Capítulo 12

Homologia Celular

Um espaço topológico \(X\) pode ser muito patológico para que as ferramentas de topologia algébrica forneçam alguma informação útil sobre ele. Como vimos, para construir os grupos de homologia e cohomologia utilizamos funções dos simplexos \(\Delta ^n\) em \(X\) e o mesmo vale para a construção de homotopias e grupos fundamentais, para os quais precisamos de uma função do intervalo em \(X\). Dessa forma, em geral, se a topologia de um espaço tiver pouco a ver com a topologia euclidiana, os grupos de homologia podem não fornecer informações significativas.

A primeira escolha seria restringir-se à categoria das variedades topológicas, o que faremos no capítulo 14. O problema está no fato que esta escolha exclui muitos espaços que aparecem naturalmente em várias ocasiões. Por isso, neste capítulo introduziremos uma categoria intermediária, que seja bastante ampla para conter todos os espaços significativos que deveremos considerar, mas também suficientemente limitada para excluir espaços topológicos demasiadamente irregulares e patológicos. Em particular, temos que considerar espaços cuja topologia, pelo menos localmente, não se afaste demais da euclidiana, sem todavia serem necessariamente regulares como uma variedade.

A categoria dos CW-complexos satisfaz estes requisitos: tratam-se de espaços obtidos partindo de uma família de pontos e acrescentando discos de várias dimensões, colando os bordos dos discos ao espaço precedente através de funções contínuas. Essa classe de espaços é mais ampla e possui algumas propriedades categóricas melhores do que os complexos simpliciais, mas ainda mantém uma natureza combinatória que permite a computação dos grupos de homologia. Em contraposição aos \(\Delta \)-complexos, nos CW-complexos as colagens se dão através de uma função contínua qualquer.

Nesse contexto, introduziremos também a Homologia Celular que é uma teoria de homologia adaptada para a categoria dos CW-complexos. Como veremos, a Homologia Celular concorda com a Homologia Singular quando o espaço admite uma estrutura de CW-complexo e fornece um meio eficaz de calcular os módulos de homologia.

12.1 CW-Complexos

Nessa seção, apresentaremos duas definições de CW-complexos que mostraremos que são equivalentes.

CW-Complexos como espaços obtidos pela colagem de células

Para descrever os CW-complexos como espaços obtidos pela colagem de células, vamos começar recordando o que é uma colagem

Seja \((X,A)\) um par topológico, ou seja, \(X\) é um espaço topológico e \(A\) é fechado em \(X\). Seja \(Y\) um espaço topológico e \(f:A\rightarrow Y\) uma função contínua. Definimos a colagem de \(X\) com \(Y\) por meio de \(f\), denotada por \(X\displaystyle \sqcup _{f}Y\), como o espaço quociente da união disjunta \(X\sqcup Y\) sob a relação de equivalência

\[ a\sim f(a),\ a\in A. \]

Em outras palavras, as classes de equivalência, ou seja, os elementos de \(X\displaystyle \sqcup _{f}Y\), são os conjuntos \(\{ x\} \), onde \(x\in X\setminus A\) e os conjuntos \(f^{-1}(y)\cup \{ y\} ,\ y\in Y. \)

Ilustração: CW-Complexos como espaços obtidos pela colagem de células

Lema 12.1
Seja \((X, A)\) um par topológico, onde \(A\) é fechado em \(X\), sejam \(Y\) um espaço topológico e \(f:A\rightarrow Y\) é uma função contínua. Denote por \(p:X\displaystyle \sqcup Y\rightarrow X\sqcup _{f}Y\) a projeção de quociente canônica. Então \(p\mathord {\upharpoonright }{X\setminus A}\) é uma aplicação injetora aberta e \(p\mathord {\upharpoonright }{Y}\) é uma aplicação injetora fechada. Em particular, ambas as restrições são mergulhos, \(p(X\setminus A)\) é aberto em \(X\displaystyle \sqcup _{f}Y\) e \(p(Y)\) é fechado em \(X\displaystyle \sqcup _{f}Y\).

Seja \(n\) um inteiro não negativo.

  • Uma \(n\)-célula é um espaço homeomorfo ao \(n\)-disco \(\mathbb {D}^{n}\).

  • Uma \(n\)-célula aberta é um espaço homeomorfo ao \(n\)-disco aberto \(\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\).

  • Uma célula é um espaço que é uma \(n\)-célula para algum \(n \geq 0\).

Observe que \(\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{m}\right)\) e \(\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\) são homeomorfos se, e somente se, \(m=n\). Assim, podemos falar sobre a dimensão de uma célula.

Segue diretamente da definição que o bordo de uma \(n\)-célula é um espaço homeomorfo à esfera \(\mathbb {S}^{n-1}\).

Um CW-complexo é um espaço construído a partir de um conjunto não vazio de \(0\)-células (pontos) e, indutivamente, construímos subconjuntos \(X^{n}\) colando \(n\)-células. O espaço \(X=\bigcup _{n \geq 0} X^{n}\) munido da topologia fraca é o que chamamos de CW-complexo.

Um CW-complexo é um espaço junto com uma filtração de subespaços

\[ \emptyset =X^{-1} \subsetneq X^{0} \subseteq X^{1} \subseteq \ldots \subseteq X^{n} \subseteq \ldots \subseteq X \]

de tal modo que

  1. \(X^{0}\neq \emptyset \).

  2. \(X^{n}\) é obtido colando \(n\)-células a \(X^{n-1}\), ou seja, temos as aplicações

    \[ \varphi _{\alpha }: \partial \mathbb {D}_{\alpha }^{n} \rightarrow X^{n-1} \ , \quad \alpha \in I_{n}, n \geq 0 , \]

    e homeomorfismos \(\alpha _{n}: Y^{n} \rightarrow X^{n}\) tais que \(\alpha _{n} \circ \pi _{n}\mathord {\upharpoonright }{X^{ n-1}}: X^{n-1} \rightarrow X^{n}\) é a inclusão, onde

    \[ Y^{n}=Z^{n} \bigsqcup _{\varphi _{n}} X^{n-1}, \]

    sendo \(Z^{n}=\bigsqcup _{\alpha \in I_{n}} \mathbb {D}_{\alpha }^{n}\) e \(\varphi _{n}=\bigsqcup _{\alpha \in I_{n}} \varphi _{\alpha }: \bigsqcup _{\alpha \in I_{n}} \partial \mathbb {D}_{\alpha }^{n} \rightarrow X^{n-1 }\), e onde \(\pi _{n}: Z^{n} \sqcup X^{n-1} \rightarrow Y^{n}\) é a projeção canônica.

  3. \(X=\bigcup _{n \geq 0} X^{n}\).

  4. \(X\) carrega a topologia fraca na família de espaços \(\left\{ X^{n}\right\} _{n \geq 0}\), ou seja, um subconjunto \(A \subseteq X\) é fechado se \(A \cap X^{n}\) é fechado em \(X^{n}\), para todo \(n \geq 0\).

O conjunto \(X^{n}\) é dito o \(n\)-esqueleto de \(X\), para cada \(n\geq 0\). As aplicações \(\varphi _{\alpha }\) são chamadas de aplicações características ou de colagem.

Se o espaço topológico \(X\) é homeomorfo a um CW-complexo dizemos que \(X\) admite uma estrutura de CW-complexo.

O número de células em um CW-complexo pode ser infinito. Um CW-complexo é de dimensão finita se \(X^n = X\) para algum \(n\); de tipo finito se possui um número finito de células em cada dimensão; e finito se for de dimensão finita e de tipo finito, ou seja, se possui um número finito de células. A dimensão de um CW-complexo de dimensão finita é o maior \(n\) para o qual existem \(n\)-células.

Observamos que todo CW-complexo finito é compacto, sendo a união de um número finito de subespaços compactos \(\Phi _e\left(\mathbb {D}^n\right), e \in \mathcal{E}\).

  1. A reta real admite uma estrutura de CW-complexo com os inteiros como \(0\)-células e os intervalos \([n, n+1]\) como \(1\)-células. Essa estrutura possui infinitas células e esse CW-complexo possui dimensão \(1\).

  2. De modo mais geral, \(\mathbb {R}^{n}\) é um CW-complexo \(n\)-dimensional de maneira óbvia: as \(n\)-células são os cubos cujos vértices têm coordenadas inteiras, as \(0\)-células são os pontos inteiros do reticulado, etc.

  3. Todo complexo simplicial geométrico localmente finito é um CW-complexo.

    Nesse caso, podemos tomar as aplicações características como o homeomofismo do simplexo no disco fechado e as demonstrações dos Axiomas 1 e 2 são imediatas.

    Para provar o Axioma 3, observamos que qualquer simplexo em \(\mathbb R^n\) é um subconjunto fechado em \(X\subset \mathbb R^n\). Assim, a topologia induzida em \(\Delta ^k\) de \(\mathbb R^n\) coincide com a induzida de \(X\).

  4. Todo \(\Delta \)-complexo é um CW-complexo.

Figura 12.1 Estrutura de CW-complexo da reta.

Figura 12.1 Estrutura de CW-complexo da reta.

Exemplo 12.2 (Esfera)

Nos exemplos anteriores, as aplicações características \(\varphi _{\alpha }\) eram mergulhos. No entanto, uma das vantagens dos CW-complexos é que as aplicações características \(\varphi _{\alpha }^{n}\) não precisam ser mergulhos. Em particular, \(\mathbb {S}^{n}\) admite uma estrutura de CW-complexo com apenas uma \(0\)-célula e uma \(n\)-célula: considere qualquer ponto \(x\) (digamos, o polo norte) como a \(0\)-célula, e como aplicação característica para a \(n\)-célula, use uma aplicação quociente \(\varphi \) que leva o bordo da \(n\)-célula \(\mathbb {S}^{n}\) a \(0\)-célula. A Figura 12.2 ilustra o caso de \(\mathbb {S}^{1}\).

A esfera \(\mathbb {S}^{n}\) admite também uma estrutura de complexo simplicial - por exemplo obtida como o bordo do simplexo \(\Delta ^{n+1}\).

Figura 12.2 Estrutura de CW-complexo de S^1

Figura 12.2 Estrutura de CW-complexo de \(\mathbb {S}^1\)

Exemplo 12.3 (Toro)
O toro tem uma decomposição CW com uma \(0\)-célula, duas \(1\)-células e uma \(2\)-célula, conforme apresentado na Figura 12.3. Essa estrutura de CW-complexo é mais simples que a estrutura de \(\Delta \)-complexo apresentada anteriormente.

Figura 12.3 Estrutura de CW-complexo do toro.

Figura 12.3 Estrutura de CW-complexo do toro.

Exemplo 12.4
Toda variedade suave admite uma estrutura de CW-complexo. De fato, qualquer variedade suave pode ser triangularizada e, portanto, admite a estrutura de um complexo simplicial. Para a demonstração veja Munkres 2016.

Exemplo 12.5
Toda variedade topológica compacta é homotopicamente equivalente a um CW complexo finito. Para a demonstração veja Milnor 1959.

Exemplo 12.6 (Espaço Projetivo)

O espaço projetivo \(\mathbb {RP}^n\) possui uma estrutura de CW-complexo com uma célula em cada dimensão \(k\), para \( 0 \leq k \leq n\).

Lembramos que o espaço projetivo \(\mathbb {RP}^n\) pode ser construído de duas maneiras equivalentes:

\[ \mathbb {RP}^n \mathrel {\mathop:\! =}\mathbb {D}^n / \sim _1 \qquad \quad \mathbb {RP}^n \mathrel {\mathop:\! =}\mathbb {S}^n / \sim _2 \]

sendo \( \sim _1\) a relação que identifica os pares de pontos antipodais do bordo e \(\sim _2\) a relação que identifica qualquer par de pontos antipodais. Um homeomorfismo entre as duas representações pode ser obtido projetando ao quociente o mergulho \(i : \mathbb {D}^n \to \mathbb {S}^n\), cuja imagem é o hemisfério norte \(S_{+}^{n}=\left.\left\{ \left(x_{0}, \ldots , x_{n}\right) \in \mathbb {S}^{n}: x_{n} \geq 0\right.\right\} \). Comparando estes dois modelos de \(\mathbb {RP}^n\), podemos observar que a relação \( \sim _1\), restrita ao bordo \(\partial \mathbb {D}^n=\mathbb {S}^{n-1}\), coincide com a relação \( \sim _2\), logo o bordo de \(\mathbb {D}^n\) projetado ao quociente coincide com \(\mathbb {RP}^{n-1}\).

O espaço projetivo \(\mathbb {RP}^n\) é obtido de \(\mathbb {RP}^{n-1}\) colando uma n-célula:

\[ \mathbb {RP}^n = \mathbb {RP}^{n-1} \sqcup _f \mathbb {D}^n , \]

sendo \(f: \mathbb {S}^{n-1} \to \mathbb {RP}^{n-1}\) a projeção canônica. O espaço \(\mathbb {RP}^{n-1} \sqcup _f \mathbb {D}^n\) é homeomorfo ao espaço quociente \(\mathbb {D}^n\) pela relação \(\sim _1\).

Figura 12.4 ℝP^n = ℝP^(n-1) sqcup _f D^n

Figura 12.4 \(\mathbb {RP}^n = \mathbb {RP}^{n-1} \sqcup _f \mathbb {D}^n\)

Exemplo 12.7 (Espaço Projetivo Complexo)

O espaço projetivo complexo \(\mathbb {CP}^n\) é o espaço das retas complexas passando pela origem em \(\mathbb {C}^{n+1}\). Cada uma dessas retas é totalmente determinada por um ponto \(\left(z_0, \ldots , z_n\right) \neq 0\) nesta reta, e para qualquer escalar \(\lambda \in \mathbb {C}\setminus \{ 0\} \), a \(n\)-tupla \(\left(\lambda z_0, \ldots , \lambda z_n\right)\) determina a mesma reta para a qual escrevemos \(\left[z_0, \ldots , z_n\right]\). A reta também pode ser representada por um ponto \(z=\left(z_0, \ldots , z_n\right)\) com \(\lVert z\rVert =1\), de forma que \(z\) e \(\lambda z\) representam a mesma reta, para todo \(\lambda \in \mathbb {S}^1\). Assim, da última representação, temos que

\[ \mathbb {CP}^n=\mathbb {S}^{2 n+1} / \mathbb {S}^1 \]

é um espaço de dimensão (real) \(2 n\). Temos as inclusões

\[ *=\mathbb {CP}^0 \subseteq \mathbb {CP}^1 \subseteq \mathbb {CP}^2 \subseteq \cdots \]

onde \(\mathbb {CP}^{n-1} \subseteq \mathbb {CP}^n\) envia \(\left[z_0, \ldots , z_{n-1}\right]\) para \(\left[z_0, \ldots , z_{n-1}, 0\right]\).

Um ponto arbitrário em \(\mathbb {CP}^n \setminus \mathbb {CP}^{n-1}\) pode ser representado unicamente por \(\left(z_0, \ldots , z_{n-1}, t\right)\), onde \(t\gt 0\) é o número real tal que \(t=\sqrt{1-\| z\| }=\sqrt{1-\sum z_i \bar{z}_i}\). Isso define uma aplicação

\[ e_{2 n} \rightarrow \mathbb {CP}^n: z=\left(z_0, \ldots , z_{n-1}\right) \mapsto \left[z_0, \ldots , z_{n-1 }, t\right]. \]

O bordo de \(e_{2 n}\) (onde \(t=0\)) é enviado para \(\mathbb {CP}^{n-1}\). Desta forma, \(\mathbb {CP}^n\) é obtido de \(\mathbb {CP}^{n-1}\) anexando uma \(2 n\)-célula. Então \(\mathbb {CP}^n\) tem uma estrutura de CW-complexo com uma célula em cada dimensão par, i.e.\(0,2, \ldots , 2 n\).

Exemplo 12.8

Seja \(\mathbb {RP}^{\infty }\) o conjunto de retas passando pela origem em \(\mathbb {R}^{\mathbb {N}}\), com base \(\left(e_{1}, e_{2}, \ldots \right)\). Considerando \(\mathbb {R}^{\mathbb {N}}\) como a união ascendente de \(\mathbb {R}^{n}\), temos que como um conjunto, \(\mathbb {RP}^{\infty }\) é a união ascendente dos espaços \(\mathbb {RP}^n\). O problema é como munir essa união de uma topologia. Para isso, declaramos um conjunto como fechado se, e somente se, sua interseção com todo \(\mathbb {RP}^n\) for fechado, para todo \(n\in \mathbb {Z}\). Logo, pelo Exemplo 12.5, temos que \(\mathbb {RP}^{\infty }\) é um CW-complexo com uma célula \(n\) para cada \(n, 0 \leq n \). Observe que o Axioma 3 é válido por construção.

12.1.1 Definição Equivalente

Uma decomposição celular de um espaço topológico \(X\) é uma família \(\mathcal{E}=\left\{ e_{\alpha } \mid \alpha \in I\right\} \) de subespaços de \(X\) tal que cada \(e_{\alpha }\) é uma célula e

\[ X=\bigsqcup _{\alpha \in I} e_{\alpha } . \]

Uma definição equivalente de CW-complexo é:

Um par \((X, \mathcal{E})\) consistindo de um espaço topológico de Hausdorff \(X\) e uma decomposição celular \(\mathcal{E}\) de \(X\) é dito um CW-complexo se os axiomas a seguir são satisfeitos:

Axioma 1 - Aplicações Características:

Para cada \(n\)-célula \(e \in \mathcal{E}\), existe uma aplicação \(\Phi _{e}: \mathbb {D}^{n} \rightarrow X\) cuja restrição \(\Phi _{e}\mathord {\upharpoonright }{\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right)}: \operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right) \rightarrow e\) é um homeomorfismo e \(\Phi _{e}\) leva o bordo do disco \(\mathbb {D}^{n}\), i.e. \(\mathbb {S}^{n-1}\), em \(X^{n-1}\).

Axioma 2 - Finitude do Fecho:

Para toda célula \(e \in \mathcal{E}\), o fecho \(\overline{e}\) intercepta apenas um número finito de outras células em \(\mathcal{E}\).

Axioma 3 - Topologia Fraca:

Um subconjunto \(A \subseteq X\) é fechado se, e somente se, \(A \cap \overline{e}\) é fechado em \(X\), para cada \(e \in \mathcal{E}\).

Observe que os Axiomas 2 e 3 são necessários apenas no caso de \(\mathcal{E}\) ser infinito (ou seja, eles são automaticamente satisfeitos se \(\mathcal{E}\) for finito).

Normalmente, abusa-se da notação e denomina-se o espaço \(X\) de CW-complexo se ele admite uma decomposição celular \(\mathcal{E}\) que o transforma em um. Essa estrutura de CW-complexo, entretanto, não é única e o conjunto de células também depende da estrutura escolhida - como já vimos nos exemplos anteriores.

Antes de provarmos a equivalência das duas definições apresentamos alguns resultados sobre a topologia de um CW-complexo usando a segunda definição.

Lema 12.9
Seja \((X, \mathcal{E})\) um espaço de Hausdorff \(X\) munido de uma decomposição celular \(\mathcal{E}\). Se \((X, \mathcal{E})\) satisfaz o Axioma 1 na Definição 12.1.1, então temos
\[ \overline{e}=\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right) \]
para qualquer célula \(e \in \mathcal{E}\). Em particular, \(\overline{e}\) é um subespaço compacto de \(X\) e o bordo da célula \(\overline{e} \setminus e=\) \(\Phi _{e}\left(\mathbb {S}^{n-1} \right)\) está em \(X^{n-1}\).

Demonstração ▼

Para qualquer aplicação \(f: Y \rightarrow Z\) entre espaços topológicos \(Y\) e \(Z\) e qualquer subconjunto \(B \subseteq Y\), temos \(f\left(\overline{B}\right) \subseteq \overline{f(B) }\). Desta forma

\[ \overline{e}=\overline{\Phi _{e}\left(\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\right)} \supseteq \Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{ n}\right) \supseteq e . \]

Mas \(\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\) é compacto, portanto fechado em \(X\) já que \(X\) é de Hausdorff. Assim, \(\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right)=\overline{e}\). Pelo Axioma 1, temos \(\Phi _{e}\left(\operatorname {\operatorname {int}}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\right)=e\) e \(\Phi _{e}\left(\mathbb {S}^{n -1}\right) \cap e=\emptyset \) e logo \(\Phi _{e}\left(\mathbb {S}^{n-1}\right)=\overline{e} \setminus e\).

Observe que, se \(X\) não é de Hausdorff, ainda temos \(\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right) \subseteq \overline{e}\), mas não necessariamente temos igualdade. Não temos garantia de que \(\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\) é fechado em \(X\).

O subespaço \(\overline{e}=\Phi _{e}\left(\mathbb {D}^{n}\right)\) é denominado célula fechada.

Sejam \((X, \mathcal{E})\) um CW-complexo, \(Y\) um espaço topológico e \(f: X \rightarrow Y\) uma função. Então, são equivalentes:

  1. \(f: X \rightarrow Y\) é contínua;

  2. a restrição \(f\mathord {\upharpoonright }{\overline{e}}: \overline{e} \rightarrow Y\) é contínua, para todo \(e \in \mathcal{E}\);

  3. a restrição \(f\mathord {\upharpoonright }{X^{n}}: X^{n} \rightarrow Y\) é contínua, para todo \(n \geq 0\).

Subcomplexos

Seja \((X, \mathcal{E})\) um CW-complexo, \(\mathcal{E}^{\prime } \subseteq \mathcal{E}\) um subconjunto de células e

\[ X^{\prime }=\bigcup _{e \in \mathcal{E}^{\prime }} e . \]

Lema 12.10

As condições a seguir são equivalentes:

  1. O par \(\left(X^{\prime }, \mathcal{E}^{\prime }\right)\) é um CW-complexo.

  2. O subconjunto \(X^{\prime }\) é fechado em \(X\).

  3. Para cada \(e \in \mathcal{E}^{\prime }\), \(\overline{e} \subseteq X^{\prime }\), onde \(\overline{e}\) é o fecho de \(e\) em \(X\).

Demonstração ▼

b \(\Rightarrow \) c é trivial.

c \(\Rightarrow \) b Temos que mostrar que \(\overline{e} \cap X^{\prime }\) é fechado, para todo \(e \in \mathcal{E}\). Pela finitude do fecho de \(X\), temos que \(\overline{e} \cap X^{\prime }=\overline{e} \cap \left(e_1^{\prime } \cup \cdots \cup e_r^{\prime } \right)\), que por c é igual a

\[ \overline{e} \cap \left(\overline{e}_1^{\prime } \cup \cdots \cup \overline{e}_r^{\prime }\right), \]

sendo assim fechado.

a \(\Rightarrow \) c Uma aplicação característica \(\Phi _e\), para \(e \in \mathcal{E}^{\prime }\), relativo a \(\left(X^{\prime }, \mathcal{E}^{\prime }\right)\) também é característica em relação a \((X, \mathcal{E})\), e logo \(\Phi _e\left(D^n\right)\), o fecho de \(e\) em \( X\) também é o fecho de \(e\) no subespaço \(X^{\prime }\) e, consequentemente, está nele.

b e c \(\Rightarrow \) a Uma aplicação característica para \(e \in \mathcal{E}^{\prime }\) relativo a \(X\) também é característica relativo a \(X^{\prime }\), por causa de c; e \(X^{\prime }\) é obviamente satisfaz a finitude do fecho. Assim \(\left(X^{\prime }, \mathcal{E}^{\prime }\right)\) satisfaz os Axiomas 1 e 2. Ainda temos que mostrar que se \(A \subset X^{\prime }\) e \(A \cap \overline{e}\) é fechado em \(X^{\prime }\) para todo \(e \in \mathscr {E }^{\prime }, A\) é fechado em \(X^{\prime }\). Mas b implica que fechado em \(X\) é o mesmo que fechado em \(X^{\prime }\), então tudo o que temos que provar é que \(A \cap \overline{e}\) é fechado para \(e \in \mathcal{E} \setminus \mathcal{E}^{\prime }\). Da finitude de fecho de \(X\) temos \(A \cap \overline{e}=A \cap \left(e_1^{\prime } \cup \cdots \cup e_r^{\prime }\right) \cap \overline{e}\), onde podemos pegar \(e_i^{\prime } \in \mathcal{E}^{\prime }\), pois as células em \(\mathcal{E} \backslash \mathcal{E}^{\prime }\) não podem contribuir para a interseção com \(A \subset X^{\prime }\). Então, temos

\[ A \cap \overline{e}=A \cap \left(\overline{e}_1^{\prime } \cup \cdots \cup \overline{e}_r^{\prime }\right) \cap \bar{e}, \]

mas \(A \cap \left(\vec{e}_1^{\prime } \cup \cdots \cup \overline{e}_r^{\prime }\right)\) é fechado por hipótese, e logo \(A \cap \overline{e}\).

Sejam \((X, \mathcal{E})\) um CW-complexo e \(\left(X^{\prime }, \mathcal{E}^{\prime }\right)\) como acima. Então \(\left(X^{\prime }, \mathcal{E}^{\prime }\right)\) é chamado de subcomplexo de \((X, \mathcal{E})\) se as 3 condições equivalentes do lema anterior são satisfeitas. Temos algumas consequências imediatas:

Seja \((X, \mathcal{E})\) um CW-complexo.

  1. Seja \(\left\{ A_{i} \mid i \in I\right\} \) qualquer família de subcomplexos de \((X, \mathcal{E})\). Então \(\bigcup _{i \in I} A_{i}\) e \(\bigcap _{i \in I} A_{i}\) são subcomplexos de \((X, \mathcal{E})\).

  2. O \(n\)-esqueleto \(X^{n}\) é um subcomplexo de \((X, \mathcal{E})\), para cada \(n \geq 0\).

  3. Seja \(\left\{ e_{i} \mid i \in I\right\} \) uma família arbitrária de \(n\)-células em \(\mathcal{E}\). Então \(X^{n-1} \cup \left(\bigcup _{i \in I} e_{i}\right)\) é um subcomplexo.

Demonstração ▼

Para 1 observe que \(\bigcup _{i \in I} A_{i}\) é um subcomplexo pela caracterização do Lema 12.3 e \(\bigcap _{i \in I} A_{i}\) é um subcomplexo por b nesse 12.3. Ambos 2 e 3 seguem usando a caracterização c no Lema 12.3 juntamente com o Lema 12.2.

Observe que 2 é um caso especial de 3. Pelo exposto temos que o \(n\)-esqueleto \(X^{n}\) de um CW-complexo \((X, \mathcal{E})\) é um subconjunto fechado de \(X\).

A categoria \(\mathbf{CW}\) é a categoria cujos objetos são CW-complexos e cujos morfismos são funções contínuas.

Equivalência entre as definições de CW-complexo

As definições de CW-complexos apresentadas em 12.1 e 12.1.1 são equivalentes.

12.2 Homologia de CW-Complexos

Nesta seção, introduziremos a homologia celular \(H_{p}^{\operatorname {cw}}(X;R)\) para um CW-complexo \(X\). Como veremos, a homologia celular concorda com a homologia singular no caso em que \(X\) é um CW-complexo. Em muitos casos práticos, o número de \(p\)-células é pequeno e dessa forma o complexo celular \(C_{*}^{\operatorname {cw}}(X;R)\) é muito mais tratável do que o complexo singular \(S_{*}(X;R)\).

Para esse fim, começamos com a observação que a filtração por esqueletos de um CW-complexo

\[ \emptyset =X^{-1} \subsetneq X^{0} \subseteq X^{1} \subseteq \ldots \subseteq X^{n} \subseteq \ldots \subseteq X \]

leva a uma série de sequências exatas longas dos pares \((X^{k}, X^{k-1})\). Ilustração: Homologia de CW-Complexos

Figura 12.5 Filtração por esqueletos de um toro.

Figura 12.5 Filtração por esqueletos de um toro.

Pela Proposição 10.3, \((X^{p}, X^{p-1})\) é um bom par, assim temos o isomorfismo entre a homologia relativa e a homologia quociente:

\[ H_{q}\left(X^{k}, X^{k-1}\right) \cong H_{q}\left(X^{k} / X^{k-1}, *\right) =\widetilde{ H}_{q}\left(X^{k} / X^{k-1}\right). \]

De posse dessas informações, podemos calcular a homologia relativa que é dada por:

\[ H_{q}\left(X^{k}, X^{k-1}\right) \cong \widetilde{H}_{q}\left(X^{k} / X^{k-1}\right)\cong \widetilde{H}_{q}\left(\bigvee _{i \in I_{k}} \mathbb {S}_{i}^{k}\right) \cong \begin{cases} R[I_{k}] \ , & q=k \\ 0 \ , & q \neq k. \end{cases} \]

Aqui usamos o Corolário 10.5 e o Exercício 135 e que \(X^{k} / X^{k-1}\) é homeomorfo ao buquê de esferas \(\bigvee _{i \in I_{k}} \mathbb {S}_{i}^{k}\).

Logo, o módulo \(H_{p}(X^{p}, X^{p-1};R)\) é um \(R\)-módulo livre cujo posto (quando finito) é igual ao número de \(p\)-células em \(X\). Isso significa que podemos ver \(H_{p}(X^{p}, X^{p-1};R)\) como o conjunto de combinações lineares formais \(\displaystyle \sum _{i}\lambda _{i} e_{i}^{p}\), onde \(\lambda _{i}\in R\) e \(e_{i}^{p}\) são \(p\)-células abertas.

Dado um CW-complexo \(X\), definimos as \(p\)-cadeias celulares de \(X\), \(C_{*}^{\operatorname {cw}}(X;R)\), por

\[ C_{p}^{\operatorname {cw}}(X;R)=H_{p}(X^{p}, X^{p-1};R)\ , \]

onde \(H_{p}(X^{p}, X^{p-1};R)\) é o p-ésimo grupo de homologia singular relativa do par \((X^{p}, X^{p-1})\) e \(X^{p}\) é o \(p\)-esqueleto de \(X\). Seja \(X\) um CW-complexo, então:

  1. \(H_{k}(X^{p};R)\cong 0\), para todo \(k\gt p\). Em particular, se \(X\) tem dimensão finita \(n\), então \(H_{p}(X;R)\cong 0\), para todo \(p\gt n.\)

  2. \(H_{k}(X^{p};R)\cong H_{k}(X;R)\), para todo \(k\lt p.\)

  3. Se \(R\) é um domínio de ideais principais, então \(H_{p}(X^{p};R)\) é um módulo livre.

Demonstração ▼

1 Observamos que \(H_{k}(X^{0};R)\cong 0\), para todo \(k\gt 0\). Na sequência exata longa em homologia do par \((X^{p}, X^{p-1})\)

\[ \cdots \rightarrow H_{k+1}(X^{p}, X^{p-1};R)\rightarrow H_{k}(X^{p-1};R)\rightarrow H_{k}(X^{p};R)\rightarrow H_{k}(X^{p}, X^{p-1};R) \rightarrow \cdots \]

observamos que, se \(k\neq p, p-1\), então como já vimos o primeiro e o quarto grupos são triviais, e temos os isomorfismos

\[ H_{k}(X^{p};R)\cong H_{k}(X^{p-1};R) \ , \qquad \text{para } k\neq p, p-1. \]

Assim, se \(k\gt p\), por indução, obtemos

\[ H_{k}(X^{p})\cong H_{k}(X^{0})\cong 0 \ . \]

2 A demonstração é similar. Usando a sequência exata longa em homologia do par \((X^{p}, X^{p-1})\) temos:

\[ \cdots \rightarrow H_{k+1}(X^{p+1}, X^{p};R)\rightarrow H_{k}(X^{p};R)\rightarrow H_{k}(X^{p +1};R)\rightarrow H_{k}(X^{p+1}, X^{p};R) \rightarrow \cdots \ . \]

Se \(k\lt p\), então \(k+1\lt p+1\) e o primeiro e quarto grupos são triviais, logo \(H_{k}(X^{p};R)\cong H_{k}(X^{p+1};R)\), \( k\lt p.\) Por indução, se \(k\lt p\), então \(H_{k}(X^{p};R)\cong H_{k}(X^{q};R)\), para todo \(q\geq p.\)

3 Como \(R\) é um domínio de ideais principais e \(H_{p}(X^{p};R)\) é um submódulo do módulo livre \(S_q (X;R)\) e, portanto, é livre.

Os resultados anteriores permitem uma visão vívida e esclarecedora de como a homologia é criada nas colagens do CW-complexo. Se fixarmos uma dimensão \(p\) e observarmos como \(H_{p}\) varia à medida que nos movemos pelos esqueletos de \(X\), encontramos a seguinte imagem. Primeiro, \(H_{0}\left(X^{0}\right)\) é sobreposto por \(H_{0}\left(X^{1}\right)\), que depois disso permanece inalterado à medida que avançamos para esqueletos de dimensão maior. Se \(p\gt 0\), como \(X^{0}\) é discreto, \(H_{p}\left(X^{0}\right)\cong 0\). Então os grupos de homologia \(H_{p}\left(X^{k}\right)\) continuam a ser \(0\) até chegar a \(X^{p}\). O módulo \(H_{p}\left(X^{p}\right)\) é livre. Relações podem ser introduzidas quando passamos para \(X^{p+1}\); mas depois disso todas as homologias

\[ H_{p}\left(X^{p+1}\right) \cong H_{p}\left(X^{p+2}\right) \cong \cdots \]

são isomorfas. Dessa forma, temos que toda a homologia \(q\)-dimensional de \(X\) é criada em \(X^{p}\), e todas as relações em \(H_{p}(X)\) ocorrem em \(X^{p+1}\).

Até esse ponto definimos as \(n\)-cadeias celulares de um CW-complexo \(X\), e agora queremos construir um complexo de cadeias. Definimos:

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_n : C_{n}^{\operatorname {cw}}(X;R)=H_{n}\left(X^{n}, X^{n-1}\right) \stackrel{\partial _{*, n}}{\longrightarrow } H_{n- 1}\left(X^{n-1}\right) \stackrel{j_{*,n-1}}{\longrightarrow } H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2} \right)=C_{n-1}^{\operatorname {cw}}(X;R) . \]

O operador bordo para a homologia celular \(\partial ^{\operatorname {cw}}_n : C_{n}^{\operatorname {cw}}(X;R)\to C_{n-1}^{\operatorname {cw}}(X;R)\) é definido como

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_n \mathrel {\mathop:\! =}j_{*,n-1}\mathbin {\circ }\partial _{*, n}. \]

Lema 12.11

\(\left(\partial ^{\operatorname {cw}}\right)^{2}=0\).

Demonstração ▼

O fato de \(\left(\partial ^{\operatorname {cw}}\right)^{2}=0\) decorre do diagrama a seguir, no qual as duas colunas e a linha central são exatas: Ilustração: Homologia de CW-Complexos No diagrama anterior, temos que \(\partial ^{\operatorname {cw}}_{n+1}=j_n\mathbin {\circ }\partial _{n+1}\) e \(\partial ^{\operatorname {cw}}_{n}=j_{n-1}\mathbin {\circ }\partial _{n}.\) Agora, \(\partial _{*, n}\mathbin {\circ }j_{n}=0\). Portanto, a composição das diagonais é zero, ou seja,

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_{n+1} \mathbin {\circ }\partial ^{\operatorname {cw}}_{n} = j_{n-1}\mathbin {\circ }\partial _{n} \mathbin {\circ }j_n\mathbin {\circ }\partial _{n+1}= 0. \]

A partir dos morfismos de bordo \(\partial ^{\operatorname {cw}}_{p}:C_{p}^{\operatorname {cw}} (X;R)\rightarrow C_{p-1}^{\operatorname {cw}} (X;R)\), obtemos a seguinte sequência Ilustração: Homologia de CW-Complexos e temos um complexo em cadeia. Este é o complexo de cadeias celulares de \(X \).

Definimos a homologia celular do CW-complexo \(X\) como a homologia do complexo de cadeias celulares, isto é

\[ H^{\operatorname {cw}}_{n}(X;R)\mathrel {\mathop:\! =}H_{n}\left(C^{\operatorname {cw}}_{*}(X;R)\right)=\ker \partial ^{\operatorname {cw}}_n / \mathrm{im}\, \partial ^{\operatorname {cw}}_{n+1}. \]

Se \(X\) é CW-complexo, então as homologias singulares e celulares são isomorfas, i.e.,

\[ H^{\operatorname {cw}}_{n}(X;R) \cong H_{n}(X;R) , \quad \text{para todo } p\geq 0. \]

Além disso

\[ H^{\operatorname {cw}}_{n}(X;R) \cong H_n(X^n)/\mathrm{im}\, \partial _{n+1} , \quad \text{para todo } p\geq 0. \]
Demonstração ▼

Considere o Diagrama 12.2. Como \(j_{n}\) é uma aplicação injetiva temos que:

  • \(j_{n}\) é um isomorfismo de \(\mathrm{im}\, \partial _{n+1}\) em \(\mathrm{im}\, j_{n} \mathbin {\circ }\partial _{n+1}=\mathrm{im}\, \partial ^{\operatorname {cw}}_{n+1}\)

  • \(j_{n}\) é um isomorfismo de \(H_{n}(X^{p};R)\) em \(\mathrm{im}\, j_{n} =\ker \partial _n\)

Pela exatidão da linha vertical do Diagrama 12.2 e pelo Primeiro Teorema de Isomorfismo temos que

\[ H_{n}(X;R)\cong H_{n}(X^{p};R) / \mathrm{im}\, \partial _{n+1}. \]

Logo

\[ H^{\operatorname {cw}}_{n}(X;R)= \ker \partial ^{\operatorname {cw}}_{n}/ \mathrm{im}\, \partial ^{\operatorname {cw}}_{n+1}\cong H_{n}(X^{p};R) / \mathrm{im}\, \partial _{n+1}=H_{n}(X;R). \]
  1. \(H_n (X;R) = 0\), se \(X\) for um CW-complexo sem nenhuma \(n\)-células.

  2. Se \(X\) é um CW-complexo com \(k\) \(n\)-células e \(R\) é um domínio de ideais principais, então \(H_n (X;R)\) é finitamente apresentado gerado por no máximo \(k\) elementos.

  3. Se \(X\) é um CW-complexo não tendo células de dimensões \(n-1\) e \(n+1\), então \(H_n (X)\) é um módulo livre com base em correspondência biunívoca com as \(n\)-células de \(X\).

Demonstração ▼

2 De fato, como \(C_{n}^{\operatorname {cw}}(X;R)\) é um módulo livre com \(k\) geradores e subquocientes destes são finitamente apresentados já que \(R\) é um domínio de ideais principais.

Exemplo 12.12
No exemplo 12.1, vimos que a esfera \(\mathbb {S}^{m}\) admite uma estrutura de CW complexo com apenas uma \(0\)-célula e uma \(m\)-célula. Assim, para \(m\gt 2\), temos a partir do corolário anterior que
\[ H_{n}(\mathbb {S}^{m};R)\cong \left\{ \begin{array}{ll} R, & \ n=0 \\ R, & \ n=m \\ 0, & \text{ caso contrário .} \end{array}\right. \]

Suponha que o CW-complexo \(X\) tenha apenas células pares, i.e., \(X^{2 k} =X^{2 k+1}\), para todo \(k\). Então

\[ H_{*}(X;R) \cong C^{\operatorname {cw}}_{*}(X;R) . \]

Em outras palavras, \(H_{n}(X;R)\) é trivial para \(n\) ímpar e é o módulo \(C^{\operatorname {cw}}_{*}(X;R)\) livre para todo \(n\) par, e a dimensão de \(H_{n}(X;R)\) para \(n\) par é o número de \(n\)-células.

Exemplo 12.13
O espaço projetivo complexo \(\mathbb {CP}^{n}\) tem uma estrutura CW formada pelas células \(e_0 \cup e_2 \cup \cdots \cup e_{2n}\) e logo
\[ H_{k}\left(\mathbb {CP}^{n};R\right)\cong \begin{cases} R \ , & \text{ se } 0 \leq k \leq 2 n, \text{ e } k \text{ for par } \\ 0 \ , & \text{ caso contrário. }\end{cases} \]

Exemplo 12.14

Vamos agora mostrar que os espaços \(\mathbb {CP}^{6}\) e \(\mathbb {S}^{2} \times \mathbb {S}^{4} \times \) \(\mathbb {S}^{6}\) não são homotopicamente equivalentes.

Considere a estrutura usual de CW-complexo para \(\mathbb {CP}^{6}\) e a estrutura CW-complexo produto para \(\mathbb {S}^{2} \times \mathbb {S}^{4} \times \mathbb {S}^{6}\). Ambos os espaços possuem células apenas em dimensões pares, mas \(\mathbb {CP}^{6}\) tem uma célula na dimensão 6, enquanto \(\mathbb {S}^{2} \times \mathbb {S}^{4} \times \mathbb {S}^{6} \) tem duas células na dimensão 6. Segue que \(H_{6}\left(\mathbb {CP}^{6}\right)\cong \mathbb {Z}\), enquanto \(H_{6}\left(\mathbb {S}^{2} \times \mathbb {S}^{4} \times \mathbb {S}^{6}\right)\cong \mathbb {Z}\oplus \mathbb {Z}\). Então, \(\mathbb {CP}^{6}\) e \(\mathbb {S}^{2} \times \mathbb {S}^{4} \times \mathbb {S}^{6}\) não são homotopicamente equivalentes.

Expressão para o operador de bordo celular

Para aplicarmos o Teorema, muitas vezes é necessário calcular o operador de bordo, o que pode ser difícil se feito diretamente a partir definição. A seguir, mostraremos como expressar o operador de bordo em termos dos graus de certas aplicações \(\mathbb {S}^{n} \rightarrow \mathbb {S}^{n}\).

O morfismo de bordo

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_n : H_{n}\left(X^{n}, X^{n-1}\right) \stackrel{\partial _{*, n}}{\longrightarrow } H_{n- 1}\left(X^{n-1}\right) \stackrel{j_{n-1}}{\longrightarrow } H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2} \right). \]

leva uma \(n\)-célula aberta \(e_{\alpha }\in X\), considerada como uma cadeia em \(H_{n}(X^{n}, X^{n-1})\), para uma combinação de \((n-1)\)-células abertas \(e_{\beta }\in X\), considerada como uma cadeia em \(H_{n-1}( X^{n-1}, X^{n-2})\). Dessa forma, a aplicação de bordo fica completamente determinada pelos coeficientes \(d_{\alpha \beta }\), tais que

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_{n}(e_{\alpha })=\sum _{\beta }d_{\alpha \beta }e_{\beta } \]

Para cada \(\beta \), defina uma aplicação \(p_{\beta }: X^{n-1} \rightarrow \mathbb {S}^{n-1}\) como segue.

  1. Seja \(q:X^{n-1}\rightarrow X^{n-1}/X^{n-2}\) a aplicação quociente.

  2. Lembre-se de que \(X^{n-1}/X^{n-2}\) é homeomorfo à união por um ponto de \((n-1)\)-esferas \(\mathbb {S}^{n-1}, \) uma para cada \(\beta \), i.e, \(X^{n-1}/X^{n-2}\cong \bigvee _{\beta } \mathbb {S}_{\beta }^{n-1}\). Seja \(q_{\beta }:X^{n-1}/X^{n-2}\rightarrow \mathbb {S}^{n-1}\) a projeção na \(\beta \)-ésima esfera. É a aplicação que colapsa todas as outras esferas na união por um ponto, exceto a \(\beta \)-ésima, no ponto de união. Então definimos

    \[ p_{\beta }=q_{\beta }\mathbin {\circ }q, \]

E definimos \(\triangle _{\alpha \beta }:\partial \mathbb {D}_{\alpha }^{n}\rightarrow \mathbb {S}_{\beta }^{n-1}\) como a composição

\[ \triangle _{\alpha \beta }=p_{\beta }\varphi _{\alpha }, \]

em outras palavras, a aplicação colagem de \(e_{\alpha }^{n}\) seguida pela aplicação quociente \(X^{n-1}\rightarrow S_{\beta }^{n-1}\) colapsando o complemento de \(e_{\beta }^{n-1}\) em \(X^{n-1}\) a um ponto.

Seja \(X\) um CW-complexo. Então o morfismo de bordo

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_{n}:H_{n}(X^{n}, X^{n-1};\mathbb {Z})\rightarrow H_{n-1}(X^{n- 1}, X^{n-2};\mathbb {Z}) \]

do complexo celular \(C_{*}^{\operatorname {cw}}(X;\mathbb {Z}) \) associado a \(X\) é dado por

\[ \partial ^{\operatorname {cw}}_{n}(e_{\alpha })=\sum _{\beta }d_{\alpha \beta }e_{\beta }, \]

onde \(d_{\alpha \beta }=\deg \triangle _{\alpha \beta }\) é o grau da aplicação \(\triangle _{\alpha \beta }:\mathbb {S}^{n-1}\rightarrow \mathbb {S}^{n-1}\) definida como \(\triangle _{\alpha \beta }=p_{\beta }\varphi _{\alpha }.\) Observamos que soma na proposição anterior é finita, pois \(\varphi _{\alpha }\) leva \(\mathbb {S}^{n-1}\) em uma união de um número finito de células de dimensão no máximo \(n-1\). Os graus \(d_{\alpha \beta }\) são frequentemente chamados de números de incidência.

Para demonstrar a proposição, considere o diagrama comutativo

Ilustração: Homologia de CW-Complexos

Primeiramente, observamos que \(p_{\beta *}\) leva um gerador \(e_{\beta } \) de \(H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2}\right)\) ao gerador de \(H_{n-1}\left(\mathbb {S}^{n- 1}, *\right) \cong \widetilde{H}_{n-1}\left(\mathbb {S}^{n-1}\right) \cong \mathbb {Z}\) e todos os outros geradores para zero.

Seja \(x \in H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2}\right)\), como \(H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2}\right)\) é livre com base \(\left\{ e_{\beta } \right\} \), existem e são únicos os inteiros \(n_{\beta }\) tais que

\[ x=\sum n_{\beta } e_{\beta } . \]

Como \(H_{n-1}\left(X^{n-1}, X^{n-2}\right)\cong H_{n-1}\left(X^{n-1}/ X^{n-2}\right)\), podemos escrever \(x\) como \(x=\sum n_{\beta } e'_{\beta }\).

Das observações acima, segue que a menos da escolha do gerador de \( \widetilde{H}_{n-1}\left(\mathbb {S}^{n-1}\right)\) 4 e de isomorfismo temos que se \(x=\sum n_{\beta } e_{\beta }\) então \(q_{\beta *} x= n_{\beta } \in \widetilde{H}_{n-1}\left(\mathbb {S}^{n-1}\right) \cong \mathbb {Z}\).

Agora, observe que a aplicação \(\Phi _{\alpha *}\) leva um gerador \(D_{\alpha } \in H_n(\mathbb {D}^n_{\alpha }, \partial \mathbb {D}^n_{\alpha })\) para um gerador de \(H_{n}(X^{n}, X^{n-1})\) correspondente a \(e_{\alpha }\). Denotaremos esse gerador também por \(e_{\alpha }\).

Observamos que o quadrado superior comuta por naturalidade \(\varphi _{\alpha }=\Phi _{\alpha }\mathord {\upharpoonright }{\mathbb {S}^{n-1}} \). Todos os triângulos comutam por definição. Dessa forma, temos, a menos de isomorfismos, fazendo uma perseguição no diagrama 12.3 (indicada em vermelho e começando com \(D_{\alpha }\in H_n(\mathbb {D}^n_{\alpha }, \partial \mathbb {D}^n_{\alpha })\)), que:

\[ d_{\alpha \beta }=q_{\beta *}\circ \partial _n^{\operatorname {cw}} e_{\alpha } =p_{\beta *} \partial _n\left(e_{\alpha }\right)= p_{\beta *} \varphi _{\alpha *}\partial D_\alpha =\Delta _{\alpha \beta }(\partial D_\alpha ), \]

onde \(D_\alpha \) é um gerador de \(H_{n}\left(\mathbb {D}^{n}, \mathbb {S}^{n-1}\right)\) que corresponde a aplicação identidade sob um homeomorfismo escolhido fixo \(\Delta _{n} \rightarrow \mathbb {D}_{n}\). Segue-se que \(\partial (D)\) é um gerador de \(\widetilde{H}_{n-1}\left(\mathbb {S}^{n-1}\right)\). Em outras palavras, o coeficiente \(d_{\alpha \beta } \in \mathbb {Z}\) é igual ao grau da aplicação \(\Delta _{\alpha \beta }: \mathbb {S}^{n-1} \rightarrow \mathbb {S}^{n -1}\).

Isso também faz sentido para \(n=1\), embora não tenhamos definido um grau de aplicação \(\mathbb {S}^{0} \rightarrow \mathbb {S}^{0}\). Nesse caso, o operador de bordo \(\partial _{1}: H_{1}\left(X^{1}, X^{0}\right) \rightarrow H_{0}\left(X^{0}\right)\) é definido simplesmente pela fórmula familiar

\[ \partial _{1}\left(e_{\alpha }\right)=e_{\alpha }(1)-e_{\alpha }(0) . \]

Observe também que, embora o cálculo acima identifique \(d_{\alpha \beta }\) apenas a menos de isomorfismos, mas isso não faz diferença na prática.

Exemplo 12.15

Seja \(\Sigma _g\) a superfície orientável fechada de gênero \(g\) com sua estrutura de CW-complexo usual obtida do polígono de \(4g\) lados colado pela palavra

\[ a_{1} b_{1} a_{1}^{-1} b_{1}^{-1} \cdots a_{g} b_{g} a_{g}^{-1} b_{g}^{-1} \]

e consistindo de uma 0-célula, \(2 g\) 1-células e uma 2-célula.

Ilustração: Homologia de CW-Complexos
Figura 12.6 Diagrama de Colagem de \(\Sigma _g\). Observe que em cada duas \(1\)-células coladas entre si uma está com a mesma orientação do bordo da 2-célula e uma com a orientação reversa, dessa forma, o disco é enrolado duas vezes em cada círculo em direções contrárias, e assim o grau é \(0\).

O complexo de cadeias celulares associado é

\[ 0 \longrightarrow \mathbb {Z}\stackrel{d_2}{\longrightarrow } \mathbb {Z}^{2 g} \stackrel{d_1}{\longrightarrow } \mathbb {Z}\longrightarrow 0\ . \]

O operador \(d_1\) deve ser \(0\), pois o complexo possui apenas uma \(0\)-célula. Além disso, \(d_2\) é \(0\) porque cada \(a_i\) ou \(b_i\) aparece com seu inverso em \( a_{1} b_{1} a_{1}^{-1} b_{1}^{-1} \cdots a_{g} b_{g} a_{g}^{-1} b_{g}^{-1}\), e dessa forma e dessa forma o disco é enrolado duas vezes em cada círculo em direções contrárias e assim as aplicações \(\Delta _{\alpha \beta }\) são aplicações homotópicas a constantes. Como \(d_1\) e \(d_2\) são ambos zero, os grupos de homologia de \(\Sigma _g\) são os mesmos que os grupos de cadeia celular e assim

\[ H_n(\Sigma _g)=\begin{cases} \mathbb {Z}\ , & \text{ se } n=0,2 \\ \mathbb {Z}^{2 g} \ , & \text{ se } n=1 . \end{cases} \]

\begin{tikzpicture} \end{tikzpicture}

(-0.3, -0.7) node [circle, fill=blue, inner sep=.05cm] () ; at (-0.3, 0.9) 0-célula; [shift=(2.7, -0.3),scale=0.8] (-0.3, -0.7) node [circle,fill=blue, inner sep=.06cm] () ; [thick] (0, 0) ellipse (2cm and 0.7cm); [thick] (0, -.7) ellipse (0.3cm and 0.5cm);

[shift=(6.6, -0.8)] at (-3.6, 2) Colagem da
1-célula
;

[thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .65 with latex, ] (0,0)–(1,0);

[thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .65 with latex, ] (1,0)–(1,1); [thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .65 with latex, ] (0,1)–(1,1); [thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .65 with latex, ] (0,0)–(0,1); [blue] (0,0) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (0,1) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (1,0) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (1,1) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ;

at (0.5,-0.24) \(a\); at (1.3,0.5) \(b\); at (0.7,1.3) \(a^{-1}\); at (-0.4,0.5) \(b^{-1}\);

[x=2cm,y=2cm,shift=(1.97, -0.4),scale=0.57]

at (4.2, 1.9) 2-célula; at (7, 0.6)

Orientação do bordo da 2 célula
;

[azul,fill opacity=0.1] (4.6,0.5) circle (1cm); [,thick,thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .3 with latex, ] (4.6,1) arc (90:180:0.5); [thick,thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (4.6,0.5-0.5) arc (270:360:0.5); [thick,thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .3 with latex, ] (4.6-0.5,0.5) arc (180:270:0.5); [thick,thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (4.6+0.5,0.5) arc (0:90:0.5);] [blue] (4.6+0.5,0.5) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (4.6+0,0.5+0.5) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (4.6,-0.) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [blue] (4.6-0.5,0.5) node [circle,fill=blue, inner sep=.03cm] () ; [thick,red,->] (4.6+0.8,0.1)to[out=40,in=-40](4.6+0.8,0.5+0.4);

[shift=(0, -5)] (0.7, 0.) node [circle,fill=black, inner sep=.06cm] () ; at (1.6, 2.5) Colagem da 2-célula;

[thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (1,0) arc[start angle=0,delta angle=-320,x radius=.15,y radius=.35]; (1,0) ++(-.15,-.35) .. controls +(170:1) and +(-90:.5) .. ++(-1.5,1) .. controls +(90:.5) and +(180:1) .. ++(2,1) .. controls +(0:1) and +(90:.5) .. ++(2,-1) .. controls +(-90:.5) and +(10:1) .. ++(-1.5,-1) coordinate (a); [thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .7 with latex, ] (a) ++(-.15,.35) arc[start angle=0,delta angle=-320,x radius=-.15,y radius=.35]; (1,0) ++(-.15,.35) .. controls +(170:.5) and +(-60:.25) .. ++(-.9,.5) coordinate (b); [thick,red] (0.96,0.215)–(0.76,0.25); [thick,red] (1+0.96,0.255)–(1+0.76,0.225); (a) ++(0,.7) .. controls +(10:.5) and +(240:.25) .. ++(.9,.5) coordinate (c); (1,0) ++(-.15,.35) .. controls +(170:.5) and +(-60:.25) .. ++(-.9,.5) – ++(0,2) -| (c) .. controls +(240:.25) and +(10:.5) .. ++(-.9,-.5); (1,0) ++(-.15,-.35) ++(0,-.7) .. controls +(170:1) and +(-90:.5) .. ++(-1.5,.8) .. controls +(90:.5) and +(180:1) .. ++(2,1.2) .. controls +(0:1) and +(90:.5) .. ++(2,-1.2) .. controls +(-90:.5) and +(10:1) .. ++(-1.5,-.8); [thick,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (1,0) ++(-.15,-.35) ++(0,-.8) .. controls +(170:1) and +(-90:.5) .. ++(-1.5,.8) .. controls +(90:.5) and +(180:1.2) .. ++(2,1.5) .. controls +(0:1.2) and +(90:.5) .. ++(2,-1.5) .. controls +(-90:.5) and +(10:1) .. ++(-1.5,-.8);

[thick,red,postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (1,0.172) ++(-.15,-.35) ++(0,-.8) .. controls +(170:1) and +(-90:.5) .. ++(-1.5,.8) .. controls +(90:.5) and +(180:1.2) .. ++(2,1.5) .. controls +(0:1.2) and +(90:.5) .. ++(2,-1.5) .. controls +(-90:.5) and +(10:1) .. ++(-1.5,-.8); (a) ++(-.15,.35) arc[start angle=0,delta angle=-360,x radius=-.15,y radius=.35]; (a) ++(-.15,.35) .. controls +(10:1) and +(-90:.5) .. ++(1.5,.8); (1,0) arc[start angle=0,delta angle=-360,x radius=.15,y radius=.35]; (1,0) .. controls +(170:1) and +(-90:.5) .. ++(-1.5,.8);

[xshift=6cm,yshift=-5cm] at (2.2, 2.4) Toro;

[postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (1.5,.35) arc[start angle=90,end angle=-90,y radius=.35,x radius=.1]; (1.5,-.35) .. controls +(180:1) and +(-90:.65) .. ++(-2,1) .. controls +(90:.65) and +(180:1) .. ++(2,1) .. controls +(0:1) and +(90:.65) .. ++(2,-1) .. controls +(-90:.65) and +(0:1) .. ++(-2,-1); (1.5,.35) .. controls +(180:.5) and +(-50:.25) .. ++(-1.3,.35) coordinate (b); (1.5,.35) .. controls +(0:.5) and +(230:.25) .. ++(1.3,.35) coordinate (c); (1.5,.35) .. controls +(180:.5) and +(-50:.25) .. ++(-1.3,.35) – ++(0,2) -| (c) .. controls +(230:.25) and +(0:.5) .. ++(-1.3,-.35); (1.5,-.35) ++(0,-.7) .. controls +(180:1) and +(-90:.65) .. ++(-1.5,1) .. controls +(90:.65) and +(180:1) .. ++(1.5,1) .. controls +(0:1) and +(90:.65) .. ++(1.5,-1) .. controls +(-90:.65) and +(0:1) .. ++(-1.5,-1); [postaction=decorate,decoration= markings, mark=at position .5 with latex, ] (1.5,-.35) ++(0,-.6) .. controls +(180:1) and +(-90:.65) .. ++(-1.5,1) .. controls +(90:.65) and +(180:1) .. ++(1.5,1) .. controls +(0:1) and +(90:.65) .. ++(1.5,-1) .. controls +(-90:.65) and +(0:1) .. ++(-1.5,-1); (0.7, 0.) node [circle,fill=black, inner sep=.06cm] () ;

\end{tikzpicture}

Figura 12.7 Construção da estrutura de CW-complexo do toro. Cada duas \(1\)-células coladas entre si uma está com a mesma orientação do bordo da 2-célula e uma com a orientação reversa e dessa forma o disco é enrolado duas vezes em cada círculo em direções contrárias.

Exemplo 12.16

Seja \(P_g\) superfície não orientável fechada do gênero \(g\) com sua estrutura de CW-complexo usual obtida da colagem do polígono de \(2g\) lados colado pela palavra

\[ a_1^2 a_2^2 \cdots a_g^2 \]

e consistindo de uma \(0\)-célula, \(g\) 1-células e uma 2-célula.

Ilustração: Homologia de CW-Complexos
Figura 12.8 Diagrama de Colagem de \(P_g\). Cada duas \(1\)-células coladas entre si estão com a mesma orientação do bordo da \(2\)-célula e assim a \(2\)-celula é enrolada duas vezes em cada círculo na mesma direção e logo o grau é \(2\).

O complexo de cadeia celular associado é

\[ 0 \longrightarrow \mathbb {Z}\stackrel{d_2}{\longrightarrow } \mathbb {Z}^{g} \stackrel{d_1}{\longrightarrow } \mathbb {Z}\longrightarrow 0\ . \]

Novamente temos que o operador \(d_1=0\), enquanto que o operador \(d_2: \mathbb {Z}\rightarrow \mathbb {Z}^g\) é especificado pela equação \(d_2(1)=(2, \cdots , 2)\) já que cada termo \(a_i \) aparece na palavra de colagem da 2-célula com expoente \(2\), e dessa forma o bordo do disco é enrolado duas vezes em cada círculo na mesma direção e assim cada aplicação \(\triangle _{\alpha \beta }\) é homotópica à aplicação \(z \mapsto z^2\), de grau 2. Como \( d_2(1)=(2, \cdots , 2)\), temos que a aplicação \(d_2\) é injetiva e portanto \(H_2\left(P_g\right)\cong 0\). Finalmente se escolhermos a base para \(\mathbb {Z}^g\) como a base obtida substituindo o último elemento base padrão \((0, \cdots , 0,1)\) por \((1, \cdots , 1)\), veremos que

\[ H_1\left(P_g\right) \cong \mathbb {Z}^{g - 1} \oplus \mathbb {Z}_2. \]

e desta forma temos que

\[ H_n(P_g)=\begin{cases} \mathbb {Z}\ , & \text{ se } n=0, \\ \mathbb {Z}^{g - 1} \oplus \mathbb {Z}_2 \ , & \text{ se } n=1, \\ 0 \ , & \text{ se } n=2 . \end{cases} \]

Espaço projetivo real

Temos uma estrutura de CW-Complexo em \(\mathbb {RP}^{n}\) com \(X^{k}=\mathbb {RP}^{k}\) na qual há uma \(k\)-célula - que denotaremos por \(e_{k}\) - para cada \(k\) entre \(0\) e \(n\). A aplicação de colagem da \(n\)-célula é o recobrimento duplo dado pela aplicação antipodal \(\pi : \mathbb {S}^{n-1} \rightarrow \mathbb {RP}^{n-1}\). Dessa forma o complexo da cadeia celular é dado: Ilustração: Homologia de CW-Complexos

O primeiro operador bordo é zero porque \(H_{0}\left(\mathbb {RP}^{n}\right)\cong \mathbb {Z}\) Para \(n\gt 1\), para calcular o morfismo de bordo \(\partial _{k}^{\operatorname {cw}}\) calculamos o grau da composição

\[ \mathbb {S}^{k-1} \stackrel{\varphi }{\longrightarrow } \mathbb {RP}^{k-1} \stackrel{ q}{\longrightarrow } \mathbb {RP}^{k-1} / \mathbb {RP}^{k-2}=\mathbb {S}^{k-1}, \]

com \(q\) a aplicação quociente. A aplicação \(q \varphi \) restringe-se a um homeomorfismo em cada componente de \(\mathbb {S}^{k-1} \setminus \mathbb {S}^{k-2}\) sobre \(\mathbb {RP}^{k-1} \setminus \mathbb {RP}^{k-2}\), e esses dois homeomorfismos são obtidos um do outro compondo com a aplicação antipodal de \(\mathbb {S}^{k-1}\), denoata \(-\operatorname {\operatorname {id}}\), que tem grau \((-1)^{k}\). Logo

\[ \deg q \varphi =\deg \operatorname {\operatorname {id}}+\deg (-\operatorname {\operatorname {id}})=1+(-1)^{k}, \]

e assim \(\partial _{k}^{\operatorname {cw}}\) é 0 ou é a multiplicação por 2 dependendo se \(k\) é ímpar ou par. Assim, o complexo da cadeia celular para \(\mathbb {RP}^{n}\) é

Ilustração: Homologia de CW-Complexos

A partir das sequências anteriores segue facilmente que A homologia do espaço projetivo real é a seguinte.

\[ H_{k}\left(\mathbb {RP}^{n}\right) \cong \begin{cases} \mathbb {Z}\ , & k=0 \\ \mathbb {Z}\ , & k=n \text{ ímpar } \\ \mathbb {Z}_2 \ , & k \text{ ímpar, } 0\lt k\lt n \\ 0\ , & \text{ caso contrário }\end{cases} \]

Representando essas informações numa tabela na qual as entradas ausentes são 0.

\[ \begin{array}{l|llllll} \operatorname {dim} & 0 & 1 & 2 & 3 & 4 & 5 \\ \hline \mathbb {RP}^{0} & \mathbb {Z}& & & & & \\ \mathbb {RP}^{1} & \mathbb {Z}& \mathbb {Z}& & & \\ \mathbb {RP}^{2} & \mathbb {Z}& \mathbb {Z}_2 & & & \\ \mathbb {RP}^{3} & \mathbb {Z}& \mathbb {Z}_2 & 0 & \mathbb {Z}& \\ \mathbb {RP}^{4} & \mathbb {Z}& \mathbb {Z}_2 & 0 & \mathbb {Z}_2 & & \\ \mathbb {RP}^{5} & \mathbb {Z}& \mathbb {Z}_2 & 0 & \mathbb {Z}_2 & 0 & \mathbb {Z}\end{array} \]

No espaço projetivo real, células ímpares criam novos geradores e células pares (com exceção da célula zero) criam torção na dimensão anterior.

12.3 Axiomas de Eilenberg-Steenrod para a Homologia

Eilenberg e Steenrod propuseram em Eilenberg e Steenrod 1945 um sistema de axiomas para definir o que é uma “teoria de homologia”. Nesse conjunto de axiomas, o foco era predominantemente em CW-complexos finitos. Mais tarde, esses axiomas foram complementados pelo axioma da aditividade de Milnor Milnor 1962 que agora é considerado como parte dos axiomas padrão. Denotamos por \(\mathbf{PTop}\) a categoria de pares de espaços topológicos.

Uma teoria de homologia \(H\) em \(\mathbf{PTop}\) é:

  • uma sequência de funtores \(h_{n}\) : \(\mathbf{PTop}\rightarrow \mathbf{{}_R{Mod}}\) para todo \(n \in \mathbb {Z}\) e

  • uma sequência de transformações naturais \(\partial : h_{n}(X, A) \rightarrow h_{n-1}(A, \varnothing )\)

que satisfazem:

A1-Sequência exata longa

Para qualquer par \((X, A)\), a sequência

\[ \cdots \rightarrow h_{q+1}(X, A) \stackrel{\partial }{\rightarrow } h_{q}(A) \rightarrow h_{q}(X) \rightarrow h_{q}(X, A) \stackrel{\partial }{\rightarrow } \cdots \]

é exata, onde escrevemos \(h_{q}(X)\) para \(h_{q}(X, \varnothing )\).

A2-Axioma da dimensão

O grupo \(h_{n}(*)\) é diferente de zero apenas para \(n=0\).

A3-Invariância homotópica

Se \(f_{0}, f_{1}:(X, A) \rightarrow (Y, B)\) são homotópicos, então \(f_{0 *}=f_{1 *}: h_{n }(X, A) \rightarrow \) \(h_{n}(Y, B)\).

A4-Excisão

Excisões induzem isomorfismos.

A5-Aditividade

Seja \(\coprod X_{i}\) a união disjunta de \(X_{i}\). As aplicações de inclusão \(X_{i} \rightarrow \coprod X_{i}\) induzem as aplicações \(h_{n}\left(X_{i}\right) \rightarrow h_{n}\left(\coprod X_{i}\right)\), e estes por sua vez induzem uma aplicação da soma direta em \(\mathbf{{}_R{Mod}}\):

\[ \alpha : \bigoplus _{i \in I} h_{n}\left(X_{i}\right) \rightarrow h_{n}\left(\coprod _{i \in I} X_{i}\right) . \]

Então a aplicação \(\alpha \) é um isomorfismo para todo \(n\).

Os grupos \(h_n (* )\) são denominados coeficientes da teoria de homologia.

Unicidade da Homologia Singular. Existe essencialmente apenas uma teoria de homologia, com um grupo de coeficientes dado, na subcategoria \(\mathbf{CW}\subset \mathbf{PTop}\) que satisfaz os axiomas acima. Em outras palavras, se \(H\), \(H_0\) são duas teorias de homologia com o mesmo grupo de coeficientes que satisfazem os axiomas os grupos \(H_n (X, A)\) e \(H_{0n} (X, A)\) são isomorfos para \((X, A) \in \mathbf{CW}\).

Exercício 12.1

Sejam \(X\) um CW-complexo e \(A\) um subcomplexo. Prove que \(A\) tem uma vizinhança \(U\) em \(X\) tal que A é retrato de deformação de \(A\).

Exercício 12.2

Prove que qualquer subconjunto compacto de um CW-complexo \(X\) está contido em algum subcomplexo finito de \(X\).

Exercício 12.3

Seja \((X, Y )\) um par CW. Então o espaço quociente \(X/Y\) pode ser munido de uma estrutura de CW-complexo de modo que a aplicação quociente \(X \to X/Y\) seja celular.

Exercício 12.4

Mostre que a suspensão \(\Sigma X\) de um CW-complexo é novamente um CW-complexo, onde

\[ \Sigma X\mathrel {\mathop:\! =}\frac{X \times I}{X \times \partial I} . \]
Exercício 12.5

Esfera Infinita
Mostre que se \(X\) que é o colimite, ou seja, a união de uma sequência crescente de CW-subcomplexos

\[ X_1 \subset X_2 \subset X_3 \subset \cdots \subset X=\bigcup _{n \geqslant 1} X_n \]

então \(X\) é um CW-complexo.


Mostre que a esfera de dimensão \(n\) \(\mathbb {S}^n\), para qualquer \(n \in \mathbb {N}\), admite uma estrutura CW-complexa com duas células de dimensão \(k\) para qualquer \(0 \leqslant k \leqslant n\).


Descreva a estrutura de CW-complexo da esfera infinita

\[ \mathbb {S}^0 \subset \mathbb {S}^1 \subset \mathbb {S}^2 \subset \cdots \subset \mathbb {S}^{\infty }=\bigcup _{n \geqslant 0} \mathbb {S}^n, \]


Usando as definições do item anterior, mostre que se cada inclusão \(X_n \mapsto X_{n+1}\) é homotopicamente nula, então \(X\) é contrátil.
Mostre que \(\mathbb {S}^{\infty }\) é contrátil.

Exercício 12.6

Mostre que os espaços \(\mathbb {CP}^{3}\) e \(\mathbb {S}^{2} \times \) \(\mathbb {S}^{4} \) não são homotopicamente equivalentes.
Mostre que os espaços \(\mathbb {CP}^{\frac{n(n+1)}{2}}\) e \(\mathbb {S}^{2} \times \) \(\mathbb {S}^{4} \times \cdots \times \mathbb {S}^{2 n}\) não são homotopicamente equivalentes para todo \(n\gt 1\).
Exercício 12.7

Para \(n \in \mathbb {N}\), \(\mathbb {R}^n\) admite estrutura de CW-complexo? E de um CW-complexo finito?

Exercício 12.8


Mostre que o produto \(X \times Y\) de dois complexos CW finitos é um CW-complexo.
Use o item anterior para construir uma estrutura de CW-complexo do toro n-dimensional \(\mathbb {T}^n=\mathbb {S}^1 \times \cdots \times \mathbb {S}^1 \)
Calcule os grupos de homologia de \(\mathbb {T}^n=\mathbb {S}^1 \times \cdots \times \mathbb {S}^1 \)

Exercício 12.9

Seja \(X\) o espaço obtido anexando duas 2-células a \(\mathbb {S}^{1}\), uma através da aplicação \(z \mapsto z^{3}\) e outra via \(z \mapsto z^{5}\), onde \(z\) denota a coordenada complexa em \(\mathbb {S}^{1} \subset \mathbb {C}\). Calcule os grupos de cohomologia \(H^{*}(X ; R)\) de \(X\) com coeficientes:
\(R=\mathbb {Z}\).
\(R=\mathbb {Z}_2\).
\(R=\mathbb {Z}/ 3\).

Exercício 12.10

Seja \( f: \mathbb {S}^n \rightarrow \mathbb {S}^n \) uma aplicação de grau \( m \). Seja \( X = \mathbb {S}^n \cup _f e^{n+1} \) o espaço obtido de \( \mathbb {S}^n \) anexando um \( (n+1) \)-célula via \( f \). Calcule a homologia de \( X \).

Exercício 12.11

Seja \( G \) um grupo abeliano finitamente gerado e seja \( n \geq 1 \). Construa um CW-complexo \( X \) tal que \( H_n (X) \cong G \) e \( \tilde{H} _i (x) = 0 \) para todos \( i \neq n \). Dica: use o exercício anterior.

Exercício 12.12

Calcule os grupos de homologia de \(\mathbb {CP}^{n}\).

Exercício 12.13

Usando o fato que se \( X \) e \( Y \) são CW-complexos finitos então \( X \times Y \) também tem a estrutura de um CW-complexo.


Calcule os grupos de homologia de \( \mathbb {CP}^{n} \times \mathbb {CP}^{m} \) para todos \( m \) e \( n \).


Calcule os grupos de homologia de \( \mathbb {CP}^{\infty } \times \mathbb {CP}^{\infty } \) usando o fato de que o fato de

\[ \mathbb {CP}^{\infty } \times \mathbb {CP}^{\infty } = \varinjlim _{n} \mathbb {CP}^{n} \times \mathbb {CP}^{n} \]
Exercício 12.14

Seja \( \mathbb {M}\) a faixa Möbius obtida como um quociente de \( [0,1] \times [-1,1] \), identificando \( (0, t) \sim (1, -t) \). A faixa de Möbius vem equipada com duas inclusões do círculo

\[ C_1: \mathbb {S}^{1} \longrightarrow M, \quad C_2: \mathbb {S}^{1} \longrightarrow M \]

onde a imagem de \( C_1 \) é o círculo central \( [0,1] \times \{ 0 \} / \sim \) e a imagem de \( C_2 \) é o círculo de fronteira \( [0,1] \times \{ \pm 1 \} / \sim \)


Dê uma estrutura de CW-complexo para a faixa de Möbius de modo que ambas as aplicações \( C_1 \) e \( C_2 \) sejam inclusões de CW-subcomplexos. Desenhe uma imagem ilustrando isso.


Mostre que \( C_1 \) é a inclusão de um retrato de deformação. Se \( P: M \rightarrow \mathbb {S}^{1} \) é a retração associada, prove que

\[ \mathbb {S}^{1} \stackrel{C_2}{\longrightarrow } M \stackrel{P}{\longrightarrow } \mathbb {S}^{1} \]

fornece uma fatoração do mapa \( \beta _{2}: \mathbb {S}^{1} \rightarrow \mathbb {S}^{1} \) definido como \( \beta _{2} \left(e^{i \theta } \right) = e^{2 i \theta } \) como a inclusão de um subcomplexo, seguido por uma equivalência de homotopia.

  1. Na verdade, temos duas escolhas possíveis aqui. ↩