Funções trigonométricas
Está escrito em linguagem matemática, e seus caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas.
Na geometria elementar, seno e cosseno aparecem inicialmente como relações entre ângulos e lados de triângulos. Para estudá-los como funções de variável real, é necessário estender essa definição a ângulos arbitrários.
A circunferência unitária fornece essa extensão. A cada número real associa-se um percurso orientado sobre a circunferência; as coordenadas do ponto final definem o cosseno e o seno desse número. Periodicidade, sinais, paridade e diversas identidades decorrem das simetrias dessa construção.
10.1 Seno e cosseno na circunferência unitária
Uma volta completa mede \(360^\circ \) quando se utiliza a medida em graus. A medida em radianos é definida geometricamente. Se um arco de comprimento \(s\) pertence a uma circunferência de raio \(r\), a medida do ângulo central correspondente é
A razão não depende do raio escolhido: ampliar a circunferência por um fator positivo multiplica pelo mesmo fator o raio e o comprimento do arco correspondente. Portanto,
Como a circunferência completa tem comprimento \(2\pi r\),
Em particular,
Quando \(r=1\), a medida em radianos coincide numericamente com o comprimento do arco:
Essa igualdade permite usar números reais para descrever percursos na circunferência. O módulo do número indica o comprimento percorrido; seu sinal distingue os dois sentidos possíveis. Assim, números negativos não representam comprimentos negativos, mas percursos com orientação oposta.
Faça as conversões. Uma circunferência tem raio \(5\) cm. Calcule o comprimento do arco interceptado por um ângulo de \(2\pi /3\) radianos.
\(120^\circ \) para radianos.
\(225^\circ \) para radianos.
\(3\pi /4\) para graus.
\(7\pi /4\) para graus. Ver solução
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Com os radianos, a circunferência unitária transforma diretamente números reais em pontos do plano: o próprio número mede o comprimento orientado do arco percorrido.
Considere a circunferência de centro na origem e raio \(1\). Fixe
Para \(x\gt 0\), partimos de \(U\) e percorremos a circunferência no sentido anti-horário por um arco de comprimento \(x\). Para \(x\lt 0\), percorremos \(|x|\) no sentido horário. Denotaremos por \(P_x\) o ponto final desse percurso. Para \(x=0\), não há deslocamento e definimos \(P_0=U\). Percursos maiores que \(2\pi \) podem incluir uma ou mais voltas completas, sem alterar a regra.
A construção vale para qualquer número real. Uma volta completa tem comprimento \(2\pi \), portanto
Logo,
Seno e cosseno são funções periódicas de período \(2\pi \). O período fundamental, quando existe, é o menor período positivo. Para o cosseno, a minimalidade de \(2\pi \) pode ser vista no ponto \(U\): a coordenada horizontal só volta a valer \(1\) quando o percurso retorna a esse ponto. Para o seno, o mesmo argumento é aplicado ao ponto superior da circunferência, único cuja coordenada vertical é \(1\). Em ambos os casos, o primeiro retorno ocorre após uma volta completa. Assim, \(2\pi \) é o período fundamental; \(4\pi \), \(6\pi \) e os demais múltiplos inteiros positivos também são períodos, mas não são fundamentais.
Se trocamos \(x\) por \(-x\), percorremos a mesma distância no sentido oposto. Os pontos \(P_x\) e \(P_{-x}\) são simétricos em relação ao eixo horizontal. Assim,
O seno é ímpar e o cosseno é par.
Como \(P_x\) está na circunferência unitária,
Portanto,
Essa identidade é simplesmente a equação \(X^2+Y^2=1\) aplicada ao ponto \(P_x\).
10.1.1 Valores notáveis e sinais
Os valores de seno e cosseno em \(\pi /6\), \(\pi /4\) e \(\pi /3\) podem ser deduzidos de dois triângulos retângulos.
Metade de um triângulo equilátero de lado \(2\). Triângulo retângulo isósceles.
No primeiro triângulo, partimos de um equilátero de lado \(2\) e traçamos uma altura. Ela divide a base ao meio e, pelo teorema de Pitágoras, tem comprimento \(\sqrt{2^2-1^2}=\sqrt3\). Portanto,
O ângulo complementar fornece
No triângulo retângulo isósceles de catetos \(1\), a hipotenusa vale \(\sqrt2\). Assim,
Reunindo os três casos, no primeiro quadrante temos
Os demais valores surgem por simetria na circunferência. O seno é positivo acima do eixo horizontal e negativo abaixo dele; o cosseno é positivo à direita do eixo vertical e negativo à esquerda. Assim, os sinais são determinados pelas coordenadas do ponto \(P_x=(\cos x,\operatorname {sen}x)\):
Use a circunferência unitária para calcular. \(\sqrt3/2\) e \(-1/2\). \(-\sqrt2/2\) e \(-\sqrt2/2\). \(-1/2\) e \(\sqrt3/2\). Sem usar calculadora, determine o sinal de cada expressão. Use periodicidade para reduzir cada argumento a \([0,2\pi )\).
\(\operatorname {sen}(2\pi /3)\) e \(\cos (2\pi /3)\).
\(\operatorname {sen}(5\pi /4)\) e \(\cos (5\pi /4)\).
\(\operatorname {sen}(11\pi /6)\) e \(\cos (11\pi /6)\). Ver solução
\(\operatorname {sen}(7\pi /6)\).
\(\cos (4\pi /3)\).
\(\operatorname {sen}(-\pi /4)\).
\(\cos (-2\pi /3)\). Ver solução
\(\operatorname {sen}(13\pi /6)\).
\(\cos (9\pi /4)\).
\(\operatorname {sen}(-7\pi /6)\). Ver solução
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Determine as coordenadas de \(P_x=(\cos x,\operatorname {sen}x)\) para Liste todos os números reais \(x\) para os quais Ver solução
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10.2 Gráficos de seno e cosseno
A definição na circunferência unitária permite construir diretamente os gráficos de seno e cosseno. À medida que \(x\) varia, o ponto \(P_x\) percorre a circunferência; sua coordenada vertical fornece os valores de \(\operatorname {sen}x\) e sua coordenada horizontal fornece os valores de \(\cos x\).
Em uma volta, a coordenada vertical de \(P_x\) passa por
nos pontos
O cosseno acompanha a coordenada horizontal e passa, nos mesmos instantes, por
Como o percurso foi definido para todo número real, os domínios de seno e cosseno são \(\mathbb {R}\). Suas coordenadas não ultrapassam \(1\) em módulo, mas isso, sozinho, apenas mostra que as imagens estão contidas em \([-1,1]\). Para verificar que todos esses valores ocorrem, tome uma altura \(y\in [-1,1]\): a reta horizontal de altura \(y\) encontra a circunferência, e um percurso até um desses pontos fornece um número cujo seno é \(y\). O mesmo argumento, usando retas verticais, vale para o cosseno. Portanto,
O seno se anula quando \(P_x\) está no eixo horizontal, isto é, em \((1,0)\) ou \((-1,0)\). Esses pontos são atingidos a cada meia-volta, de modo que os zeros são \(x=k\pi \), com \(k\in \mathbb {Z}\). Para o cosseno, usamos as interseções com o eixo vertical: seus zeros são \(x=\pi /2+k\pi \). O máximo \(1\) do seno ocorre no ponto superior da circunferência, em \(x=\pi /2+2k\pi \); o mínimo \(-1\), no inferior, em \(x=3\pi /2+2k\pi \). Para o cosseno, os pontos da direita e da esquerda fornecem, respectivamente, o máximo \(1\) em \(x=2k\pi \) e o mínimo \(-1\) em \(x=\pi +2k\pi \).
A monotonicidade pode ser acompanhada no mesmo percurso. Quando \(x\) vai de \(-\pi /2\) a \(\pi /2\), o ponto percorre a semicircunferência direita de baixo para cima, e sua altura aumenta estritamente. Quando \(x\) vai de \(\pi /2\) a \(3\pi /2\), percorre a semicircunferência esquerda de cima para baixo, e sua altura diminui estritamente. Assim, o seno é crescente no primeiro intervalo e decrescente no segundo. A periodicidade reproduz esses intervalos por translações de \(2k\pi \).
Para o cosseno, acompanhamos a coordenada horizontal: ela diminui de \(1\) a \(-1\) quando \(x\) percorre \([0,\pi ]\) e aumenta de \(-1\) a \(1\) quando \(x\) percorre \([\pi ,2\pi ]\). Logo, o cosseno é estritamente decrescente no primeiro intervalo e estritamente crescente no segundo, repetindo esses comportamentos a cada volta. Os cinco pontos destacados no desenho indicam os extremos e os zeros; a construção na circunferência explica o que ocorre entre eles.
Determine domínio, imagem, período fundamental e zeros de \(\operatorname {sen}x\) e de \(\cos x\). Esboce um período de \(y=\operatorname {sen}x\) e de \(y=\cos x\) marcando primeiro os cinco pontos principais em \(0,\pi /2,\pi ,3\pi /2,2\pi \). Ver solução
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Em um período \([0,2\pi ]\), indique onde \(\operatorname {sen}x\) é positivo, negativo e nulo. Em um período \([0,2\pi ]\), indique onde \(\cos x\) é positivo, negativo e nulo. Determine todos os pontos de máximo e mínimo de \(\operatorname {sen}x\). Ver solução
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10.3 Identidades trigonométricas fundamentais
A identidade pitagórica decorre diretamente da equação da circunferência unitária. As fórmulas de adição também podem ser obtidas geometricamente.
Comecemos com \(0\lt a,b\lt \pi /2\). No triângulo da Figura 10.4, a altura \(CD=h\) divide o ângulo em \(C\) em duas partes, \(a\) e \(b\). Os dois triângulos retângulos fornecem
e, multiplicando essas hipotenusas pelos senos correspondentes,
Se usamos \(CA\) como base, a altura correspondente mede \(CB\operatorname {sen}(a+b)\). De fato, quando \(a+b\) é agudo, essa relação vem de um triângulo retângulo; quando é obtuso, usamos o ângulo suplementar e \(\operatorname {sen}(\pi -(a+b))=\operatorname {sen}(a+b)\). Para \(a+b=\pi /2\), a altura é o próprio lado \(CB\). Assim, a mesma área também é
Igualando as duas expressões e multiplicando por \(2\cos a\cos b/h^2\), obtemos a fórmula do seno da soma para os ângulos agudos \(a\) e \(b\).
Para chegar ao cosseno e às diferenças, usaremos apenas as simetrias da circunferência. A fórmula já provada, aplicada a \(a\) e \(\pi /2-b\), dá
Se \(a\gt b\), aplicamos ainda a fórmula do seno a \((a-b)+b\) e isolamos \(\operatorname {sen}(a-b)\):
Para \(a=b\) a igualdade é imediata; para \(a\lt b\), trocamos os dois ângulos e usamos a paridade do seno. A fórmula da diferença vale, portanto, para quaisquer \(a,b\in (0,\pi /2)\). Aplicando-a a \(\pi /2-a\) e \(b\),
Resta explicar por que não há restrição a ângulos agudos nas fórmulas. Se um ou ambos os ângulos são negativos, escrevemos seus opostos, reduzindo o cálculo a uma soma ou diferença de ângulos não negativos. Usamos então as fórmulas anteriores e \(\operatorname {sen}(-t)=-\operatorname {sen}t\), \(\cos (-t)=\cos t\). Os casos em que algum ângulo é \(0\) ou \(\pm \pi /2\) seguem diretamente das simetrias de um quarto de volta. Por fim, qualquer ângulo real pode ser escrito como \(t+k\pi \), com \(t\in [-\pi /2,\pi /2]\) e \(k\in \mathbb {Z}\). Uma meia-volta muda simultaneamente os sinais do seno e do cosseno:
Acrescentar \(\pi \) a qualquer um dos argumentos muda o sinal dos dois lados de cada fórmula. Logo, as identidades valem para todos os ângulos reais.
As fórmulas de diferença foram obtidas no mesmo argumento. Fazendo \(a=b=x\) nas fórmulas de adição, obtemos
e
Isolando os quadrados,
As fórmulas de adição também permitem transformar diferenças de senos e cossenos em produtos. Duas identidades importantes são:
Para deduzir essas identidades, escreva
Então \(u=p+q\) e \(v=p-q\). Pelas fórmulas de adição e de diferença,
Substituir \(p\) e \(q\) dá a primeira identidade. Para o cosseno, a mesma subtração fornece
o que dá a segunda.
Em particular,
Calcule exatamente. Verifique que \(\cos ^2x-\operatorname {sen}^2x=\cos (2x)\) e obtenha dessa igualdade as duas expressões para \(\cos ^2x\) e \(\operatorname {sen}^2x\). Use as fórmulas de soma-produto.
\(\operatorname {sen}(5\pi /12)\).
\(\cos (\pi /12)\).
\(\operatorname {sen}(\pi /12)\). Ver solução
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Fatore \(\operatorname {sen}(5x)-\operatorname {sen}x\) e determine seus zeros em \([0,\pi ]\).
Reescreva \(\operatorname {sen}(5x)+\operatorname {sen}x\) como produto e determine seus zeros em \([0,\pi ]\). Ver solução
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Derive as fórmulas de diferença e Mostre que Mostre que Ver solução
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10.4 Amplitude, período e transformações dos gráficos
Os gráficos básicos de seno e cosseno oscilam entre \(-1\) e \(1\) e repetem-se a cada \(2\pi \). Multiplicar valores ou modificar o argumento altera exatamente essas duas características: a escala vertical e a escala horizontal.
Considere, inicialmente,
Como \(B\neq 0\), o argumento \(Bx\) percorre todos os números reais, e o seno ou cosseno continua assumindo todos os valores de \([-1,1]\). O fator \(A\) multiplica esses valores. Por isso, a imagem é \([-|A|,|A|]\) e a amplitude, definida como metade da distância entre o valor máximo e o mínimo, é
Quando \(A\lt 0\), ocorre também uma reflexão em relação ao eixo horizontal.
Já o fator \(B\) altera a escala horizontal. Uma oscilação completa ocorre quando o argumento varia \(2\pi \) em módulo. Se o deslocamento na variável é \(T\gt 0\), o deslocamento no argumento é \(BT\). Como \(2\pi \) é o menor período positivo do seno e do cosseno, o menor \(T\) possível satisfaz \(|B|T=2\pi \). Portanto,
Esse é o período fundamental tanto de \(A\operatorname {sen}(Bx)\) quanto de \(A\cos (Bx)\). O valor absoluto é necessário porque o sinal de \(B\) apenas muda a orientação com que o ciclo é percorrido. Para o cosseno isso também decorre de sua paridade; para o seno, o sinal pode ser incorporado ao fator \(A\).
Por exemplo, em \(g(x)=2\operatorname {sen}(3x)\), a amplitude é \(2\) e o período é \(2\pi /3\). Um período pode ser construído marcando seus quartos:
Entre esses pontos, o gráfico conserva a forma suave do seno.
Para \(B\gt 0\), os cinco pontos principais de um período podem ser organizados sem novos cálculos:
Se houver translações, usamos as regras já estudadas para gráficos. Na forma
a amplitude continua sendo \(|A|\), o período continua sendo \(2\pi /|B|\), a linha média passa a ser \(y=k\) e o gráfico é deslocado horizontalmente por \(h\). A imagem é \([k-|A|,k+|A|]\): somar \(k\) desloca o máximo e o mínimo pelo mesmo valor, sem alterar a distância entre eles. Uma expressão \(Bx+C\) pode ser escrita como \(B(x-h)\) tomando \(h=-C/B\).
É útil ler a fórmula de dentro para fora. O termo \(x-\pi /4\) desloca o gráfico para a direita em \(\pi /4\). O fator \(2\) dentro do cosseno comprime o ciclo horizontalmente, de modo que
Fora do cosseno, o fator \(3\) transforma a oscilação entre \(-1\) e \(1\) em uma oscilação entre \(-3\) e \(3\). Finalmente, subtrair \(1\) desloca tudo uma unidade para baixo. Assim, a linha média é \(y=-1\), a amplitude é \(3\) e
Cada parâmetro atua, portanto, sobre um aspecto diferente do gráfico.
A amplitude é \(2\) e o período é \(2\pi /3\). Em \([0,2\pi /3]\), os valores nos quartos do período são \(-2,0,2,0,-2\). Como \(-3\operatorname {sen}(-4x)=3\operatorname {sen}(4x)\), a amplitude é \(3\) e o período é \(\pi /2\). Em \([0,\pi /2]\), os valores principais são \(0,3,0,-3,0\). A amplitude é \(3\) e o período é \(\pi \). Em \([0,\pi ]\), os valores principais são \(3,0,-3,0,3\). Como \(2\operatorname {sen}(2x+\pi /2)=2\cos (2x)\), a amplitude é \(2\) e o período é \(\pi \). Em \([0,\pi ]\), os valores principais são \(2,0,-2,0,2\). Pela fórmula de ângulo duplo, a função é \(\cos (2x)\). Sua amplitude é \(1\) e seu período é \(\pi \). Como \(-3\operatorname {sen}(\pi x+\pi )=3\operatorname {sen}(\pi x)\), a amplitude é \(3\) e o período é \(2\). Em \([0,2]\), os valores principais são \(0,3,0,-3,0\).
\(y=-2\cos (3x)\).
\(y=-3\operatorname {sen}(-4x)\).
\(y=3\cos (2x)\).
\(y=2\operatorname {sen}(2x+\pi /2)\).
\(y=\cos ^2x-\operatorname {sen}^2x\).
\(y=-3\operatorname {sen}(\pi x+\pi )\). Ver solução
Determine amplitude, período, linha média e deslocamento horizontal de Determine amplitude, período e imagem de Reescreva na forma \(A\operatorname {sen}(B(x-h_0))+k\) e identifique os parâmetros. Uma função cossenoidal tem amplitude \(5\), período \(4\pi \) e linha média \(y=-2\). Dê um exemplo de fórmula com essas características. Como \(\operatorname {sen}u=\cos (u-\pi /2)\), logo \(f=g\). A amplitude é \(3\), o período é \(\pi \), a linha média é \(y=1\) e a imagem é \([-2,4]\). As duas fórmulas usam funções básicas diferentes. Seno e cosseno já diferem por uma mudança de fase de \(\pi /2\); por isso, a mesma oscilação pode aparecer com parâmetros de fase distintos sem que o gráfico mude. Ver solução
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Mostre que \(f\) e \(g\) definem a mesma função.
Determine amplitude, período, linha média e imagem dessa função.
Explique por que os deslocamentos aparentes nas duas fórmulas são diferentes, embora o gráfico seja o mesmo. Ver solução
10.5 Tangente e funções associadas
Seno e cosseno estão definidos para todo número real. As demais funções trigonométricas serão obtidas a partir deles por quocientes e recíprocos. Consequentemente, seus domínios dependem dos zeros dos denominadores envolvidos.
A tangente admite ainda uma interpretação geométrica: ela fornece a inclinação do raio que liga a origem ao ponto correspondente da circunferência.
10.5.1 Tangente e secante
A definição também possui uma interpretação geométrica direta. Se
e \(\cos x\neq 0\), então o coeficiente angular da reta que passa por \(O=(0,0)\) e \(P_x\) é
Assim, a tangente pode ser lida como a inclinação do raio \(OP_x\) sempre que esse raio não é vertical.
Há uma construção que reúne tangente e secante e explica seus nomes. Para \(0\lt x\lt \pi /2\), prolongue o raio \(OP_x\) até encontrar a reta vertical \(X=1\), que é tangente à circunferência no ponto \((1,0)\). Se chamarmos o ponto de interseção de \(T\), então
O triângulo com vértices \(O\), \((1,0)\) e \(T\) é retângulo. Sua base mede \(1\), sua altura mede \(\operatorname {tg}x\) e, pelo teorema de Pitágoras,
A última igualdade usa \(1+\operatorname {tg}^2x=(\cos ^2x+\operatorname {sen}^2x)/\cos ^2x=\sec ^2x\) e o fato de que \(\sec x\gt 0\) nesse intervalo. No primeiro quadrante, portanto, a tangente aparece como a altura do ponto \(T\) e a secante como o comprimento do segmento \(OT\).
Quando \(\cos x=0\), o raio é vertical e não encontra a reta \(X=1\) em um ponto finito. Esse é exatamente o motivo geométrico para tangente e secante não estarem definidas nesses valores.
A tangente tem período \(\pi \), pois
Seus zeros são \(x=k\pi \), pois o seno se anula nesses pontos e o cosseno não. Como um período deve levar o zero \(0\) a outro zero, não pode haver período positivo menor que \(\pi \). Esse é, portanto, o período fundamental. A paridade também decorre do quociente: o seno troca de sinal ao substituir \(x\) por \(-x\), enquanto o cosseno não muda; logo, a tangente é ímpar.
A interpretação como inclinação permite determinar a imagem. Para qualquer \(m\in \mathbb {R}\), a reta \(Y=mX\) encontra a semicircunferência direita no ponto
Esse ponto corresponde a um único ângulo \(x\in (-\pi /2,\pi /2)\), e a razão entre suas coordenadas é \(m\). Assim, nesse intervalo a tangente assume uma única vez cada número real; em particular, sua imagem é \(\mathbb {R}\).
Para justificar o sentido da variação, tome \(-\pi /2\lt u\lt v\lt \pi /2\). Pelas fórmulas de diferença,
O denominador é positivo, e o numerador também, pois \(0\lt v-u\lt \pi \). Portanto, a tangente é estritamente crescente nesse intervalo. A periodicidade reproduz o mesmo comportamento em cada intervalo \((-\pi /2+k\pi ,\pi /2+k\pi )\); não se trata de monotonicidade em todo o domínio de uma só vez.
Perto de \(\pi /2\) pela esquerda, o cosseno é positivo e se aproxima de zero, enquanto o seno se aproxima de \(1\). O quociente cresce sem limite. Perto de \(-\pi /2\) pela direita, o cosseno continua positivo, mas o seno se aproxima de \(-1\), e o quociente decresce sem limite. Esses comportamentos explicam os extremos de cada ramo e, por periodicidade, as assíntotas verticais
A secante é o recíproco da coordenada horizontal de \(P_x\). Portanto, quando \(P_x\) se aproxima dos pontos superior ou inferior da circunferência, essa coordenada se aproxima de zero e o módulo da secante cresce. Como \(0\lt |\cos x|\leq 1\) onde a secante está definida, temos
Reciprocamente, se \(|y|\geq 1\), então \(1/y\) é um número não nulo de \([-1,1]\). Existe um ângulo cujo cosseno vale \(1/y\), e sua secante vale \(y\). Isso mostra que não há outros valores ausentes da imagem:
A secante tem o mesmo sinal do cosseno, nunca se anula e é par, pois \(\sec (-x)=1/\cos (-x)=1/\cos x\).
10.5.2 Cotangente e cossecante
A cotangente troca os papéis das coordenadas:
nos pontos em que ambas as expressões estão definidas.
A construção anterior também tem uma versão horizontal. Para \(0\lt x\lt \pi /2\), prolongue o raio \(OP_x\) até a reta \(Y=1\), tangente à circunferência em \((0,1)\). O ponto de interseção é
e o comprimento \(OC\) vale \(\operatorname {cossec}x\). Assim, tangente/secante e cotangente/cossecante são construções simétricas: numa usamos a reta tangente vertical \(X=1\); na outra, a reta tangente horizontal \(Y=1\).
No primeiro quadrante, esses comprimentos coincidem com os próprios valores de \(\sec x\) e \(\operatorname {cossec}x\). Fora dele, as fórmulas algébricas preservam os sinais corretos, enquanto comprimentos geométricos correspondem a valores absolutos.
As identidades de cofunção permitem relacionar cotangente e tangente:
Quando \(x\) percorre \((0,\pi )\) no sentido crescente, o argumento \(\pi /2-x\) percorre \((-\pi /2,\pi /2)\) no sentido decrescente. A cotangente é, portanto, estritamente decrescente em \((0,\pi )\) e assume todos os valores reais. A mesma relação mostra que seu período fundamental é \(\pi \) e que esses ramos se repetem nos intervalos \((k\pi ,(k+1)\pi )\). Seus zeros ocorrem quando \(\cos x=0\), isto é,
Perto de \(0\) pela direita, o seno é positivo e pequeno, enquanto o cosseno fica próximo de \(1\): a cotangente cresce sem limite. Perto de \(\pi \) pela esquerda, o seno ainda é positivo e pequeno, mas o cosseno fica próximo de \(-1\): os valores decrescem sem limite. Por periodicidade, as retas \(x=k\pi \) são assíntotas verticais. A paridade do seno e do cosseno dá ainda \(\operatorname {cotg}(-x)=-\operatorname {cotg}x\).
A cossecante, como recíproco do seno, tem o mesmo sinal do seno, nunca se anula e é ímpar. O mesmo argumento usado para a imagem da secante fornece
os valores têm módulo pelo menos \(1\), e todo número com essa propriedade é o recíproco de um valor não nulo do seno. As retas \(x=k\pi \) são suas assíntotas verticais, pois o numerador permanece igual a \(1\) e o denominador se aproxima de zero. Para a secante, o mesmo raciocínio fornece as retas \(x=\pi /2+k\pi \).
Secante e cossecante conservam o período fundamental \(2\pi \). De fato, somá-lo ao argumento não altera o denominador. Além disso, o valor \(1\) da secante só ocorre no ponto direito da circunferência, e o valor \(1\) da cossecante só ocorre no ponto superior; não há retorno a esses valores antes de uma volta completa. Em cada intervalo em que o denominador mantém seu sinal, tomar o recíproco inverte seu sentido de monotonicidade, como no estudo da função \(1/x\).
Determine o domínio natural. \(x\neq \pi /2+k\pi \). \(3x-\pi /4\neq \pi /2+k\pi \), isto é, \(x\neq \pi /4+k\pi /3\). \(x\neq \pi /3+k\pi \). \(x\neq k\pi /3\). Calcule exatamente.
\(\operatorname {tg}x\).
\(\sec (3x-\pi /4)\).
\(\operatorname {cotg}(x-\pi /3)\).
\(\operatorname {cossec}(3x)\). Ver solução
\(\operatorname {tg}(\pi /4)\).
\(\operatorname {tg}(5\pi /6)\).
\(\sec (2\pi /3)\).
\(\operatorname {cossec}(7\pi /6)\). Ver solução
Ver solução
\(1+\operatorname {tg}^2x=\sec ^2x\).
\(1+\operatorname {cotg}^2x=\operatorname {cossec}^2x\). Ver solução
Quadro de consulta
Na tabela, o domínio é \(\mathbb {R}\) sem os pontos indicados na segunda coluna, e \(k\) percorre \(\mathbb {Z}\). Para tangente, cotangente, secante e cossecante, cada ponto excluído \(c\) corresponde à assíntota vertical \(x=c\). Seno e cosseno não possuem assíntotas. A coluna \(T_0\) registra o período fundamental.
| Função | \shortstack{Pontos excluídos\\do domínio} | Imagem | $T_0$ | Paridade |
|---|---|---|---|---|
| $\sen x$ | nenhum | $[-1,1]$ | $2\pi$ | ímpar |
| $\cos x$ | nenhum | $[-1,1]$ | $2\pi$ | par |
| $\tg x$ | $\pi/2+k\pi$ | $\bbR$ | $\pi$ | ímpar |
| $\cotg x$ | $k\pi$ | $\bbR$ | $\pi$ | ímpar |
| $\sec x$ | $\pi/2+k\pi$ | $(-\infty,-1]\cup[1,\infty)$ | $2\pi$ | par |
| $\cossec x$ | $k\pi$ | $(-\infty,-1]\cup[1,\infty)$ | $2\pi$ | ímpar |
10.6 Simplificação de expressões trigonométricas
Uma identidade trigonométrica permite substituir uma expressão por outra equivalente, mas a manipulação algébrica não deve apagar a informação de domínio. Esse cuidado é especialmente importante quando aparecem quocientes: um fator pode cancelar algebricamente sem que os pontos em que ele era zero voltem a pertencer à expressão original.
Por exemplo, se \(\operatorname {sen}x\neq 0\),
A expressão simplificada está definida para todo \(x\), mas a original não está definida nos múltiplos inteiros de \(\pi \); a igualdade vale apenas fora desses pontos. Do mesmo modo, se \(\cos x\neq 0\),
Novamente, a simplificação não acrescenta ao domínio os pontos excluídos no início.
Antes de simplificar, registramos o domínio. Os denominadores exigem \(1+\cos x\neq 0\) e \(1-\cos x\neq 0\), isto é, \(\cos x\neq \pm 1\).
Agora podemos reunir as duas frações:
A expressão final é mais curta, mas deve ser entendida no domínio da expressão inicial. Os pontos em que \(\operatorname {sen}x=0\) permanecem excluídos.
Considere Para \(\cos t\neq 0\), Para \(\operatorname {sen}y\neq 0\) e \(\cos y\neq 0\), o lado esquerdo é \(\operatorname {sen}^2y+\cos ^2y=1\). Para \(\cos A\cos B\neq 0\), Para \(\operatorname {sen}t\neq 0\), Pela fórmula de adição, Substituindo \(\cos ^2t=1-\operatorname {sen}^2t\) e simplificando, obtemos \(3\operatorname {sen}t-4\operatorname {sen}^3t\). O lado direito pode ser fatorado como
Determine o domínio da expressão original e simplifique-a.
Compare esse domínio com o da expressão simplificada.
Resolva \(F(x)=0\) e explique o que aconteceria se as restrições originais fossem esquecidas. Ver solução
\(\sec t-\cos t=\operatorname {tg}t\, \operatorname {sen}t\).
\(\dfrac {\operatorname {sen}y}{\operatorname {cossec}y}+\dfrac {\cos y}{\sec y}=1\).
\(\operatorname {tg}A+\operatorname {tg}B=\dfrac {\operatorname {sen}(A+B)}{\cos A\cos B}\).
\(\operatorname {cossec}t-\operatorname {sen}t=\cos t\, \operatorname {cotg}t\).
\(\operatorname {sen}(3t)=3\operatorname {sen}t-4\operatorname {sen}^3t\).
\(\operatorname {sen}(2\theta )=2\operatorname {sen}^3\theta \cos \theta +2\operatorname {sen}\theta \cos ^3\theta \). Ver solução
Determine a imagem de \(\sec x\) e de \(\operatorname {cossec}x\) a partir das desigualdades \(|\cos x|\leq 1\) e \(|\operatorname {sen}x|\leq 1\). Mostre que a cotangente tem período \(\pi \). Ver solução
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Escolha da forma algébrica
Uma identidade trigonométrica pode ser empregada para colocar uma expressão em uma forma mais adequada ao problema considerado. Dependendo da expressão, pode ser conveniente preservar um fator, reduzir potências ou transformar produtos em somas.
Em \(A\), a potência do seno é ímpar. Convém separar um fator \(\operatorname {sen}x\) e converter o restante usando \(\operatorname {sen}^2x=1-\cos ^2x\):
A expressão ficou escrita como um fator \(\operatorname {sen}x\) multiplicando um polinômio em \(\cos x\).
Em \(B\), as duas potências são pares. A identidade de ângulo duplo é mais natural:
Em \(C\), os argumentos são diferentes. Das fórmulas de adição,
Tomando \(u=3x\) e \(v=x\),
Os três cálculos usam identidades conhecidas, mas com objetivos diferentes: preservar um fator, reduzir potências ou transformar um produto em soma.
Reorganize de modo a deixar um único fator \(\operatorname {sen}x\) e escrever todo o restante apenas em termos de \(\cos x\). Reorganize de modo a deixar em evidência um fator \(\sec x\, \operatorname {tg}x\) e escrever o fator restante apenas em termos de \(\sec x\). Ver solução
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\(\operatorname {sen}(5x)\cos (2x)\) como soma de senos.
\(\cos (3x)\cos x\) como soma de cossenos.
\(\operatorname {sen}^2x\cos ^2x\) usando apenas uma constante e \(\cos (4x)\). Ver solução
10.7 Modelos periódicos
Fenômenos que repetem seus estados em intervalos regulares podem ser descritos por funções periódicas. Nos modelos baseados em seno ou cosseno, amplitude, período, linha média e fase devem ser determinados a partir das características do fenômeno considerado.
Uma roda-gigante tem raio \(18\) m, seu centro está a \(20\) m do solo e completa uma volta a cada \(40\) s. Um passageiro inicia no ponto mais baixo. Dê uma função que modele sua altura. A temperatura de uma câmara varia periodicamente entre \(16^\circ \)C e \(24^\circ \)C, com período de \(8\) horas. Determine a amplitude e a linha média e dê um modelo cossenoidal que comece no valor máximo. Uma maré é modelada por com \(h\) em metros e \(t\) em horas. Determine altura média, amplitude e período. Um sinal sonoro puro é modelado por Mostre que seu período é \(1/f\). Uma oscilação senoidal tem máximo \(9\), mínimo \(1\) e período fundamental \(10\). No instante \(t=0\), seu valor é \(3\) e está diminuindo. A tensão de uma rede elétrica idealizada é modelada por com \(t\) em segundos. Determine a amplitude, o período e a frequência da oscilação. Ver solução
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Determine \(A\), \(B\), \(D\) e \(\varphi \) no modelo \(f(t)=D+A\operatorname {sen}(Bt+\varphi )\), com \(A,B\gt 0\) e \(0\leq \varphi \lt 2\pi \).
Explique por que informar apenas \(f(0)=3\) não determinaria a fase.
Determine o primeiro instante \(t\geq 0\) em que ocorre um mínimo. Ver solução
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10.8 Funções trigonométricas inversas
Seno, cosseno e tangente repetem seus valores. Por exemplo, há infinitos ângulos com seno igual a \(1/2\). Assim, a pergunta “qual é o ângulo cujo seno é \(1/2\)?” não possui resposta única enquanto considerarmos toda a reta.
Para construir uma inversa, precisamos escolher um trecho do gráfico em que cada valor apareça uma única vez. Fazemos aqui o mesmo tipo de restrição que apareceu nas potências pares: restringimos o domínio a um intervalo em que a função seja bijetora e então invertemos essa restrição.
As propriedades já obtidas explicam as escolhas. Na semicircunferência direita, cada altura de \([-1,1]\) ocorre uma única vez, e o seno cresce estritamente. Na semicircunferência superior, cada coordenada horizontal de \([-1,1]\) ocorre uma única vez, e o cosseno decresce estritamente. Para a tangente, cada inclinação real corresponde a um único raio da semicircunferência direita, sem seus extremos verticais. Essas três restrições são, portanto, bijeções sobre as imagens indicadas:
| Função | domínio escolhido | imagem | inversa |
|---|---|---|---|
| seno | $[-\pi/2,\pi/2]$ | $[-1,1]$ | $\arcsen$ |
| cosseno | $[0,\pi]$ | $[-1,1]$ | $\arccos$ |
| tangente | $(-\pi/2,\pi/2)$ | $\bbR$ | $\arctg$ |
A imagem de cada restrição é o domínio da inversa; o intervalo escolhido é a imagem da inversa. Outros intervalos poderiam ser usados, mas dariam outras escolhas de ângulo.
Por exemplo, \(\operatorname {arcsen}(1/2)\) é o único ângulo de \([-\pi /2,\pi /2]\) cujo seno vale \(1/2\): portanto, \(\operatorname {arcsen}(1/2)=\pi /6\). A função arco-seno inverte o seno nesse intervalo, onde ele é estritamente crescente. Assim,
Primeiro calculamos o seno:
Agora vem o ponto essencial: \(\operatorname {arcsen}\) não procura todos os ângulos com esse seno. Ele devolve o único ângulo do intervalo escolhido \([-\pi /2,\pi /2]\). Nesse intervalo, o ângulo correspondente é \(\pi /4\). Portanto,
O valor \(3\pi /4\) não é recuperado porque ele está fora do ramo usado para definir a inversa. Assim, \(\operatorname {arcsen}(\operatorname {sen}x)=x\) somente quando \(x\) pertence a esse intervalo.
A função arco-tangente inverte a tangente em \((-\pi /2,\pi /2)\), intervalo em que ela é estritamente crescente e assume todos os valores reais:
Em ambos os casos, como no par seno/arco-seno mostrado acima, o gráfico da função inversa é o reflexo do gráfico da função restringida em relação à reta \(y=x\).
A inversão conserva o sentido da monotonicidade: uma função estritamente crescente tem inversa crescente, e uma decrescente tem inversa decrescente. Assim, \(\operatorname {arcsen}\) e \(\operatorname {arctg}\) são crescentes em seus domínios, enquanto \(\arccos \) é decrescente. As simetrias dos intervalos principais explicam ainda as identidades
Na primeira, \(-1\leq x\leq 1\); na segunda, \(x\) é qualquer real. De fato, se um ângulo do intervalo principal produz o valor \(x\), seu oposto ainda pertence ao mesmo intervalo e produz \(-x\). A unicidade da inversa conclui o argumento. Para o arco-cosseno, a reflexão adequada é outra: \(\cos (\pi -\theta )=-\cos \theta \), com ambos os ângulos em \([0,\pi ]\). Logo,
As restrições impedem que a inversa devolva um ângulo fora do intervalo escolhido. Por exemplo, \(5\pi /6\) tem seno \(1/2\), mas
É o mesmo cuidado com o domínio que apareceu em \(\sqrt{x^2}=|x|\). Inverter uma função também não significa tomar seu recíproco: \(\operatorname {arcsen}x\) não é \(1/\operatorname {sen}x\).
Indique domínio e imagem de \(\operatorname {arcsen}\), \(\arccos \) e \(\operatorname {arctg}\). Ver solução
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Determine as expressões nos intervalos indicados e justifique as escolhas de sinal e de ramo.
\(\arccos (\cos x)\) para \(\pi \leq x\leq 3\pi \).
\(\operatorname {arctg}(\operatorname {tg}x)\) para \(-3\pi /2\lt x\lt -\pi /2\).
\(\operatorname {sen}(\arccos x)\) e \(\cos (\operatorname {arcsen}x)\) para \(-1\leq x\leq 1\). Ver solução
Mostre que o argumento do arco-cosseno pertence a \((-1,1]\) para todo \(x\in \mathbb {R}\) e determine o domínio de \(H\).
Tome \(\theta =\operatorname {arctg}|x|\). Determine o intervalo de \(2\theta \) e use a fórmula do cosseno do ângulo duplo para calcular \(\cos (2\theta )\).
Conclua que \(H(x)=2\operatorname {arctg}|x|\) e determine a imagem de \(H\). Ver solução
10.9 Modelos geométricos
As funções trigonométricas aparecem também em problemas nos quais uma grandeza depende de uma direção. Nesses casos, é necessário identificar o triângulo, a projeção ou a distância que representa corretamente a situação. Feita essa escolha, seno, cosseno e tangente expressam as relações geométricas entre as grandezas envolvidas.
O triângulo retângulo relevante não começa no chão, mas na altura da câmera. O cateto horizontal mede \(35\) m e o cateto vertical mede \(H-1{,}6\), onde \(H\) é a altura total do prédio. Portanto,
Isolando \(H\),
O termo \(1{,}6\) aparece porque a tangente fornece a diferença de altura entre a câmera e o topo. Só depois acrescentamos a altura da câmera em relação ao solo.
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Uma escada de \(6\) m está apoiada numa parede vertical e forma um ângulo de \(65^\circ \) com o chão. A que altura a escada toca a parede? Uma rampa sobe \(1{,}2\) m ao longo de um deslocamento horizontal de \(8\) m. Determine o ângulo que a rampa forma com a horizontal. Ver solução
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Síntese
A construção desenvolvida neste capítulo parte da circunferência unitária. Seno e cosseno são definidos pelas coordenadas de seus pontos; tangente, secante, cotangente e cossecante são obtidas por quocientes e recíprocos; para definir as funções inversas, restringem-se os domínios a intervalos de injetividade. A descrição completa dessas funções envolve, assim, sua origem geométrica, seus domínios, suas propriedades algébricas e seus gráficos.