Capítulo 4

Retas e Planos

A linguagem vetorial desenvolvida nos capítulos anteriores permite descrever retas e planos por equações. Neste capítulo obteremos suas formas vetoriais, paramétricas e cartesianas a partir das condições geométricas que as determinam.

Ao longo de todo o capítulo fixaremos um sistema cartesiano de coordenadas \(\Sigma =(O,(\boldsymbol {i},\boldsymbol {j},\boldsymbol {k}))\).

4.1 Equações da Reta

Ilustração: Equações da Reta

Um dos postulados da geometria euclidiana afirma que por dois pontos distintos passa uma única reta. Dados, portanto, dois pontos distintos \(A\) e \(B\), queremos determinar equações que descrevam a reta \(r\) que passa por eles.

Para isso, observe que dado um ponto \(X\) em \(r\), o vetor \(\overrightarrow {AX}\) é paralelo ao vetor \(\overrightarrow {AB}\), e portanto existe um escalar \(t\in \mathbb {R}\) tal que \(\overrightarrow {AX}=t\overrightarrow {AB}\). Assim, temos que

\[ X=A+\overrightarrow {AX}=A+t\overrightarrow {AB}, \]

e considerando \(A:\left( a,b,c\right)\) e \(\boldsymbol {v}=\overrightarrow {AB}=v_1\boldsymbol {i}+v_2\boldsymbol {j} + v_3\boldsymbol {k}\), vemos que um ponto \(X:\left( x,y,z\right) \) pertence à reta \(r\) se e somente se \(\overrightarrow {AX}=\boldsymbol {v}t,\) ou ainda

\begin{equation} \label{eqreta1}r: X=A+\boldsymbol {v}t. \tag{4.1} \end{equation}

Expandindo obtemos

\begin{equation} \left(\begin{array}{l} x \\ y \\ z \end{array}\right)= \left(\begin{array}{l} a \\ b \\ c \end{array}\right) +\left( \begin{array}{l} v_1 \\ v_2 \\ v_3 \end{array} \right)t, \tag{4.2} \end{equation}

ou de forma mais simplificada:

\begin{equation} \label{eqreta2}r: \left\{ \begin{matrix} x & = & a+v_1t \\ y & = & b+v_2t \\ z & = & c+v_3t \end{matrix} \right. \tag{4.3} \end{equation}

A equação 4.1 é conhecida como equação vetorial da reta \(r\), e nestas condições o ponto \(A\) é chamado ponto inicial e o vetor \(\boldsymbol {v}\) é dito vetor diretor da reta \(r\). As equações em 4.3 são chamadas as equações paramétricas da reta \(r\).

Se interpretarmos o parâmetro \(t\) como tempo, podemos ler essa equação como a trajetória de um ponto que se move no espaço ao longo da reta \(r\) tendo o ponto \(A\) como o ponto inicial e o vetor \(\boldsymbol {v}\) como a velocidade, e assim para cada valor de \(t\) obtemos um ponto no espaço.

Outra forma de representar a reta \(r\) pode ser obtida ao isolarmos o parâmetro \(t\) nas equações paramétricas. Assim, se em 4.3 tivermos \(v_1 \not=0, v_2\not= 0\) e \(v_3 \not=0\), podemos eliminar o parâmetro \(t\) e obter

\[ \dfrac {x-a}{v_1}=\dfrac {y-b}{v_2}=\dfrac {z-c}{v_3}, \]

que constituem a forma simétrica das equações da reta \(r\).

A representação de uma reta por equações não é única: ela depende da escolha do ponto inicial e do vetor diretor. Considere, por exemplo, a reta \(r:X=A+\boldsymbol {v}t\). Escolhendo um ponto \(B\) em \(r\), podemos trocar o ponto inicial por \(B\) e assim representar \(r\) por \(r: X=B+\boldsymbol {v}t\). Do mesmo modo, trocando o vetor diretor \(\boldsymbol {v}\) por outro vetor não nulo \(\boldsymbol {v}\prime \) paralelo, obtemos que \(X=A+\boldsymbol {v}\prime t\) é também uma equação vetorial para \(r\) (veja exercício 2.1).

Exemplo 4.1
Encontre as equações da reta que passa pelos pontos \(A:(0,1,1)\) e \(B:(1,3,0)\).

Solução

Escolhendo \(\boldsymbol {v}=\overrightarrow {AB}:(1,2,-1)\) como vetor diretor e \(A\) como ponto inicial obtemos a equação vetorial

\[ r: X=A+\boldsymbol {v}t \]
\[ \left(\begin{array}{l} x \\ y \\ z \end{array}\right) =\left( \begin{array}{l} 0 \\ 1 \\ 1 \end{array} \right)+ \left( \begin{array}{l} 1 \\ 2 \\ -1 \end{array} \right)t \]

As equações paramétricas ficam então \(x=t, y=1+2t, z =1-t\).

As equações simétricas para essa reta são obtidas isolando o parâmetro \(t\) nas equações anteriores, ou seja,

\[ x=\dfrac {y-1}{2}=\dfrac {z-1}{-1}. \]

Exemplo 4.2
Dada a reta \(r\) de equações paramétricas \(r:X=(1,3,2)+(1,1,2)t\).
  1. Encontre três pontos pertencentes a essa reta.

  2. Encontre um conjunto de equações vetoriais para essa reta na qual o ponto inicial seja distinto.

  3. Encontre um conjunto de equações vetoriais para essa reta na qual o vetor diretor seja distinto

Solução
  1. Claramente o ponto \((1,3,2)\) pertence a essa reta. Para obter outros pontos desta reta basta escolhermos valores distintos para o parâmetro \(t\). Assim, se \(t=1\) temos que \((1,3,2)+(1,1,2)=(2,4,4)\) pertence à reta. Tomando \(t=-2\) temos que \((1,3,2)-2(1,1,2)=(-1,1,-2)\) pertence à reta.

  2. Substituindo o ponto inicial por outro ponto pertencente à reta obtemos equações com as propriedades exigidas. Escolhendo, por exemplo, o ponto \((-1,1,-2)\) obtemos a equação vetorial

    \[ r:X=(-1,1,-2)+(1,1,2)t. \]
  3. Substituindo o vetor diretor por um de seus múltiplos não nulos obtemos equações com as propriedades exigidas. Se, por exemplo, multiplicarmos o vetor diretor por \(\dfrac {1}{2}\) encontramos a equação vetorial

    \[ r:X=(-1,1,-2)+(\dfrac {1}{2},\dfrac {1}{2},1)t. \]

Exemplo 4.3
Verifique se os pontos \(A:(4,1,5)\) e \(B:(0,0,0)\) pertencem à reta \(r:(1,1,2)+(1,0,1)t\).

Solução

Para que o ponto \(A\) pertença à reta \(r\) é necessário que exista \(t\in \mathbb {R}\) tal que:

\[ (4,1,5)=(1,1,2)+(1,0,1)t \]

Ou seja, deve existir \(t\) tal que o sistema de equações

\[ \left\{ \begin{array}{c} 4=1+t \\ 1=1+0t \\ 5=2+t \end{array}\right. \]

tenha solução.

O sistema acima possui solução, \(t=3\), e logo o ponto \(A\) pertence à reta \(r\).

De modo análogo, para que o ponto \(B\) pertença à reta \(r\) é necessário que exista \(t\in \mathbb {R}\) tal que

\[ (0,0,0)=(1,1,2)+(1,0,1)t, \]

ou seja, deve existir \(t\) tal que o sistema de equações

\[ \left\{ \begin{array}{c} 0=1+t \\ 0=1+0t \\ 0=2+t \end{array}\right. \]

tenha solução.

Como sistema acima não possui solução, o ponto \(B\) não pertence à reta \(r\).

Exemplo 4.4
Identifique o lugar geométrico dado pelas equações
\[ \dfrac {2-3x}{7}=\dfrac {2y-2}{3}=\dfrac {5z-1}{2} \]

Solução

Dividindo os numeradores e os denominadores de cada fração pelo coeficiente das variáveis, obtemos

\[ \dfrac {x-\dfrac {2}{3}}{-\dfrac {7}{3}}=\dfrac {y-1}{\dfrac {3}{2}}=\dfrac {z-\dfrac {1}{5}}{\dfrac {2}{5}}. \]

Estas são as equações na forma simétrica de uma reta. E portanto o lugar geométrico é uma reta passando pelo ponto \((\dfrac {2}{3}, 1,\dfrac {1}{5}) \) com vetor diretor \((-\dfrac {7}{3},\dfrac {3}{2},\dfrac {2}{5})\).

Exemplo 4.5

Verifique se as retas \(r:X=(1,1,1)+(1,0,1)t\) e \(s:X=(0,4,3)+(-1,1,0)t\) se interceptam.

Solução

Para que um ponto \(P\) pertença simultaneamente às retas \(r\) e \(s\), devem existir números reais \(t_1\) e \(t_2\) tais que

\[ P=(1,1,1)+(1,0,1)t_1 \quad \mbox{ e }\quad P=(0,4,3)+(-1,1,0)t_2. \]

De onde encontramos que

\[ (1,1,1)+(1,0,1)t_1=(0,4,3)+(-1,1,0)t_2 \]

Resolvendo o sistema acima encontramos \(t_1=2, t_2=-3\). Como o sistema possui solução, concluímos que as retas \(r\) e \(s\) se interceptam.

Para determinar o ponto de intersecção substituímos \(t \to t_1\) na equação \(P=(1,1,1)+(1,0,1)t_1\) e obtemos

\[ P:(3,1,3). \]

Na comparação das duas retas, usamos parâmetros independentes. O mesmo ponto \(P\) pode corresponder, em cada parametrização, a um valor diferente de \(t\).

4.1.1 Equações da reta no plano

Ilustração: Equações da reta no plano

No plano, a representação de uma reta utiliza duas coordenadas. Como no espaço, um ponto inicial \(A\) e um vetor diretor \(\boldsymbol {v}\) determinam sua equação vetorial:

\begin{equation} \label{eq1}r: X=A+\boldsymbol {v}t \tag{4.4} \end{equation}

Nesse caso a expressão em coordenadas fica:

\begin{equation} \left(\begin{array}{l} x \\ y \end{array}\right)= \left(\begin{array}{l} a \\ b \end{array}\right) +\left( \begin{array}{l} v_1 \\ v_2 \end{array} \right)t \tag{4.5} \end{equation}

Se \(v_1,v_2\neq 0\) podemos escrever a forma simétrica das equações da reta no plano

\[ \dfrac {x-a}{v_1}=\dfrac {y-b}{v_2}, \]

ou ainda,

\[ y-b=\dfrac {v_2}{v_1}(x-a). \]

O número real \(m=\dfrac {v_2}{v_1}\) é denominado coeficiente angular da reta \(r\), e tem a seguinte interpretação geométrica: o coeficiente angular é a tangente do ângulo entre a reta e o eixo \(x\). Para as retas não paralelas ao eixo \(y\), podemos escolher o vetor diretor como \(\boldsymbol {i}+m\boldsymbol {j}\), e assim obter equação afim ou reduzida da reta bidimensional

\[ y=mx + n, \]

onde \(n = b-ma\).

Ilustração: Equações da reta no plano

As retas paralelas aos eixos coordenados (\(v_1=0\) ou \(v_2=0\)) são especiais. Para as retas paralelas ao eixo \(y\), ou seja, retas com vetor diretor \(\boldsymbol {j}\), o coeficiente angular não está definido já que \(m=\dfrac {v_2}{v_1}\). Para obter uma equação para este tipo de reta, basta observar que todos os pontos possuem a primeira coordenada (coordenada \(x\)) igual. Ou seja, se a reta passa pelo ponto \(A:(a,b)\) então todo ponto \((x,y)\) em \(r\) é do tipo \((a,y)\), e portanto sua equação será dada por \(x=a\).

Do mesmo modo, se a reta é paralela ao eixo \(x\) e passa por um ponto \(A:(a,b)\), então sua equação é dada por \(y=b\).

Figura 4.1 Retas paralelas aos eixos coordenados

Figura 4.1 Retas paralelas aos eixos coordenados

Figura 4.1 Retas paralelas aos eixos coordenados

Observação 4.6

Toda reta no plano admite uma equação da forma:

\[ ax + by + c = 0, \]

com \(a,b,c\) constantes reais. Tal forma é conhecida como forma canônica ou equação cartesiana da reta no plano.

A equação na forma canônica é única a menos de um fator multiplicativo não nulo: se \((a,b)\neq (0,0)\) e \((a\prime ,b\prime )\neq (0,0)\), então \(ax+by+c=0\) e \(a\prime x+b\prime y+c\prime =0\) representam a mesma reta se e somente se existe \(\lambda \in \mathbb {R}\setminus \{ 0\} \) tal que \(a=\lambda a\prime \), \(b=\lambda b\prime \) e \(c=\lambda c\prime \).

Exemplo 4.7
Encontre a equação da reta que passa pelo ponto \((1,1)\) e que faz ângulo de \(60^\circ \) com o eixo \(x\).

Solução
O coeficiente angular da reta é \(m=\tan 60^\circ =\sqrt3\). Usando a forma ponto–inclinação,
\[ y-1=\sqrt3(x-1). \]
Equivalentemente, uma equação cartesiana é
\[ \sqrt3x-y+1-\sqrt3=0. \]

Exemplo 4.8
Seja \(r\) a reta que passa pelos pontos \((x_1,y_1)\) e \((x_2,y_2)\). Mostre que o coeficiente angular da reta \(r\) é:
\[ \lambda =\dfrac {y_2-y_1}{x_2-x_1} \]

Solução
O vetor diretor dessa reta é:
\[ (x_2-x_1)\boldsymbol {i}+(y_2-y_1)\boldsymbol {j} \]
E consequentemente \(m=\dfrac {y_2-y_1}{x_2-x_1}\).

Exemplo 4.9
Mostre que a equação da reta passando pelos pontos \(A=(x_{1},y_{1}), B=(x_{2},y_{2})\), pode ser escrita como:
\[ \left\vert \begin{array}{lll} x & y & 1 \\ x_{1} & y_{1} & 1 \\ x_{2} & y_{2} & 1 \end{array}\right\vert =0 \]

Solução
Seja \(P:(x,y)\) um ponto qualquer. O ponto \(P\) pertence à reta determinada pelos pontos \(A\) e \(B\) se e somente se \(A,B,P\) forem colineares, e o resultado segue do critério da proposição 3.37.

4.2 Equações do Plano

Três pontos não colineares \(P_0,P_1,P_2\) determinam um único plano \(\pi \). Fixemos \(\boldsymbol {u}=\overrightarrow {P_0P_1}\) e \(\boldsymbol {v}=\overrightarrow {P_0P_2}\). Como esses vetores são linearmente independentes, eles geram todas as direções paralelas ao plano.

Ilustração: Equações do Plano

Tome agora um ponto \(P\) qualquer deste plano, e observe que o vetor \(\overrightarrow {P_{0}P}\) é paralelo ao plano \(\pi \), e portanto coplanar aos vetores \(\boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\). Como os pontos \(P_{0},P_{1}\) e \(P_{2}\) são não colineares, concluímos que os vetores \(\boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\) são linearmente independentes, e assim, pelo Teorema da Base, podemos escrever o vetor \(\overrightarrow {P_{0}P}\) como combinação linear de \(\boldsymbol {u}\) e \(\boldsymbol {v}\), isto é, existem escalares \(s,t\in \mathbb {R}\) tais que

\[ \overrightarrow {P_{0}P}=\boldsymbol {u}s+\boldsymbol {v}t, \]

e portanto

\begin{equation} \label{eqvetorialdoplano} P=P_{0}+\boldsymbol {u}s+\boldsymbol {v}t. \tag{4.6} \end{equation}

Assim como no caso das retas, a equação (4.6) é chamada de equação vetorial do plano.

Escrevendo \(P:(x,y,z)\), \(P_0:(x_0,y_0,z_0)\), \(\boldsymbol {u}:(u_1,u_2,u_3)\) e \(\boldsymbol {v}:(v_1,v_2,v_3)\) obtemos

\begin{align*} x & =x_{0}+u_{1}s+v_{1}t \\ y & =y_{0}+u_{2}s+v_{2}t \\ z & =z_{0}+u_{3}s+v_{3}t, \end{align*}

encontrando assim equações paramétricas do plano. Assim como no caso das retas, essas equações não são únicas: dependem da escolha do ponto e dos vetores diretores.

Exemplo 4.10
Encontre as equações vetorial e paramétricas do plano \(\pi \) determinado pelos pontos \(P_0:(1,0,1)\), \(P_1:(-1,2,3)\) e \(P_2:(3,1,0)\).
Solução

Definindo \(\boldsymbol {u}=\overrightarrow {P_0P_1}:(-2,2,2)\) e \(\boldsymbol {v}=\overrightarrow {P_0P_2}:(2,1,-1)\), a equação vetorial de \(\pi \) fica

\[ \pi : P=(1,0,1)+(-2,2,2)s+(2,1,-1)t. \]

A forma paramétrica é encontrada ao olharmos coordenada por coordenada, ou seja,

\begin{align*} x & =1-2s+2t \\ y & =2s+t \\ z & =1+2s-t. \end{align*}

Ilustração: Equações do Plano

Além da descrição por três pontos não colineares, um plano pode ser determinado por um ponto e uma direção normal. De fato, dada uma reta e um ponto \(P_1\) podemos encontrar um único plano \(\pi \) que contenha o ponto \(P_1\) e que seja ortogonal a reta dada. Observe que, neste resultado, a reta serve apenas para determinar uma direção. Isso nos permite portanto substituir esta reta por um vetor paralelo a ela. Neste sentido, dado um plano \(\pi \), dizemos que um vetor \(\boldsymbol {n}\) não nulo é normal a \(\pi \) se \(\boldsymbol {n}\) é ortogonal a todos os vetores paralelos a \(\pi \). Todo plano possui uma infinidade de vetores normais (veja o exercício 2.2).

Sejam dois pontos \(P_{1}=\left( x_{1},y_{1},z_{1}\right) \) e \(P=\left( x,y,z\right) \) no plano \(\pi .\) Como o vetor \(\overrightarrow {P_{1}P}\) é perpendicular a \(\boldsymbol {n}:(a,b,c)\), seu produto escalar com \(\boldsymbol {n}\) é zero:

\[ a(x-x_1)+b(y-y_1)+c(z-z_1)=0. \]

Definindo \(d=ax_{1}+by_{1}+cz_{1}\), encontramos que \(ax+by+cz=d\) para qualquer ponto \(P:(x,y,z)\) pertencente ao plano. Em resumo, determinamos que se um ponto \(P=\left( x,y,z\right)\) pertence ao plano \(\pi \), então suas coordenadas satisfazem \(ax+by+cz=d\).

Reciprocamente, se as coordenadas do ponto \(P=\left( x,y,z\right) \) satisfazem a relação \(ax+by+cz=d\) tomando \(P_{1}=\left( x_{1},y_{1},z_{1}\right) \) teremos, pela definição de \(d\), que \(d=ax_{1}+by_{1}+cz_{1}\) e subtraindo obtemos que

\[ a(x-x_{1})+b\left( y-y_{1}\right) +c(z-z_{1})=0. \]

Ou seja o vetor \(\overrightarrow {P_{1}P}\) é ortogonal ao vetor \(\boldsymbol {n}\) e consequentemente paralelo a \(\pi .\)

Observe que, para que o plano fique bem determinado, o vetor \(\boldsymbol {n}: (a,b,c)\) deve ser não nulo, ou seja, é necessário que \(a^{2}+b^{2}+c^{2}\neq 0.\)

A equação \(ax+by+cz=d\) é chamada de equação geral do plano. Reciprocamente, toda equação desse tipo com \((a,b,c)\neq (0,0,0)\) descreve um plano cujo vetor normal pode ser tomado como \(\boldsymbol {n}=(a,b,c)\).

Assim, dispomos de duas descrições complementares de um plano: um ponto acompanhado de duas direções linearmente independentes, ou um ponto acompanhado de uma direção normal não nula.

Exercício 2.1
Se \(\boldsymbol {v}\) e \(\boldsymbol {v}'\) são vetores não nulos paralelos, com \(\boldsymbol {v}=\lambda \boldsymbol {v}'\) e \(\lambda \neq 0\), prove que
\[ r:X=A+t\boldsymbol {v} \qquad \text{e}\qquad s:X=A+u\boldsymbol {v}' \]
descrevem a mesma reta.
Ver solução

Se \(P=A+t_0\boldsymbol {v}\), então

\[ P=A+(\lambda t_0)\boldsymbol {v}', \]

logo \(P\in s\). A inclusão recíproca segue de \(\boldsymbol {v}'=(1/\lambda )\boldsymbol {v}\).

Exercício 2.2
Mostre que se \(\boldsymbol {n}\) é normal a um plano \(\pi \), então \(\lambda \boldsymbol {n}\) também é normal a \(\pi \) para todo \(\lambda \neq 0\). Conclua que todo plano possui infinitos vetores normais.
Ver solução

Se \(\boldsymbol {n}\) é ortogonal a todo vetor \(\boldsymbol {u}\) paralelo a \(\pi \), então

\[ (\lambda \boldsymbol {n})\cdot \boldsymbol {u}=\lambda (\boldsymbol {n}\cdot \boldsymbol {u})=\lambda \cdot 0=0, \]

logo \(\lambda \boldsymbol {n}\) também é normal a \(\pi \). Como \(\lambda \neq 0\) é arbitrário e vetores distintos correspondem a \(\lambda \) distintos, \(\pi \) possui infinitos vetores normais (todos paralelos entre si).

Exercício 2.3
Determine equações paramétricas e, quando possível, simétricas das retas indicadas.
  1. Passando por \(A=(1,4,-2)\) e \(B=(0,1,1)\).

  2. Passando por \(A=(1,0,-2)\) e \(B=(3,1,1)\).

  3. Os três eixos coordenados.

  4. Paralela ao eixo \(z\) por \((1,2,1)\).

  5. Paralela ao eixo \(x\) por \((1,2,1)\).

  6. Paralela a \(\dfrac {1-2x}{3}=\dfrac y4=\dfrac {2z+1}{4}\) por \((2,1,0)\).

  7. Paralela a \(x=1-3t\), \(y=5t\), \(z=-1-t\) por \((2,1,0)\).

Ver solução

Uma escolha para cada caso é:

  1. \((x,y,z)=(1,4,-2)+t(-1,-3,3)\); \(\dfrac {x-1}{-1}=\dfrac {y-4}{-3}=\dfrac {z+2}{3}\).

  2. \((x,y,z)=(1,0,-2)+t(2,1,3)\); \(\dfrac {x-1}{2}=y=\dfrac {z+2}{3}\).

  3. Eixos: \((t,0,0)\), \((0,t,0)\), \((0,0,t)\); não há forma simétrica com três quocientes porque duas componentes do diretor se anulam.

  4. \((1,2,1)+t(0,0,1)\).

  5. \((1,2,1)+t(1,0,0)\).

  6. Um diretor da reta dada é \((-3,8,4)\); portanto \((2,1,0)+t(-3,8,4)\).

  7. \((2,1,0)+t(-3,5,-1)\).

Exercício 2.4
Desenhe a reta que passa por \((-1,3)\) e \((3,0)\), determine sua equação cartesiana e os pontos onde intercepta os eixos.
Ver solução
\[ \boxed {3x+4y-9=0}. \]

As interseções são \((3,0)\) e \((0,9/4)\).

Exercício 2.5
Determine equações paramétricas e cartesianas das retas do plano.
  1. Por \(A=(3,5)\) e \(B=(-2,3)\).

  2. Por \(A=(0,1)\) e \(B=(1,0)\).

Ver solução
  1. \((x,y)=(3,5)+t(-5,-2)\) e \(\boxed {2x-5y+19=0}\).

  2. \((x,y)=(0,1)+t(1,-1)\) e \(\boxed {x+y-1=0}\).

Exercício 2.6
Determine equações paramétricas e uma descrição sem parâmetro das retas espaciais.
  1. \(A=(3,5,1)\), \(B=(-2,3,2)\).

  2. \(A=(0,1,0)\), \(B=(1,0,0)\).

  3. \(A=(0,1,1)\), \(B=(0,0,0)\).

  4. \(A=(3,2,1)\), \(B=(6,1,4)\).

Ver solução
  1. \((3,5,1)+t(-5,-2,1)\); \(\dfrac {x-3}{-5}=\dfrac {y-5}{-2}=z-1\).

  2. \((0,1,0)+t(1,-1,0)\); equivalentemente \(x+y=1\), \(z=0\).

  3. \((0,1,1)+t(0,-1,-1)\); equivalentemente \(x=0\), \(y=z\).

  4. \((3,2,1)+t(3,-1,3)\); \(\dfrac {x-3}{3}=\dfrac {y-2}{-1}=\dfrac {z-1}{3}\).

Exercício 2.7
Um ponto parte de \((3,-1,-5)\) e move-se retilínea e uniformemente na direção de \((-2,6,3)\) com velocidade escalar \(14\). Escreva sua posição em função do tempo, tomando \(t=0\) no ponto inicial.
Ver solução

O vetor dado tem norma \(7\), logo a velocidade vetorial é

\[ 14\frac{(-2,6,3)}7=(-4,12,6). \]

Portanto

\[ \boxed {P(t)=(3,-1,-5)+t(-4,12,6).} \]
Exercício 2.8
Um ponto em movimento retilíneo uniforme ocupa \(A=(-7,12,5)\) no instante \(t=1\) e \(B=(9,-4,-3)\) no instante \(t=4\). Determine sua equação de movimento.
Ver solução
\[ \boldsymbol {v}=\frac{B-A}{4-1}=\left(\frac{16}{3},-\frac{16}{3},-\frac83\right). \]

Assim

\[ \boxed {P(t)=(-7,12,5)+(t-1)\left(\frac{16}{3},-\frac{16}{3},-\frac83\right).} \]
Exercício 2.9
Duas partículas partem de \(A=(-5,4,-5)\) e \(B=(-5,16,-6)\). A primeira move-se na direção \((3,-6,3)\) com velocidade escalar \(14\); a segunda, com velocidade escalar \(13\), move-se na direção oposta a \((-4,12,-3)\). Determine as equações de movimento e decida se as partículas podem se encontrar.
Ver solução

A primeira velocidade vetorial é

\[ \boldsymbol {v}_1=\frac{14}{\sqrt{54}}(3,-6,3)=\frac{14}{\sqrt6}(1,-2,1), \]

e a segunda é \(\boldsymbol {v}_2=(4,-12,3)\), pois esse vetor tem norma \(13\). Logo

\[ P_1(t)=A+t\boldsymbol {v}_1, \qquad P_2(t)=B+t\boldsymbol {v}_2. \]

As trajetórias são reversas: usando os vetores diretores \((3,-6,3)\) e \((4,-12,3)\),

\[ ((3,-6,3)\times (4,-12,3))\cdot (B-A)=48\neq 0. \]

Portanto não existe ponto comum às trajetórias, e as partículas não se encontram.

Exercício 2.10
Dados \(A=(1,2,3)\) e \(B=(4,5,6)\), determine a reta \(AB\) e os pontos onde ela corta os planos \(XY\), \(XZ\) e \(YZ\).
Ver solução

Uma parametrização é

\[ (1,2,3)+t(1,1,1). \]

Os cortes são, respectivamente,

\[ \boxed {(-2,-1,0),\quad (-1,0,1),\quad (0,1,2).} \]
Exercício 2.11
Os lados de um triângulo estão contidos nas retas
\[ y=2x+1,\qquad y=3x-2,\qquad y=1-x. \]
Determine seus vértices.
Ver solução

As interseções dois a dois são

\[ \boxed {(3,7),\quad (0,1),\quad (3/4,1/4).} \]
Exercício 2.12
Dado \(O=(0,0)\) e \(A=(1,2)\), determine os dois pontos \(B\) para os quais \(OAB\) é equilátero.
Ver solução

Rotacionando \(\overrightarrow {OA}=(1,2)\) de \(\pm 60^\circ \),

\[ \boxed {B_\pm =\left(\frac12\mp \sqrt3,\ 1\pm \frac{\sqrt3}{2}\right).} \]
Exercício 2.13
Para o triângulo de vértices \(A=(a,0)\), \(B=(b,0)\) e \(C=(0,c)\), escreva equações paramétricas das três medianas.
Ver solução

Os pontos médios dos lados opostos são

\[ M_A=(b/2,c/2),\quad M_B=(a/2,c/2),\quad M_C=((a+b)/2,0). \]

Logo, por exemplo,

\[ A+t(b-2a,c),\qquad B+t(a-2b,c),\qquad C+t(a+b,-2c) \]

são parametrizações das três medianas (a reparametrização por fatores não nulos é irrelevante).

Exercício 2.14
Os pontos \(A=(2,5)\) e \(B=(14,1)\) são simétricos em relação a uma reta. Determine uma equação cartesiana e uma paramétrica dessa reta.
Ver solução

A reta é a mediatriz de \(AB\). Seu ponto médio é \((8,3)\) e um vetor diretor perpendicular a \((12,-4)\) é \((1,3)\). Assim

\[ \boxed {3x-y-21=0}, \qquad \boxed {(x,y)=(8,3)+t(1,3)}. \]
Exercício 2.15
Determine o baricentro do triângulo \(ABC\).
  1. \(A=(1,5)\), \(B=(3,2)\), \(C=(2,4)\).

  2. \(A=(x_1,y_1)\), \(B=(x_2,y_2)\), \(C=(x_3,y_3)\).

Ver solução
  1. \(\boxed {(2,11/3)}\).

  2. \(\displaystyle \boxed {G=\left(\frac{x_1+x_2+x_3}{3},\frac{y_1+y_2+y_3}{3}\right)}\).

Exercício 2.16
Prove que o ponto situado a \(2/3\) do caminho de cada vértice ao ponto médio do lado oposto é o mesmo para as três medianas.
Ver solução

Se \(M_A=(B+C)/2\), então

\[ A+\frac23(M_A-A)=\frac{A+B+C}{3}. \]

As expressões obtidas a partir de \(B\) e de \(C\) são iguais. Portanto as três medianas são concorrentes no baricentro.

Exercício 2.17
Determine o ponto de interseção das retas
\[ 3x-4y=1, \qquad 4x+6y=14. \]
Ver solução
\[ \boxed {\left(\frac{31}{17},\frac{19}{17}\right)}. \]
Exercício 2.18
Para cada lugar geométrico, identifique se é uma reta ou uma união de retas. Quando for uma reta não vertical, determine sua inclinação e a interseção com o eixo \(y\).
  1. \(3x-4y=6\).

  2. \(2x+3y=6\).

  3. \(7y+9=0\).

  4. \(x/a+y/b=1\), com \(ab\neq 0\).

  5. \(y=mx+b\).

  6. \(bx+ay=0\), com \((a,b)\neq (0,0)\).

  7. \(4x^2=9\).

  8. \(xy(2x-3y+4)=0\).

  9. \(x\cos \alpha +y\operatorname {sen}\alpha =h\).

  10. \(x=3+2t\), \(y=-1-3t\).

Ver solução
  1. \(m=3/4\), intercepto \(-3/2\).

  2. \(m=-2/3\), intercepto \(2\).

  3. horizontal: \(m=0\), intercepto \(-9/7\).

  4. \(m=-b/a\), intercepto \(b\).

  5. os próprios \(m,b\).

  6. se \(a\neq 0\), \(m=-b/a\) e intercepto \(0\); se \(a=0\), é a vertical \(x=0\).

  7. união das verticais \(x=\pm 3/2\).

  8. união de \(x=0\), \(y=0\) e \(2x-3y+4=0\).

  9. forma normal: o vetor \((\cos \alpha ,\operatorname {sen}\alpha )\) é normal à reta; se \(\operatorname {sen}\alpha \neq 0\), \(m=-\cot \alpha \) e o intercepto é \(h/\operatorname {sen}\alpha \).

  10. \(m=-3/2\) e intercepto \(7/2\).

Exercício 2.19
Determine a reta que passa por \((-5,7)\) e é perpendicular a \(4x-5y=10\).
Ver solução
\[ \boxed {5x+4y-3=0.} \]
Exercício 2.20
Pelo ponto \((-2,3)\), determine uma reta paralela e outra perpendicular a \(3x+2y+5=0\).
Ver solução

Paralela:

\[ \boxed {3x+2y=0}. \]

Perpendicular:

\[ \boxed {2x-3y+13=0}. \]
Exercício 2.21
Determine a reta que passa por \((a,0)\) e é perpendicular a \(x/a+y/b=1\), supondo \(ab\neq 0\).
Ver solução

A reta dada tem inclinação \(-b/a\), logo a perpendicular tem inclinação \(a/b\). Assim

\[ \boxed {ax-by-a^2=0.} \]
Exercício 2.22
No triângulo de vértices \(A=(a,0)\), \(B=(b,0)\) e \(C=(0,c)\), com \(a\neq b\) e \(c\neq 0\):
  1. determine as três alturas e o ortocentro;

  2. determine as três medianas e o baricentro.

Ver solução
  1. A altura por \(C\) é \(x=0\); as outras podem ser escritas

    \[ y=\frac bc(x-a),\qquad y=\frac ac(x-b). \]

    Elas se encontram em

    \[ \boxed {H=(0,-ab/c)}. \]
  2. As medianas são as do exercício anterior e encontram-se em

    \[ \boxed {G=((a+b)/3,c/3)}. \]
Exercício 2.23
Encontre as duas retas de inclinação \(2/3\) que, juntamente com os eixos coordenados, delimitam um triângulo de área \(4/3\).
Ver solução

Escreva \(y=(2/3)x+c\). Os interceptos são \(-3c/2\) e \(c\), então a área é \(3c^2/4\). Igualando a \(4/3\), obtemos \(c=\pm 4/3\). Logo

\[ \boxed {y=\frac23x\pm \frac43.} \]
Exercício 2.24
Mostre que, para quaisquer \(s,t\) não simultaneamente nulos, as retas
\[ (2s+3t)x+(3s-2t)y=5s+4t \]
passam por um ponto fixo. Determine esse ponto e mostre que toda reta por ele pertence a essa família.
Ver solução

A equação é

\[ s(2x+3y-5)+t(3x-2y-4)=0. \]

O ponto fixo resolve as duas equações entre parênteses:

\[ \boxed {P=(22/13,7/13)}. \]

Como duas retas distintas por \(P\) geram o feixe de todas as retas por \(P\), toda reta do feixe é uma combinação linear não trivial dessas duas equações.

Exercício 2.25
Determine \(a,b\) para que
\[ x=at+1,\qquad y=bt+5 \]
seja uma parametrização da reta \(y=2x+3\).
Ver solução

Substituindo,

\[ bt+5=2(at+1)+3=2at+5. \]

Logo \(\boxed {b=2a}\), com \(\boxed {a\neq 0}\) para que a parametrização descreva uma reta e não um único ponto.

Exercício 2.26
Identifique a reta
\[ 2x-1=4y+8=3z-5. \]
Determine um vetor diretor e três pontos nela.
Ver solução

Tomando o valor comum igual a \(12t\),

\[ (x,y,z)=\left(\frac12,-2,\frac53\right)+t(6,3,4). \]

Um diretor é \((6,3,4)\); por exemplo, tome \(t=0,1,-1\) para obter três pontos.

Exercício 2.27
Identifique a reta definida por
\[ 2x=3,\qquad 4y=5. \]
Ver solução
\[ \boxed {(x,y,z)=\left(\frac32,\frac54,0\right)+t(0,0,1)}. \]
Exercício 2.28
A reta é dada como interseção dos planos
\[ 3x-2y+5z=6, \qquad 2x+y-3z=0. \]
Escreva uma parametrização.
Ver solução

Tomando \(z=t\),

\[ x=\frac67+\frac t7, \qquad y=-\frac{12}{7}+\frac{19t}{7}. \]

Logo uma parametrização é

\[ \boxed {(x,y,z)=\left(\frac67,-\frac{12}{7},0\right)+t\left(\frac17,\frac{19}{7},1\right).} \]
Exercício 2.29
Determine a reta que passa pela origem e é perpendicular ao plano determinado pelos pontos
\[ (3,4,2),\qquad (-1,5,3),\qquad (2,1,4). \]
Ver solução

Dois vetores do plano são \((-4,1,1)\) e \((-1,-3,2)\); seu produto vetorial é \((5,7,13)\). Portanto

\[ \boxed {(x,y,z)=t(5,7,13).} \]
Exercício 2.30
Sejam \(P=(1,0,1)\) e \(Q=(0,1,1)\). Em cada caso, determine se existe \(C\) na reta \(PQ\) tal que a área do triângulo \(ABC\) seja \(1/2\); quando existir, encontre todos os pontos.
  1. \(A=(1,2,1)\), \(B=(1,2,3)\).

  2. \(A=(1,3,2)\), \(B=(2,2,2)\).

  3. \(A=(3,0,2)\), \(B=(2,1,2)\).

  4. \(A=(3,-2,1)\), \(B=(0,0,1)\).

Ver solução

Escreva \(C=(1-t,t,1)\) e imponha \(\lVert \overrightarrow {AB}\times \overrightarrow {AC}\rVert =1\).

  1. Não há solução real.

  2. Não há solução: a área é constante e diferente de \(1/2\).

  3. Não há solução: a área é constante e diferente de \(1/2\).

  4. \(t=-1\) ou \(t=-3\), portanto

    \[ \boxed {C=(2,-1,1)\quad \text{ou}\quad C=(4,-3,1).} \]
Exercício 2.31
Uma reta intercepta os eixos nos pontos \((a,0)\) e \((0,b)\), com \(ab\neq 0\). Mostre que sua equação pode ser escrita como
\[ \frac xa+\frac yb=1. \]
Ver solução

O vetor diretor entre os interceptos é \((-a,b)\). Pela forma de dois pontos, ou substituindo ambos os interceptos em \(\alpha x+\beta y=1\), obtemos diretamente

\[ \boxed {x/a+y/b=1}. \]
Exercício 2.32
Considere a reta \(r:ax+by+c=0\), com \((a,b)\neq (0,0)\).
  1. Mostre que \((a,b)\) é normal a todo vetor diretor de \(r\).

  2. Suponha que \((a,b)\) seja unitário e escreva \((a,b)=(\cos \alpha ,\operatorname {sen}\alpha )\). Interprete geometricamente a equação

    \[ x\cos \alpha +y\operatorname {sen}\alpha =h. \]
Ver solução
  1. Se \((v_1,v_2)\) é diretor, dois pontos da reta separados por esse vetor satisfazem a mesma equação; subtraindo, \(av_1+bv_2=0\).

  2. O vetor \((\cos \alpha ,\operatorname {sen}\alpha )\) é normal unitário. Portanto \(h\) é a coordenada assinada dos pontos da reta na direção desse normal; em particular, a distância da origem à reta é \(|h|\).