do plano.

Exercício 3.11
Determine a equação do plano que contém a reta
\[ \begin{cases} 2x+3y-z=5,\\ 2x-5y+2z=6 \end{cases} \]
e é paralelo à reta \(x=-y/6=z/7\).
Ver solução

Um vetor diretor da primeira reta é

\[ (2,3,-1)\times (2,-5,2)=(1,-6,-16), \]

e a segunda direção é \((1,-6,7)\). Um normal do plano procurado é, portanto, proporcional a \((6,1,0)\). Usando um ponto da primeira reta, obtemos

\[ \boxed {6x+y-16=0.} \]
Exercício 3.12
Mostre que a reta
\[ \frac{x-7}{3}=-(y+3)=\frac{z-4}{2} \]
intersecta os planos
\[ \pi _1:6x+4y-5z=4, \qquad \pi _2:x-5y+2z=12 \]
no mesmo ponto. Conclua que essa reta é coplanar com a reta \(\pi _1\cap \pi _2\).
Ver solução

Pondo todas as razões iguais a \(t\),

\[ (x,y,z)=(7+3t,-3-t,4+2t). \]

Em ambos os planos resulta \(t=-3/2\). O ponto comum é

\[ \boxed {(5/2,-3/2,1)}. \]

Como as duas retas têm esse ponto em comum, são coplanares.

Exercício 3.13
Determine a interseção da reta com o plano ou conclua que não há ponto comum.
  1. \(\dfrac {x-1}{1}=\dfrac {y+1}{-2}=\dfrac {z}{6}\) e \(2x+3y+z-1=0\).

  2. \(\dfrac {x+3}{3}=\dfrac {y-2}{-1}=\dfrac {z+1}{-5}\) e \(x-2y+z-15=0\).

  3. \(\dfrac {x+2}{-2}=\dfrac {y-1}{3}=\dfrac {z-3}{2}\) e \(x+2y+2z+6=0\).

Ver solução
  1. \((2,-3,6)\).

  2. Não há interseção: a reta é paralela ao plano e não está contida nele.

  3. \((1,-7/2,0)\).

Exercício 3.14
Escreva a equação do plano que passa por \((1,2,-3)\) e é paralelo às retas
\[ \frac{x-1}{2}=\frac{y+1}{-3}=\frac{z-7}{3}, \qquad \frac{x+5}{3}=\frac{y-2}{-2}=\frac{z+3}{-1}. \]
Ver solução

Os vetores diretores são \((2,-3,3)\) e \((3,-2,-1)\). Seu produto vetorial é \((9,11,5)\), logo

\[ \boxed {9x+11y+5z-16=0.} \]
Exercício 3.15
Mostre que o plano que passa por \((x_0,y_0,z_0)\) e é paralelo às retas de vetores diretores \((l_1,l_2,l_3)\) e \((m_1,m_2,m_3)\) pode ser escrito como
\[ \det \begin{pmatrix} x-x_0 & y-y_0 & z-z_0 \\ l_1 & l_2 & l_3 \\ m_1 & m_2 & m_3 \end{pmatrix}=0. \]
Ver solução

O determinante é o produto misto de \(\overrightarrow {P_0P}\) com os dois vetores diretores. Ele se anula exatamente quando esses três vetores são coplanares, isto é, quando \(P\) pertence ao plano gerado pelas duas direções a partir de \(P_0\).

Exercício 3.16
Mostre que o plano que passa pelos pontos \(P_0=(x_0,y_0,z_0)\) e \(P_1=(x_1,y_1,z_1)\) e é paralelo à reta de vetor diretor \((l_1,l_2,l_3)\) tem equação
\[ \det \begin{pmatrix} x-x_0 & y-y_0 & z-z_0 \\ x_1-x_0 & y_1-y_0 & z_1-z_0 \\ l_1 & l_2 & l_3 \end{pmatrix}=0. \]
Ver solução

É novamente o critério de coplanaridade: o vetor \(\overrightarrow {P_0P}\) deve pertencer ao plano gerado por \(\overrightarrow {P_0P_1}\) e pelo vetor diretor dado.

Exercício 3.17
As retas
\[ \frac{x-1}{2}=\frac{y+2}{-3}=\frac{z-5}{4} \qquad \text{e}\qquad (x,y,z)=(3t-7,2t+2,-2t+1) \]
são coplanares? Justifique.
Ver solução

Os vetores diretores são \((2,-3,4)\) e \((3,2,-2)\), e podemos tomar pontos \(A=(1,-2,5)\) e \(B=(-7,2,1)\). Então

\[ ((2,-3,4)\times (3,2,-2))\cdot \overrightarrow {AB}=28\neq 0. \]

Logo as retas são reversas.

Exercício 3.18
Mostre que os planos
\[ bx-ay=n,\qquad cy-bz=1,\qquad az-cx=m \]
têm interseção comum contendo uma reta se e somente se
\[ a+bm+cn=0. \]
Ver solução

Os vetores normais são \((b,-a,0)\), \((0,c,-b)\) e \((-c,0,a)\) e satisfazem uma dependência linear. Eliminando \(x,y,z\) das três equações, a condição de compatibilidade é precisamente

\[ a+bm+cn=0. \]

Quando ela vale, há apenas duas equações independentes, logo a interseção é uma reta (salvo degenerescências triviais, que devem ser tratadas separadamente se \(a,b,c\) anularem simultaneamente as equações).

Exercício 3.19
Mostre que a reta definida por
\[ \begin{cases} 5x-3y+2z-5=0,\\ 2x-y-z-1=0 \end{cases} \]
está contida no plano
\[ 7x-4y+z-6=0. \]
Ver solução

A equação do plano é a soma das duas equações que definem a reta:

\[ (5x-3y+2z-5)+(2x-y-z-1)=7x-4y+z-6. \]

Logo todo ponto da reta satisfaz a equação do plano.

Exercício 3.20
Determine os valores de \(a,b\) para que os planos
\[ x+2y+z=b, \qquad 3x-5y+3z=1, \qquad 2x+7y+az=8 \]
satisfaçam cada condição.
  1. A interseção comum é um único ponto.

  2. A interseção comum é uma reta.

  3. As interseções dois a dois são três retas distintas e paralelas.

Ver solução

O determinante da matriz dos coeficientes é

\[ -11(a-2). \]

Logo:

  1. \(\boxed {a\neq 2}\), com \(b\) arbitrário.

  2. Para \(a=2\), as linhas dos coeficientes satisfazem \(-31L_1+3L_2+11L_3=0\). A compatibilidade exige

    \[ -31b+3+88=0, \]

    portanto \(\boxed {a=2,\ b=91/31}\).

  3. Se \(a=2\) e \(b\neq 91/31\), não há ponto comum aos três planos; como os normais têm posto \(2\), as interseções dois a dois são três retas paralelas. Assim

    \[ \boxed {a=2,\ b\neq 91/31}. \]