Continuidade em espaços métricos
Até aqui, a métrica nos permitiu falar de proximidade entre pontos, de convergência de sequências e da estrutura de conjuntos. Agora passamos a uma pergunta diferente: como uma função transforma essa proximidade?
Há duas escalas no capítulo. A primeira é local. Queremos compreender o comportamento de \(f(x)\) quando \(x\) se aproxima de um ponto e, em particular, quando esse comportamento é compatível com o valor da própria função. A segunda é global: sob hipóteses como compacidade e conexidade, a continuidade passa a impor restrições fortes à imagem da função.
Esse percurso começa com limites, chega à continuidade e termina mostrando que uma hipótese local pode preservar estruturas globais inteiras.
7.1 Limites
O limite descreve o comportamento de uma função ao redor de um ponto. Se \(x\) se aproxima de \(p\), perguntamos se \(f(x)\) se aproxima de algum \(q\). O valor de \(f\) no próprio ponto \(p\) não participa dessa pergunta; por isso \(p\) nem sequer precisa pertencer ao domínio.
A hipótese de que \(p\) seja ponto de acumulação de \(E\) é indispensável, pois o limite descreve o comportamento de \(f(x)\) quando \(x\) se aproxima de \(p\) por pontos de \(E\) distintos de \(p\). Em particular, não é necessário que \(p\in E\); e, mesmo quando \(p\in E\), o valor de \(f(p)\) não intervém na definição do limite.
Suponha que \(\lim _{x\to p}f(x)=q_1\) e \(\lim _{x\to p}f(x)=q_2\). Vamos mostrar que \(q_1=q_2\).
Seja \(\varepsilon \gt 0\). Pela definição de limite, existem \(\delta _1,\delta _2\gt 0\) tais que
e
Tomando \(\delta =\min \{ \delta _1,\delta _2\} \) e usando que \(p\) é ponto de acumulação de \(E\), existe \(x\in E\) com \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \). Para esse ponto, temos simultaneamente
Pela desigualdade triangular,
Como \(\varepsilon \gt 0\) é arbitrário, segue que \(d_Y(q_1,q_2)=0\), e portanto \(q_1=q_2\).
Em espaços métricos, essa noção admite uma caracterização sequencial particularmente útil.
Suponha primeiro que \(\lim _{x\to p}f(x)=q\), e seja \(\{ p_n\} \) uma sequência em \(E\) tal que \(p_n\neq p\) para todo \(n\) e \(p_n\to p\). Dado \(\varepsilon \gt 0\), pela definição de limite existe \(\delta \gt 0\) tal que, sempre que \(x\in E\) e \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \), temos \(d_Y(f(x),q)\lt \varepsilon \). Como \(p_n\to p\), existe \(N\in \mathbb {N}\) tal que, para todo \(n\ge N\), vale \(d_X(p_n,p)\lt \delta \). Como, além disso, \(p_n\neq p\), segue que \(0\lt d_X(p_n,p)\lt \delta \) para todo \(n\ge N\). Portanto, \(d_Y(f(p_n),q)\lt \varepsilon \) para todo \(n\ge N\), e assim \(f(p_n)\to q\).
Reciprocamente, suponha que a condição sequencial seja verdadeira e que \(\lim _{x\to p}f(x)\neq q\). Negando a definição de limite, obtemos a existência de \(\varepsilon _0\gt 0\) tal que, para todo \(\delta \gt 0\), existe \(x\in E\) com
Aplicando isso a \(\delta =1/n\), escolhemos, para cada \(n\in \mathbb {N}\), um ponto \(p_n\in E\) tal que
Então \(p_n\neq p\) para todo \(n\) e \(p_n\to p\). Pela hipótese sequencial, deveríamos ter \(f(p_n)\to q\), o que é impossível, já que \(d_Y(f(p_n),q)\ge \varepsilon _0\) para todo \(n\). Essa contradição mostra que \(\lim _{x\to p}f(x)=q\).
Defina \(f\colon \mathbb {R}\to \mathbb {R}\) por
Então, para todo \(a\in \mathbb {R}\), o limite \(\lim _{x\to a} f(x)\) não existe.
De fato, podemos escolher uma sequência \(\{ x_n\} \) de números racionais com \(x_n\to a\). Então \(f(x_n)=0\) para todo \(n\), de modo que \(f(x_n)\to 0\). Por outro lado, podemos escolher uma sequência \(\{ y_n\} \) de números irracionais com \(y_n\to a\). Então \(f(y_n)=1\) para todo \(n\), de modo que \(f(y_n)\to 1\). Como os limites ao longo dessas duas sequências são diferentes, o limite de \(f\) em \(a\) não existe.
Entretanto, se definirmos \(g(x)=(x-a)f(x)\), então \(\lim _{x\to a} g(x)=0\), pois \(|g(x)|\le |x-a|\) para todo \(x\).
Defina \(f\colon \mathbb {Q}\to \mathbb {R}\) do seguinte modo: para cada número racional \(\frac pq\in \mathbb {Q}\), escrito em forma irredutível com \(q\gt 0\), ponha
Então, para todo número irracional \(a\in \mathbb {R}\setminus \mathbb {Q}\), vale
onde \(x\) percorre apenas valores racionais.
De fato, dado \(\varepsilon \gt 0\), escolha \(N\in \mathbb {N}\) com \(1/N\lt \varepsilon \). Em qualquer intervalo limitado, há apenas finitos racionais, em forma irredutível, com denominador menor que \(N\). Como \(a\) é irracional, podemos tomar \(x\in \mathbb {Q}\) arbitrariamente próximo de \(a\) sem coincidir com nenhum deles. Se \(x=\frac pq\) está em forma irredutível, então \(q\ge N\), e por isso
Logo, \(f(x)\to 0\) quando \(x\to a\) com \(x\in \mathbb {Q}\).
Um exemplo clássico de função sem limite em um ponto é a função \(f\colon \mathbb {R}\setminus \{ 0\} \to \mathbb {R}\) dada por \(f(x)=\sin \! \left(\frac1x\right)\).
Tomando \(x_n=\frac1{n\pi }\), temos \(x_n\to 0\) e \(f(x_n)=\sin (n\pi )=0\). Por outro lado, tomando \(y_n=\frac1{2n\pi +\pi /2}\), temos \(y_n\to 0\) e
Logo,
não existe.
Apesar disso, a função é limitada por \(1\) em módulo. Portanto, se \(g\colon \mathbb {R}\setminus \{ 0\} \to \mathbb {R}\) satisfaz \(\lim _{x\to 0} g(x)=0\), então
pois \(\bigl|g(x)\sin \! \left(\frac1x\right)\bigr|\le |g(x)|\) para todo \(x\neq 0\). Em particular,
Álgebra de limites
No caso de funções reais, os limites são compatíveis com as operações algébricas usuais. Para enunciar esse fato com precisão, fixemos antes a notação.
\(\displaystyle \lim _{x\to p}(f+g)(x)=A+B\);
\(\displaystyle \lim _{x\to p}(fg)(x)=AB\);
\(\displaystyle \lim _{x\to p}\left(\frac{f}{g}\right)(x)=\frac{A}{B}\), desde que \(B\neq 0\).
Provamos cada item separadamente.
(a) Seja \(\varepsilon \gt 0\). Como \(f(x)\to A\) e \(g(x)\to B\), existem \(\delta _1,\delta _2\gt 0\) tais que
e
Se \(\delta =\min \{ \delta _1,\delta _2\} \), então, para \(x\in E\) com \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \),
Assim, \((f+g)(x)\to A+B\).
(b) Seja \(\varepsilon \gt 0\). Como \(f(x)\to A\), existe \(\delta _1\gt 0\) tal que
Para esses pontos, segue que \(|f(x)|\le |A|+1\). Além disso, existem \(\delta _2,\delta _3\gt 0\) tais que
e
Tomando \(\delta =\min \{ \delta _1,\delta _2,\delta _3\} \), para \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \) temos
e, portanto,
Usando as estimativas acima, obtemos
Concluímos que \(f(x)g(x)\to AB\).
(c) Suponha agora que \(B\neq 0\). Como \(g(x)\to B\), existe \(\delta _1\gt 0\) tal que
Então, para tais \(x\), temos \(|g(x)|\ge |B|-|g(x)-B|\gt \frac{|B|}{2}\), de modo que \(g(x)\neq 0\) em uma vizinhança de \(p\) dentro de \(E\), exceto talvez no próprio ponto \(p\).
Mostremos primeiro que
De fato, para \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta _1\),
Como \(g(x)\to B\), o lado direito tende a \(0\), e portanto \(\frac1{g(x)}\to \frac1B\).
Aplicando agora o item (b) às funções \(f\) e \(1/g\), obtemos
Considere a função identidade \(f\colon \mathbb {R}\to \mathbb {R}\), dada por \(f(x)=x\). Então \(\lim _{x\to a} f(x)=a\) para todo \(a\in \mathbb {R}\). Usando as propriedades algébricas dos limites, obtemos \(\lim _{x\to a} x^2=a^2\) e, por indução,
Daí segue que todo polinômio
satisfaz \(\lim _{x\to a} p(x)=p(a)\) para todo \(a\in \mathbb {R}\).
Do mesmo modo, se
é uma função racional e \(q(a)\neq 0\), então \(\lim _{x\to a} r(x)=r(a)\).
Quando trabalhamos com funções com valores em \(\mathbb {R}^k\), os limites podem ser estudados coordenada a coordenada.
Suponha primeiro que \(\mathbf f(x)\to \mathbf a\). Fixe \(j\in \{ 1,\ldots ,k\} \). Como
segue imediatamente que \(f_j(x)\to a_j\).
Reciprocamente, suponha que \(f_j(x)\to a_j\) para todo \(j=1,\ldots ,k\). Seja \(\varepsilon \gt 0\). Para cada \(j\), existe \(\delta _j\gt 0\) tal que
Tomando \(\delta =\min \{ \delta _1,\ldots ,\delta _k\} \), se \(x\in E\) e \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \), então
Logo \(\| \mathbf f(x)-\mathbf a\| \lt \varepsilon \), e isso mostra que \(\mathbf f(x)\to \mathbf a\).
Suponha, por absurdo, que \(L\gt M\). Então o número \(\frac{L+M}{2}\) satisfaz
Como \(\lim _{x\to a}f(x)=L\), existe \(\delta _1\gt 0\) tal que, para todo \(x\in E\), se \(0\lt d(x,a)\lt \delta _1\), então
Como \(\lim _{x\to a}g(x)=M\), existe \(\delta _2\gt 0\) tal que, para todo \(x\in E\), se \(0\lt d(x,a)\lt \delta _2\), então
Logo, se \(0\lt d(x,a)\lt \min \{ \delta _1,\delta _2\} \), temos \(f(x)\gt g(x)\), o que contradiz a hipótese. Portanto, \(L\le M\).
A caracterização sequencial torna a ideia particularmente concreta: todas as maneiras de se aproximar de \(p\) devem produzir a mesma aproximação no contradomínio. As regras algébricas que aparecem depois mostram que, uma vez estabelecidos limites básicos, podemos combiná-los sem retornar a cada vez à definição \(\varepsilon \)-\(\delta \).
Mas limite e valor da função ainda são informações independentes. A continuidade nasce exatamente quando exigimos que elas coincidam.
7.2 Continuidade
Se \(p\in E\), uma função \(f:E\to Y\) é contínua em \(p\) quando seu comportamento próximo de \(p\) é compatível com o valor \(f(p)\). Em termos informais: pontos próximos de \(p\) devem ter imagens próximas de \(f(p)\).
Essa formulação parece apenas uma pequena modificação da definição de limite, mas é a propriedade que permite transportar estrutura de um espaço para outro.
Ao contrário do que ocorre com limites, não é necessário supor que \(p\) seja ponto de acumulação de \(E\). Se \(p\) é isolado em \(E\), então \(f\) é automaticamente contínua em \(p\), pois existe \(r\gt 0\) tal que \(B_X(p,r)\cap E=\{ p\} \); nesse caso, basta tomar \(\delta =r\).
A noção de limite depende apenas do comportamento de \(f(x)\) em pontos de \(E\) próximos de \(p\) e distintos de \(p\); por isso, independe do valor de \(f(p)\), quando este existe. Já a continuidade em \(p\) exige que esse comportamento local seja compatível com o valor assumido pela função no ponto. Assim, se \(p\) é ponto de acumulação de \(E\), \(f\) é contínua em \(p\) se, e somente se,
Suponha primeiro que \(f\) seja contínua em \(p\). Dado \(\varepsilon \gt 0\), existe \(\delta \gt 0\) tal que, se \(x\in E\) e \(d_X(x,p)\lt \delta \), então \(d_Y(f(x),f(p))\lt \varepsilon \). Em particular, isso vale quando \(x\in E\) e \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \). Assim, \(\lim _{x\to p}f(x)=f(p)\).
Reciprocamente, suponha que \(\lim _{x\to p}f(x)=f(p)\). Dado \(\varepsilon \gt 0\), existe \(\delta \gt 0\) tal que, se \(x\in E\) e \(0\lt d_X(x,p)\lt \delta \), então \(d_Y(f(x),f(p))\lt \varepsilon \). Como também temos \(d_Y(f(p),f(p))=0\lt \varepsilon \), segue que a mesma condição vale para todo \(x\in E\) com \(d_X(x,p)\lt \delta \). Portanto, \(f\) é contínua em \(p\).
A caracterização sequencial dos limites conduz imediatamente ao critério sequencial de continuidade.
Se \(p\) não é ponto de acumulação de \(E\), a continuidade em \(p\) é automática, e a condição sequencial também é trivial. Suponhamos, então, que \(p\) seja ponto de acumulação de \(E\).
Pela Proposição 7.14, \(f\) é contínua em \(p\) se, e somente se, \(\lim _{x\to p}f(x)=f(p)\). Pelo Teorema 7.4, isso equivale a dizer que, para toda sequência \(\{ p_n\} \) em \(E\) com \(p_n\neq p\) para todo \(n\) e \(p_n\to p\), vale \(f(p_n)\to f(p)\). Isso equivale à formulação usual com sequências arbitrárias \(\{ p_n\} \subset E\) tais que \(p_n\to p\), já que termos eventualmente iguais a \(p\) não alteram o limite.
Pela Proposição 7.14 e pelo Teorema 7.11, temos que \(\mathbf f\) é contínua em \(p\) se, e somente se,
o que equivale a
Aplicando novamente a Proposição 7.14 a cada coordenada, obtemos o resultado.
Fixe \(p\in X\) e seja \(\varepsilon \gt 0\). Se \(L=0\), então \(f\) é constante. Se \(L\gt 0\), tome \(\delta =\frac{\varepsilon }{L}\). Então, sempre que \(d_X(x,p)\lt \delta \), temos
Logo \(f\) é contínua em \(p\).
As propriedades algébricas dos limites se traduzem imediatamente em propriedades análogas para funções contínuas.
\(f+g\) é contínua em \(p\);
\(fg\) é contínua em \(p\);
\(\dfrac {f}{g}\) é contínua em \(p\), desde que \(g(p)\neq 0\).
Como \(f\) e \(g\) são contínuas em \(p\), temos \(\lim _{x\to p}f(x)=f(p)\) e \(\lim _{x\to p}g(x)=g(p)\). Pelo Teorema 7.9,
e, se \(g(p)\neq 0\),
Logo, pela Proposição 7.14, as funções indicadas são contínuas em \(p\).
Outra operação fundamental é a composição de funções.
Seja \(\varepsilon \gt 0\). Como \(g\) é contínua em \(f(p)\), existe \(\eta \gt 0\) tal que
Como \(f\) é contínua em \(p\), existe \(\delta \gt 0\) tal que, se \(x\in E\) e \(d_X(x,p)\lt \delta \), então \(d_Y(f(x),f(p))\lt \eta \). Portanto, para todo \(x\in E\) com \(d_X(x,p)\lt \delta \), temos
Isso mostra que \(g\circ f\) é contínua em \(p\).
Suponha primeiro que \(f\) seja contínua em \(E\), e seja \(V\subset Y\) aberto. Queremos mostrar que \(f^{-1}(V)\) é aberto em \(E\).
Se \(p\in f^{-1}(V)\), então \(f(p)\in V\). Como \(V\) é aberto, existe \(\varepsilon \gt 0\) tal que \(B_Y(f(p),\varepsilon )\subset V\). Como \(f\) é contínua em \(p\), existe \(\delta \gt 0\) tal que, se \(x\in E\) e \(d_X(x,p)\lt \delta \), então \(d_Y(f(x),f(p))\lt \varepsilon \). Portanto, se \(x\in E\cap B_X(p,\delta )\), então \(f(x)\in V\), isto é,
Assim, \(f^{-1}(V)\) é aberto em \(E\).
Reciprocamente, suponha que a imagem inversa de todo aberto de \(Y\) seja aberta em \(E\). Fixe \(p\in E\) e seja \(\varepsilon \gt 0\). A bola \(B_Y(f(p),\varepsilon )\) é aberta em \(Y\), logo
é aberta em \(E\). Como \(p\in U\), existe \(\delta \gt 0\) tal que
Assim, se \(x\in E\) e \(d_X(x,p)\lt \delta \), então \(f(x)\in B_Y(f(p),\varepsilon )\), ou seja, \(d_Y(f(x),f(p))\lt \varepsilon \). Isso mostra que \(f\) é contínua em \(p\). Como \(p\) é arbitrário, concluímos que \(f\) é contínua em \(E\).
Basta aplicar o Teorema 7.24 aos complementares, usando que
As caracterizações sequencial e topológica mostram duas faces da mesma noção. A primeira diz que funções contínuas preservam limites de sequências; a segunda, que a pré-imagem de um aberto é aberta. Esta última será especialmente importante agora, porque permite combinar continuidade com propriedades globais do domínio.
7.3 Continuidade e compacidade
Continuidade é uma condição local: em cada ponto escolhemos um controle adequado. A compacidade transforma esse controle local em conclusões globais. É isso que explica por que funções contínuas em conjuntos compactos se comportam tão melhor que funções contínuas em domínios arbitrários.
A primeira manifestação desse princípio é simples e poderosa: imagens contínuas de compactos continuam compactas. Dela surgirão, em seguida, limitação, existência de extremos e continuidade da inversa.
O primeiro resultado mostra que a imagem contínua de um conjunto compacto continua sendo compacta.
Seja \(\{ V_\alpha \} _{\alpha \in A}\) uma cobertura aberta de \(f(X)\). Como \(f\) é contínua, pelo Teorema 7.24 cada conjunto \(f^{-1}(V_\alpha )\) é aberto em \(X\). Além disso, essa família cobre \(X\), pois, dado \(x\in X\), temos \(f(x)\in f(X)\) e, portanto, \(f(x)\in V_\alpha \) para algum \(\alpha \in A\). Em outras palavras,
Como \(X\) é compacto, existem \(\alpha _1,\ldots ,\alpha _n\in A\) tais que
Agora, se \(y\in f(X)\), então \(y=f(x)\) para algum \(x\in X\). Pela inclusão acima, esse ponto \(x\) pertence a algum dos conjuntos \(f^{-1}(V_{\alpha _j})\), e portanto \(y=f(x)\in V_{\alpha _j}\). Logo,
Assim, toda cobertura aberta de \(f(X)\) admite uma subcobertura finita. Portanto, \(f(X)\) é compacto.
No caso de aplicações com valores em \(\mathbb {R}^k\), obtemos a seguinte consequência.
Pelo Teorema 7.26, o conjunto \(\mathbf f(X)\) é compacto. Como estamos em \(\mathbb {R}^k\), segue do teorema de Heine–Borel que \(\mathbf f(X)\) é fechado e limitado. Assim, existe \(M\gt 0\) tal que
Em particular,
isto é, \(\mathbf f\) é limitada.
No caso de funções reais, a compacidade garante a existência de máximos e mínimos absolutos.
Pelo Teorema 7.26, o conjunto \(f(X)\subset \mathbb {R}\) é compacto. Em particular, é não vazio, fechado e limitado. Sendo não vazio e limitado, o conjunto \(f(X)\) admite supremo e ínfimo. Como é fechado em \(\mathbb {R}\), contém esses dois valores. Logo existem \(p,q\in X\) tais que
Assim,
A compacidade também permite obter continuidade da inversa em uma situação muito importante.
Seja \(F\subset X\) fechado. Como \(X\) é compacto, \(F\) também é compacto. Pela continuidade de \(f\), o conjunto \(f(F)\) é compacto em \(Y\), e portanto fechado. Como
segue que a imagem inversa de todo fechado de \(X\) por \(f^{-1}\) é fechada em \(Y\). Logo, \(f^{-1}\) é contínua.
Outra consequência importante é que, em conjuntos compactos, a continuidade implica continuidade uniforme.
A diferença em relação à continuidade usual está no fato de que, na continuidade uniforme, \(\delta \) depende apenas de \(\varepsilon \), e não do ponto do domínio. Na continuidade em um ponto, o controle é local; na continuidade uniforme, o mesmo \(\delta \) deve funcionar simultaneamente para todos os pares de pontos do domínio.
A função \(f\colon [0,+\infty )\to \mathbb {R}\), dada por \(f(x)=x^2\), é uniformemente contínua em \([0,1]\), mas não em \(\mathbb {R}_+=[0,+\infty )\).
Com efeito, se \(x,y\in [0,1]\), então \(|x+y|\le 2\), e portanto
Segue que, dado \(\varepsilon \gt 0\), basta tomar \(\delta =\varepsilon /2\) para garantir que \(|x-y|\lt \delta \) implique \(|x^2-y^2|\lt \varepsilon \). Logo, \(f\) é uniformemente contínua em \([0,1]\).
Mostremos agora que \(f\) não é uniformemente contínua em \(\mathbb {R}_+\). Para isso, considere as sequências \(x_n=n\) e \(y_n=n+\frac1n\). Então \(|x_n-y_n|=\frac1n\to 0\), mas
que não converge para \(0\). Portanto, não pode existir um único \(\delta \gt 0\) que funcione para todos os pontos de \(\mathbb {R}_+\). Conclui-se que \(f(x)=x^2\) não é uniformemente contínua em \(\mathbb {R}_+\).
Fixe \(\varepsilon \gt 0\). Como \(f\) é contínua em cada ponto \(p\in X\), existe um número \(\delta (p)\gt 0\) tal que
Para cada \(p\in X\), consideremos a bola aberta
Essas bolas formam uma cobertura aberta de \(X\). Como \(X\) é compacto, podemos extrair uma subcobertura finita
Definamos
Como o mínimo acima é tomado sobre um conjunto finito de números positivos, temos \(\delta \gt 0\).
Tomemos agora \(p,q\in X\) tais que \(d_X(p,q)\lt \delta \). Como os conjuntos \(J(p_1),\ldots ,J(p_n)\) recobrem \(X\), existe \(m\in \{ 1,\ldots ,n\} \) tal que \(p\in J(p_m)\). Portanto,
Além disso, pela desigualdade triangular,
Da definição de \(\delta (p_m)\) segue então que
Aplicando novamente a desigualdade triangular, obtemos
Como \(\delta \) depende apenas de \(\varepsilon \), concluímos que \(f\) é uniformemente contínua em \(X\).
A hipótese de compacidade é essencial: sem ela, várias das conclusões anteriores deixam de valer.
existe uma função contínua em \(E\) que não é limitada;
existe uma função contínua e limitada em \(E\) que não atinge seu máximo.
existe uma função contínua em \(E\) que não é uniformemente contínua.
Dividimos a prova em dois casos.
Suponha primeiro que \(E\) seja limitado. Como \(E\) não é compacto, pelo teorema de Heine–Borel ele não é fechado. Logo existe \(x_0\in \overline E\setminus E\).
Considere a função
Ela é contínua em \(E\) e não é limitada, pois \(x_0\) é ponto de acumulação de \(E\): existe uma sequência \(\{ x_n\} \) em \(E\) tal que \(x_n\to x_0\), e então
Isso prova (a) nesse caso.
Considere agora
Essa função é contínua e limitada em \(E\), pois
Além disso, seu maior valor possível é \(1\), atingido apenas em \(x=x_0\). Como \(x_0\notin E\), a função não atinge esse valor em \(E\). Por outro lado, como existe uma sequência \(\{ x_n\} \) em \(E\) com \(x_n\to x_0\), temos \(g(x_n)\to 1\). Logo
mas esse supremo não é atingido. Isso prova (b) quando \(E\) é limitado.
Mostremos agora (c). Como \(x_0\in \overline E\setminus E\), pelo menos um dos conjuntos
acumula em \(x_0\). Fixemos um desses lados. Escolha uma sequência \((p_n)\) de pontos de \(E\) nesse mesmo lado tal que
Depois de escolhido \(p_n\), como \(x_0\) continua sendo ponto de acumulação desse lado, podemos escolher \(q_n\in E\), no mesmo lado de \(x_0\), de modo que
Então
Por outro lado, como \(p_n\) e \(q_n\) estão do mesmo lado de \(x_0\) e \(q_n\) está mais próximo de \(x_0\), temos
Assim existem pares de pontos cuja distância tende a zero, enquanto a diferença entre suas imagens não tende a zero. Logo \(f\) não é uniformemente contínua em \(E\).
Suponha agora que \(E\) seja ilimitado. Então a função identidade
é contínua e não limitada em \(E\), o que prova (a).
Para provar (b), considere
Essa função é contínua em \(\mathbb {R}\) e satisfaz
Como \(E\) é ilimitado, existe uma sequência \(\{ x_n\} \) em \(E\) tal que \(|x_n|\to \infty \). Então
Logo
Como \(u(x)\lt 1\) para todo \(x\in E\), esse supremo não é atingido. Portanto, \(u\) é contínua e limitada em \(E\), mas não atinge seu máximo.
A continuidade uniforme é talvez a expressão mais clara dessa passagem do local ao global: o mesmo \(\delta \) deve funcionar em todo o domínio. O Teorema de Heine–Cantor mostra que a compacidade é precisamente a hipótese que permite obter esse controle uniforme a partir da continuidade ponto a ponto.
Os contraexemplos ao fim da seção têm, portanto, uma função conceitual: eles mostram o que pode falhar quando retiramos a compacidade.
7.4 Continuidade e conexidade
A compacidade controla a extensão global de um espaço; a conexidade responde a outra pergunta: ele pode ser separado em partes independentes? A continuidade também respeita essa estrutura. Uma função contínua não pode transformar um conjunto conexo em uma imagem desconexa.
No caso real, essa afirmação abstrata é exatamente o mecanismo por trás do teorema do valor intermediário.
Suponha, por absurdo, que \(f(E)\) não seja conexo. Então existem subconjuntos não vazios e separados \(A,B\subset f(E)\) tais que
Defina
Então \(E=G\cup H\), e ambos os conjuntos são não vazios.
Mostremos que \(G\) e \(H\) são separados. Como \(A\) e \(B\) são separados, temos
Além disso, pelo Corolário 7.25, a imagem inversa de um fechado por \(f\) é fechada. Assim, \(f^{-1}(\overline A)\) é fechado em \(X\) e contém \(G\), logo
Se existisse \(x\in \overline G\cap H\), então teríamos \(f(x)\in B\) porque \(x\in H\), e também \(f(x)\in \overline A\) porque \(x\in \overline G\subset f^{-1}(\overline A)\). Isso contradiz a igualdade \(\overline A\cap B=\varnothing \). Portanto,
De modo análogo,
Logo \(G\) e \(H\) são separados, o que contradiz a conexidade de \(E\). Portanto, \(f(E)\) é conexo.
O resultado anterior não admite recíproca, e a hipótese de continuidade é essencial.
De fato, a recíproca falha mesmo em \(\mathbb {R}\): se
então \(E\) não é conexo, mas
é conexo. Por outro lado, sem continuidade a conclusão também pode falhar: se
e
então \(E\) é conexo, mas
não é conexo.
No caso de funções reais definidas em intervalos, o teorema anterior se traduz na propriedade do valor intermediário. Como os subconjuntos conexos de \(\mathbb {R}\) são exatamente os intervalos, obtemos o seguinte resultado.
O intervalo \([a,b]\) é conexo. Pelo Teorema 7.37, o conjunto \(f([a,b])\) é conexo em \(\mathbb {R}\). Como \(f(a),f(b)\in f([a,b])\) e \(c\) está estritamente entre esses dois valores, o Corolário 6.95 implica que \(c\in f([a,b])\). Portanto, existe \(x\in [a,b]\) tal que \(f(x)=c\).
Como \(f(a)\neq c\) e \(f(b)\neq c\), segue que esse ponto pertence, na verdade, a \((a,b)\).
Até aqui, conexidade foi tratada sem exigir que soubéssemos construir uma curva entre dois pontos. Agora que a continuidade já está disponível, podemos introduzir uma noção mais geométrica.
7.5 Conexidade por caminhos
Um conjunto pode ser conexo sem que tenhamos descrito como passar de um ponto a outro dentro dele. A conexidade por caminhos exige mais: quaisquer dois pontos devem poder ser ligados por uma curva contínua que permaneça no conjunto.
A diferença entre as duas ideias é importante. Conexidade é uma propriedade de separação por abertos; conexidade por caminhos pede a existência efetiva de uma família contínua de pontos ligando os extremos.
Suponha que \(E\) seja conexo por caminhos e escolha \(p,q\in E\). Existe um caminho
ligando \(p\) a \(q\). Como \([0,1]\) é conexo e imagens contínuas de conjuntos conexos são conexas, \(\gamma ([0,1])\) é um subconjunto conexo de \(E\) contendo \(p\) e \(q\).
Se \(E\) fosse a união de dois conjuntos separados não vazios \(A\) e \(B\), poderíamos escolher \(p\in A\) e \(q\in B\). Mas então o conjunto conexo \(\gamma ([0,1])\) encontraria as duas partes separadas, o que é impossível. Logo \(E\) é conexo.
A recíproca é falsa em geral. Antes do exemplo clássico, há uma situação importante em que as duas noções coincidem.
Fixe \(p\in E\) e seja
Temos \(p\in A\), logo \(A\neq \varnothing \).
Mostremos que \(A\) é aberto relativamente a \(E\). Se \(q\in A\), como \(E\) é aberto existe \(r\gt 0\) tal que \(B(q,r)\subset E\). Para qualquer \(z\in B(q,r)\), o segmento
permanece na bola \(B(q,r)\), que é convexa. Concatenando esse segmento com um caminho de \(p\) a \(q\), obtemos um caminho de \(p\) a \(z\). Portanto \(B(q,r)\subset A\).
O mesmo argumento mostra que \(E\setminus A\) é aberto relativamente a \(E\). Se \(q\notin A\) e \(B(q,r)\subset E\), nenhum ponto dessa bola pode pertencer a \(A\); caso contrário, um segmento dentro da bola ligaria tal ponto a \(q\), e a concatenação produziria um caminho de \(p\) a \(q\).
Assim, \(A\) e \(E\setminus A\) são abertos relativamente a \(E\). Como \(E\) é conexo e \(A\neq \varnothing \), necessariamente \(E\setminus A=\varnothing \). Logo todo ponto de \(E\) pode ser ligado a \(p\) por um caminho.
Considere
e
O conjunto \(G\) é a imagem contínua do intervalo conexo \((0,1]\) pela aplicação
logo é conexo. Além disso,
Como o fecho de um conjunto conexo é conexo, \(S\) é conexo.
Entretanto, \(S\) não é conexo por caminhos. Assim,
é uma implicação estrita.
O capítulo termina, assim, com duas formas de preservar estrutura: continuidade preserva conexidade, e a existência de caminhos transforma essa propriedade qualitativa em uma ligação geométrica explícita entre pontos.
7.6 Exercícios
Suponha que \(f\) seja uma função real definida em \(\mathbb {R}\) e que Verifique se essa condição implica que \(f\) é contínua em \(\mathbb {R}\). Seja \((X,d)\) um espaço métrico e seja \(p\in X\). Prove que a função é contínua em \(X\). Prove que a aplicação é contínua em \(\mathbb {R}^k\). Deduza que, para cada \(a\in \mathbb {R}^k\), a função também é contínua. Se \(f,g\colon X\to \mathbb {R}\) são contínuas, prove que as funções também são contínuas. Seja \(A\) um subconjunto não vazio de um espaço métrico \((X,d)\) e defina Prove que \(\varphi \) é contínua em \(X\). Dê um exemplo de uma função contínua \(f\colon \mathbb {R}\to \mathbb {R}\) e de um conjunto aberto \(U\subset \mathbb {R}\) tal que \(f(U)\) não seja aberto. Considere a aplicação onde Prove que \(f\) é contínua e bijetora, mas que \(f^{-1}\) não é contínua. Se \(f\) é uma aplicação contínua de um espaço métrico \(X\) em um espaço métrico \(Y\), prove que para todo conjunto \(E \subset X\). Apresente um exemplo em que \(f(\overline{E})\) seja um subconjunto próprio de \(\overline{f(E)}\). Seja \(f\) uma função real contínua em um espaço métrico \(X\). Defina Prove que \(Z(f)\) é um conjunto fechado. Sejam \(f\) e \(g\) aplicações contínuas de um espaço métrico \(X\) em um espaço métrico \(Y\), e seja \(E\) um subconjunto denso de \(X\). Prove que \(f(E)\) é denso em \(f(X)\). Se \(g(p)=f(p)\) para todo \(p\in E\), prove que \(g(p)=f(p)\) para todo \(p\in X\), mostrando que uma aplicação contínua é determinada por seus valores em um subconjunto denso. Se \(f\) é uma função real contínua definida em um conjunto fechado \(E\subset \mathbb {R}\), prove que existe uma extensão contínua \(g\) de \(f\) para \(\mathbb {R}\) tal que Mostre que o resultado pode ser falso se \(E\) não for fechado. Seja \(f\colon X\to Y\) uma aplicação entre espaços métricos. Suponha que exista \(L\ge 0\) tal que Prove que \(f\) é uniformemente contínua. Seja \(f\) uma função definida em um conjunto \(E\). O gráfico de \(f\) é o conjunto Suponha que \(E\) seja compacto. Prove que \(f\) é contínua em \(E\) se, e somente se, o seu gráfico é compacto. Seja \(f\) uma função real uniformemente contínua em um conjunto limitado \(E\subset \mathbb {R}\). Prove que \(f\) é limitada em \(E\). Mostre que a conclusão pode falhar se \(E\) não for limitado. Mostre que a definição de continuidade uniforme pode ser reformulada em termos de diâmetros de conjuntos: uma aplicação \(f\colon X\to Y\) é uniformemente contínua se, e somente se, para todo \(\varepsilon \gt 0\), existe \(\delta \gt 0\) tal que para todo \(E\subset X\) com Seja \(f\colon X\to Y\) uma aplicação contínua, onde \(X\) é compacto. Prove que \(f\) é uniformemente contínua em \(X\) pelo seguinte argumento por contradição: suponha que \(f\) não seja uniformemente contínua. Mostre então que existe \(\varepsilon \gt 0\) e existem sequências \(\{ p_n\} \) e \(\{ q_n\} \) em \(X\) tais que Use a compacidade de \(X\) e a continuidade de \(f\) para obter uma contradição. Se \(f\) é uma aplicação uniformemente contínua de um espaço métrico \(X\) em um espaço métrico \(Y\), prove que \(\{ f(x_n)\} \) é uma sequência de Cauchy em \(Y\) sempre que \(\{ x_n\} \) for uma sequência de Cauchy em \(X\). Prove que a composição de duas funções uniformemente contínuas é uniformemente contínua. Enuncie esse fato com precisão antes de demonstrá-lo. Seja \(E\) um subconjunto denso de um espaço métrico \(X\) e \(f: E \to \mathbb {R}\) uma função uniformemente contínua. Prove que \(f\) possui uma extensão contínua única para todo o espaço \(X\). Seja \(I = [0, 1]\) o intervalo unitário fechado e \(f: I \to I\) uma aplicação contínua. Prove que \(f\) possui um ponto fixo, isto é, existe pelo menos um \(x \in I\) tal que \(f(x) = x\). Defina as funções \(f\) e \(g\) em \(\mathbb {R}^2\) por \(f(0,0) = g(0,0) = 0\) e, para \((x, y) \neq (0,0)\): Prove que \(f\) é limitada em \(\mathbb {R}^2\), que \(g\) é ilimitada em qualquer vizinhança de \((0,0)\) e que \(f\) não é contínua em \((0,0)\). No entanto, mostre que as restrições de \(f\) e \(g\) a qualquer reta em \(\mathbb {R}^2\) são contínuas. Uma aplicação \(f: X \to Y\) é dita aberta se \(f(V)\) é aberto em \(Y\) sempre que \(V\) for aberto em \(X\). Prove que toda aplicação contínua e aberta de \(\mathbb {R}\) em \(\mathbb {R}\) deve ser monótona. Dado um subconjunto não vazio \(E\) de um espaço métrico \(X\), defina a distância de \(x \in X\) a \(E\) como \(\rho _E(x) = \inf _{z \in E} d(x, z)\). Prove que \(\rho _E(x) = 0\) se, e somente se, \(x\) pertence ao fecho \(\overline{E}\). Prove que \(\rho _E\) é uma função uniformemente contínua em \(X\). Sejam \(K\) e \(F\) subconjuntos disjuntos de um espaço métrico \(X\), onde \(K\) é compacto e \(F\) é fechado. Prove que existe \(\delta \gt 0\) tal que \(d(p, q) \gt \delta \) para quaisquer \(p \in K\) e \(q \in F\). Sejam \(A\) e \(B\) conjuntos fechados, não vazios e disjuntos em um espaço métrico \(X\). Mostre que a função \(f(p) = \frac{\rho _A(p)}{\rho _A(p) + \rho _B(p)}\) é contínua em \(X\), possui imagem em \([0, 1]\) e satisfaz \(f(p) = 0\) se \(p \in A\) e \(f(p) = 1\) se \(p \in B\). Uma função real \(f\) definida em \((a, b)\) é dita convexa se \(f(\lambda x + (1-\lambda ) y) \leq \lambda f(x) + (1-\lambda ) f(y)\) para quaisquer \(x, y \in (a, b)\) e \(0 \lt \lambda \lt 1\). Prove que toda função convexa é contínua. Suponha que \(f\) seja uma função real contínua em \((a, b)\) que satisfaz \(f(\frac{x+y}{2}) \leq \frac{f(x) + f(y)}{2}\) para todos \(x, y \in (a, b)\). Prove que \(f\) é convexa. Para subconjuntos \(A, B \subset \mathbb {R}^k\), defina a soma de Minkowski \(A + B = \{ \mathbf{x} + \mathbf{y} : \mathbf{x} \in A, \mathbf{y} \in B\} \). Se \(K\) é compacto e \(C\) é fechado em \(\mathbb {R}^k\), prove que \(K + C\) é fechado. Demonstre, por meio de um contraexemplo em \(\mathbb {R}\), que a soma de dois conjuntos fechados não é necessariamente fechada.